23.3.26

Sotiris II é muito melhor do que Sotiris I

No dia 11 de fevereiro fomos todos surpreendidos pela notícia de que a SAD procurava um novo treinador. Não pelo facto em si, mas pelo timing. O Rio Ave vinha de quatro derrotas seguidas e o jogo em Braga (3-0) não ajudou.

Pelo que então foi noticiado, por toda a comunicação social e também por nós, houve convites, que foram rejeitados. Quando perguntaram a Sotiris se seria o treinador na jornada seguinte ele disse que teriam de perguntar à administração.

Frente ao Moreirense e mesmo no Dragão, mais duas derrotas, mas notava-se qualquer coisa de diferente. Sotiris ficou, mas mudou. A seguir ao jogo com o FC Porto, chamei-lhe Sotiris II e perguntei: "Será que o novo Sotiris vai mostrar ao velho Sotiris como se faz?" 

Exatamente um mês depois, e com 10 pontos feitos em 12 possíveis é possível perceber que algumas coisas mudaram mesmo:

1) O sistema tático: antes o meio campo do Rio Ave andava perdido e manietado pelo maior número de adversários na zona. Ao tirar um central e meter mais um no meio campo, as coisas equilibraram-se. Ainda por cima a escolha foi muito acertada: Nikitscher, que antes não contava, é agora titular indiscutível.

2) Sotiris passou a chamar aqueles que são e estão melhores. Jogadores como Nikos (regressou à Grécia), Omar, Liavas ou Papakanellos desapareceram das opções. A minha dúvida continua a ser Pohlmann, porque acredito que Graça faria melhor.

3) Os reforços (sobretudo, Blesa, Bezerra ou Mancha) podem não ser tão talentosos como aqueles que vieram substituir, mas estão mais empenhados e nota-se mais compromisso na equipa. O guarda-redes é 10 vezes melhor do que Chamorro.

Há um outro fator que muitos referem: Clayton e André Luiz, nas últimas semanas, estavam com a cabeça fora dos Arcos. É provável e natural que seja verdade, mas deram muito à equipa enquanto cá estiveram. Não concordo com quem diz que estamos melhores sem eles.


(além disso, veio Bruno Alves. Coincidência ou também ajudou a trazer outra garra à equipa? Com ele, ainda não perdemos...) 

Seis anos depois, três vitórias seguidas



Começo por dizer que, pela primeira vez esta temporada, não vi o jogo do Rio Ave.

Por essa razão, torna-se difícil fazer uma análise detalhada sobre aquilo que se passou dentro de campo, avaliar opções, rendimento individual ou até a forma como a equipa se apresentou durante os 90 minutos.

Assim sendo, esta não será a habitual crónica de jogo.
Não será um texto sobre tática, nem sobre substituições, nem sobre quem jogou mais ou menos. Desta vez, faz mais sentido olhar para algo diferente. Algo que, numa época onde tantas vezes temos falado de números negativos, merece ser destacado.

Se ao longo da temporada fomos batendo recordes pela negativa — derrotas consecutivas, séries sem vencer, dificuldades ofensivas— então também é justo dar destaque quando acontece o contrário.

E o que aconteceu no jogo frente ao Estoril merece ser assinalado.

Com esta vitória, o Rio Ave alcançou três triunfos consecutivos no campeonato, algo que não acontecia há seis temporadas.
É preciso recuar à época 2019/2020 para encontrar a última vez que a equipa conseguiu somar três vitórias seguidas na Liga, numa série que na altura foi construída frente a Santa Clara, Boavista e Vitória de Guimarães.

Pode parecer um detalhe, pode parecer apenas um número, mas não é.
Numa época marcada por dúvidas, críticas, mudanças constantes no plantel e instabilidade em vários níveis do clube, conseguir três vitórias consecutivas é um sinal claro de que as coisas melhoraram.

Não significa que esteja tudo bem.
Não significa que os problemas desapareceram.
E muito menos significa que o futuro está garantido.

Mas significa que, depois de tanto tempo a falar de quedas, há finalmente um momento em que podemos falar de subida.
Depois de tantas jornadas a olhar para baixo, há pelo menos razões para olhar em frente com um pouco mais de confiança.

Esta época tem sido tudo menos normal.
Talvez por isso, quando aparece um sinal positivo, por pequeno que seja, também merece ser registado.

Porque se fomos rápidos a apontar os recordes negativos,
também devemos ser justos quando aparece um "recorde" positivo.

