31.5.21

Miguel Cardoso é treinador do Rio Ave

Durante a conferência de imprensa de ontem após o jogo em que o Eng. Edmundo explicou a ausência do presidente com o contágio por Covid19 (assim como o Director Geral e já agora rápidas melhoras para ambos) e em que o Director Desportivo André Vilas Boas não deixou ninguém de fora na hora de encontrar responsáveis pela má época, um jornalista lembrou que ainda não tinha sido oficializada a saída de Miguel Cardoso do comando técnico do Rio Ave, apesar de ter sido Augusto Gama a assumir a equipa na 2ª mão do playoff.

A pergunta ficou sem resposta, ou melhor, teve uma resposta evasiva. Foi uma excelente questão. Até agora (e acho que não vi mal), ainda não houve qualquer esclarecimento sobre o que aconteceu ao treinador principal. Não esteve no jogo, mas ainda ninguém nos disse que já não é nosso treinador.

Este é um episódio mais a marcar aquela que terá sido a pior época de sempre do Rio Ave. Provavelmente não foi a época com menos pontos ou menos golos ou menos vitórias (confesso que não fui conferir números, a presença de espírito não é a melhor), mas para mim é a pior porque de grandes expectativas pelo que prometemos na abertura da época, passámos a uma queda vertiginosa e absolutamente inesperada. E não haverá coisas muito piores que uma grande desilusão.

30.5.21

O campeonato acabou e descemos de divisão.

Fomos derrotados de novo pelo Arouca. 0-2, pesado demais para a realidade do jogo de hoje. Mas há que reconhecer que o adversário foi melhor que nós nas duas mãos, mostrou atributos que nós tivemos para ser superior e troca connosco de divisão.

Não é o fim do mundo, mas é o fim de uma bela história de 13 anos onde há muito para nos orgulharmos. No entanto, só história não basta e no campo não soubemos honrar este passado recente. Tudo espremido foi isso, faltou muito futebol jogado ao Rio Ave de 2020/2021 para se fazer merecedor de prolongar o ciclo de primeira liga. Tivemos o que merecemos. Nos próximos dias há muito do que falar. 

27.5.21

Miguel Cardoso de saída

Ainda não há confirmação nem desmentido, mas a notícia já circula pelos órgãos de comunicação, como n' A Bola, por exemplo. 
A confirmar-se é uma notícia que eu não esperava. Não agora. Mas, a acontecer, é sinal que os créditos do treinador estavam esgotados por completo e que não havia confiança na crença que o treinador  ontem mesmo afirmava ainda ter em sermos capazes de virar o mau resultado da primeira mão. 

É uma decisão tardia? Errada? Em essência errado foi trazer o treinador que nunca mostrou capacidade de reverter os maus resultados. Cardoso é mais um episódio infeliz deste malfadado 2020/2021. Mas Cardoso só é responsável pelas decisões que tomou e que não resultaram. Não iludiu nem enganou ninguém, já era figura conhecida no clube. A escolha de um treinador para este jogo final é sinal que a Direcção acredita que uma pessoa diferente vai ser capaz de operar uma mudança radical no espírito da equipa e trazer a vitória e permanência? Tudo indica que sim, ou não abdicaria agora de Miguel Cardoso. Se a notícia se confirmar... 

Gama parece ser o escolhido para tentar o milagre no próximo domingo. Que a sorte o acompanhe. 

Derrota por 3-0 em Arouca: absolutamente inqualificável

Derrota perfeitamente adequada ao jogo. Houve uma equipa mentalizada em procurar vencer e outra que esteve em campo a marcar presença. A diferença de vontades foi de tal forma gritante que só podia haver um vencedor.

O Rio Ave fez lembrar o nobre arruinado que está consciente da sua miséria, mas que é incapaz de mudar de hábitos para alterar a sua situação. Como se pode fazer sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes? O grau de teimosia roça o ridículo e tem-nos prejudicado de tal forma que é incompreensível.

