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4.10.26

Sotiris despede-se do Rio Ave e agradece à família Marinakis

 

Sotiris Sylaidopoulos despediu-se do Rio Ave através das redes sociais, deixando uma mensagem de agradecimento a todos aqueles que o acompanharam durante a sua passagem por Vila do Conde.

Já depois de confirmada a sua saída e da chegada de Vasco Seabra para assumir o comando técnico dos rioavistas, o treinador grego fez questão de assinalar publicamente o fim da sua ligação ao clube.

Sotiris agradeceu aos jogadores e a todos os funcionários que trabalharam com ele, não esquecendo os adeptos e a forma como foi recebido em Vila do Conde.


Na despedida houve também uma referência especial à família Marinakis e à administração do Rio Ave, a quem agradeceu a oportunidade que lhe foi dada para assumir o comando técnico da equipa.

O treinador salientou ainda a dedicação que colocou no trabalho durante a sua passagem pelo clube e aquilo que leva desta experiência, tanto do ponto de vista profissional como pessoal.

É uma despedida serena, ao estilo do treinador. Termina uma passagem que acabou por ser bastante mais curta do que provavelmente todas as partes imaginavam quando Sotiris chegou a Vila do Conde.

Os resultados e as fracas exibições da equipa, acabaram por ditar a mudança.


1.10.26

Sotiris: os números de uma passagem que dificilmente deixará saudades


A saída de Sotiris Silaidopoulos já era esperada por grande parte dos adeptos e acabou por ser oficializada hoje pela Rio Ave SAD. O técnico grego deixa Vila do Conde após cerca de 15 meses no comando da equipa principal.

Mais do que opiniões, vale a pena olhar para os números.

Na temporada 2025/2026, a sua primeira ao leme, o Rio Ave terminou o campeonato com:

  • 8 vitórias
  • 12 empates
  • 14 derrotas
  • 35 golos marcados
  • 57 golos sofridos

Uma campanha que resultou no 12.º lugar e numa média de apenas 1,06 pontos por jogo.

Ainda nessa época, houve também a eliminação precoce da Taça de Portugal frente ao Sintrense, uma equipa do Campeonato de Portugal, logo no primeiro jogo oficial da competição.

Se os números da primeira época já estavam longe de entusiasmar, o arranque da segunda revelou-se ainda mais preocupante.

Em sete jornadas da Liga 2026/2027, Sotiris somou:

  • 1 vitória
  • 1 empate
  • 5 derrotas
  • 5 golos marcados
  • 15 golos sofridos

O equivalente a apenas 0,57 pontos por jogo.

Também merece destaque o rendimento caseiro. Em 2025/2026, o Rio Ave somou apenas 0,88 pontos por jogo nos Arcos, sendo curiosamente mais forte fora de casa, onde alcançou 1,24 pontos por encontro.

Já nesta temporada, os números agravaram-se:

  • 0,33 pontos por jogo em casa
  • 0,75 pontos por jogo fora
  • 0,57 pontos por jogo no total

No acumulado das duas temporadas, Sotiris deixa o Rio Ave com:

  • 41 jogos oficiais
  • 9 vitórias
  • 13 empates
  • 19 derrotas
  • Média inferior a 1 ponto por jogo

Os dados estatísticos ajudam também a enquadrar historicamente esta passagem. Apesar de ter conseguido entrar para o grupo dos treinadores com mais jogos realizados pelo Rio Ave — sendo o 7.º técnico com mais partidas orientadas — surge simultaneamente entre os piores registos do clube no que toca à média de pontos conquistados, ocupando o 8.º lugar entre os treinadores com pior rendimento pontual.

Pos. Treinador Jogos Média Pontos/Jogo
1º Carlos Carvalhal 34 1,62
2º Luís Castro 24 1,58
3º José Gomes 13 1,46
4º Quinito 30 1,40
5º Pedro Martins 68 1,37
6º Daniel Ramos 19 1,37
7º Miguel Cardoso 53 1,32
8º Félix Mourinho 74 1,31
9º António Morais 22 1,27
10º Nuno E. Santo 60 1,23
11º Petit 24 1,21
12º Carlos Brito 298 1,20
13º Nuno Capucho 10 1,11
14º Luís Freire 78 1,10
15º António Sousa 24 1,08
16º Pedro Cunha 4 1,00
17º Mário Silva 11 1,00
18º Mário Reis 38 1,00
19º Sotiris Silaidopoulos 41 0,98
20º Mário Juliato 24 0,92
21º Duarte/Reis/Soares 7 0,86
22º João Eusébio 23 0,78
23º Fernando Cabrita 11 0,73
24º Ruben Garcia 12 0,33
25º Henrique Calisto 13 0,15
26º Augusto Gama 2 0,00
- TOTAL 1017 1,19


A história fica agora encerrada. E, olhando para os números, dificilmente alguém poderá argumentar que a decisão chegou cedo demais.

