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15.4.26

O vazio que o clube deixa, o Reis do Ave preenche



Há algo que devia fazer qualquer adepto parar por um momento e refletir.

Hoje, se um sócio ou simpatizante do Rio Ave quiser acompanhar a atualidade do clube — perceber o que se passa, conhecer dados, ler análises, descobrir curiosidades — onde é que vai? A resposta, cada vez mais evidente, é desconfortável: não é no site oficial do clube.

Basta uma visita ao site do Rio Ave para perceber isso mesmo. A informação é escassa, pouco atualizada, muitas vezes superficial. Falta contexto, falta profundidade, falta vontade. Falta, no fundo, vida. Ainda este fim‑de‑semana, a crónica de jogo demorou mais de 16 horas a ser publicada.

E depois há o outro lado.

um blog. Um espaço não oficial. Um espaço construído por adeptos. Um espaço onde, diariamente, surgem conteúdos sobre o clube: análises, dados, memória, atualidade, opinião. Um espaço onde o Rio Ave existe — de forma consistente, dedicada e, acima de tudo, apaixonada.

E aqui começa a verdadeira reflexão.

Como é possível que, em 2026, a principal fonte de informação regular sobre o Rio Ave não seja o próprio clube, mas sim um conjunto de cronistas que escreve por amor à camisola?

Pessoas que não recebem um euro. Que não têm benefícios. Que não têm acesso privilegiado. Que apenas têm algo que, pelos vistos, escasseia noutros lados: vontade.

São horas e horas investidas. Tempo pessoal sacrificado. Pesquisa, escrita, revisão, publicação. Tudo para garantir algo tão simples — mas tão essencial — como manter o clube “vivo” no espaço público.

E, ironicamente, fazem-no melhor do que quem tem essa responsabilidade institucional.

Este texto é, acima de tudo, uma chamada de atenção.

Porque um clube não vive só dentro de campo. Vive na sua comunicação, na sua proximidade com os adeptos, na forma como conta a sua própria história no dia-a-dia. E quando essa função é, na prática, assegurada por terceiros, algo está claramente desalinhado.

A questão que fica é simples:

O que seria do acompanhamento diário do Rio Ave sem o Reis do Ave? 

Fica a reflexão.

14.1.26

O preço invisível dos despedimentos




A decisão de avançar com uma vaga alargada de despedimentos no Rio Ave não teve apenas impacto interno. Os reflexos começam agora a ser visíveis para fora — e de forma muito clara — naquilo que é hoje a comunicação do clube.

Nos últimos tempos, a presença do Rio Ave nos seus próprios canais tornou-se ainda mais pobre, mais curta e, sobretudo, mais distante dos sócios e adeptos. A comunicação resume-se, quase exclusivamente, a textos no site oficial com breves resumos de algumas performances desportivas, sem contexto, sem detalhe e sem acompanhamento contínuo.

O exemplo mais evidente está na página Mais Rio Ave, que durante anos foi um verdadeiro ponto de encontro para quem acompanha o clube para lá da equipa principal. Ali era possível ver fotografias de jogo das camadas jovens, acompanhar resultados em tempo real através das stories, saber quem marcava os golos, perceber o desenrolar dos encontros e sentir que, mesmo à distância, o clube estava vivo.

Hoje, essa ligação praticamente desapareceu.

Em vez disso, o que vemos é, na maioria dos casos, uma única fotografia — muitas vezes nem sequer do jogo em questão — acompanhada apenas do resultado final. Sem golos, sem contexto, sem narrativa. Uma comunicação fria, minimalista e claramente empobrecida.

É impossível dissociar esta realidade das decisões tomadas recentemente. Quando se cortam estruturas, quando se eliminam departamentos e quando se prescinde de pessoas que conheciam o clube, o seu dia-a-dia e a sua identidade, o resultado acaba inevitavelmente por se refletir na forma como o Rio Ave comunica.

A comunicação não é um luxo. Não é um extra. É uma ponte entre o clube e os seus sócios, entre os atletas e quem os apoia, entre o que se faz diariamente e quem quer acompanhar esse trabalho. Ao empobrecer essa ponte, o clube afasta-se ainda mais da sua base.

Num momento em que tanto se fala de identidade, proximidade e ligação à comunidade, o que vemos é precisamente o contrário: menos informação, menos transparência e menos presença.