Por muito que queira para mim mesmo dizer que é ainda possível reverter este resultado, eu não acredito. Tiro o chapéu a quem acreditar, mas eu sou alma sem fé. A equipa não me faz acreditar, o grupo todo, treinador incluído, não me traz confiança. Parece que o Rio Ave só treina posse de bola e nada mais. Só há um modelo de jogo, temos uma equipa amarrada a uma ideia, convencida e arrogante.

Domingo não deixarei de ver o jogo. Mesmo com o confesso desalento e sem crença não consigo não ver. O Rio Ave faz-me mal, mas fico ainda pior se não vir. 

19.5.21

Nacional: e o campeonato ainda não acabou.

A imagem ilustra a cabeçada de Mané que nos deu a vitória na Madeira. Não valeu para nos dar a salvação directa porque o Boavista ganhou em Barcelos e a nossa posição na tabela não se alterou. Cedo se percebeu que não íamos descer automaticamente porque o Sta Clara estava a vencer claramente o Farense. Restava então esperar por uma vitória do Braga e por ou empate ou derrota do Boavista para sonhar com ir já de férias com permanência na Primeira Liga, se fossemos capazes de ganhar ao Nacional, claro. A nossa vitória chegou, tarde mas chegou, mas lá está, o Boavista também fez pela vida. 

O jogo foi um massacre. O Nacional até se adiantou no marcador fruto da nossa "suavidade" defensiva, mas já antes tínhamos ameaçado marcar e daí para diante dá perder a conta das oportunidades que conseguimos perder. É incrível como a equipa desperdiça tantos golos. Não sei se é caso de psicólogo ou de bruxo.

Sábado vamos ficar a saber com quem vamos disputar o playoff. Venha quem vier, somos claramente favoritos. Até termos de jogar de novo acho que a equipa só tem de treinar a finalização. Posse de bola eles sabem fazer, defender é mais ou menos, mas nem de defender vão precisar se aproveitarem as oportunidades que criam. 

11.5.21

Derrota nos Açores: francamente...

Mais uma vez demonstrámos uma incapacidade impressionante. Esta equipa parece que não sabe que está a lutar para não descer. Onde está a garra, onde está a entrega, onde está a vontade de ganhar? Onde está a tal qualidade que muita gente diz que temos mas que não se vê em lado nenhum? Onde está a crença? 

É confrangedor ver os nossos jogos, é irritante até. A maior esperança que tenho é que quem está abaixo de nós não seja capaz de fazer melhor que nós. Depender de terceiros é agonizante, mas se não fazemos o nosso trabalho, é praticamente isso que nos resta. Não consigo dizer muito mais que isto sem ser deselegante. 

9.5.21

Presidente não iliba jogadores, mas...

(declarações à Rádio Onda Viva tiveram eco na edição de hoje de O Jogo) 

... não é contundente nas críticas. Entendo que ASC não quer criar mais um foco de instabilidade. 

A eliminação da Liga Europa leva com a maior fatia de culpa para o momento actual da equipa. Não é feita qualquer referência às mudanças de treinador, nem às entradas no mercado de Inverno. Mais uma vez parece que o Presidente estará à espera do final da época para "abrir o livro". 

6.5.21

Derrota com o Sporting: mostrámos pouco para quem precisa de muito.

Ouvi durante a semana Miguel Cardoso a falar na necessidade de "ferirmos" o adversário. A mensagem não passou. Fomos a jogo sem armas, teríamos na melhor das hipóteses uma pena mas nem cócegas fizemos. Não me recordo de um jogo em que nem uma jogada de perigo tenhamos criado. Foi hoje. Foi das nossas prestações mais pálidas, mais aborrecidas, mais desprovidas de ânimo. Então a primeira parte foi tão pobre, tão triste que chego a pensar que quando o jogo começou já estávamos a perder por uma diferença irrecuperável. A segunda parte foi ligeiramente melhor. Mas só ligeiramente, continuou a faltar a tal  capacidade de "ferir" o adversário, de o fazer temer e tremer.

