27.7.26

Entre o que foi dito em Assembleia Geral e o que está escrito - algo não está correto



Há precisamente um mês, no dia 26 de junho, realizou-se a Assembleia Geral Ordinária do Rio Ave FC.

Entre os poucos temas debatidos, uma das questões colocadas à Presidente do Rio Ave FC, Alexandrina Cruz, incidiu sobre um assunto que há muito suscita dúvidas entre os sócios: afinal, Alexandrina Cruz tem ou não poderes executivos na Rio Ave SAD?

A pergunta surgiu porque existe uma discrepância evidente entre a informação divulgada pelo clube e a informação constante nos registos oficiais do Ministério da Justiça.

Na altura, perante os sócios presentes, Alexandrina Cruz foi clara. Afirmou que detinha poderes executivos na SAD e justificou a divergência com um alegado erro na informação disponibilizada pelo Ministério da Justiça, acrescentando que essa situação seria corrigida muito brevemente.

Passou um mês.

E não só a informação não foi corrigida como, entretanto, ocorreu uma nova atualização dos registos oficiais da sociedade.

Essa atualização, datada de 1 de julho, formalizou a saída de Lina Souloukou dos órgãos da SAD e a entrada de Konstantinos como novo membro executivo.





No entanto, há um detalhe que não passou despercebido: Alexandrina Cruz continua a não surgir com poderes executivos nos registos oficiais.

Ou seja, um mês depois da garantia dada perante os sócios, aquilo que consta dos documentos oficiais continua a não coincidir com aquilo que foi afirmado na Assembleia Geral.

Mas a situação torna-se ainda mais caricata quando se consulta o site oficial do Rio Ave.

Enquanto o Ministério da Justiça já regista a saída de Lina Souloukou, o site oficial continua a apresentá-la como membro da administração da SAD e com funções executivas.




Temos assim um cenário difícil de compreender.

Por um lado, os registos oficiais do Estado indicam uma determinada composição da administração e uma determinada distribuição de poderes.

Por outro, a Presidente do Rio Ave FC garante aos sócios que esses registos estão errados.

Por outro ainda, o próprio site oficial da SAD apresenta informação que não coincide nem com uma versão nem com a outra.

Independentemente de quem tem razão, há uma conclusão que parece inevitável: existe um problema de clareza.

E quando falamos da administração de uma sociedade desportiva, da definição de responsabilidades e dos poderes efetivamente exercidos por cada dirigente, a transparência não deveria ser opcional.

Os sócios do Rio Ave não deveriam ter de escolher em quem acreditar.

Os sócios deveriam ter acesso a informação clara, atualizada e coerente.

Porque quando os documentos oficiais dizem uma coisa, os dirigentes dizem outra e o site do próprio clube diz uma terceira, torna-se difícil exigir aos associados que compreendam a estrutura de poder existente.

Com tanta falta de clareza, talvez não surpreenda que muitos sócios sintam que a ligação entre a SAD e os associados é hoje praticamente inexistente.

E, infelizmente, um mês depois da Assembleia Geral, as dúvidas continuam a ser mais do que as respostas.