(Agradecimento ao Sérgio Oliveira, do blog Rioavíssimos, que cedeu estes dados estatísticos. Uma verdadeira enciclopédia estatística do Rio Ave.)

Ser bem educado não chega!

Provavelmente a saída já estava a ser tratada anteriormente (embora o plantel tenha sido apanhado desprevenido ontem de manhã), mas depois dos resultados do inquérito de opinião que publicámos a margem para Sotiris continuar era ainda mais estreita. Seria interessante saber se sai pelo seu pé ou se vai empurrado.

Mal se soube da notícia, dezenas de Rioavistas respiraram de alívio, ainda mais porque o sucessor é reconhecidamente um dos melhores treinadores portugueses da atualidade. No Facebook do Rio Ave, a mesma coisa, embora um ou outro adepto tenha deixado elogios a Sotiris. A quê? Ser uma pessoa muito educada.

É verdade. Ninguém gosta de arruaceiros (lembram-se de um jogo no Bessa há poucos anos?). Mas o futebol é ganhar e perder (empatar, no caso de Sotiris🥴). E quando, no momento da despedida, se elogia apenas esse facto está tudo dito sobre o treinador em causa.

Na época passada fui dos primeiros a pedir a sua saída e escrevi que nem devia ter começado esta temporada. Sotiris pode vir a ser um grande treinador - só lhe desejo o melhor - mas em Vila do Conde mostrou-se incompetente e sem estaleca para mais.

O melhor? Ser educado. O pior? Só se aguentou tanto tempo por causa do 'padrinho'... 


 (imagem gerada por IA)

Oficial: Sotiris deixa comando tecnico do Rio Ave




O Rio Ave oficializou esta quinta-feira, 1 de outubro de 2026, a rescisão de contrato por mútuo acordo com o treinador grego Sotiris Silaidopoulos. A decisão surge na sequência do pior arranque de campeonato nos últimos 15 anos.

Os Números de uma Passagem Atribulada
Sotiris assumiu o comando técnico do Rio Ave em junho de 2025. Ao longo de uma permanência de cerca de 15 meses, liderou a equipa principal em 42 jogos oficiais.

Apesar do voto de confiança inicial dada pela SAD, a quebra abrupta de rendimento na presente temporada tornou a situação insustentável. Em 7 jornadas da Liga Portuguesa, os números deixavam o clube numa posição delicada:

Pontos: Apenas 4 somados em 21 possíveis.
Resultados: 1 vitória, 1 empate e 5 derrotas.
Golos: 15 golos sofridos, deixando a equipa provisoriamente no 16.º lugar da tabela.


Vasco Seabra será anunciado brevemete

30.9.26

Fabrizio Romano diz que Sotiris está de saída e anuncia o seu substituto [EM ATUALIZAÇÃO]

 1 de outubro

12:50: Rio Ave oficializa saída de Sotiris

11:23: Vasco Seabra está em Vila do Conde

9:30: O Reis do Ave sabe que o Rio Ave depositou ontem o dinheiro. Existem agora 72 horas para o Arouca responder e Vasco Seabra poder assinar e ser oficial no novo clube.

09:20: Vasco Seabra assina por 3 anos (avança Cabine).
____

30 de setembro

17:53: Jogadores do Rio Ave apanhados desprevenidos pela publicação de Fabrizio Romano. Tinham acabado o treino e ninguém - a começar por Sotiris - abordou o assunto (Reis do Ave). 

14:40: Uma fonte disse à Cabine: "Ele não estava a pensar nem ponderar sair do Arouca, mas o próprio Marinakis foi quem quis contratá-lo e isso teve muito peso, só assim é que se explica terem avançado para pagar a cláusula"

14:24: Contrato de dois anos, avança a TVI

13:55: O Bola na Rede sabe que o técnico foi escolha pessoal do empresário grego e acionista majoritário do clube, Evangelos Marinakis, que ofereceu uma proposta com valores históricos para um clube fora do top-3 da Primeira Liga. 

13:50: Mais do que dinheiro que vem receber, a hipótese de chegar a Europa via Olympiakos ou Nottingham foi decisiva para Vasco Seabra, apurou o Reis do Ave 

13:37: Zerozero confirma e adianta que será pago um milhão ao Arouca como cláusula de rescisão

13:17: Cabine Desportiva também.

13:11: A Bola confirma

12:43 É uma publicação com poucos minutos e inesperada mas vinda de quem vem, pode muito bem vir a ser verdade.

 

Fabrizio Romano diz que Sotiris vai sair e Vasco Seabra (treinador do Arouca) será o seu substituto.


