26.8.26

Quando os sócios descobrem os projetos do clube pelas redes sociais dos outros



O Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença, visitou recentemente as instalações do Rio Ave FC e partilhou nas suas redes sociais um vídeo dessa visita.

Nada a apontar à divulgação da visita. Pelo contrário. 

O problema é outro.

Durante o vídeo, surge um momento particularmente interessante para qualquer sócio do Rio Ave: são mostradas imagens 3D do futuro complexo e das infraestruturas que estão a ser desenvolvidas pelo clube e pela SAD.




Imagens que, tanto quanto é do conhecimento público, nunca foram apresentadas aos sócios.

Não foram divulgadas no site oficial. Não foram partilhadas nas redes sociais do clube. Não foram apresentadas em assembleias gerais. Não foram sequer disponibilizadas como forma de os associados acompanharem aquilo que está a ser construído em nome do Rio Ave.

E é aqui que reside a questão.

Não me incomoda que Pedro Proença tenha mostrado essas imagens. O que me incomoda é que eu, enquanto sócio, tenha de as descobrir através de um vídeo publicado por terceiros.

Estamos a falar de um projeto estruturante para o futuro do Rio Ave. Um investimento que é constantemente referido pelos responsáveis do clube e da SAD como fundamental para o crescimento da instituição. Seria, por isso, natural que os primeiros a conhecer melhor esse projeto fossem precisamente os sócios.

Mas não.

Mais uma vez, a informação chega de forma indireta.

Basta olhar para outros exemplos. Há poucos meses, o Nottingham Forest tornou públicos os projetos de remodelação do seu estádio, apresentando imagens, vídeos e detalhes das intervenções previstas. Os adeptos puderam ver, analisar e acompanhar aquilo que o clube pretende fazer.

No Rio Ave, os sócios ficam reduzidos a descobrir estes pormenores através de um frame perdido num vídeo publicado pelo Presidente da Federação.

Pode parecer um detalhe.

Mas não é.

É mais um exemplo de uma cultura de comunicação onde os associados raramente são colocados em primeiro lugar. Uma cultura onde a informação existe, circula e é mostrada a entidades externas, mas continua a não chegar de forma clara e transparente a quem sustenta o clube há décadas.

Se existem imagens 3D do projeto, porque não divulgá-las?

Se existe orgulho no investimento realizado, porque não apresentá-lo aos sócios?

Se o projeto é assim tão importante para o futuro do Rio Ave, porque razão os associados continuam a conhecê-lo aos pedaços, através das redes sociais de terceiros?

São perguntas simples.

E que, infelizmente, continuam sem resposta.

Afinal, quais são os objetivos para esta temporada?




Desde a entrada da SAD, o Rio Ave completou já duas épocas e está agora no início da terceira. E há uma coisa que, para mim, continua por definir: quais são, afinal, os objetivos desportivos do Rio Ave?

Desde o início deste novo ciclo, ouvimos sobretudo frases vagas e genéricas. «Fazer melhor que no ano passado», «melhorar a estrutura», «preparar o clube para alcançar coisas maiores no futuro». Tudo afirmações que podem fazer sentido, mas que, quando falamos de objetivos desportivos, dizem muito pouco.

Tenho saudades dos tempos em que, no início de uma temporada, era possível perceber claramente aquilo que se pretendia alcançar. Apuramento para as competições europeias. Ficar entre os oito primeiros. Lutar por determinados lugares. Havia um objetivo concreto, que todos conheciam e que servia como referência ao longo da época.

Hoje, parece que essa ambição desapareceu das palavras.

Na primeira temporada da SAD, terminámos em 11.º lugar. No ano passado, o discurso era fazer melhor. Acabámos em 12.º, portanto, pior do que na época anterior.

E agora, no início desta terceira temporada, voltamos a ouvir a mesma ideia: queremos fazer melhor do que no ano passado.

Mas o que é, concretamente, fazer melhor?

É conquistar mais pontos? É terminar em 11.º? É ficar no top 10? É aproximarmo-nos dos lugares europeus? É lutar por eles?

Não sabemos.

E é precisamente isso que me incomoda.

Não estou a dizer que o Rio Ave tenha obrigatoriamente de anunciar que vai à Europa, nem que deva assumir objetivos completamente desfasados da realidade. Mas gostava de ver ambição e, acima de tudo, clareza.

Um bom grupo de trabalho precisa de saber para onde vai. Um treinador precisa de saber aquilo que lhe é pedido. Os jogadores precisam de conhecer a meta que têm de atingir. E os adeptos também merecem saber qual é o caminho que o clube pretende percorrer.

Não se trata de criar um objetivo para, no final da temporada, andar a apontar o dedo a quem não o conseguiu cumprir. Trata-se de assumir um compromisso.

E, de preferência, um compromisso ambicioso.

Ainda este fim de semana estive com velhos colegas da faculdade e, inevitavelmente, surgiu a pergunta:

— «Então, e o Rio Ave? Este ano é para ir à Europa?»

E dei por mim a responder que não sabia.

E isso é estranho.