A exibição desta noite foi de certa forma a radiografia do que tem sido a temporada. Incapacidade, intranquilidade, incerteza. Mas ainda não é tempo de limpar armas, nem de estar derrotados. Há 9 pontos pra conquistar e é preciso que a equipa acredite que é capaz. Não pode é ser com exibições como a de hoje. 

2.5.21

O empate em Portimão


Não pude acompanhar o jogo de Portimão nem por TV nem pela rádio. Não ver nem ouvir não é sinónimo de alheamento nem de falta de sofrimento. Joga o Rio Ave e há sempre ansiedade, mais até num momento como este. Sofre-se na ignorância.
O resultado não foi bom. Sim, um ponto é melhor que nenhum, mas um ponto só nesta altura não satisfaz. Temos agonia para mais 4 jogos se continuamos a não conseguir aumentar a margem sobre quem nos segue.
Não sei que terapia será eficaz para chegar às vitórias, mas seja ela qual for, quer não se demore a encontrar. 

26.4.21

A expulsão do Presidente

O Presidente do Rio Ave deve ser o de mais low profile de toda a Liga Nos.
 Goste-se ou não, ache-se adequado ou não, a postura do Rio Ave tem sido de grande respeito e aceitação de decisões, mesmo quando em determinados momentos é sentimento geral que as decisões das arbitragens nos têm prejudicado. Não é hábito haver manifestação enérgica de posições institucionais ou explosivas opiniões a quente. A sua expulsão do Presidente é por isso um acontecimento em si. O projecto ambicioso para este ano ruiu como um frágil castelo de cartas e nem o mais alto dirigente do clube consegue ser imune à pressão dos resultados. 

ASC tem estado é muito na mira de uma franja de adeptos. Seguramente impulsionados pela desilusão dos resultados, quem contesta o presidente não se tem poupado nas críticas, seja pelas escolhas para treinador, contratações de jogadores, falta de informação sobre a construção da nova bancada, cores das camisolas, obras nos balneários e tudo que for assunto do clube. Entre o que considero justo nalguns aspectos e exagerado noutros, não esqueço de onde vimos, o que somos e o que está projectado. Não posso deixar de estar solidário com o presidente neste momento menos bom. 

No que toca à disciplina da Liga, o comportamento exemplar de ASC não o deve livrar de um castigo e multa. Vamos ver se não vem por aí mais um daqueles disparates em que somos pródigos em Portugal. 

25.4.21

1-1 com o Paços: podíamos e devíamos ter ganho.

Se o Paços vinha de 4 derrotas consecutivas tinha ainda assim a seu favor o desafogo de um lugar na tabela tão tranquilo que se calhar nunca o teria sonhado ao iniciar o campeonato. Mesmo que as coisas não estejam a correr bem ultimamente aos pacenses, poder jogar sem pressão é sempre uma vantagem. Já nós é o que sabemos: grandes ambições este ano, tudo a bater errado e o fundo da tabela muito perto. Miguel Cardoso não teve Mané nem Ronan de início e também abdicou de Geraldes e Pelé. Coentrão foi extremo direito, Gabrielzinho ficou com a esquerda e Pedro Amaral foi titular na defesa. Começámos de forma razoável, até fizemos um golo que foi anulado por fora de jogo e depois parecíamos ter o Paços mais ou menos controlado. O nosso estilo era o de sempre com Miguel Cardoso, muita posse, muito passe, mas a falhar o ataque à baliza adversária. O Paços foi despertando e chegou ao golo, não pelo seu jogo exuberante e perigoso, mas pela sua objectividade e tranquilidade, quando nós até já tínhamos falhado uma excelente oportunidade uns minutos antes. Parecia que ia ser a repetição de outros jogos com a bola a passar de pé pra pé, da esquerda para a direita num passo mastigado e fastidioso, mas sem criar perigo. E se até ao intervalo não fizemos nada de muito calor, as entradas de Geraldes e Brandão mexeram muito com o jogo. O ponta de lança pressionou muito a até ali sossegada defesa amarelo e o médio deu mais e melhores ideias e movimentos ao nosso jogo. Empatámos cedo por Coentrão e sempre deu a ideia de que íamos chegar à vitória mais minuto menos minuto. 