22.3.26

(1-2 no Estoril) E quem não salta é... Brabec

Já não tenho dúvidas: este Rio Ave está diferente daquele que jogava até janeiro. A chave está na mudanças de três centrais, com a colocação de mais um homem (Nikitsher) no meio campo. Há mais agressividade e isso mostra mais atitude da equipa. Os resultados positivos das últimas jornadas são principalmente resultado disso. Mesmo no ataque, sem AL e Clayton, os substitutos compensam em entrega o que lhes falta em qualidade técnica.

O jogo desta tarde no Estoril fica marcado pelo golo sofrido, em que Brabec e Pohlmann ficaram a olhar (ninguém salta!), e pelo golo de Brabec, de cabeça, também sem saltar. Ainda na primeira parte, Brabec protagoniza outro lance de golo, anulado por fora de jogo.


 

O guarda-redes Ennio é uma mais valia. 

Vitória justa, difícil, mas justa (o empate não seria uma surpresa, mas fomos melhores!)

Terceira vitória seguida... e Bruno Alves continua sem perder. Estes 10 pontos nem em sonhos!  

20.3.26

Lobato está de volta

Rafael Lobato,  o jovem brasileiro que chegou no início da temporada e que deixou alguma 'água na boca' (pelo que se pôde ver no Youtube) ainda não se estreou pela equipa principal, mas esta semana voltou a jogar pelos sub23 - pelos vistos esteve lesionado.

Foi suplente, entrou com a equipa a perder (o Gil Vicente chegou a estar a ganhar por 2-0) e fez a diferença. Marcou o primeiro e fez a jogada (muito boa) para o terceiro (2-3 final). O resumo do jogo aqui.

 

O facto de ter sido suplente diz-nos que certamente precisa de ganhar ritmo competitivo. Mas os sinais deixados no jogo dos sub23 fazem pensar que ainda o vamos ver na primeira equipa até final da época. 

 

19.3.26

Sábado pode confirmar presença do Rio Ave FC (futsal) nos play off do campeonato nacional





O próximo sábado pode trazer um momento importante na temporada do futsal do Rio Ave FC. O Rio Ave recebe o Leões de Porto Salvo, num jogo que poderá confirmar matematicamente o apuramento para os Play Off ("final 8") do campeoanto nacional, objetivo que, a concretizar-se, marcará o regresso do clube aos lugares cimeiros da modalidade.

Para que isso aconteça, o Rio Ave terá, antes de mais, de fazer a sua parte e vencer a formação de Porto Salvo, equipa que já derrotou na primeira volta por 2-5, fora de casa. Para além disso, será necessário que o Elétrico saia derrotado do confronto com o Benfica e que o Quinta dos Lombos não vença o seu jogo frente ao Fundão.

Se este cenário se confirmar, o Rio Ave garante desde já presença entre os oito primeiros classificados e, consequentemente, o acesso ao playoff que decide o campeão nacional.

Apesar de não poder ser considerado uma surpresa — no início da época já tinha escrito que o orçamento apresentado pelo clube justificava plenamente a luta por este objetivo — a verdade é que não deixa de ser um sinal muito positivo. Há já várias temporadas que o futsal rioavista não conseguia garantir um lugar entre os oito melhores do país, e esse facto, por si só, demonstra que a equipa tem estado à altura das expectativas.

Será, por isso, um jogo com peso, com responsabilidade e com muito em disputa.
Mais do que três pontos, está em causa a confirmação de uma época competitiva e o regresso do Rio Ave a um patamar que durante anos foi o seu lugar natural.

O encontro está marcado para sábado, às 21h.
Eu estarei lá.

18.3.26

Por onde anda…? A nova rubrica do Reis do Ave


Ao longo dos anos, muitos foram os jogadores que vestiram a camisola do Rio Ave FC. Alguns ficaram na história, outros passaram de forma mais discreta, mas todos fizeram parte do caminho do clube e deixaram, de uma forma ou de outra, a sua marca em Vila do Conde.

O futebol tem este lado curioso: os jogadores chegam, jogam, partem… e, com o passar do tempo, vamos perdendo o rasto. Por onde andam? Continuam a jogar? Seguiram outra profissão? Ficaram ligados ao futebol? São perguntas que muitas vezes surgem em conversas entre adeptos, sobretudo quando se recordam equipas de outras épocas.

É precisamente dessa curiosidade que nasce esta nova rubrica do blog: "Por onde anda…?".