Não porque ache que o Rio Ave não tenha qualidade para ambicionar mais. Pelo contrário. Mas porque, há três épocas, desde a entrada da SAD, os objetivos passaram a ser apresentados de uma forma tão vaga e ambígua que até uma pergunta tão simples como «é para ir à Europa?» se tornou difícil de responder.

25.8.26

É a meio campo que Sotiris tem mais dúvidas. Aqui fica o meu contributo

Em três jornadas já vimos Ntoi a 6 e, nos dois últimos jogos, Nikitscher - dois jogadores muito diferentes, ainda por cima, um mais físico, o segundo mais preocupado em ocupar os espaços.

Nestes três primeiras jornadas também vimos Diogo Nascimento a 8, mas, na segunda parte do Estoril, foi finalmente possível vê-lo mais adiantado, a 10, onde - penso - muitos gostariam de o ver jogar.

Nessa posição (médio centro) tem jogado Blesa, para permitir a Tamble ser o ponta de lança.

Nem Blesa tem propriamente características de 10, nem faz sentido desperdiçar o nosso melhor avançado.

Acredito que a segunda parte no Estoril vai inspirar Sotiris para sexta: Nikitsher, Ntoi e Diogo Nascimento no meio campo; Bezerra, Blesa no meio e Tamble na direita.

É certo que é frente ao Sporting e que este 11 é muito atacante. Mas com audácia podemos conseguir pontuar. 


 

24.8.26

Sub-19 e sub-17 já jogaram as 3 jornadas iniciais do campeonato




Algumas equipas de formação da Rio Ave SAD já disputaram as primeiras jornadas dos respetivos campeonatos nacionais.

A equipa de Sub-19 ao fim de três jornadas, somam uma vitória (conquistada este fim‑de‑semana frente ao Vizela), um empate e uma derrota, totalizando quatro pontos. Este registo permite ocuparem o 5.º lugar da classificação.

Já os Sub-17 em três jornadas realizadas, registam uma vitória e duas derrotas, somando três pontos. Estes resultados colocam atualmente o Rio Ave no 7.º lugar da classificação.


A evolução classificativa do Rio Ave no campeonato 26/27




Ao longo de uma época, a classificação de uma equipa está longe de ser estática. Há momentos de ascensão, períodos de estagnação e, por vezes, quedas inesperadas que ajudam a explicar o percurso realizado ao longo das 34 jornadas do campeonato.

Com o objetivo de acompanhar essa evolução de uma forma simples e visual, este espaço reúne um gráfico que mostra a posição ocupada pela Rio Ave SAD após cada jornada da Liga Portugal.

Mais do que observar a classificação final, este gráfico permite perceber como a equipa se foi posicionando ao longo da temporada, identificando os melhores momentos, os períodos mais difíceis e a consistência (ou falta dela) dos resultados obtidos.

Tal como acontece com outras páginas estatísticas do Reis do Ave, este conteúdo será atualizado regularmente após cada jornada, permitindo acompanhar em tempo real a evolução classificativa do Rio Ave ao longo do campeonato.




Rio Ave FC — Caminho na Liga

Posição ao fim de cada jornada
Posição atual
Posição do Rio Ave Zona de descida

22.8.26

(Vitória 0-2 no Estoril). Tudo nos correu bem (exceto, talvez, as eventuais lesões)

 O Rio Ave entrou um pouco adormecido mas 'acordou' a partir dos 10m. Faz 1-0. A partir daí controla as operações, mas sem criar oportunidades de perigo. A desinspiração do Estoril e a inspiração de Ennio vão resolvendo.

Na segunda parte, o Estoril tenta, o Rio Ave marca. E aqui mérito para Sotiris, que tirou do onze o inexistente Galcick e meteu Tumble a extremo. Ficámos mais consistentes. 

Até final, o Estoril continuou a ter mais remates (duas bolas nos ferros), mas as que foram à baliza encontraram um Ennio muito inspirado. Ele e Blesa, os melhores em campo.

Em suma, correu-nos tudo bem, exceto talvez o facto de três jogadores terem saído com problemas físicos (Abbey, Brabec e Tamble). Veremos se recuperam para sexta. 

O Rio Ave venceu porque foi mais consistente e tem melhor equipa. 

(O árbitro Carlos Macedo não teve influência no resultado e anulou um golo nosso por fora de jogo. Mas nos lances que mereciam dúvida e poderiam criar perigo decidiu sempre a nosso favor. Penso ser honesto dizer isto, depois do que escrevi aqui relativamente ao jogo em Barcelos)

 

21.8.26

Equipa sub23 estreia-se com empate frente ao Benfica (atenção a este guarda-redes)

Uma renovada equipa de sub23 iniciou ontem o campeonato, que agora se chama Next Gen. 0-0 no Seixal, frente ao Benfica. Foi também a estreia do treinador Tiago Ribeiro, que continua a sua ascensão na formação rioavista.