Dala acertou num poste e a bola ficou caprichosamente enrolada sobre a linha de golo; o Paços já não se esticava porque Tanque e Uilton já tinham saído sem forças e parecia contente em tentar segurar o empate. O jogo era nosso e preparavamo-nos para o ataque à vitória não fosse a expulsão de Ivo Pinto. Sobre isso já falei num outro texto. O que me fica é a ideia de que íamos ganhar. Tivemos a união que o Presidente pediu, falhou maior controlo emocional para não transformar uma falta ofensiva num vermelho directo por palavras. Foi uma desilusão não ganhar um jogo que era muito importante. As contas complicam-se, o nervosismo aumenta. Houve bons sinais no encontro de hoje, agora é preciso ir buscar a vitória no próximo jogo fora. 

Descontrolo emocional

O árbitro de hoje merece-me uma referência: fraco. Toda a gente se queixa que em Portugal há pouco tempo útil de jogo, que os jogadores simulam muito, param muito, perdem demasiado tempo por qualquer motivo. Concordo que digam que é a cultura estabelecida, que é algo que está no ADN do nosso futebol. Mas não tenho de concordar que os árbitros sejam levados pelas artes teatrais dos jogadores e validem esses comportamentos. Muito menos aceito que com a tecnologia de VAR apitem a cada 15 segundos, a cada contacto, a cada rajada de vento. Se os árbitros apitarem menos, os jogadores cairão menos. Se alguma falta não sancionada influir num resultado, o VAR que auxilie. 
Isto leva-nos a Ivo Pinto. Amarelo chegava para a reacção que teve? Sim, aliado a uma multa pesada se o árbitro se achasse muito ofendido na sua honra ou fosse lá o que fosse. Mal o árbitro. Exibir vermelho directo com tanta facilidade é uma patetice. Há pelo menos uma reacção de um jogador do Paços junto do quarto árbitro com imenso fervor que nem amarelo mereceu. Tenho, no entanto, de concordar que Ivo se coloca a jeito com demasiada facilidade. Gosto muito da raça do Ivo, mas alguma contenção a forma como se manifesta verbalmente só o beneficiava. No turbilhão de emoções que a sua expulsão gerou também o presidente acabou expulso.
Olhando para os nossos últimos 5 jogos são 4 expulsões. A de hoje e a de Filipe Augusto contra o Gil Vicente são de descontrolo emocional. Também a de Léo Vieira no Bessa, mas nesse caso o jogador estava no banco.

A estabilidade emocional faz muita diferença  e nota-se mais quando tudo nos corre mal. Esta temporada tem falhado muitas vezes e não se tem encontrado solução. Ainda há tempo, mas não convém ficar parados na revolta do que se considera  ter sido injusto. 

23.4.21

As palavras de ASC ao Record

As palavras do presidente ao Record com reprodução no site e redes sociais do clube tiveram repercussão negativa junto de um número considerável de adeptos, a julgar pelas reacções sobretudo no Facebook.
Reclamava-se (reclamavam alguns) do Presidente mais visibilidade neste momento mais delicado e ele apareceu. Não sei dizer se foi na hora certa, mas o Presidente apareceu. A mensagem não é muito diferente da que eu passaria se estivesse no leme do clube: união. Haverá certamente conclusões já tiradas sobre os motivos de termos uma prestação tão abaixo do esperado, mas não me parece que seja já, agora, o momento de fazer o julgamento e condenação. Que poderia dizer mais ASC do que aquilo que disse? Assumir que é culpado de tudo, que só fez más escolhas e que no Rio Ave é tudo mau? Ou sacudir responsabilidades e  começar a apontar dedos e nomear culpados? Acusar os atletas de mau profissionalismo, os treinadores de incapazes ou outros elementos da estrutura como incompetentes? É isso que vai de um momento para o outro por a equipa a jogar melhor, que vai fazer os golos aparecerem do nada? Eu acho que não. Se a panela já ferve, não interessa aumentar o lume. 
É evidente que houve erros no planeamento da temporada e erros ao procurar emenda-los. Terminada a temporada faça-se a apreciação, dispense-se quem tiver que se dispensar se o seu trabalho é fraco, se o comportamento é errado e prejudicial ao clube, se houver quem não tenha sabido ou querido honrar as nossas cores.
Se vamos andar a pedir cabeças na guilhotina e sangue na calçada todos os dias estamos a contribuir para o desacerto. Eu não estou para aí virado agora. Tenho um desencanto do tamanho do mundo, mas ainda há uma época pra salvar. 