5.11.25

Entre o que se constrói e o que não se diz




Deu como exemplo a apresentação do Masterplan:

“Haja ou não dúvidas sobre o que vai ser feito, é um enriquecimento do património do Clube e melhores condições para adeptos e atletas. São boas (excelentes, mesmo) notícias, portanto.”


Concordo com o João. E podia acrescentar outro exemplo: a equipa sénior de futebol jogou no sábado, saiu uma crónica sobre o jogo — com meia dúzia de linhas e uma “análise” que pouco refletia o que se passou em campo — e desde então, silêncio absoluto. Hoje é dia 5. Quatro dias depois, e o clube continua sem comunicar mais nada.

Mas deixemos o futebol e foquemo-nos no Masterplan.

Por que motivo o clube não elucida melhor os sócios sobre o que está a ser feito?
No último jogo nos Arcos, muitos se depararam com o avanço da construção junto ao estádio. Nas bancadas, ouviam-se comentários (irónicos) de adeptos que acreditavam tratar-se dos novos armazéns da Câmara Municipal, tal é o aspeto metálico e inacabado da estrutura neste momento.




Acredito — e espero — que se trate de uma construção modular e que a aparência final nada terá a ver com o que hoje se vê.
Mas este episódio ilustra bem o ponto: se o clube comunicasse de forma clara, cuidada e próxima, estas conversas nem sequer existiriam.

Comunicar também é construir.
E quando não se explica o que se está a fazer, abre-se espaço à especulação, à desinformação e à distância entre o clube e os seus sócios.

4.11.25

Desculpem, mas nem num clube do futebol concelhio

Se faltava uma prova ou se alguém ainda duvidasse do amadorismo que caracteriza a estratégia de comunicação da Rio Ave SAD, a recente notícia do Record sobre as obras em curso e a realizar no futuro é o argumento final.

Como é sabido, embora sem prazos nem custos, foi apresentado aos sócios, na última AG, o projeto que inclui novos relvados, um novo edifício de apoio ao futebol profissional (em andamento) e que culminará com a nova bancada.

Haja ou não dúvidas sobre o que vai ser feito, é um enriquecemento do património do Clube e melhores condições para adeptos e atletas. São boas (excelentes, mesmo) notícias, portanto.

Acontece que para poder dar esta informação o Record teve de citar o Reis do Ave. Não faz qualquer sentido. E também por isso, a restante comunicação social optou por não noticiar - e assim perderam os adeptos do Rio Ave, a quem a nossa informação não chegou e que seriam muitos mais se tem sido a SAD a fazê-lo.

Nós temos o nosso papel, e agradecemos a referência, mas, mais uma vez, cabe à SAD fazê-lo. É preciso dizê-lo sem receios: uma situação como esta está ao nível de um clube do campeonato concelhio.

PS - a primeira vez que este plano foi revelado aos sócios foi na AG de junho. Por não terem sido dados detalhes ou informações suficientes, um grupo de sócios pediu à Direção uma reunião de esclarecimento, que aconteceu em agosto. Já eu, se mandasse, fazia deste plano de obras uma bandeira e divulgava-o o mais possível.


24.10.25

A imagem (errada) que a comunicação do Rio Ave insiste em vender


A comunicação do Rio Ave bem se esforça em vender uma imagem que simplesmente não existe.

É prática habitual, no final dos jogos, vermos nas redes sociais do clube fotografias a tentar mostrar a “comunhão” entre sócios e equipa. Entendo a estratégia e até a razão por detrás dela. Também compreendo o uso constante de slogans como “uma família” para reforçar essa ideia de ligação.

É constante, o clube publicar no Facebook uma fotografia tirada com bastante zoom, em pleno relvado, entre braços e corpos de jogadores, captando meia dúzia de adeptos (da claque) a bater palmas. A mensagem implícita é clara: está tudo pacífico, em harmonia, todos compreendemos a situação da equipa e estamos solidários.
É a nova norma na comunicação do nosso clube.



Só que não é verdade. Quem está no estádio sabe que há momentos em que há muitos sócios insatisfeitos, sendo que ultimamente esse desagrado tem também aumentado nas redes sociais.

Para além destes casos, temos visto o clube a comunicar pouco e mal.
O Rio Ave sempre foi parco a dar-nos informação sobre a equipa, sobre os treinos, sobretudo sobre lesões e jogadores recuperados. Mas agora não há um único texto durante a semana e nada sabemos sobre o que se passa com lesionados. Dizem que é para proteger os jogadores… Coitados dos jogadores do Benfica, Sporting, etc, de que se se sabe tudo ou quase tudo...