O Rio Ave foi melhor e mereceu ganhar, mas é fundamental destacar a exibição do nosso guarda-redes, Rodrigo Real. Fez pelo menos duas defesas 'de golo' e, para quem não o conhecia (como eu) impressionou-me. Prometo ficar atento à carreira deste jovem (tem apenas 17 anos, seria o guarda-redes dos sub19). Em março foi chamado à seleção nacional de sub18. Fez a formação no Varzim e veio para Vila do Conde em 2023

Nenhum dos quatro jovens que estão na equipa principal fizeram parte das escolhas de Tiago Ribeiro, sinal de que estão fidelizados (pelo menos por agora) ao projeto de Sotiris.

(curiosidade: no plantel continua um jovem grego, Georgios Lemonakis, defesa direito de 20 anos, emprestado pelo Nottingham. Ontem foi suplente não utilizado)

 

 

19.8.26

Rio Ave atualiza o plantel para incluir 4 jovens

Já aqui tinha perguntado por Samuel Alves, anunciado como reforço da equipa principal, mas ausente do plantel oficial que o site publica.

Pois bem, o site foi atualizado para incluir não apenas Samuel, mas também o defesa Caike e os médios Antoine e Miguel Patrício. A partir de agora, fazem parte oficialmente da equipa principal (claro que até ao mercado fechar muita coisa pode acontecer). Samuel e Patrício até já se estrearam.

O plantel tem agora 27 elementos, com 8 avançados, 8 médios e 8 defesas (e 3 guarda-redes). 

Na Liga, o Rio Ave tem mais 7 jovens inscritos, sendo um deles Dai Baldé, que esteve no banco frente ao FC Porto. 

 

(Baldé, a surpresa da jornada passada, está em Vila do Conde desde 2019)

18.8.26

Extremos a mais, extremos a menos?

O Rio Ave fez toda a segunda volta com Bezerra de um lado e Spikic do outro. O primeiro mostrou qualidades para ser titular, o segundo nem por isso. Mesmo assim, nem Medina nem Lobato, por razões diferentes e variadas, imagina-se, mereceram a oportunidade de serem titulares (Lobato jogou os minutos finais dos últimos jogos e até deixou boas indicações, na minha opinião).

Nenhum dos quatro saiu, pelo menos até agora, mas o plantel foi reforçado com mais um extremo, Galcick, que entrou diretamente para o onze nos dois jogos disputados - ou seja, Sotiris entendeu que é melhor do que os três outros extremos.

Na verdade, o que vimos até agora não parece confirmar isso. Galcick foi, aliás, o primeiro a sair frente ao FC Porto, depois de uma exibição muito desinspirada. Medina (que já está a cumprir a terceira época em Vila do Conde, com 5 jogos pela equipa principal!) e Lobato vão continuar à espera de uma oportunidade se Sotiris apenas vir Galcick e Spikic como primeiras opções. Talvez se Lobato mudar para Lobatic tenha mais oportunidades😄...  

(Medina assinou por quatro anos, esta é a terceira época)


Esperar pelo fim do mercado: um risco que o Rio Ave continua a correr




O Rio Ave anunciou os seus dois primeiros reforços ainda nas primeiras semanas de julho. Na altura, escrevi que era positivo ver a equipa manter uma base sólida da temporada passada, mas também referi que esperava mais movimentações no mercado.

Continuo convencido de que esses reforços vão chegar. O problema é que tudo indica que voltarão a chegar no modelo habitual, um modelo ao qual já me habituei, mas que continua sem me agradar.

A janela de transferências entra agora na sua reta final e é bem possível que o plantel só fique fechado perto do encerramento do mercado. Como tem acontecido noutras épocas, muitos dos jogadores poderão surgir já nas últimas semanas, provavelmente oriundos do universo Marinakis.

Entretanto, continuam por preencher posições que parecem evidentes. O Rio Ave necessita de um defesa-esquerdo, de outro defesa-direito e de um médio ofensivo capaz de acrescentar criatividade à equipa.

O que me preocupa não é apenas a origem dos reforços. É sobretudo o timing.

Se os novos jogadores chegarem apenas no final do mercado, será necessário algum tempo para se integrarem, conhecerem os colegas, assimilarem as ideias do treinador e atingirem o melhor nível competitivo. Se contabilizarmos duas semanas depois do fecho do mercado, nessa altura, o Rio Ave já terá disputado cerca de seis jornadas do campeonato, praticamente 17% da competição.

E muitas épocas decidem-se precisamente nos detalhes.

Os pontos perdidos em agosto valem exatamente o mesmo que os conquistados em abril. Por isso, adiar a resolução de lacunas que já são conhecidas pode acabar por ter um custo elevado mais à frente.

Espero estar enganado. Mas gostava de ver o Rio Ave atacar estas necessidades mais cedo, em vez de voltar a esperar pelos últimos dias de mercado para completar um plantel que já devia estar mais próximo da sua versão final.

Quem também não deve gostar desta espera é Sotiris.

17.8.26

Um ano do podcast Rioavíssimos

Faz hoje um ano que foi emitido o primeiro episódio do podcast/videocast Riovíssimos, iniciativa de Tiago Sencadas.