21.4.21

Maritimo: precisa-se de comprimidos para a confiança

Acho que hoje dissemos definitivamente adeus à Europa. Já só nos faltam 6 jogos e o Paços que também perdeu esta jornada apesar de tudo já está um bocado longe demais. A ansiedade que se vivia pela esperança de chegar de novo a um lugar europeu deve desaparecer definitivamente. Agora vamos poder jogar descontraídos, praticar bom futebol, valorizar o espectáculo e vamos conseguir bons resultados. No final vamos poder dizer que podemos ter falhado, mas que  saímos de cabeça erguida.

Hoje faltou confiança. Já tem faltado noutros jogos, mas hoje foi mais evidente. Esmagamos o Marítimo contra a parede, mas o moral falhou para termos a dianteira nas situações de um para um, naqueles desequilíbrios que vergam as defesas adversárias. Quando a confiança está em níveis de depósito na reserva, qualquer pequeno erro transforma-se em desastre, qualquer ataque dos opositores torna-se em situações de golo eminente. Hoje foi de novo assim. Hoje vi de novo os penalties contra o Milan, essa assombrada memória que nos minou toda a temporada, essa semente depressiva de tristeza persistente que germinou dentro de nós, essa outra pandemia que vivemos acorrentados sem força pra quebrar um elo e escapar velozes como a nortada. 

Até já Europa. Para o ano não vamos aí, mas não deixaremos sonhar e lutar pelo regresso. 

12.4.21

Ainda sobre os dedos em riste do treinador.

foto: site oficial do Rio Ave

Não devemos reclamar para nós em cada momento, em cada situação, um regime de excepção para o que, em circunstâncias normais, consideramos ser a atitude, o comportamento, o padrão exigíveis a outros. Encontrar sempre um escape para justificar estarmos nós, grupo ou individuo, dispensados de cumprir com o que exigimos e apontamos a outros é desonesto. Pode ser confortável para o nosso ego, mas no fundo só nos retira credibilidade. 

Não é, pelo histórico do nosso actual treinador, de todo o caso. O treinador justificou-se na conferência de imprensa, o clube e muito bem, publicou um comunicado. Concedo e condescendo ao treinador a humanidade do acto. Gostava, porém, que Miguel Cardoso para além de tudo o que disse na conferência de imprensa, não pedisse apenas desculpas ao Boavista. O treinador afirmou estar bem consciente da sua responsabilidade social e no seguimento desse contexto apresentasse desculpas pelo acto em si. Não o fez, admito que não tenha sido propositado, nem sempre a presença de espírito num momento assim nos ajuda e não ajudou nem na conferência de imprensa, nem antes quando fez o gesto.

Espero que não se repita, espero que não torne o treinador alvo de constantes provocações no futuro à procura de mais reacções semelhantes, espero, ainda que desesperançado, que o futebol seja só bola a rolar e atletas em competição pela vitória. Espero ainda para ver se haverá castigo ao treinador.

Sem perdão!