De forma quinzenal, vou recuperar o nome de um jogador que passou pelo Rio Ave e tentar perceber o que foi feito da sua carreira depois de deixar Vila do Conde. Por que clubes passou, onde joga atualmente (ou se já terminou a carreira), e que caminho seguiu dentro ou fora do futebol.

Haverá nomes bem conhecidos, outros menos mediáticos, alguns que deixaram saudades e outros que muitos adeptos já nem se lembravam que tinham passado por cá. E é precisamente isso que torna o exercício interessante.

Fica agendado o pontapé de saída para a próxima quarta feira, dia 25 de Março.
De duas em duas semanas, às quartas feiras, vamos olhar para trás para perceber… por onde anda...?

17.3.26

Mudar a lei para proteger o jogador português

Tal como acontece nas competições da UEFA, em que tem de haver pelo menos 8 “jogadores formados localmente” num plantel de 25 jogadores (sendo 4 formados no próprio clube e 4 formados no mesmo país) ou na Premier League, em que tem de haver um mínimo de 8 “homegrown players”, defendo que o campeonato português deveria ter uma regra que protegesse o jogador nacional.

O caso do Rio Ave em 2025/26 vai ficar como uma referência, incómoda para nós, na minha opinião, tal como demonstra este apanhado do Goalpoint, até ao momento:




15.3.26

(2-1 ao Amadora) Com Brabec é uma Bleza!

Vitória clara do Rio Ave, que peca por escassa. No mínimo, 3-1, face às oportunidades desperdiçadas. Grande primeira parte, a melhor deste campeonato, talvez. Acabámos o jogo a tremer um pouco, sem necessidade. 

Grandes exibições de Brabec (que classe!), Blesa (dois golos) e Nikitsher. Vroussai também em bom plano, tal como o guarda-redes.

Pohlmann continua a somar minutos desperdiçados, num jogo em que esteve alheado e, tendo sido o primeiro a sair, já foi tarde. Para azar, o seu substituto (Ryan) viu o amarelo pouco depois de entrar  e ficou logo condicionado.

Além dos jogadores que estão melhorar de rendimento, nota-se mais atitude. Até Liavas ganhou três bolas nos poucos minutos em que esteve em campo!

Terceiro jogo a pontuar; Bruno Alves ainda não perdeu...


 

 

Vitória frente ao Estrela: mais uma vez o Bleza

 


O Rio Ave entrou em campo hoje com uma postura que há muito não se via.

Foi, sem sombra de dúvida, um dos melhores períodos de futebol da equipa neste campeonato.


Desde o primeiro apito, a pressão alta asfixiou o adversário. O Rio Ave assumiu o comando, ditou o ritmo e transformou o domínio em oportunidades claras. Foi com toda a naturalidade que Bleza abriu o marcador. O avançado esteve ainda na primeira parte a centímetros de um segundo golo com um remate estrondoso que fez estremecer a barra.


A segunda parte começou como o segundo golo do Rio Ave. Logo nos instantes iniciais, Bleza bisou, colocando o Rio Ave numa vantagem confortável. Ainda dispôs de uma oportunidade clara para fazer o 3-0 mas falhou isolado à frente do guarda redes. Parecia o desfecho perfeito, mas…

A partir dos 55 minutos, a equipa "adormeceu". O Estrela, que até então parecia entregue, sentiu a passividade do Rio Ave e tomou conta da partida durante uns longos 20 a 25 minutos. As substituições do treinador acabaram por não ter o impacto imediato esperado, forçando a equipa a sofrer mais do que o necessário após uma exibição que prometia ser tranquila.


No final, ficam os três pontos e a memória de uma primeira parte muito boa. 


Homem do Jogo: Bleza

Destaque para: Brabec

Teremos o estádio bem composto logo à tarde?



Teremos o estádio bem composto no jogo desta tarde frente ao Estrela da Amadora?

Acredito que sim.

Ao longo da semana foram surgindo alguns sinais que apontam nesse sentido. Desde logo, foi noticiado que o Estrela da Amadora disponibilizou bilhete e transporte aos seus associados, o que faz prever a presença de um número interessante do Estrela no Estádio dos Arcos.


Do lado do Rio Ave, também houve iniciativas para tentar aumentar a assistência. Durante a semana foram divulgadas imagens de ações de ativação junto de escolas, com oferta de bilhetes.