29.9.26

Sotiris sem margem: Leitores dizem "Não" à continuidade no comando do Rio Ave SAD





Lançámos recentemente uma sondagem no blog com uma pergunta direta: "Sotiris tem condições para continuar a ser o treinador da Rio Ave SAD?" — e o resultado não deixa margem para dúvidas.
Com um total de 371 votos, a esmagadora maioria dos participantes exige uma mudança imediata no banco de suplentes.


Os Números da Sondagem
O descontentamento dos adeptos ficou espelhado de forma expressiva na votação:
  • Não: 90% (333 votos)
  • Sim: 10% (38 votos)


A fasquia de 90% de rejeição mostra que o crédito do técnico grego parece ter chegado ao fim para a maior parte da comunidade. 
Apenas uma pequena minoria de 10% ainda acredita que Sotiris consegue dar a volta à situação e estabilizar o plantel.


24.9.26

Aqui ficam umas sugestões: 4 novas desculpas para Sotiris utilizar



Depois de mais um jogo a ouvir rigorosamente o mesmo disco pedido em cada conferência de imprensa pós-jogo, o verdadeiro problema de Sotiris Sylaidopoulos já nem é a falta de pontos: é a gritante falta de originalidade.

Entre o facto de alguns jogadores terem chegado há pouco tempo, a o calendário inicial do campeoanto ser difícil, ao "não sei o que se passou", a massa associativa já decorou o guião de cor. Ouvir as declarações no final dos jogos tornou-se um exercício tão previsível quanto desgastante.

Para ajudar o nosso comandante técnico a renovar o repertório e evitar que o auditório adormeça na próxima derrota ou empate, deixo aqui um conjunto de desculpas totalmente frescas, inovadoras e prontas a usar:

1. "O alinhamento planetário prejudicou a nossa transição defensiva"

"Toda a gente sabe que Mercúrio Retrógrado afeta desproporcionalmente as equipas que jogam em 4-2-1-3 perto da foz de um rio. A gravidade lunar esteve mais forte no segundo tempo, o que fez com que os nossos centrais parecessem ter chumbo nas chuteiras. Não é uma questão tática, é astrofísica pura."

2. "O cheiro a maresia estava demasiado intenso na grande área"

"Treinámos a semana toda com brisa de terra. Chegar ao jogo e ter um vento com salinização acima dos 12% alterou completamente a trajetória da bola e a capacidade pulmonar dos nossos avançados. É impossível finalizar com convicção quando a brisa marítima nos relembra a fragilidade da existência humana."

3. "O sorteio da moeda ao início do jogo retirou-nos o momento psicológico"

"Ganhámos a posse de bola no apito inicial, mas perdemos a Moeda. Escolher o campo errado nos primeiros 45 minutos abalou a estrutura emocional dos jogadores. A partir daí, entrar num jogo destes a perder na 'sorte ou azar' condiciona qualquer plano estratégico pré-elaborado."

4. "Fomos vítimas de um excesso de compreensão do plano tático"

"Os jogadores assimilaram tão bem a minha ideia de jogo que a aplicaram com uma precisão cirúrgica e milimétrica. O problema é que o futebol exige alguma imprevisibilidade e imperfeição. Ao sermos tão perfeitos a cumprir a teoria, tornamo-nos ridiculamente fáceis de anular na prática."

Fica a dica, Sotiris. Se é para continuar a perder pontos enquanto a maquilhagem da SAD tenta disfarçar a crise, ao menos que a comédia na sala de imprensa seja de primeira categoria. O público de Vila do Conde agradece a variedade.

19.9.26

Três semanas são suficientes para chegar à Grécia



O Rio Ave terminou hoje o seu último jogo antes da pausa do campeonato.

Infelizmente, terminou-o da mesma forma que tem terminado demasiados jogos nos últimos meses: sem convencer e sem vencer.

A boa notícia é que agora há três semanas sem futebol.

Três semanas.

Vinte e um dias.

Quinhentas e quatro horas.

Tempo mais do que suficiente para muita coisa.

Tempo suficiente para recuperar jogadores.

Tempo suficiente para trabalhar processos.

Tempo suficiente para corrigir erros.

E, quem sabe, tempo suficiente para alguém explicar ao treinador onde fica o aeroporto.

Porque, convenhamos, depois de mais uma exibição destas, a única coisa que parece verdadeiramente consolidada no Rio Ave é a capacidade de acumular justificações.

Há sempre uma explicação.

Há sempre um contexto.

Há sempre uma dificuldade.

Há sempre um grupo que precisa de mais tempo.

Há sempre uma ligação que precisa de ser reforçada.

Há sempre uma nova razão para acreditar que o melhor está para vir.

O problema é que os pontos insistem em não aparecer com a mesma frequência.

O mais extraordinário é que tudo isto acontece numa equipa que, pelo terceiro ano consecutivo, dispõe de um dos cinco maiores orçamentos da Liga Portugal.