Achar que podemos justificar no final do jogo, gestos intempestivos, e conseguir passar pelos pingos da chuva sem punição, é "bacoco", ridiculo, e só piora ou aumenta o próprio gesto. Mister, eu não quero saber se pede ou não desculpa ao Boavista, eu exijo é que me peça desculpa a mim, ao clube, aos adeptos e sócios, e a todos os jogadores incluindo camadas jovens! 
MC eu não me revejo em nada do que aconteceu e culpo-o exclusimente por tudo o que de mal ainda se vai dizer sobre o Rio Ave! Saber estar, tem de ser tão ou mais importante, que a propria capacidade desportiva para fazer bons resultados! O nosso presidente não merecia tamanha falta de respeito! Nós TODOS não o merecíamos, e não apenas os do Boavista! 
Quanto  ao jogo, voltarei a falar mais tarde! 
passo palavra! Repito, https://drive.google.com/uc?export=view&id=1ueFTCMB3K7-pQlc7fk1vsn1s2lp-exht
Passo palavra!

10.4.21

Boavista, 3-3: icebergue.

O gesto do nosso treinador após o 3-3 é incontornável. Num jogo que não vi nem consegui ouvir relato, esperaria ao consultar a imprensa online encontrar um pouco mais de informação sobre o jogo. Afinal foi recheado de emoções, teve 6 golos, uma expulsão, um penalty falhado. Mas não, é o gesto do treinador que prevalece, que vai ficar na memória de toda a gente. Tenho de concordar que é normal que assim seja de tão anormal, nada usual e completamente inusitado. Um gesto assim nunca fica bem. Eu sinto-me incomodado que tenha sido feito por um dos nossos. Olhá-lo como algo espontâneo e saído do nada, algo de pura rudeza, parece-me minimalista. Acredito, quero acreditar, que o gesto foi só a ponta do icebergue. A parte invisível do icebergue não sei o que foi. Terá sido por provocações, terá sido por descarga de adrenalina depois de alguma frustração pelo jogo de hoje e os resultados mais recentes? Não sei. Faço votos que Miguel Cardoso consiga ser mais contido neste tipo de manifestações, mas não consigo apontar-lhe o dedo e julgá-lo somariamente mesmo sentindo incómodo pelo que aconteceu.

Como referi, não vi nem ouvi nada do jogo. Tinha uma secreta esperança de chegar ao Bessa e vencer com uma exibição boa. Acho-nos globalmente bem mais fortes que o Boavista. Foi pena desperdiçar um penalty e dar vantagem ao adversário com um autogolo. Terá sido mais uma tarde de astros virados contra nós ou nós virados contra eles. Vou esperar pelos jornais de amanhã para perceber. 

7.4.21

A relação do Rio Ave com os adeptos


Com a derrota caseira do último fim de semana agudizou-se um mal-estar entre os adeptos rioavistas. Ninguém gosta de ver o seu clube perder. A época tem registado resultados muito aquém das expectativas e com facilidade têm surgido dedos em riste apontados a diversos alvos, mas com preferência a jogadores e à Direcção. O Rio Ave tem uma forte presença nas redes sociais e sendo isso muito positivo, acaba por facilitar também a exposição a manifestações de desagrado de quem segue o clube. Cada moeda tem o seu reverso e é preciso saber viver com isso. Já anteriormente tinham surgido notas sobre censura nos comentários sobretudo no Facebook, situação que após a derrota com o Gil Vicente terá voltado a repetir-se.

A situação justificou inclusive uma tomada de posição do Provedor dos adeptos no site do clube no dia dia de ontem.

A forma como cada um se manifesta nas redes sociais é apenas sua responsabilidade. Acho que o clube faz muito bem em apagar um comentário quando acha que o limite da decência ou do bom-senso tenha sido ultrapassado. Já não entendo que apague um comentário quando o teor do mesmo não lhe agrade e, pelo que percebi, é disto que se trata. Como disse, há muitos proveitos a tirar da presença nas redes sociais, mas também há custos e um deles serão as manifestações de desagrado dos adeptos. Há que saber conviver com isso, por muito que nos custe ler coisas que não nos agradam. Não concordo com muita coisa que vejo nos comentários no Facebook do clube. mas tenho que perceber que há muitas sensibilidades distintas da minha e, regra geral, não as acho ofensivas da dignidade de ninguém.