[Declaração de princípios: os três colaboradores do Reis do Ave fazem parte do painel de comentadores do programa, mas felizmente a equipa é bem mais vasta; ainda recentemente foi reforçada com mais um elemento]

Para quem, como eu, sabe o que é gastar muito do seu tempo a falar do Rio Ave, aqui fica uma saudação especial para o Tiago, pela persistência. Sendo o Rio Ave uma organização que comunica o mínimo e em que os seus responsáveis, estando em Atenas, Londres ou Vila do Conde, evitam o contacto com quem quer informar sobre a vida do clube, mais difícil se torna a missão.

Como é evidente, nem tudo correu bem neste ano, mas penso que não se falhou nenhuma jornada desde 17/8/25. Os erros só nos podem fazer ajudar a melhorar. Venha mais um ano, Tiago!


 

16.8.26

(Derrota 0-2 com o FC Porto) Não gostei, mas os portistas não são o Gil Vicente

Não gostei da exibição da nossa equipa ontem. 

Alguns argumentos:

- Sotiris mete quatro homens na frente, mas deixa apenas dois no meio campo (e um deles, Diogo Nascimento, é um jogador 'suave'). Com equipas mais fortes vamos ter poucas ou nenhumas hipóteses, porque eles povoam o nosso meio campo e nós apenas conseguimos trocar a bola para os lados; pouca agressividade, uma falta em 90 minutos é recorde...

- Outra vez golos de canto??? (No primeiro, Ennio ficou mal, no segundo Liavas esqueceu-se...)  

- O Rio Ave, no ataque, criou uma clara de oportunidade de golo (do outro lado estava um dos melhores guarda-redes do mundo) em 90 minutos. É pouco, muito mais, frente a um FC Porto mais fraco do que o habitual.

- Jogámos sempre com menos um. Galcick nunca entrou no jogo e quem o substituiu não fez melhor. Melhor em campo: Bezerra.

Nota final para a falta de opções no banco de suplentes: Vroussai entrou para médio centro, antes de passar para lateral direito. Dois jovens em estreia (Samuel e Patrício).   

Em resumo: esperava voltar a ver a atitude que vimos em Barcelos, mas reconheço que o FC Porto não é o Gil Vicente. Sábado, no Estoril, temos o tira-teimas...


 

13.8.26

Pressão sobre a arbitragem é bidirecional.

O jogo de Barcelos tornou-se ainda mais importante...

Na semana passada escrevi aqui que a deslocação do Rio Ave a Barcelos podia ser o jogo mais importante do arranque da época. O motivo era simples: o calendário da Liga Portugal Betclic 2026/27 reservou ao Rio Ave um arranque particularmente exigente, com receções consecutivas ao FC Porto e ao Sporting logo nas primeiras jornadas disputadas em casa.

Infelizmente, o pior cenário acabou por confirmar-se. O Rio Ave saiu derrotado por 1-0, frente ao Gil Vicente, e perdeu uma oportunidade importante de conquistar pontos antes de enfrentar uma sequência de jogos de enorme dificuldade.

Mas a derrota acabou por passar para segundo plano devido à enorme polémica em torno da arbitragem.

Dois jogos, muitas queixas

Curiosamente, Rio Ave e FC Porto chegam ao duelo da segunda jornada com um sentimento semelhante: ambos contestaram fortemente as arbitragens dos respetivos encontros da jornada inaugural.

Em Barcelos

Do lado do Rio Ave, os motivos de contestação começaram ainda na primeira parte.


Logo aos 23 minutos, Ryan Guilherme sofreu uma entrada dura que acabou por o obrigar a abandonar o encontro lesionado. O lance não motivou qualquer sanção disciplinar, situação que nós consideramos de muito difícil de compreender.

Pouco antes do intervalo, aos 43 minutos, Tumble Monteiro caiu na área do Gil Vicente, reclamando grande penalidade, mas o árbitro Gustavo Correia mandou seguir. O VAR também não interveio.

O momento que acabou por marcar definitivamente a partida surgiu logo no início da segunda parte.

Aos 47 minutos, Andreas Ntoi viu cartão vermelho direto, deixando o Rio Ave reduzido a dez unidades durante praticamente toda a segunda parte. A decisão foi imediatamente contestada pelos Rioavistas, que consideraram a expulsão excessiva e entendem que condicionou completamente o desenrolar do encontro.

Apesar da inferioridade numérica, o Rio Ave conseguiu manter o empate até perto do final.

Contudo, aos 87 minutos, Héctor Hernández converteu uma grande penalidade e fez o único golo da partida, ditando a vitória do Gil Vicente por 1-0.

No Dragão também houve protestos


Também o FC Porto, apesar de ter vencido o seu jogo, terminou a jornada a contestar a arbitragem.

O Porto beneficiou de duas grandes penalidades, ambas assinaladas após intervenção do VAR, mas entenderam que ficaram ainda por marcar outros lances semelhantes durante a partida, transformando igualmente a arbitragem num dos temas dominantes do pós-jogo.

Pressão ou apenas coincidência?

É aqui que surge a grande questão.