Não estamos a falar de uma equipa acabada de subir de divisão.

Não estamos a falar de uma equipa construída à pressa.

Não estamos a falar de um projeto que começou ontem.

Estamos a falar de uma equipa que continua a apresentar futebol de fundo da tabela apesar de possuir recursos que deveriam permitir muito mais.

Mas talvez o problema seja meu.

Talvez eu ainda não tenha percebido a visão.

Talvez o objetivo nunca tenha sido vencer jogos.

Talvez o objetivo seja demonstrar que é possível investir como equipa de primeira metade da tabela e jogar como equipa que passa a época inteira a olhar para trás.

Se assim for, então o plano está a ser executado na perfeição.

Agora segue-se uma pausa de três semanas.

Uma pausa que servirá para muitas reflexões.

Dos adeptos.

Dos jogadores.

Da administração.

E talvez também do treinador.

Porque a distância entre Vila do Conde e Atenas ronda os 3.000 quilómetros.

Parece muito.

Mas, neste momento, continua a ser uma distância consideravelmente menor do que aquela que separa as expectativas criadas para este projeto dos resultados que ele tem produzido dentro de campo.




17.9.26

O que falta à nossa equipa?

No final do jogo, Sotiris prometeu que "esta equipa vai deixar os adeptos orgulhosos" porque "temos equipa e potencial para fazer mais".

Infelizmente começo a pensar que Sotiris é como aquele antigo primeiro ministro a quem chamavam de otimista irritante...

A equipa tem 34 jogadores. Há vários lesionados, mas temos um dos planteis mais vastos da primeira liga. Não faltam opções, até em excesso, em alguns casos. 

Isto leva-me à primeira de duas respostas para a pergunta do título: desde que Marinakis pegou na SAD já vieram mais de 50 jogadores. Quantos realmente bons? Quem faz o scouting? Eu não sou...

A segunda questão está relacionada com o próprio treinador. Para que fique claro, não irei pedir, aconteça o que acontecer esta época, a demissão de Sotiris. Apenas porque não adianta, já que quem decide pouco se importa com os resultados desportivos do nosso clube. Mas há uma coisa que deve ser dita: no final, o que fez a diferença no Rio Ave-Amadora foi o treinador. Eles têm um bom treinador, nós temos alguém que continua apenas a tentar aprender a profissão. 

A minha convicção: com este plantel e outro treinador não estaríamos nos lugares de descida, mesmo contando com algumas lesões (que todos os clubes têm) e com um início de campeonato duro.  


 

8.9.26

Chega de diagnósticos

(imagem do jornal revelação de Maio de 2026)


No final da derrota frente ao Santa Clara, Sotiris foi duro na análise à exibição da equipa.

Falou em falta de energia, falta de intensidade, falta de comunicação e admitiu ter assistido a uma prestação muito abaixo do esperado. Reconheceu as dificuldades, assumiu a necessidade de recuperar emocionalmente o grupo e prometeu trabalho para corrigir aquilo que correu mal.

As palavras são corretas.

O problema é que, nesta fase, o Rio Ave já não precisa apenas de diagnósticos. Precisa de soluções.

Porque a crítica que hoje existe em torno do treinador não nasceu nos Açores.

Nem sequer nasceu nesta época.

A derrota frente ao Santa Clara foi apenas mais um capítulo de uma história que se arrasta há demasiado tempo. O verdadeiro problema é a incapacidade que Sotiris tem demonstrado para construir uma equipa consistente durante um período prolongado.

De vez em quando surge uma boa exibição. Surge uma boa vitória. Surge um jogo que nos faz acreditar que a equipa encontrou finalmente o caminho certo.

Mas logo a seguir voltamos ao mesmo.

Voltam as dificuldades. Voltam as exibições pobres. Volta a sensação de que a equipa está constantemente a recomeçar do zero.

O futebol não se avalia apenas por um jogo.

Nem por uma vitória.

Nem por uma derrota.

Avalia-se pela capacidade de construir uma identidade e de manter um nível exibicional estável ao longo do tempo.

E é precisamente aí que residem as minhas dúvidas.

Ao fim de mais de uma época completa de trabalho, continua a ser difícil identificar uma sequência de quatro ou cinco jogos consecutivos em que o Rio Ave tenha apresentado um futebol convincente, organizado e capaz de gerar confiança junto dos adeptos.

Uma equipa pode ter maus dias.

Todas têm.

O problema surge quando os maus dias aparecem com demasiada frequência e os bons continuam a ser encarados como exceções.

Por isso, mais do que recuperar emocionalmente ou manter o otimismo, aquilo que o Rio Ave precisa é de começar a apresentar resultados e exibições consistentes.

Porque os adeptos já ouviram muitas explicações.

Agora querem ver evolução.