Ter um clube onde só se espera que os adeptos batam palmas e aceitem sem crítica ou sem pensamento divergente tudo o que aconteça, é irreal. Estar num clube e desvalorizar quem o segue, quem o vive intensamente não faz sentido. Se o clube fosse uma SAD detida a 100% por uma pessoa que pagasse todas as contas e a quem fosse indiferente ter ou não adeptos, eu aceitaria. Não é o nosso caso. 

Na minha opinião, o clube comunica bem, tem um departamento que faz um trabalho digno, mas tem de aprender a viver com a diferença de opiniões. 

5.4.21

Detalhes de uma época sofrível

 O site da Liga fornece-nos dados estatísticos que nos permitem ter uma ideia mais detalhada do nosso desempenho jornada após jornada. A estatística nunca explica tudo, mas ajuda a entender muita coisa que por norma encontra reflexo na tabela classificativa. A tabela diz-nos que estamos na sua metade inferior. E as estatísticas?


Hoje por hoje, o que as estatísticas nos mostram é que somos um clube abaixo da média, sobretudo no que toca ao ataque, um dos 4 grandes grupos em que se divide a análise feita pela Liga. Estamos abaixo da média em todos os pontos de análise. Onde mais nos aproximamos da média é nos "remates na direcção do guarda-redes" onde o desvio é de apenas 1.61%, sendo que em valores absolutos temos 61 contra 62 de média. Os dois seguintes que mais se aproximam da média da liga são "golos de pé direito de fora da grande área" com média 2, contra 2.17 de média da liga, desvio de 7.83% e "penalties" com média de 4 contra os 4.39 de média da liga, um desvio de 8.88%. Estar abaixo da média não é mau em todos os pontos, temos por exemplo menos remates para fora do que a média da liga. 

No que toca ao desempenho defensivo as coisas não são tão más e estar abaixo da média é positivo em certos casos. Nos 5 pontos de análise à "Defesa", o nosso desempenho é melhor que a média da liga nos golos sofridos, nas bolas perdidas e nos remates interceptados. 

No grupo designado "Jogo de equipa" em 6 pontos só somos melhores que a média em um, nos cruzamentos com sucesso pela esquerda. Aqui era importante estar acima da média em todos. 

Já na "Disciplina" temos menos amarelos e vermelhos que a média, mas mais foras de jogo.

Toda a informação pode ser conferida a partir desta ligação.

3.4.21

Gil Vicente: que meninos.

Só me ocorre falar em tiros nos pés. Tenho muita dificuldade em falar depois de um jogo tão mal conseguido. Em falar, em jantar, em manter os olhos abertos. O Rio Ave joga o pior futebol da primeira liga.
Quando tudo corre mal, corre mesmo mal. Camacho lesiona-se, Aderllan se calhar também (ainda não fui à procura de saber o que lhe aconteceu, estou sem vontade...) ACTUALIZAÇÃO: falta de memória, mea culpa: Aderllan estava castigado!
e Pelé também não regressou bem da selecção da Guiné. As ausências são importantes, mas o plantel tem mais soluções. Não são jogadores iguais, nunca são, mas são alternativas, são escolhas válidas para formar sempre um 11 que seja capaz de vencer. Hoje não foram. Hoje só conseguimos ter ascendência por um período curto quando o treinador tirou Brandão e meteu Guga. Sobre Brandão não há muito a dizer. Lutou, correu, foi atrás da bola. O futebol do Rio Ave não parece gostar de um ponta de lança, Brandão ou outro. O treinador gosta de ter bola, gosta de tecer teias, de ter bola no pé, de ter controlo, de centralizar o jogo, de partir em posse de uma baliza à outra. Não parece haver alternativa a este modelo. Miguel Cardoso gosta do futebol assim, mas não terá no plantel jogadores que o satisfaçam totalmente para lhe permitir jogar como gosta. Talvez deva procurar adaptar-se ao que tem, procurar com estes atletas criar uma forma de jogar que dê mais frutos. Mas não sei se tem flexibilidade para tal. Para quem gosta tanto de ter sempre o controlo das operações e de ter um plano bem mecanizado, foi curioso ver a mudança de ideias em cima de uma substituição e não usar nem Pelé nem Anderson e que estavam prontos pra entrar e optar por Ronan. Pelé chegou a estar junto da linha com o quarto árbitro à espera de uma paragem para entrar. Pareceu desnorte. E desnorte parece toda a temporada. É natural que nestes momentos tudo se questione. Quando se tem o sal a ser esfregado numa ferida aberta é mais difícil de conter as críticas. A época é atípica, prometia imenso, mas está a servir-nos do pior que já provámos em muito tempo. Que se faça uma reflexão e que se aprenda. Não é tudo mau, mas encontramos mais feijão com bicho do que aquele que vamos poder cozinhar. A equipa partiu-se e a cola que se usou pra se consertar não está a ser muito eficaz.