No fim do jogo deste fim de semana frente ao Sintrense, nem o habitual vídeo com a conferência do mister Sotiris colocaram nas redes sociais.

Cada vez mais um clube fechado dentro de portas.
Cada vez mais os sócios se afastam do Rio Ave.

26.9.25

Rio Ave evoca símbolo nazi em publicação


(Vítor Ramos é o Diretor e responsável da Comunicação do Rio Ave)


Desde o início desta temporada, algo mudou na comunicação do Rio Ave SAD. Não sei se houve troca de equipa, se foi uma simples reorganização interna, ou se alguém decidiu “reinventar a roda”. O que sei é que, para quem acompanha de perto, a diferença é clara – e infelizmente, para pior.

As peças de comunicação parecem feitas à pressa, sem cuidado estético, como se o objetivo fosse apenas “publicar por publicar”.

Numa era em que a imagem é fundamental – basta ver como os grandes clubes (e mesmo alguns mais modestos) se destacam pelo cuidado e criatividade da sua comunicação – não podemos andar a brincar. 

E se até aqui a crítica se centrava no amadorismo gráfico, no dia de hoje a “criatividade” foi longe demais. A comunicação do Rio Ave decidiu publicar uma montagem do jogador Panzo mascarado de militar com um tanque por trás, numa clara alusão aos tanques “Panzer” – símbolo associado ao regime nazi. (e reforçado por escrito)



Além da montagem ter uma execução pobre e amadora, a própria ideia é infeliz e despropositada. Primeiro, pela associação óbvia ao nazismo; depois, porque num mundo marcado por conflitos bélicos tão atuais e dolorosos, este tipo de referência é insensível e até ridícula.

Ao responsável pela comunicação, Vítor Ramos, só posso pedir mais juízo e profissionalismo. Posso até admitir que o erro tenha partido de desconhecimento da história mundial, mas agora que foi exposta a infelicidade da publicação, não espero outra coisa senão a sua edição ou eliminação imediata.



10.9.25

Comunicação do Rio Ave dá tiros nos pés: o clube que se defende mal e comunica pior



Nas últimas semanas, muito se tem escrito e debatido sobre a composição do plantel do Rio Ave. A percentagem reduzida de jogadores portugueses, somada ao aumento de atletas vindos da Grécia e de outros clubes do universo Marinakis, transformou o nosso clube num alvo fácil da crítica mediática. Jornais, páginas e adeptos rivais têm “caído” em cima do Rio Ave precisamente por este motivo.

Neste contexto, causa estranheza a forma como o próprio clube decidiu promover nas suas redes sociais a entrevista de Brabec ao Flashscore.

O central checo, recém-chegado ao Rio Ave, afirmou de forma clara e sem rodeios:
  • “O bom é que posso continuar a minha carreira grega porque há muitos jogadores gregos na equipa, incluindo o treinador”
  • “Escolhi o Rio Ave devido aos meus laços gregos”
  • “Sou fluente em grego (…) e agora só falo grego com gregos”

As declarações são genuínas do jogador e compreensíveis do seu ponto de vista individual. O problema não está em Brabec, mas sim na forma como o Rio Ave decidiu não só permitir, como até promover esta entrevista.

Num momento em que a crítica ao clube é precisamente o excesso de ligação à “colónia grega”, dar palco a uma narrativa que reforça esse rótulo parece, no mínimo, uma estratégia de comunicação mal pensada. Ao invés de procurar diluir essa perceção pública, o clube acaba por validá-la.

  1. Era necessário divulgar uma entrevista com este tipo de conteúdo, quando se sabe que a imagem do Rio Ave já está fragilizada nesse campo?
  2. Não teria sido mais prudente trabalhar a comunicação no sentido de equilibrar a narrativa, valorizando o projeto desportivo, os jogadores portugueses e a identidade rioavista?

Brabec pode estar feliz por “continuar a sua carreira grega em Portugal”. Já os adeptos do Rio Ave, legitimamente, esperam ver um clube que continue a ser português, vilacondense e com uma comunicação institucional à altura dos desafios que enfrenta.

28.3.25

Não voltaremos a jogar em Vila do Conde esta época?

Basta ver como está neste momento a bancada (cobertura e sobretudo camarotes) para se perceber que dificilmente haverá jogos em Vila do Conde até final da época. Além disso, não há qualquer obra a decorrer. 