No caso do Rio Ave, existem lances concretos que justificam a insatisfação: a entrada sobre Ryan Guilherme, a expulsão de Andreas Ntoi, o alegado penálti sobre Tamble Monteiro e a sensação de falta de uniformidade nos critérios disciplinares ao longo do encontro.

Já do lado portista, apesar da vitória, o discurso voltou rapidamente para a arbitragem. Cada um fará a sua leitura. Mas é impossível ignorar que esta sucessão de declarações públicas acaba sempre por aumentar a pressão sobre a equipa de arbitragem que dirigirá o jogo seguinte.

O que mais me preocupa

O Rio Ave recebe agora o FC Porto, campeão nacional, depois de uma derrota que deixou marcas e de uma arbitragem amplamente contestada.

Ao mesmo tempo, o FC Porto chega igualmente insatisfeito, apesar de ter conquistado os três pontos.

Historicamente, este tipo de ambiente raramente beneficia os clubes de menor dimensão.

Espero sinceramente estar enganado.

Mas tenho a sensação de que o Rio Ave vai entrar em campo a jogar sobre brasas.

Ainda assim, se quiser contrariar todas as dificuldades do calendário, terá de fazer exatamente aquilo que fez tantas vezes na segunda metade da última época: competir sem medo, ganhar os duelos, manter a organização coletiva e não permitir que o contexto exterior desvie a equipa do essencial.

Porque, mais do que nunca, e pelas razões que apontei no meu post da semana passada, os pontos, mesmo contra o Porto, vão fazer falta.

12.8.26

Petrasso: a primeira surpresa da época




Confesso que, quando vi o onze inicial do Rio Ave para o jogo frente ao Gil Vicente, uma das decisões que mais me surpreendeu foi a ausência de Brabec.

Na minha opinião, o internacional checo foi o melhor central do Rio Ave na última temporada e, por isso, não esperava vê-lo começar a época no banco de suplentes. Ainda menos quando a alternativa escolhida foi Petrasso, um jogador que, apesar da sua entrega e compromisso, nem sempre foi visto como uma opção indiscutível para o centro da defesa.

Mas o futebol tem destas coisas.

Noventa minutos depois, percebi melhor a decisão de Sotiris.

Não só Petrasso foi titular, como envergou a braçadeira de capitão, assumindo desde o primeiro minuto uma posição de liderança dentro de campo. E a verdade é que correspondeu plenamente à confiança que lhe foi depositada.

Ao longo da partida, esteve sempre concentrado, agressivo nos duelos e muito competente nas ações defensivas. Honestamente, não me recordo de um único lance em que tenha sido claramente batido pelo adversário. Esteve presente quando foi preciso cortar, esteve forte no jogo aéreo e mostrou a raça que sempre o caracterizou desde que chegou aos Arcos.

Mas houve algo que me chamou ainda mais a atenção.

A sua liderança.

Durante os noventa minutos foi uma voz constante dentro de campo, orientando colegas, corrigindo posicionamentos e transmitindo confiança à equipa. A braçadeira não pareceu pesar-lhe. Pelo contrário, pareceu encaixar naturalmente no seu perfil.

É apenas um jogo e seria precipitado tirar conclusões definitivas com base numa única exibição. No entanto, aquilo que Petrasso apresentou em Barcelos deixa uma certeza: a sua titularidade esteve longe de ser um erro.

Aliás, se conseguir manter este nível exibicional nas próximas jornadas, Sotiris poderá vir a ter um problema daqueles que todos os treinadores gostam de ter: relegar definitivamente Brabec para o banco.

Pelo menos em Barcelos, Petrasso fez tudo para provar que merece continuar a ser uma das primeiras opções. E, olhando para aquilo que produziu dentro das quatro linhas, será difícil discordar.

11.8.26

O que me deixou entusiasmado

Ontem, na gravação do podcast Rioavíssimos, o nosso anfitrião Tiago Sencadas sorriu quando atribuí 14 (em 20) à exibição da equipa. 'Perdemos e atribuis uma nota tão alta?', terá ele pensado.

A justificação, para mim, é muito simples: gostei muito do empenho da equipa, da vontade que demonstraram - da atitude, em suma.

Na época passada ganhamos alguns jogos sem jogar tão bem. Domingo perdemos, mas os motivos são bem conhecidos.

Penso que o meu 14 não é apenas uma visão pessoal. O facto de equipa ter ficado largos minutos no relvado a ouvir o apoio dos adeptos, muito mais do que em certos jogos em pontuámos, mostra que a maioria fez uma análise próxima da minha.

(as imagens que o Rio Ave divulgou mostram esta bancada, mas havia mais de 50 adeptos numa outra, ao lado, igualmente empenhados em demonstrar o seu apoio)
 

A equipa respondeu e os adeptos também




(imagem do Rio Ave tirada depois do apito final)

No passado sábado escrevia neste espaço sobre a necessidade de os Arcos voltarem a sentir algo que, durante muitos anos, foi uma das imagens de marca do Rio Ave: a ligação entre a equipa e os seus adeptos.

Uma ligação feita de proximidade, de identificação e de apoio incondicional.