E essa evolução já devia ser visível há muito mais tempo.

2.9.26

Vale apena refletir!

O que precisa realmente de melhorar 
antes do mercado fechar? 

Quatro jornadas ainda não chegam para fazer julgamentos definitivos, mas já permitem identificar alguns aspetos que o Rio Ave terá de corrigir rapidamente.

 Na minha opinião, a questão não passa pelos reforços nem por uma alegada revolução no onze inicial.

 Basta olhar para os primeiros quatro jogos para perceber que a base da equipa continua praticamente a mesma da época passada. A espinha dorsal mantém-se e muitos dos jogadores mais utilizados já faziam parte do plantel. Por isso, não acredito que a adaptação dos novos jogadores explique, por si só, este início de campeonato.

 

A minha principal preocupação continua a ser o processo ofensivo.

 Tenho algumas dúvidas de que jogar, em muitos momentos, com quatro jogadores de características ofensivas esteja realmente a beneficiar a equipa. Em teoria, o Rio Ave deveria conseguir criar mais oportunidades e chegar com mais gente à área. Na prática, isso ainda não aconteceu. A equipa continua a produzir poucas ocasiões claras de golo e revela muitas dificuldades na definição dos lances.

 Também existem algumas questões individuais que, na minha opinião, merecem reflexão.

 Na defesa, considero que o eixo central e o lado esquerdo têm dado garantias, mas o lado direito continua a suscitar dúvidas. Liavas é um jogador com entrega e compromisso, mas limitado tecnicamente, e não é um lateral de raiz(ponto final). A adaptação quanto a mim, está longe de ser boa ou suficiente. Frente a adversários de maior qualidade, como FC Porto e Sporting, as suas limitações defensivas voltaram a ficar expostas e acabaram por influenciar o rendimento coletivo da equipa.

Também Ennio van der Gouw continua a alternar intervenções de grande nível com alguns lances em que fico com a sensação de que poderia ter feito mais. Refiro-me, sobretudo, a alguns dos golos sofridos frente ao FC Porto e ao Sporting. Não o responsabilizo diretamente pelos resultados, mas acredito que ainda tem margem para crescer.

 No ataque, Bezerra continua abaixo daquilo que muitos esperavam e já vimos. Ainda não conseguiu assumir-se a par de Jalen Blesa como a referência ofensiva da equipa e, para já, falta-lhe maior influência no jogo. Tamble Monteiro, parece-me mais próximo de de Blesa, e mais entrosado. Mas ainda não são a dupla Clayton - André Luis, Blesa é talvez o único que está a um nível muito superior de todos os outros.

Também a posição de extremo direito continua sem um dono claro. Nem Spikic nem Roland Galčík conseguiram afirmar-se. Ambos são jogadores que gostam de receber a bola no pé, mas, na minha opinião, falta-lhes agressividade na procura da profundidade e maior capacidade para atacar o espaço. Em várias situações acabam por perder a posse demasiado cedo, quebrando o ritmo ofensivo da equipa. Não são jogadores de quebrar linhas.

Outra área onde espero ver evolução prende-se com a intensidade sem bola.

 Não falo de agressividade no sentido disciplinar. Refiro-me à capacidade para pressionar mais alto, reagir rapidamente à perda da bola e dificultar a primeira fase de construção do adversário. Frente a equipas do mesmo campeonato, acredito que o Rio Ave pode e deve ser muito mais pressionante (a equipa não morde a lingua).

 


Outro tema inevitável é o treinador.

Sotiris Silaidopoulos continua a dividir opiniões entre os adeptos e confesso, eu também continuo com algumas reservas.

 Ainda é cedo para fazer uma avaliação, sei disso, mas em alguns jogos pareceu faltar capacidade para interpretar rapidamente aquilo que estava a acontecer dentro de campo e reagir em tempo útil. Algumas substituições e alterações táticas continuam a levantar dúvidas e transmitem, por vezes, alguma inexperiência na gestão dos diferentes momentos do jogo.

 Sobre este tema, subscrevo e na íntegra a análise publicada por JPM, que considero muito equilibrada e que levanta questões pertinentes sobre a evolução da equipa e da liderança técnica.

 Espero sinceramente que esta percepção venha a alterar-se, porque a estabilidade no banco será um dos fatores mais importantes para o sucesso da época. O jogo frente ao Santa Clara poderá começar a responder a muitas destas dúvidas.

 Mais do que o resultado, quero ver uma equipa com personalidade, mais agressiva nos duelos, mais objetiva no ataque e capaz de mostrar que aprendeu com os erros das primeiras quatro jornadas.

 Se isso acontecer, acredito que o Rio Ave tem todas as condições para iniciar uma recuperação na classificação. Caso contrário, as dúvidas que hoje existem poderão transformar-se, rapidamente, em preocupação.