É evidente que alguma coisa terá de ser feita até que a nova bancada esteja pronta (um ano? dois?) mas provavelmente não há condições para reparar até junho. Aceito isso. Só não compreendo que não nos digam nada (nada mais foi dito desde o comunicado do dia 20/3).

Vamos para Paços, incluindo nas meias finais da Taça? Digam-nos algum coisa.

Não tenham dúvidas: os adeptos dos clubes maiores têm muito mais informação do que nós, seja porque as direções sentem a pressão para os informar seja porque a comunicação social faz o seu papel e questiona, investigando.

Nada disso se passa aqui. Informação é menos do que o mínimo e a comunicação social só publica o que o Clube quer que saia.

Tenho pena que, neste assunto, seja o próprio Rio Ave a tornar-nos mais pequenos. 

(tenho a certeza: um adepto que apenas acompanhe a página oficial e o que dizem os jornais não sabe nem metade do que outro que acompanhe blogues ou Facebook onde se escreve sobre o Clube; e não estou a falar de comentários mas de informações)


 


17.3.25

Três coisas sobre os 11 anos de Marco Aurélio no Rio Ave

 A saída do (até) agora diretor geral da SAD Marco Aurélio Carvalho (MAC) merece-me estes comentários:

1. Ainda é cedo para se poder fazer uma avaliação racional e fria dos mandatos de António Silva Campos, mas a contratação de MAC foi claramente uma mais-valia, trazendo uma dimensão de profissionalização ao clube. Éramos amadores (sei bem do que falo...), passámos para outro patamar.

2. Quando Miguel Ribeiro deixou o lugar de diretor geral, Campos promoveu MAC a um lugar que, na verdade, funcionava sobretudo como braço-direito do Presidente. MAC era uma sombra de Campos. Se foi um bom ou mau diretor geral não sei, sei que foi uma experiência enriquecedora para o seu currículo. (não há muitos profissionais no futebol português com o currículo do Marco). A escolha para a FPF é prova disso. E, já agora, também sei que suceder a Miguel Ribeiro seria sempre uma tarefa difícil e isso talvez explique diversos comentários negativos que se leram nos últimos anos.

3. Com a chegada da SAD, as tarefas de MAC complicaram-se. Como é que sei isto? Sei que o funcionamento da SAD (Atenas-Londres-Vila do Conde) e a ausência de um verdadeiro interlocutor cá e lá só podia dar confusão. Como se sabe, após ter comprado a SAD, Marinakis quis fazer o mínimo de alterações, mas estas começam a surgir aos poucos e vão surgir, para o bem e para o mal, cada vez mais. Se os meus argumentos estiveram certos, aposto que tão cedo não teremos um substituto.

Em resumo, estes 11 anos de MAC no Rio Ave podem ser divididos em três fases: a primeira, claramente positiva; a segunda, sob o fantasma de Miguel Ribeiro, foi a ajuda que Campos precisava e a terceira condenada ao infortúnio, face à forma como a SAD se tem vindo a organizar.  



27.2.25

Não seria de mudar esta foto? (Atualização: entre momento em que a registei, terça à tarde, e o momento da publicação, a foto foi mudada)

 É o painel que tapa a montra da loja do Rio Ave.

Ukra já não joga, Aderlan e Fábio Ronaldo foram despachados, resta Vitor Gomes.

Nota: nada contra a presença de ex-jogadores, sendo Ukra um bom exemplo, porque nos identificamos com ele(s). Mas manter na montra jogadores que o Rio Ave dispensou e que agora até vestem camisolas concorrentes parece-me incoerente, sobretudo quando se está valorizá-los como símbolos.
 

7.2.25

Patetices nas redes sociais

Em menos de uma semana vi duas publicações na conta oficial do Rio Ave FC no X (ex-Twitter) que merecem a minha crítica.

A primeira, logo após o empate com o FC Porto, foi entendida pela imprensa como uma forma de gozar com o adversário. Não sei se era essa a intenção, mas, se sim, acho muito mal. Da próxima vez que o Porto nos derrotar é provável que gozem connosco - a dobrar. Não havia necessidade. Neste vídeo, ainda, todo falado em inglês, imagino que mais de 90% dos adeptos não tenham percebido a totalidade do o que é dito. Estranha forma de comunicar esta em que não se percebe o (objetivo do) conteúdo.