Menos de 24 horas depois, tive a oportunidade de assistir à deslocação do Rio Ave a Barcelos e saí do estádio com uma certeza: a equipa começou esta temporada com os seus adeptos ao lado.

É verdade que Barcelos fica relativamente perto de Vila do Conde. Estamos a falar de uma deslocação de cerca de 25 a 30 quilómetros, acessível para muitos sócios e adeptos. Mas quem acompanha regularmente o Rio Ave sabe que a distância, por si só, não explica aquilo que se viu no domingo.

Nas últimas cinco ou seis temporadas também marquei presença em praticamente todas as deslocações a Barcelos. E, honestamente, não me recordo de ver um apoio desta dimensão.

Não foi apenas uma questão de números.

Foi a forma como os adeptos apoiaram a equipa durante os 90 minutos.

As vozes ouviram-se praticamente durante todo o jogo. Houve cânticos, incentivos e uma energia que há muito tempo não via numa deslocação do Rio Ave. Mesmo nos momentos mais difíceis da partida, o apoio não desapareceu.

E isso merece ser destacado.

Temos passado os últimos anos a falar sobre o afastamento entre os adeptos e quem dirige o clube. Temos falado da perda de identidade, da quebra de ligação emocional e de tudo aquilo que se foi perdendo pelo caminho.

Mas uma coisa ficou demonstrada logo na primeira jornada desta temporada:

Os sócios e adeptos do Rio Ave fizeram a sua parte.

Agora cabe à equipa corresponder.

Porque se o apoio demonstrado em Barcelos servir de indicador, então o Rio Ave entrou nesta temporada com algo que nem sempre teve nos últimos anos:

A força dos seus adeptos atrás de si.

10.8.26

Julho de 2026: o mês mais visitado da história do Reis do Ave



O mês de julho de 2026 ficará para sempre marcado na história do Reis do Ave.

Pela terceira vez este ano, o blog bateu o seu recorde absoluto de visualizações mensais, ultrapassando todos os registos anteriores desde a sua criação sendo que o mês passado ultrapassou as 100 mil visualizações.

Os números falam por si.

Depois de já ter sido alcançado um máximo histórico em Maio, o mês passado voltou a estabelecer uma nova marca, tornando-se o período com mais visitas de sempre no Reis do Ave.

Naturalmente, estes números não são um troféu nem uma competição. Não escrevemos para bater recordes nem para perseguir estatísticas. Quem acompanha este espaço sabe que escrevemos porque gostamos de o fazer. Escrevemos porque gostamos do Rio Ave, porque gostamos de refletir sobre a atualidade do clube e porque acreditamos que os sócios e adeptos merecem ter espaços onde diferentes opiniões possam ser partilhadas livremente.

Mas seria hipócrita dizer que estes números não têm significado.

Têm.

Sobretudo porque demonstram que existe um número crescente de pessoas interessadas em ler, discutir e acompanhar os temas relacionados com o Rio Ave.

Num período em que tantas vezes se fala do afastamento entre o clube e os adeptos, estes números mostram precisamente o contrário: existe interesse, existe participação e existe vontade de acompanhar aquilo que se passa à volta do universo rioavista.

Ao longo dos últimos meses passaram por aqui textos sobre os mais variadíssimos temas. Alguns geraram consenso, outros polémica. Alguns receberam elogios, outros críticas.

E ainda bem.

Porque um espaço de opinião só faz sentido quando gera debate.

O Reis do Ave existe há muitos anos, atravessou diferentes fases do clube e continuará a existir enquanto houver histórias para contar e opiniões para partilhar.

Julho de 2026 foi o mês mais visitado da história deste espaço.

Mas, acima de tudo, foi mais uma demonstração de que a comunidade rioavista continua presente, atenta e interessada no futuro do seu clube.

E isso vale muito mais do que qualquer recorde.

Bilhetes duplicados, pagamentos em numerário e algumas perguntas por esclarecer


Ontem fui um dos muitos adeptos e sócios do Rio Ave que se deslocou a Barcelos para assistir ao encontro entre o Gil Vicente e o Rio Ave.

Cheguei ao estádio por volta das 20h10 e, ainda antes de entrar, deparei-me com uma situação que me causou alguma estranheza. Junto à entrada destinada aos nossos adeptos encontravam-se cerca de vinte sócios visivelmente indignados, impedidos de entrar no recinto.

Poucos minutos depois fui abordado por duas dessas pessoas, que me explicaram o que estava a acontecer.

Segundo os próprios, o Rio Ave teria vendido o mesmo bilhete a mais do que uma pessoa. Quando tentaram aceder ao estádio, o sistema de controlo acusava que aquele bilhete já tinha sido utilizado, impossibilitando a sua entrada. Na prática, alguém já tinha entrado com um bilhete que correspondia ao mesmo código que lhes tinha sido vendido.

A situação gerou naturalmente revolta e frustração.