6.8.26

Barcelos pode valer ouro para o Rio Ave


O calendário do Rio Ave para o arranque da Liga Portugal Betclic 2026/27 não foi propriamente simpático para a equipa vilacondense. Já conhecíamos o sorteio, mas olhando para ele com algum distanciamento percebe-se que o Rio Ave terá um arranque de campeonato particularmente exigente.

A equipa estreia-se em Barcelos, frente ao Gil Vicente, e logo na segunda jornada recebe o FC Porto, atual campeão nacional. Na terceira jornada desloca-se ao Estoril, antes de voltar a Vila do Conde para defrontar o Sporting, campeão nacional da época 2024/25.

Como se isso não bastasse, mais à frente o calendário reserva ainda a receção ao SC Braga (11.ª jornada) e ao Benfica (15.ª jornada).

Ou seja, antes de concluído o primeiro terço da Liga, o Rio Ave recebe em casa os quatro primeiros classificados da última temporada: FC Porto, Sporting, SC Braga e Benfica. Trata-se de uma coincidência pouco habitual, que reduz significativamente a margem para conquistar pontos em casa durante a primeira metade da época.

Os primeiros cinco jogos podem definir muito

As cinco primeiras jornadas do campeonato são:

  • Gil Vicente (F)
  • FC Porto (C)
  • Estoril (F)
  • Sporting (C)
  • Santa Clara (F)

Partindo de uma análise puramente competitiva, os jogos frente ao FC Porto e ao Sporting são naturalmente aqueles em que a probabilidade de pontuar é mais reduzida.

Sobram, assim, três deslocações exigentes:

  • Gil Vicente
  • Estoril
  • Santa Clara


Destes três adversários, o Gil Vicente parece, à partida, aquele que oferece melhores condições para o Rio Ave conquistar os primeiros pontos da época.

Na temporada passada, as duas equipas demonstraram um enorme equilíbrio nos confrontos diretos:

  • Gil Vicente 2-2 Rio Ave
  • Rio Ave 0-0 Gil Vicente

Além disso, tratam-se de dois clubes com objetivos semelhantes. Apesar de o Rio Ave apresentar atualmente um investimento superior e uma estrutura cada vez mais ambiciosa, os resultados desportivos ainda não acompanharam totalmente esse crescimento. A expectativa passa por ver o clube aproximar-se, gradualmente, da luta pelos lugares europeus nas próximas épocas.

Um mau arranque pode pesar

Perder pontos em Barcelos poderá aumentar significativamente a pressão sobre a equipa, tendo em conta que as jornadas seguintes incluem uma recepção ao FC Porto, uma deslocação ao Estoril, a recepção ao Sporting e uma viagem sempre difícil aos Açores para defrontar o Santa Clara.

Se o Rio Ave não conseguir pontuar frente ao Gil Vicente e também deixar pontos no Estoril, existe uma possibilidade real de chegar à recepção ao Estrela da Amadora, na 6.ª jornada, ainda sem qualquer ponto conquistado.

Esse cenário não seria necessariamente um reflexo da qualidade da equipa, mas sim da exigência de um calendário que coloca vários dos adversários mais difíceis logo nas primeiras semanas da competição.

Onde pode estar a esperança?

Há, no entanto, um fator que convida ao otimismo.

Desde que Sotiris Silaidopoulos assumiu o comando técnico do Rio Ave, a equipa revelou um comportamento muito competitivo nas deslocações. Na segunda metade da última época conquistou vários pontos importantes fora de casa e apresentou uma organização defensiva bastante consistente, somando a isso os golos do Blessa, reforço de inverno.

Se conseguir repetir esse rendimento, sobretudo frente ao Gil Vicente, Estoril e Santa Clara, poderá compensar as dificuldades previsíveis nas recepções ao FC Porto e ao Sporting.

Barcelos pode valer muito mais do que três pontos

É precisamente por tudo isto que a deslocação a Barcelos assume uma importância especial.

Mais do que valer três pontos, poderá permitir ao Rio Ave retirar pressão a um dos arranques de campeonato mais exigentes dos últimos anos e ganhar tranquilidade para enfrentar uma sequência de jogos onde o grau de dificuldade será bastante elevado.

Se a equipa de Sotiris conseguir iniciar a Liga a pontuar frente a um adversário direto, ganhará não só confiança, mas também margem para encarar as jornadas seguintes sem a ansiedade que um calendário tão duro pode provocar.

No fundo, o calendário obriga o Rio Ave a fazer aquilo que fez tão bem na época passada: ir buscar pontos onde, à partida, poucos esperam que os consiga.

14.7.26

Sotiris: entre o balanço da época passada e os objetivos para 26/27

O míster deu uma entrevista a uma publicação grega, que foi aproveitada pela comunicação social portuguesa (e até pelo Rio Ave) para algumas noticias (para quando uma em português, a uma publicação portuguesa?).