                                                    (Foto retirada das redes sociais do Rio Ave)


Tudo isto leva-me a acreditar que poderemos ter uma casa melhor do que aquela a que nos habituámos esta temporada, onde, convenhamos, as assistências têm estado abaixo do desejável.

Resta agora que, dentro de campo, a equipa corresponda. Porque nada ajuda mais a encher um estádio do que vitórias — e o Rio Ave precisa delas como de pão para a boca.

14.3.26

Quanto já vale o mercado de apostas em Portugal: Cada vez mais dependência e cada vez mais proliferação no futebol


Sou ouvinte assíduo do podcast Investidor Inteligente, que quinzenalmente, à quarta-feira, publica um novo episódio dedicado a temas de economia, investimentos e análise de negócios excecionais. No episódio desta semana, o tema foi “Investir ou apostar: a ilusão do ganho fácil”, e confesso que fiquei particularmente impressionado com alguns dos dados apresentados logo na introdução.

Durante os primeiros minutos, falaram sobre a realidade portuguesa no que diz respeito a jogos de sorte, apostas online e à crescente normalização deste tipo de hábitos. E os números são, no mínimo, surpreendentes: em média, cada português gasta cerca de 184 euros por mês (dados de 2024 - entretanto já saíram dados de 2025) em jogos de azar e apostas online. No total, estamos a falar de cerca de 21 mil milhões de euros por ano, um valor que, segundo foi referido no episódio, corresponde a aproximadamente oito vezes mais do que Portugal gasta em defesa.

Quem lê regularmente o Reis do Ave sabe que este não é um blog de literacia financeira, nem é habitual eu escrever sobre economia. Por isso, é legítima a pergunta:
porque estou eu a falar disto aqui?

A resposta surgiu precisamente no final do episódio. Ao ouvir estes números, dei por mim a pensar na crescente presença das casas de apostas no futebol profissional, algo que se tornou praticamente inevitável nos últimos anos. Cada vez mais clubes têm este tipo de empresas como patrocinador principal, e o Rio Ave não é exceção, tendo atualmente como sponsor a Lebull (Main Sponsor).

(Foto retirada das redes sociais do Rio Ave)


Foi então que surgiu a curiosidade:
quanto dinheiro apostam realmente os portugueses no futebol?
como tem evoluído esse valor ao longo dos anos?
e, já agora, quantas equipas do futebol profissional português são patrocinadas por casas de apostas?
quem são os principais beneficiários deste vício?

É sobre isso que vou escrever neste artigo. E os números, como veremos, ajudam a perceber melhor o futebol que temos hoje.

Para tentar perceber melhor até que ponto as casas de apostas estão presentes no futebol português, comecei por fazer um exercício simples: visitar os sites oficiais das 18 equipas da Primeira Liga e verificar quais os patrocinadores principais de cada clube.

O resultado é bastante esclarecedor.

Das 18 equipas do campeonato, apenas quatro não têm qualquer casa de apostas como patrocinador: Arouca, AFS, Nacional e Tondela. Ou seja, em 14 dos 18 clubes, existe ligação direta a empresas de jogo, apostas ou casino online.

Entre todas, a marca mais presente é a Placard, que patrocina quatro equipas: Famalicão, Vitória, Moreirense e Alverca. Isto não significa necessariamente que seja a que investe mais dinheiro, mas é claramente a que tem maior número de parcerias no campeonato.

Logo a seguir surge a Betano, associada a três dos maiores clubes portugueses — FC Porto, Sporting e Benfica — o que demonstra também a dimensão financeira deste tipo de acordos.

Com duas equipas patrocinadas aparecem depois várias marcas. A Lebull, que é atualmente patrocinadora do Rio Ave e do Santa Clara, a Solverde, ligada ao Braga e ao Estoril, e ainda a ESC Online, presente no Casa Pia e no Estrela da Amadora.

Por fim, há ainda o caso do Gil Vicente, que tem como patrocinador a Goldenpark.pt, outra plataforma ligada ao jogo online.

Concentração de Patrocínios

14 dos 18 clubes têm como patrocinador uma casa de apostas/jogo

Número de clubes que cada casa de apostas patrocina:
Placard (4)
Betano (3)
Lebull, Solverde, ESC (2)
Goldenpark.pt (1)
Clubes sem patrocionador (4)
Visualização de concentração de marcas na Primeira Liga.

Olhando para este quadro, percebe-se que a presença das casas de apostas no futebol português deixou de ser exceção para passar a ser regra. E isto levanta inevitavelmente uma questão: será coincidência que, ao mesmo tempo que os portugueses gastam cada vez mais dinheiro em apostas, os clubes têm cada vez mais casas de apostas a patrocinarem-nos?

