158 quilómetros de distância.
E a Liga decidiu marcar o jogo para segunda-feira, às 20h15.
A pergunta impõe-se: quem, no seu perfeito juízo, faz uma marcação destas?
Qual foi o critério? Qual foi a lógica? Qual foi o argumento que sustentou esta decisão?
Não pode ser o período de descanso. Ambas as equipas jogaram no domingo anterior e nenhuma tem compromisso a meio da semana. Não há sobrecarga europeia e não há taças pelo meio...
E, curiosamente, nesta mesma jornada existe um Estoril–Casa Pia marcado para sábado às 20h30. Duas equipas separadas por cerca de 20 quilómetros. Um jogo regional, com deslocação simples, perfeitamente ajustado a um horário mais tardio. Não faria mais sentido ser esse o jogo agendado para segunda-feira?
Na melhor das hipóteses, entre apito final, saída do estádio e viagem de regresso, os adeptos do Rio Ave estarão a chegar a Vila do Conde por volta da 1h30 ou 2h da manhã. Num dia de semana. Com trabalho no dia seguinte. Com filhos que têm escola. Com responsabilidades normais de quem vive fora da bolha do futebol profissional.
Que sentido faz isto?
Fala-se tanto em aproximar os adeptos do espetáculo, em valorizar quem vai ao estádio, em criar ambiente, em promover o produto. Mas depois tomam-se decisões destas, completamente desligadas da realidade de quem sustenta o futebol com presença, bilhete e paixão.
Os adeptos não são figurantes de grelha televisiva. Não são números numa folha de Excel. São pessoas reais, com horários reais, vidas reais e limites reais.
Mas parece que quem decide os horários não conhece essa realidade. Ou pior: conhece e não quer saber.
Perdoem-nos os senhores de gravata, mas quem toma decisões destas demonstra uma preocupante falta de sensibilidade. Porque o futebol pode ser negócio, pode ser televisão, pode ser marketing — mas sem adeptos não passa de um produto vazio.
E marcar um jogo destes para segunda-feira às 20h15 é mais um passo nessa direção.