Algumas notas essenciais dessa entrevista: 

1) O treinador diz que a época anterior foi "muito positiva", mas tenho dificuldades em perceber o raciocínio: um plantel caríssimo e extenso conseguiu a permanência a três jornadas do fim e teve uma participação na Taça de Portugal desastrosa (mesmo tendo em conta a perda de quatro titulares em janeiro).

2) Sotiris mantém uma postura de bastante humildade ("ser treinador na liga portuguesa é uma dádiva"), o que se saúda. Para quem, como eu, escreveu que Sotiris estava em Vila do Conde a fazer estágio para outros voos, esta frase confirma-o: "Este primeiro ano valeu por dez universidades; foram dez cursos de pós-graduação numa única época".

 

20.5.26

Vítor Gomes confirma Sotiris na próxima temporada em comentário no Instagram




Apesar de ter mais um ano de contrato, o futuro de Sotiris no Rio Ave tem sido alvo de muita especulação. Contudo, as dúvidas parecem ter sido dissipadas esta semana no Instagram. O técnico grego fez uma publicação e Vítor Gomes comentou algo que confirma, até ao momento, a continuidade do treinador para a próxima época:

"Lutaremos por coisas melhores na próxima temporada💪 aproveita as tuas férias treinador💚".



4.5.26

Rioavistas dizem claramente não à continuidade de Sotiris

Começo pela ressalva habitual: uma sondagem vale o que vale, uma feita online vale ainda menos.

Mas não podemos ignorar que dos 133 que votaram, ao longo da última semana, 84 por cento disseram não à continuidade do treinador grego.

É uma percentagem esmagadora.

Sotiris não acha isso: no final da semana passada afirmou que “Estou muito satisfeito por estar aqui e quero fazer uma época ainda melhor no próximo ano. Tenho mais um ano de contrato, por isso, provavelmente vou ficar, mas no futebol nunca se sabe”. ["ainda melhor"? garantimos a permanência a três jornadas do fim!].

Pessoalmente, a minha esperança é que, perante a desilusão que está a ser a época do Olympiakos, Sotiris ainda regresse a Atenas e venha um treinador com visão e ambição. Já merecemos isso.

 


 

29.4.26

Porque não gostaria de ver Sotiris mais uma época em Vila do Conde

A derrota do Casa Pia, na passada segunda-feira, deixou o Rio Ave a oito pontos de distância do playoff. com 9 para disputar. O Casa Pia teria de ganhar os três jogos e o Rio Ave perder os três e nem isso garantiria que seriamos nós a descer de divisão, porque há outras equipas pelo meio. Não é matemático, mas quase. Convém, de qualquer forma, fazer mais um ponto, pelo menos.

Neste contexto, nos Arcos já se prepara - e bem - a nova época.

E o treinador é um elemento-chave.

Mais uma vez, vamos garantir a manutenção nas últimas jornadas e isso deve ser o primeiro critério de avaliação.

Depois, é fundamental ter em conta que Sotiris teve à sua disposição o plantel mais caro (ou o segundo mais caro) da nossa história. O quinto mais caro da primeira liga. O que conseguiu fazer com isso? Está à vista.

Finalmente, é hoje claro que (ainda?) lhe faltam qualidades para ser um bom treinador: na organização tática (o 4-3-3 foi forçado pelas circunstâncias), na leitura do que são, em cada momento, os melhores jogadores e na capacidade de os fazer evoluir vimos um treinador com limitações.

No início da época os jogadores falavam em atingir a Europa. Ficámos muito atrás. A culpa é deles próprios, de quem os escolheu e de quem os treinou. Precisamos de um novo treinador, apesar de este ter mais um ano de contrato, pelos vistos. Já chega de só tiros... 

(Há uma sondagem online a decorrer aqui) 


 

23.3.26

Sotiris II é muito melhor do que Sotiris I

No dia 11 de fevereiro fomos todos surpreendidos pela notícia de que a SAD procurava um novo treinador. Não pelo facto em si, mas pelo timing. O Rio Ave vinha de quatro derrotas seguidas e o jogo em Braga (3-0) não ajudou.

Pelo que então foi noticiado, por toda a comunicação social e também por nós, houve convites, que foram rejeitados. Quando perguntaram a Sotiris se seria o treinador na jornada seguinte ele disse que teriam de perguntar à administração.

Frente ao Moreirense e mesmo no Dragão, mais duas derrotas, mas notava-se qualquer coisa de diferente. Sotiris ficou, mas mudou. A seguir ao jogo com o FC Porto, chamei-lhe Sotiris II e perguntei: "Será que o novo Sotiris vai mostrar ao velho Sotiris como se faz?" 