Tudo espremido, perdemos porque o Gil Vicente foi melhor que nós. Não tinha tido até marcar melhores oportunidades que nós, mas jogava melhor, mais objectiva, mais solidária, mais decidida. Nós não fomos os homens que o treinador falava há umas semanas atrás. 

21.3.21

B Sad: tudo pra ganhar e só deu empate.


Começando pelo fim: Miguel Cardoso queixava-se na flash interview que pouco se jogou fruto das constantes paragens no jogo. Eu concordo. Mas também acho que uma parte muito substancial da responsabilidade de termos tido o jogo que tivemos foi nossa.

O início do jogo até foi prometedor: primeira jogada ofensiva, Camacho isolado, falta do guarda-redes adversário que é expulso e livre perigoso. Do livre nada resulta e o que veio depois foi fraco, muito fraco. Já se esperaria que a B Sad viesse a Vila do Conde para jogar fechada e a apostar no nosso erro. Confirmou-se e reforçou-se essa ideia com a passagem do tempo. A B Sad plantou-se em posições defensivas muito sólidas e ficou à espera. E muito esperou, porque o Rio Ave primou por estar ausente do jogo. A ideia que me fica é que foi um jogo de pré-temporada contra um adversário da terceira divisão. O adversário vinha pra defender, mas como cedo ficou reduzido a 10, cerrou fileiras. O Rio Ave confiante na sua qualidade achou que seria um jogo de paciência, bastava estar lá que algo acabaria por acontecer, mais que é não fosse, as camisolas ganhariam o jogo. Se calhar o problema foi jogarmos de amarelo. Mas nada aconteceu. O Rio Ave não pressionou, não carregou, não teve confiança para arriscar no um para um, não criou desequilíbrios, foi lento, desinspirado, trapalhão. A B Sad não teve muito trabalho, não se desgastou, ficou atenta e sem suor, sem aflição resolveu tudo. Quando algo falhou na defesa deles, apareceu o poste a resolver. E essa cabeçada ao poste de Camacho foi um oásis.
Foi muito pobre a nossa produção. Como se quer ganhar um jogo se contra 10 não se faz sentir ao adversário que está com menos 1 e que vai ter de sofrer muito para não perder? Por isso, mesmo concordando com Miguel Cardoso no que toca ao tempo de jogo, há que fazer uma autocrítica também forte. A equipa deve fazê-lo e o treinador também deve fazê-lo, porque não foi capaz de arranjar forma de contornar o adversário, queimou substituições e até atirou com a moral de Meshino para o fundo do poço. Metê-lo em jogo e depois tirá-lo foi cruel. Não sei o que o jogador pensará e sentirá, mas nas circunstâncias em que aconteceram estas trocas eu não estaria nada feliz. Miguel Cardoso esteve mal, como também acho que errou na saída de Costinha.

Tal como o empate de Moreira de Cónegos, mais um ponto com sabor a derrota.