Ontem, logo após o jogo da Taça de Portugal, foi publicado um vídeo que usa as imagens, mundialmente famosas, de Kanye West e Bianca Censori na passarelle dos Grammy. Honestamente, acho muito básico e até de algum mau gosto (pelos vistos este vídeo foi apagado do X, o que quer dizer alguma coisa... mas continua no tiktok)

Há seis meses o Rio Ave foi contratar ao Paços de Ferreira o responsável por alguma das publicações mais originais e bem apanhadas de todos os clubes profissionais. Estranho se os dois conteúdos que refiro são da responsabilidade da mesma pessoa, que já nos tinha habituado a outra qualidade.


26.11.24

A Comunicação Seletiva do Clube. "Surpreendido? Nada."



Este fim de semana, a equipa de sub-15 de futsal do Rio Ave assegurou um lugar na fase de Apuramento de Campeão ao vencer o Maia. Um resultado positivo e, claro, amplamente divulgado pelos canais oficiais do clube. Contudo, como tem sido prática recorrente nos últimos anos, outros resultados importantes, mas menos favoráveis, foram convenientemente ignorados na comunicação oficial do clube.

Um exemplo disso foi o silêncio sobre o desfecho do jogo da equipa sub-19 de futsal. A derrota desta equipa determinou que a equipa disputará o playoff de despromoção, um momento desafiador que, aparentemente, o clube optou por não partilhar com os seus associados. Coincidentemente, o clube publicou todos os resultados das equipas de Futsal (Seniores, Sub-17 e sub-15) à exceção deste mesmo (que é o único negativo).

Este padrão de comportamento — divulgar apenas os feitos positivos enquanto se omitem os menos agradáveis — levanta questões sobre a transparência e a abrangência da comunicação do clube.

Num clube desportivo, a comunicação deveria ser um reflexo de tudo o que acontece, bom ou mau. Divulgar todos os resultados, de todas as equipas, deveria ser o padrão. Esconder as dificuldades não as faz desaparecer, apenas cria uma desconexão entre o clube e os seus adeptos.


A Importância dos blogues
É precisamente nesta lacuna que os locais de escrita dos associados, como este blog, assumem uma importância preponderante. Estes espaços tornaram-se essenciais para garantir que os sócios têm acesso a informações abrangentes e imparciais sobre a realidade do clube. Apesar de alguns locais alinharem com a mensagem da direção, muitos blogs e perfis mantêm a sua independência, informando sem filtro e sem amarras, como deveria ser o papel de uma comunicação verdadeiramente transparente.


Uma Nota Final ao Diretor de Comunicação (Vítor Ramos)
E, por falar em comunicação, não posso deixar de o dizer. O diretor de comunicação do clube, Vítor Ramos, demonstrou no sábado uma grande exigência ao queixar-se do trabalho da comunicação social. Resta-nos perguntar se essa mesma exigência se reflete internamente na gestão da comunicação do clube. Talvez fosse interessante aplicar a mesma minúcia internamente divulgando os acontecimentos menos positivos, que também fazem parte da história do Rio Ave. Afinal, a honestidade informativa é tão valiosa quanto as vitórias em campo.





23.11.24

Vitor Ramos volta a escrever (e bem). Mas não deixa de ser muito ironico




A recente publicação do diretor de comunicação do Rio Ave, Vítor Ramos, chama a atenção para um tema importante: a ausência de cobertura jornalística em situações relevantes do futebol português, como a conferência pós match entre o Alverca e Rio Ave para a Taça de Portugal. Criticou os órgãos de comunicação social por deixarem de cobrir eventos devido a dificuldades financeiras ou critérios editoriais (e bem). Pelo meio ainda lança uma farpa a estes meio de comunicação . (Não aprendeu com o erro de Setembro de 2022 do jogo de Famalicão que quando fala sobre estes assuntos devia saber que fala também em nome do Rio Ave)

No entanto, esta crítica, apesar de válida, revela uma contradição quando observamos o silêncio em relação a um problema igualmente relevante: a falta de independência de muitos meios de comunicação ao publicarem conteúdos fabricados pelos próprios clubes. Atualmente, a comunicação desportiva está, em grande parte, dominada pelas narrativas que os clubes querem promover. Notícias são distribuídas pelos departamentos de comunicação dos clubes e replicadas nos jornais sem questionamento ou investigação aprofundada. Este fenómeno transforma muitos jornalistas em meros porta-vozes das instituições desportivas. 