Exatamente um mês depois, e com 10 pontos feitos em 12 possíveis é possível perceber que algumas coisas mudaram mesmo:

1) O sistema tático: antes o meio campo do Rio Ave andava perdido e manietado pelo maior número de adversários na zona. Ao tirar um central e meter mais um no meio campo, as coisas equilibraram-se. Ainda por cima a escolha foi muito acertada: Nikitscher, que antes não contava, é agora titular indiscutível.

2) Sotiris passou a chamar aqueles que são e estão melhores. Jogadores como Nikos (regressou à Grécia), Omar, Liavas ou Papakanellos desapareceram das opções. A minha dúvida continua a ser Pohlmann, porque acredito que Graça faria melhor.

3) Os reforços (sobretudo, Blesa, Bezerra ou Mancha) podem não ser tão talentosos como aqueles que vieram substituir, mas estão mais empenhados e nota-se mais compromisso na equipa. O guarda-redes é 10 vezes melhor do que Chamorro.

Há um outro fator que muitos referem: Clayton e André Luiz, nas últimas semanas, estavam com a cabeça fora dos Arcos. É provável e natural que seja verdade, mas deram muito à equipa enquanto cá estiveram. Não concordo com quem diz que estamos melhores sem eles.


(além disso, veio Bruno Alves. Coincidência ou também ajudou a trazer outra garra à equipa? Com ele, ainda não perdemos...) 

12.3.26

Eu nunca vi tal (uma equipa sem avançados no banco)

 Atentem por favor a esta lista de suplentes:

Exato, não há qualquer avançado. 
Mais, saíram os dois extremos (com o resultado a zeros) e entraram dois médios. Segurar o resultado?

Segunda, em Tondela, Tamble no banco (por razões médicas) e mais uma vez nenhum extremo.

Ou seja, se um deles se lesiona, o treinador tem de fazer remendos (Vroussai a extremo, para Sotiris, é um remendo), em vez de convocar os extremos que tem no plantel. Ou, como o Daniel, hoje, sugere, ir buscar alguém aos sub23 (Sawané ou Dudu), até como sinal de que, estando a jogar bem, este jovens podem chegar à primeira equipa - se não chegam, para que servem os sub23?

Já agora, espero que um dia se venha a saber porque é que Lobato (um jogador em que muitos depositavam esperanças) nunca jogou e Medina, um jogador bastante caro, também não é opção.
 

26.2.26

O jogo mais importante de Sotiris




Este fim de semana, o Rio Ave FC recebe o FC Famalicão num jogo que, não sendo decisivo em termos matemáticos, assume uma importância enorme no contexto atual da época.

Não direi que é um jogo decisivo — porque, objetivamente, não o é —, mas será, muito provavelmente, o encontro mais importante para Sotiris desde que assumiu o comando técnico do Rio Ave. A equipa vem de seis derrotas consecutivas, numa sequência negativa que deixou marcas claras na classificação, no ambiente interno e na confiança dos sócios.

Importa recordar que Sotiris esteve, na prática, despedido há cerca de três semanas, acabando por permanecer no cargo por falta de alternativa imediata. Desde então, o Rio Ave perdeu frente ao Moreirense — num jogo em que até apresentou bons momentos — e voltou a perder no Dragão frente ao FC Porto, num desfecho justo face à diferença entre as equipas.

Ainda assim, para a esmagadora maioria dos sócios (senão para todos), este jogo frente ao Famalicão é encarado como o jogo da viragem, aquele que pode marcar o início do caminho para a permanência na Primeira Liga.

Acredito que o Rio Ave irá apresentar um onze diferente daquele que alinhou no Dragão. É expectável existirem alterações - Tamble regressa às opções. A saída de Olinho surge como a hipótese mais forte, embora Spikic também possa ser sacrificado. A alternativa menos provável será a saída de Bleza.

Com 11 jornadas ainda por disputar e com os lugares de descida cada vez mais próximos, não há margem para grandes cálculos: o Rio Ave tem de jogar para ganhar. Mais do que a exibição, mais do que o modelo ou a estratégia, este é um jogo onde o resultado será determinante — para o treinador, para a equipa e para o futuro imediato do clube.

17.2.26

«Tenho 100% de certeza de que sou o homem certo para tirar o Rio Ave desta situação»

Desconcertante, no mínimo, a declaração feita ontem por Silaidopoulos no final do jogo com o Moreirense: "Tenho 100% de certeza de que sou o homem certo para tirar o Rio Ave desta situação. Isso é garantido. Estou muito focado no meu trabalho e no que posso fazer para desenvolver e melhorar a equipa".

E a verdade é que há pelo menos uma pessoa que acredita nele.

(Uma coisa é eu não acreditar, e a minha opinião é irrelevante, outra é  Rio Ave permanecer na primeira divisão - que é o que todos queremos; espero estar enganado, portanto)