É isso que vamos tentar perceber a seguir.

A entidade reguladora do jogo em Portugal é o Turismo de Portugal.


Antes de entrar nos números mais concretos, importa esclarecer que a atividade do jogo em Portugal está dividida em duas grandes áreas distintas: por um lado, os Jogos de Fortuna ou Azar, onde se incluem por exemplo raspadinhas e o euromilhões, e por outro as Apostas Desportivas à Cota, ou seja, apostas feitas sobre resultados de eventos desportivos, como jogos de futebol.

Esta distinção é importante porque, quando se fala dos valores globais do jogo em Portugal, a maior fatia não vem necessariamente das apostas desportivas, mas sim dos jogos de fortuna ou azar. Ainda assim, mesmo olhando apenas para as apostas desportivas, os números são muito elevados e ajudam a perceber porque é que este setor tem hoje tanta presença no futebol profissional e como cresce de ano para ano.

Se olharmos para o valor total apostado em Portugal nos últimos anos, a evolução é clara.

Em 2021, o montante apostado rondou os 8,5 mil milhões de euros.
Em 2022, subiu para cerca de 11,4 mil milhões.
Em 2023, voltou a crescer para aproximadamente 15,5 mil milhões de euros.
Em 2024, o valor atingiu cerca de 20,8 mil milhões.
E em 2025,  valor atingido foi de 23,1 mil milhões.

Ou seja, em poucos anos, o montante apostado em Portugal praticamente duplicou, o que ajuda a explicar porque é que este setor se tornou tão relevante em termos económicos.

Se isolarmos apenas as apostas desportivas à cota, os valores são naturalmente mais baixos, mas continuam a ser impressionantes.

Em 2021, foram apostados cerca de 1,4 mil milhões de euros.
Em 2022, o valor subiu para aproximadamente 1,5 mil milhões.
Em 2023, chegou aos 1,7 mil milhões.
Em 2024, aproximou-se dos 2 mil milhões de euros.
E em 2025, 2,03 mil milhões

Estes números ajudam a perceber uma coisa essencial: as casas de apostas não aparecem no futebol por acaso.
Aparecem porque existe muito dinheiro neste setor, cada vez mais.
E onde há muito dinheiro, há inevitavelmente clubes disponíveis para estabelecer parcerias.

A Evolução das Apostas em Portugal

Peso das Apostas Desportivas no Volume Total

2021 | Total: 8.5Mm € 1.4Mm € em Apostas Desp.
2022 | Total: 11.4Mm € 1.5Mm € em Apostas Desp.
2023 | Total: 15.5Mm € 1.7Mm € em Apostas Desp.
2024 | Total: 20.8Mm € 2.0Mm € em Apostas Desp.
2025 Total: 23,1Mm €  Representação das Apostas Desportivas

Até ao momento, os jogos de Fortuna ou Azar continuam a ganhar terreno proporcional face às apostas desportivas, embora ambos cresçam em valor absoluto.

Apostas Desportivas
Fortuna ou Azar
Análise baseada em dados do SRIJ / Turismo de Portugal.



Se olharmos apenas para o segmento das apostas desportivas à cota, o crescimento também é evidente e acompanha a crescente presença deste setor no futebol profissional. Em 2021, o valor apostado rondava os 1,4 mil milhões de euros, subindo para cerca de 1,5 mil milhões em 2022 (um aumento de aproximadamente 7%). Em 2023, o montante voltou a crescer para cerca de 1,7 mil milhões, o que representa uma subida na ordem dos 13% face ao ano anterior. Em 2024, o valor aproximou-se dos 2 mil milhões de euros, registando novo crescimento, desta vez próximo dos 15%, atingindo o ponto mais alto dos últimos anos. Já em 2025, os números disponíveis apontam para cerca de 2,03 mil milhões.

Ou seja, mesmo olhando apenas para as apostas desportivas, percebe-se que estamos perante um mercado que tem crescido de forma consistente ao longo dos últimos anos, com subidas sucessivas e significativas. Este aumento ajuda a explicar porque razão tantas equipas da Primeira Liga têm hoje casas de apostas como patrocinador principal: há cada vez mais dinheiro neste setor, e o futebol tornou-se um dos principais veículos para o promover.