É irónico, portanto, que quem denuncia a falta de cobertura de um evento como o jogo da Taça de Portugal não critique a mesma submissão que muitos jornais demonstram em relação à comunicação oficial dos clubes sendo inclusive o responsável por um departamento que “usa e abusa” das fragilidades deste setor. A independência da imprensa, essencial para a credibilidade e qualidade jornalística, parece ficar em segundo plano frente à conveniência de receber conteúdos prontos para publicação.


Além disso, a estratégia de muitos clubes em moldar a narrativa pública não é nova, mas tornou-se mais evidente com o aumento do controlo sobre os meios digitais. Este fenómeno não apenas limita a capacidade dos meios de comunicação de desempenharem o seu papel, mas também prejudica a perceção de imparcialidade no jornalismo desportivo.


Se queremos um desporto mais transparente e uma comunicação desportiva mais credível, é fundamental que todos os intervenientes — jornalistas, clubes, dirigentes e adeptos — questionem as práticas que perpetuam a falta de independência e promovam uma mudança real no discurso público.



Quanto ao teor da publicação, assino por baixo.

Espero também que o Sr. Vitor assine a minha.






2.9.21

Nelson Monte saiu?


A Bola na edição de hoje até escreve que o Rio Ave anunciou ontem a saída do jogador, mas eu confesso que não vi a saída em nenhum dos meios oficiais do clube. Falha ou distração minha? Não acredito. 

O que me parece, se de facto o atleta saiu, é que de novo o Rio Ave falha na comunicação com os seus sócios e adeptos. Merecíamos saber pelo clube e não pelos jornais e o atleta merecia pelo menos o anúncio oficial. É atleta com vários anos de clube, foi capitão, é de Vila do Conde. Não que por ser de Vila do Conde mereça tratamento diferenciado, ninguém é melhor e especial só por ser nosso conterrâneo. Mas a ligação longa ao clube cria laços distintos dos que ficam na nossa memória se se tratasse de um atleta que estivesse aqui alguns poucos meses. 

Os clubes são mais que taças e trofeus, são feitos por pessoas e essa é a sua maior grandeza. Destratar quem está incondicionalmente com o clube não é boa prática. Eu, sócio, gostava de melhor comunicação neste aspecto das entradas e saídas. 

Ao Nelson, se vai mesmo sair, boa sorte.


14.6.20

Protocolo com o Pedras Rubras - que significado?

O Pedras Rubras, que joga no Campeonato de Portugal, anunciou há dois dias um protocolo com o Rio Ave FC,  que "consta na cedência de atletas entre as duas coletividades". Segundo A Bola, os jogadores cedidos pelo Rio Ave poderão evoluir na equipa principal do Pedras Rubras.

O Rio Ave ainda nada nos disse sobre este acordo, pelo que ficam algumas dúvidas:
- como articular com a equipa sub23?
- este protocolo é uma espécie de 'substituição' da extinta equipa B?
- os jogadores que acabam a formação nos sub19 vão primeiro ao Pedras Rubras e só depois aos sub23 ou ao contrário?
- O Pedras Rubas vai receber jogadores que acabaram a formação nos sub23, por limite de idade?

Aguardemos esclarecimentos, para ser mais correto emitir uma opinião sobre os eventuais méritos da iniciativa.

12.3.20

Covid-19, e o silêncio da operação Fora de Jogo!


(Foto: Lusogolo)
Vivemos tempos de refúgio que deve servir para reflecção e para corrigir atitudes, por fim falo, parece-me muito estranho cumprimentar á distancia, ser cumprimentado como se fosse um infeliz infetado, e ver outros a gozarem com as máscaras cor de rosa para as meninas, e azuis para os rapazes, e que já se compram na  farmácia a 2.5€ cada UMA, um disparate. Se esta paragem, vai servir para acabar com isto tudo, pois bem, que a quarentena seja em silêncio, e que traga a paz que tanto desejamos ao futebol!


Pior no entanto parece-me o silêncio do nosso clube em relacção ao que  as estações e jornais falam e colocam na lama o bom nome do  Rio Ave, e que eu saiba,  pelo menos até agora, ninguém numa qualquer “news letter” veio a terreiro descansar os sócios do Rio Ave,  tal como  fizeram de imediato Porto, Benfica, e Sporting .




- Só não entendo este silêncio por parte do Rio Ave, se é apenas isto?
- Não merecia uma palavrinha, que fosse? Enfim, e o sócio sou eu!