No local encontrava-se o elemento de ligação aos sócios e adeptos do Rio Ave, que tentou gerir o problema. No entanto, a solução apenas surgiu durante o apito inicial. Os adeptos afetados acabaram por ser encaminhados para outra bancada, conseguindo assistir ao jogo, mas não no setor onde estavam concentrados grande parte dos adeptos rioavistas.

Durante o intervalo e após o final da partida tive oportunidade de conversar com alguns dos visados. A insatisfação era evidente. Não apenas pelo transtorno causado, mas também pelo facto de terem sido colocados num local diferente daquele onde estavam grande parte dos adeptos do Rio Ave, retirando parte da experiência de acompanhar a equipa fora de casa.

Tudo indica que a origem do problema terá estado na emissão e venda dos bilhetes, alegadamente com lugares duplicados ou vendidos mais do que uma vez.

Mas este não foi o único aspeto que merece reflexão.

Tal como já aconteceu noutras ocasiões, os bilhetes foram vendidos apenas mediante pagamento em numerário. Em pleno 2026, continua a ser impossível utilizar cartão bancário para adquirir bilhetes em algumas deslocações organizadas pelo clube - quando feito na loja do Rio Ave.

Mais estranho ainda foi aquilo que me aconteceu quando solicitei uma fatura pela compra do meu bilhete. Foi-me dito que não seria possível emitir a fatura naquele momento. Insisti no pedido e foi-me garantido que a mesma me será enviada durante esta semana.

Espero sinceramente que assim aconteça.

No entanto, quando juntamos todos estes episódios — bilhetes alegadamente vendidos em duplicado, pagamentos exclusivamente em dinheiro e dificuldades na emissão de documentos fiscais — a imagem que fica é a de uma organização que está longe do nível de rigor e profissionalismo que os sócios têm o direito de exigir.

Quero acreditar que tudo isto resulta apenas de desorganização e não de algo mais grave.

Espero que este episódio sirva para retirar conclusões e corrigir procedimentos.

Porque apoiar o Rio Ave já exige bastante dos seus adeptos.

O mínimo que o clube pode fazer é garantir que, quando estes compram um bilhete, conseguem entrar no estádio sem problemas. E que o processo de compra decorre com a normalidade e transparência que deveriam ser básicas em qualquer instituição.

9.8.26

(derrota por 1-0 em Barcelos) A jogar assim vamos ganhar mais vezes

 O Rio Ave saiu derrotado de Barcelos, no jogo de estreia, e isso muito se deve 1) à expulsão de Ntoi, imprudente na entrada por trás (bem expulso para mim); 2) ao penalti cometido por Abbey (abre o braço, quando o tinha, segundos antes, atrás das costas).

Sem estas duas condicionantes, o Rio Ave não só teria lutado por outro resultado como, acredito, teria pontuado. Aliás, 11 contra 11 fomos melhores.

Boa atitude da equipa, empatada ou a perder, o que dá sinais positivos para o que aí vem.

Sotiris surpreendeu no onze (Liavas a defesa-direito, Petrasso a central e Ryan a 10), mas equipa esteve genericamente bem. Grande exibição de Petrasso, o melhor em campo, Diogo Nascimento mostrou bons apontamentos.

Grande ambiente em Barcelos, grande entusiasmo à volta da equipa e apoio constante.

Gustavo Correia não falhou nas duas decisões-chave, mas na dúvida esteve sempre contra o Rio Ave. Arbitragem que não deixa saudades deste árbitro poveiro (pelos vistos não é poveiro😫; ainda bem para ele, mas continua a ser um árbitro fraco...)
 

 

8.8.26

Os Arcos merecem voltar a sentir isto





Há imagens que valem mais do que mil palavras. Esta é uma delas.

Durante muitos anos, as bancadas dos Arcos foram sinónimo de paixão, orgulho e união. Havia uma ligação especial entre o clube, a equipa e os adeptos. Independentemente dos resultados, sentia-se uma comunhão genuína. Os Arcos enchiam-se de gente, de cânticos e de esperança. O Rio Ave era mais do que uma equipa de futebol, era um ponto de encontro de uma comunidade inteira.

Infelizmente, muito desse espírito foi-se perdendo ao longo dos últimos cinco anos, com especial incidência nos últimos três. A distância entre quem gere o clube e os adeptos foi aumentando, criando um corte umbilical que deixou marcas profundas. Perdeu-se proximidade, perdeu-se identificação e, com isso, foi-se esbatendo uma parte importante da alma do Rio Ave.

Olho para esta fotografia e recordo tempos em que os Arcos vibravam de uma forma diferente. Tempos em que todos remavam para o mesmo lado e em que o sentimento de pertença era visível dentro e fora de campo. Não era tudo perfeito, mas existia algo fundamental: a sensação de que o clube e os seus adeptos caminhavam juntos.

Este fim de semana arranca uma nova temporada. Como rioavista, gostava muito de voltar a sentir este espírito. Gostava de voltar a ver os Arcos cheios, a equipa a ser empurrada pelas bancadas e os adeptos a sentirem que fazem parte do projeto. Mas para que isso aconteça, o primeiro passo não pode ser exigido apenas aos sócios e adeptos.

