A decisão de avançar com uma vaga alargada de despedimentos no Rio Ave não teve apenas impacto interno. Os reflexos começam agora a ser visíveis para fora — e de forma muito clara — naquilo que é hoje a comunicação do clube.
Nos últimos tempos, a presença do Rio Ave nos seus próprios canais tornou-se ainda mais pobre, mais curta e, sobretudo, mais distante dos sócios e adeptos. A comunicação resume-se, quase exclusivamente, a textos no site oficial com breves resumos de algumas performances desportivas, sem contexto, sem detalhe e sem acompanhamento contínuo.
O exemplo mais evidente está na página Mais Rio Ave, que durante anos foi um verdadeiro ponto de encontro para quem acompanha o clube para lá da equipa principal. Ali era possível ver fotografias de jogo das camadas jovens, acompanhar resultados em tempo real através das stories, saber quem marcava os golos, perceber o desenrolar dos encontros e sentir que, mesmo à distância, o clube estava vivo.
Hoje, essa ligação praticamente desapareceu.
Em vez disso, o que vemos é, na maioria dos casos, uma única fotografia — muitas vezes nem sequer do jogo em questão — acompanhada apenas do resultado final. Sem golos, sem contexto, sem narrativa. Uma comunicação fria, minimalista e claramente empobrecida.
É impossível dissociar esta realidade das decisões tomadas recentemente. Quando se cortam estruturas, quando se eliminam departamentos e quando se prescinde de pessoas que conheciam o clube, o seu dia-a-dia e a sua identidade, o resultado acaba inevitavelmente por se refletir na forma como o Rio Ave comunica.
A comunicação não é um luxo. Não é um extra. É uma ponte entre o clube e os seus sócios, entre os atletas e quem os apoia, entre o que se faz diariamente e quem quer acompanhar esse trabalho. Ao empobrecer essa ponte, o clube afasta-se ainda mais da sua base.
Num momento em que tanto se fala de identidade, proximidade e ligação à comunidade, o que vemos é precisamente o contrário: menos informação, menos transparência e menos presença.