Apostas Desportivas à Cota em Portugal

Evolução do Valor Apostado (Em Mil Milhões de Euros)

2021
Valor Apostado: 1.4Mm €
+7% (aprox.)
2022
Valor Apostado: 1.5Mm €
+13% (aprox.)
2023
Valor Apostado: 1.7Mm €
+15% (aprox.)
2024
Valor Apostado: ~2.0Mm €
2025 2,03Mm €
Análise baseada em dados do SRIJ / Turismo de Portugal.

Um dos problemas nesta análise que estou a fazer é a falta de relatórios anuais consolidados o que dificulta a comparação direta entre anos completos. Ainda assim, os relatórios permitem retirar algumas conclusões relevantes.

No relatório mais recente disponível, relativo ao 4.º trimestre de 2025, há um dado particularmente interessante: 75,6% do valor apostado nas apostas desportivas à cota em Portugal teve origem em apostas relacionadas com futebol. Este número confirma aquilo que todos intuíamos — o futebol é, de longe, o principal motor deste mercado.

Outro indicador relevante é o número de jogadores registados nas entidades exploradoras que disponibilizam apostas desportivas à cota e jogos de fortuna ou azar. No final do 4.º trimestre de 2025, o total situava-se em 4.929 milhões jogadores.

Também o perfil etário ajuda a perceber a dimensão social do fenómeno. Entre os novos jogadores registados, 80,1% tinham menos de 45 anos, o que demonstra que estamos perante uma atividade com forte adesão nas faixas etárias mais jovens e ativas.



Importa ainda referir que, destes 4 929,9 mil registos existentes, 1 222,8 mil jogadores realizaram pelo menos uma aposta durante o 4.º trimestre de 2025, o que mostra que uma parte significativa dos utilizadores não está apenas registada, mas participa efetivamente neste tipo de plataformas.

Em termos geográficos, os dados mostram também uma forte concentração nas áreas mais populosas do país. No final do 4.º trimestre de 2025, Lisboa e Porto destacavam-se como os distritos com maior número de registos de jogadores, representando 21,8% e 21,0% do total, respetivamente.



Todos estes números ajudam a perceber melhor porque é que as casas de apostas têm hoje tanta presença no futebol profissional. O mercado continua a crescer, o futebol representa a maior fatia das apostas e o número de utilizadores mantém tendência de subida. Num contexto destes, torna-se mais fácil compreender porque razão tantas equipas dependem deste setor para financiar a sua atividade.

Mas o proveito desta dependência não se limita aos clubes que têm casas de apostas como patrocinador direto.

O futebol português, no seu todo, recebe verbas significativas provenientes do Imposto Especial sobre o Jogo Online (IEJO), um imposto aplicado às entidades que exploram apostas e jogos de fortuna ou azar em Portugal. Parte dessa receita é distribuída pela Federação Portuguesa de Futebol e pela Liga Portugal, o que significa que todo o ecossistema do futebol profissional acaba, de forma direta ou indireta, por beneficiar deste setor.

Em 2023, estas só a federação e a Liga receberam cerca de 36,1 milhões de euros provenientes do IEJO.
Em 2024, o valor situou-se na ordem dos 33,85 milhões de euros, sendo que aproximadamente 10,85 milhões foram atribuídos à Liga Portugal, ficando o restante montante na esfera da Federação.

Ou seja, mesmo os clubes que não têm casas de apostas como patrocinador acabam por estar inseridos num sistema que depende, em parte, do dinheiro gerado pelo jogo online.

A ligação é ainda mais evidente quando olhamos para a própria competição. O naming da principal divisão do futebol português pertence atualmente a uma casa de apostas, sendo a Betclic a patrocinadora oficial da Liga Portugal Betclic. Antes disso, já a Bwin tinha dado nome ao campeonato, o que mostra que esta relação não é recente — mas tem-se tornado cada vez mais forte.

E a dependência não termina aqui.

A receita arrecadada com o IEJO não fica apenas para a Federação ou para a Liga, que recebem apenas uma parte do total. O montante recolhido é distribuído por várias entidades públicas, incluindo o Turismo de Portugal, o Orçamento do Estado e o Fundo de Fomento Cultural, entre outros beneficiários previstos na lei.

Isto significa que o dinheiro gerado pelas apostas online alimenta não só o futebol, mas também outras áreas da atividade pública. E é precisamente por isso que este tema é mais complexo do que parece à primeira vista: não estamos apenas perante patrocínios em camisolas, estamos perante um sistema inteiro que, em maior ou menor grau, passou a depender das receitas do jogo.

