O que precisa realmente de melhorar
antes do mercado fechar?
Na minha opinião, a questão não passa pelos reforços nem por uma alegada revolução no onze inicial.
Basta olhar para os primeiros quatro jogos para perceber que a base da equipa continua praticamente a mesma da época passada. A espinha dorsal mantém-se e muitos dos jogadores mais utilizados já faziam parte do plantel. Por isso, não acredito que a adaptação dos novos jogadores explique, por si só, este início de campeonato.
A minha principal preocupação continua a ser o processo ofensivo.
Tenho algumas dúvidas de que jogar, em muitos momentos, com quatro jogadores de características ofensivas esteja realmente a beneficiar a equipa. Em teoria, o Rio Ave deveria conseguir criar mais oportunidades e chegar com mais gente à área. Na prática, isso ainda não aconteceu. A equipa continua a produzir poucas ocasiões claras de golo e revela muitas dificuldades na definição dos lances.
Também existem algumas questões individuais que, na minha opinião, merecem reflexão.
Na defesa, considero que o eixo central e o lado esquerdo têm dado garantias, mas o lado direito continua a suscitar dúvidas. Liavas é um jogador com entrega e compromisso, mas limitado tecnicamente, e não é um lateral de raiz(ponto final). A adaptação quanto a mim, está longe de ser boa ou suficiente. Frente a adversários de maior qualidade, como FC Porto e Sporting, as suas limitações defensivas voltaram a ficar expostas e acabaram por influenciar o rendimento coletivo da equipa.

No ataque, Bezerra continua abaixo daquilo que muitos esperavam e já vimos. Ainda não conseguiu assumir-se a par de Jalen Blesa como a referência ofensiva da equipa e, para já, falta-lhe maior influência no jogo. Tamble Monteiro, parece-me mais próximo de de Blesa, e mais entrosado. Mas ainda não são a dupla Clayton - André Luis, Blesa é talvez o único que está a um nível muito superior de todos os outros.
Também a posição de extremo direito continua sem um dono claro. Nem Spikic nem Roland Galčík conseguiram afirmar-se. Ambos são jogadores que gostam de receber a bola no pé, mas, na minha opinião, falta-lhes agressividade na procura da profundidade e maior capacidade para atacar o espaço. Em várias situações acabam por perder a posse demasiado cedo, quebrando o ritmo ofensivo da equipa. Não são jogadores de quebrar linhas.
Outra área onde espero ver evolução prende-se com a intensidade sem bola.
Outro tema inevitável é o treinador.
Sotiris Silaidopoulos continua a dividir opiniões entre os adeptos e confesso, eu também continuo com algumas reservas.
Ainda é cedo para fazer uma avaliação, sei disso, mas em alguns jogos pareceu faltar capacidade para interpretar rapidamente aquilo que estava a acontecer dentro de campo e reagir em tempo útil. Algumas substituições e alterações táticas continuam a levantar dúvidas e transmitem, por vezes, alguma inexperiência na gestão dos diferentes momentos do jogo.
Sobre este tema, subscrevo e na íntegra a análise publicada por JPM, que considero muito equilibrada e que levanta questões pertinentes sobre a evolução da equipa e da liderança técnica.
Espero sinceramente que esta percepção venha a alterar-se, porque a estabilidade no banco será um dos fatores mais importantes para o sucesso da época. O jogo frente ao Santa Clara poderá começar a responder a muitas destas dúvidas.
Mais do que o resultado, quero ver uma equipa com personalidade, mais agressiva nos duelos, mais objetiva no ataque e capaz de mostrar que aprendeu com os erros das primeiras quatro jornadas.
Se isso acontecer, acredito que o Rio Ave tem todas as condições para iniciar uma recuperação na classificação. Caso contrário, as dúvidas que hoje existem poderão transformar-se, rapidamente, em preocupação.