A reconquista dessa ligação tem de começar dentro do próprio Rio Ave. Tem de partir da equipa, através da entrega e da identificação com o símbolo que representa. E tem de partir também da direção, através da proximidade, da transparência e do respeito por quem continua a estar presente apesar de todas as desilusões dos últimos anos.

Porque os adeptos podem afastar-se, mas nunca deixam de querer acreditar. E eu continuo a acreditar que um dia voltaremos a viver tardes e noites como as desta fotografia.

Que comece a temporada 26/27

6.8.26

Barcelos pode valer ouro para o Rio Ave


O calendário do Rio Ave para o arranque da Liga Portugal Betclic 2026/27 não foi propriamente simpático para a equipa vilacondense. Já conhecíamos o sorteio, mas olhando para ele com algum distanciamento percebe-se que o Rio Ave terá um arranque de campeonato particularmente exigente.

A equipa estreia-se em Barcelos, frente ao Gil Vicente, e logo na segunda jornada recebe o FC Porto, atual campeão nacional. Na terceira jornada desloca-se ao Estoril, antes de voltar a Vila do Conde para defrontar o Sporting, campeão nacional da época 2024/25.

Como se isso não bastasse, mais à frente o calendário reserva ainda a receção ao SC Braga (11.ª jornada) e ao Benfica (15.ª jornada).

Ou seja, antes de concluído o primeiro terço da Liga, o Rio Ave recebe em casa os quatro primeiros classificados da última temporada: FC Porto, Sporting, SC Braga e Benfica. Trata-se de uma coincidência pouco habitual, que reduz significativamente a margem para conquistar pontos em casa durante a primeira metade da época.

Os primeiros cinco jogos podem definir muito

As cinco primeiras jornadas do campeonato são:

  • Gil Vicente (F)
  • FC Porto (C)
  • Estoril (F)
  • Sporting (C)
  • Santa Clara (F)

Partindo de uma análise puramente competitiva, os jogos frente ao FC Porto e ao Sporting são naturalmente aqueles em que a probabilidade de pontuar é mais reduzida.

Sobram, assim, três deslocações exigentes:

  • Gil Vicente
  • Estoril
  • Santa Clara


Destes três adversários, o Gil Vicente parece, à partida, aquele que oferece melhores condições para o Rio Ave conquistar os primeiros pontos da época.

Na temporada passada, as duas equipas demonstraram um enorme equilíbrio nos confrontos diretos:

  • Gil Vicente 2-2 Rio Ave
  • Rio Ave 0-0 Gil Vicente

Além disso, tratam-se de dois clubes com objetivos semelhantes. Apesar de o Rio Ave apresentar atualmente um investimento superior e uma estrutura cada vez mais ambiciosa, os resultados desportivos ainda não acompanharam totalmente esse crescimento. A expectativa passa por ver o clube aproximar-se, gradualmente, da luta pelos lugares europeus nas próximas épocas.

Um mau arranque pode pesar

Perder pontos em Barcelos poderá aumentar significativamente a pressão sobre a equipa, tendo em conta que as jornadas seguintes incluem uma recepção ao FC Porto, uma deslocação ao Estoril, a recepção ao Sporting e uma viagem sempre difícil aos Açores para defrontar o Santa Clara.

Se o Rio Ave não conseguir pontuar frente ao Gil Vicente e também deixar pontos no Estoril, existe uma possibilidade real de chegar à recepção ao Estrela da Amadora, na 6.ª jornada, ainda sem qualquer ponto conquistado.

Esse cenário não seria necessariamente um reflexo da qualidade da equipa, mas sim da exigência de um calendário que coloca vários dos adversários mais difíceis logo nas primeiras semanas da competição.

Onde pode estar a esperança?

Há, no entanto, um fator que convida ao otimismo.

Desde que Sotiris Silaidopoulos assumiu o comando técnico do Rio Ave, a equipa revelou um comportamento muito competitivo nas deslocações. Na segunda metade da última época conquistou vários pontos importantes fora de casa e apresentou uma organização defensiva bastante consistente, somando a isso os golos do Blessa, reforço de inverno.

Se conseguir repetir esse rendimento, sobretudo frente ao Gil Vicente, Estoril e Santa Clara, poderá compensar as dificuldades previsíveis nas recepções ao FC Porto e ao Sporting.

Barcelos pode valer muito mais do que três pontos

É precisamente por tudo isto que a deslocação a Barcelos assume uma importância especial.

Mais do que valer três pontos, poderá permitir ao Rio Ave retirar pressão a um dos arranques de campeonato mais exigentes dos últimos anos e ganhar tranquilidade para enfrentar uma sequência de jogos onde o grau de dificuldade será bastante elevado.

Se a equipa de Sotiris conseguir iniciar a Liga a pontuar frente a um adversário direto, ganhará não só confiança, mas também margem para encarar as jornadas seguintes sem a ansiedade que um calendário tão duro pode provocar.

No fundo, o calendário obriga o Rio Ave a fazer aquilo que fez tão bem na época passada: ir buscar pontos onde, à partida, poucos esperam que os consiga.