A Cadeia Alimentar

O Ecossistema da Dependência do Jogo em Portugal

🏆

Consumidores de Topo

Orçamento Estado, Turismo, Cultura, Liga, Federação e Clubes

Recolhem, distribuem e/ou recebem a receita por Lei
🎰

Consumidores Primários

Entidades Exploradoras de Jogo Online

Geram o volume comercial
👤💳👤

QUEM ALIMENTA ISTO TUDO(Base)

Os Jogadores e o Dinheiro Apostado (Online)

Sem a base, o ecossistema colapsa


Perante todos estes dados, a questão deixa de ser apenas desportiva ou económica. Passa a ser também social.
Que sociedade é esta que estamos a construir, onde cada vez mais setores vivem — direta ou indiretamente — à custa de dependências, vícios e da ilusão do ganho fácil?

Os números mostram que os portugueses apostam cada vez mais.
Mostram que o futebol depende cada vez mais desse dinheiro.
Mostram que o Estado também arrecada milhões com esta atividade.
E mostram que, no meio disto tudo, praticamente ninguém parece ter interesse real em travar este crescimento.

Os clubes precisam de financiamento.
A Liga precisa de receitas.
A Federação precisa de verbas.
O Estado precisa de impostos.
E as casas de apostas precisam de jogadores.

No fim, todos ganham… menos quem perde.

E quem perde, perde muitas vezes em silêncio. Perde dinheiro, perde controlo, perde equilíbrio. Porque a aposta, para muitos, não é apenas entretenimento. É esperança. É fuga. É a ideia de que, com um clique, se pode resolver aquilo que o trabalho, o esforço e o tempo não conseguiram resolver.

Talvez seja por isso que este tema me chamou a atenção, mesmo não sendo habitual escrever sobre isto aqui.
Porque quando olhamos para o futebol português e vemos camisolas patrocinadas por casas de apostas, estádios com publicidade a apostas, campeonatos com nomes de apostas e milhões de euros a circular vindos desse setor, percebemos que isto já não é apenas marketing.

É dependência.

E quando uma sociedade começa a depender cada vez mais de vícios para se financiar, talvez seja altura de parar e perguntar — sem ironia e sem clubismos — se este é mesmo o caminho que queremos seguir.

Não para o futebol.
Mas para todos nós.

Os clubes da Premier League decidiram em Abril de 2023 proibir que clubes sejam patrocinados por casas de apostas. A restrição entra em vigor já a partir da próxima temporada.

Por cá, no burgo, caminhamos em sentido contrário.

Sub-19 garantem nova vitória e preservam 3º lugar à viragem da primeira volta do apuramento do campeão


A equipa de sub-19 da Rio Ave SAD defrontou hoje a equipa do Santa Clara e somou mais uma vitória na fase de apuramento do campeão (quarta vitória em sete partidas).

O Rio Ave perto do final da primeira parte chegou ao golo (Miguel Patrício) e foi para o intervalo a vencer. No entanto, logo no início da segunda parte o Santa Clara iria igualar a partida sendo que o Rio Ave iria chegar novamente à vantagem à passagem do minuto 50 (golo de Luís Rasgado).

Com esta vitória, o Rio Ave preserva o terceiro lugar a três pontos de distância do Sporting (quarto classificado), na jornada que determina o fim da primeira volta desta fase.




13.3.26

Um mês e meio depois, que impacto estão a ter Clayton e André Luiz no Olympiakos?



É praticamente consensual entre os adeptos do Rio Ave que as saídas de Clayton e André Luiz, no mercado de janeiro, foram prejudiciais para a equipa. Estamos a falar de dois jogadores que, juntos, eram responsáveis por perto de 70% dos golos do Rio Ave no campeonato, números que por si só explicam a importância que tinham no funcionamento ofensivo da equipa.

As transferências foram muito contestadas na altura, não só pelo momento em que aconteceram, mas também pela forma como deixaram o plantel claramente fragilizado. Ainda assim, na Grécia, a chegada dos dois jogadores ao Olympiakos foi vista com expectativa, existindo a ideia de que poderiam acrescentar qualidade imediata à equipa.

Passado pouco mais de um mês, começa a fazer sentido fazer uma primeira avaliação:
terão sido, para já, uma mais-valia para o Olympiakos?

