25.1.26

O Rio Ave que já não reconhecemos

 


É constrangedor ver esta equipa a jogar.
Constrangedor porque não se trata apenas de perder jogos ou de atravessar uma fase menos boa. Trata-se, acima de tudo, da forma. Da ausência de alma. Da sensação constante de que grande parte dos jogadores está em campo apenas porque tem de lá estar.
O que se vê é uma equipa apática, sem intensidade, sem chama. Um conjunto de jogadores que, na sua maioria, parecem estar em fim de carreira, resignados ao último contrato, ou então contrariados por terem sido “colocados” no Rio Ave como quem aceita um mal menor. Falta compromisso. Falta ambição. Falta vontade de honrar o símbolo que carregam ao peito.
Perdeu-se aquilo que sempre nos caracterizou. O espírito combativo, incómodo para os adversários, a equipa que nunca dava um jogo como perdido, que lutava cada bola como se fosse a última. Hoje, o Rio Ave não incomoda. Hoje, o Rio Ave aceita. Hoje, o Rio Ave conforma-se.
Transformámo-nos numa incubadora de jogadores que em tempos foram promessas. Jogadores reciclados dos “outros dois clubes”, restos de projetos falhados, nomes que chegam com currículo mas sem fome. E o resultado está à vista: um coletivo sem identidade, sem ligação aos adeptos e sem qualquer traço distintivo.
Não me revejo nisto.
Não me revejo nesta apatia institucionalizada, nesta normalização da mediocridade, nesta ideia de que “é o que há”.
E há mais uma verdade: fosse outro treinador que aqui estivesse, e já estaria fora do clube.