No caso de André Luiz, desde a sua transferência o clube grego realizou 9 jogos. O extremo participou em 7 desses encontros, mas foi titular apenas em 2, somando até ao momento 0 golos e 0 assistências. Tem sido utilizado com alguma regularidade, mas ainda longe de assumir um papel decisivo na equipa.

Já Clayton tem tido ainda menos espaço. Desde que chegou, o Olympiakos disputou 8 jogos, mas o avançado brasileiro participou apenas em 4. Num deles entrou já depois dos 90 minutos e, nos restantes, foi sempre utilizado a partir da segunda parte, nunca antes dos 64 minutos. Também aqui, o registo é claro: 0 golos e 0 assistências.

Perante estes números, é justo dizer que, para já, nenhum dos dois jogadores se afirmou como aposta forte no Olympiakos, muito menos ao ponto de justificar a forma como saíram do Rio Ave, sobretudo no caso de Clayton, que era a principal referência ofensiva da equipa.

Naturalmente, é cedo para tirar conclusões definitivas, mas a verdade é que, neste momento, a mudança não parece estar a ser particularmente positiva para os jogadores — especialmente para Clayton — pelo menos do ponto de vista desportivo.
Financeiramente poderá ter sido um passo em frente, mas dentro de campo, o protagonismo que tinham em Vila do Conde está ainda longe de se repetir na Grécia.

E olhando para o que aconteceu desde janeiro, fica a sensação de que o Rio Ave perdeu muito…
e que o Olympiakos, para já, ainda não ganhou assim tanto.

12.3.26

Eu nunca vi tal (uma equipa sem avançados no banco)

 Atentem por favor a esta lista de suplentes:

Exato, não há qualquer avançado. 
Mais, saíram os dois extremos (com o resultado a zeros) e entraram dois médios. Segurar o resultado?

Segunda, em Tondela, Tamble no banco (por razões médicas) e mais uma vez nenhum extremo.

Ou seja, se um deles se lesiona, o treinador tem de fazer remendos (Vroussai a extremo, para Sotiris, é um remendo), em vez de convocar os extremos que tem no plantel. Ou, como o Daniel, hoje, sugere, ir buscar alguém aos sub23 (Sawané ou Dudu), até como sinal de que, estando a jogar bem, este jovens podem chegar à primeira equipa - se não chegam, para que servem os sub23?

Já agora, espero que um dia se venha a saber porque é que Lobato (um jogador em que muitos depositavam esperanças) nunca jogou e Medina, um jogador bastante caro, também não é opção.
 

Sawané não pára de marcar nos sub-23... Merece ser aposta?





Nas últimas jornadas tem sido evidente que Marc Gual deixou de ser opção. Não há qualquer informação de que o jogador esteja lesionado ou inapto, e até nas redes sociais é possível vê-lo a manter a rotina normal, o que leva a crer que a sua ausência das convocatórias se deve apenas a opção técnica. Tudo indica que Sotiris não confia no avançado para ser solução nos jogos.

Situação semelhante vive Zoabi. O jogador tem tido utilização muito reduzida desde que chegou, somando apenas 6 jogos esta temporada pelo Rio Ave e um total de 93 minutos no campeonato. Em várias partidas tem ficado mesmo fora da convocatória, sendo enviado para a bancada, o que reforça a ideia de que também não entra nas contas do técnico grego.

Perante este cenário, sobra praticamente apenas Tamble como referência para a posição de ponta-de-lança. Blesa pode atuar na posição 9, mas trata-se de uma adaptação e não de uma solução de raiz. Ao longo de um jogo, sobretudo quando é preciso mudar alguma coisa, torna-se importante ter uma alternativa no banco para essa posição.

Se Gual e Zoabi não convencem a equipa técnica, talvez faça sentido olhar para os sub-23. Nos sub-23 há um jogador que tem dado nas vistas nas últimas semanas: Mamadou Sawané. O jovem avançado senegalês soma já 7 golos esta temporada, sendo que 6 deles foram marcados nos últimos 8 jogos. Curiosamente, até meados de dezembro era maioritariamente suplente, mas desde que começou a ter mais minutos tem correspondido com golos.

Poderia ser interessante dar uma oportunidade ao jovem. Nem que fosse para começar no banco e ganhar contacto com a equipa principal, o Rio Ave ficaria com mais uma solução para lançar durante o jogo.

Perante as dificuldades ofensivas que a equipa tem sentido em alguns momentos, talvez não fosse descabido olhar para os sub-23 e experimentar levar Mamadou Sawané a jogo.