Há precisamente um mês, no dia 26 de junho, realizou-se a Assembleia Geral Ordinária do Rio Ave FC.
Entre os poucos temas debatidos, uma das questões colocadas à Presidente do Rio Ave FC, Alexandrina Cruz, incidiu sobre um assunto que há muito suscita dúvidas entre os sócios: afinal, Alexandrina Cruz tem ou não poderes executivos na Rio Ave SAD?
A pergunta surgiu porque existe uma discrepância evidente entre a informação divulgada pelo clube e a informação constante nos registos oficiais do Ministério da Justiça.
Na altura, perante os sócios presentes, Alexandrina Cruz foi clara. Afirmou que detinha poderes executivos na SAD e justificou a divergência com um alegado erro na informação disponibilizada pelo Ministério da Justiça, acrescentando que essa situação seria corrigida muito brevemente.
Passou um mês.
E não só a informação não foi corrigida como, entretanto, ocorreu uma nova atualização dos registos oficiais da sociedade.
Essa atualização, datada de 1 de julho, formalizou a saída de Lina Souloukou dos órgãos da SAD e a entrada de Konstantinos como novo membro executivo.
No entanto, há um detalhe que não passou despercebido: Alexandrina Cruz continua a não surgir com poderes executivos nos registos oficiais.
Ou seja, um mês depois da garantia dada perante os sócios, aquilo que consta dos documentos oficiais continua a não coincidir com aquilo que foi afirmado na Assembleia Geral.
Mas a situação torna-se ainda mais caricata quando se consulta o site oficial do Rio Ave.
Enquanto o Ministério da Justiça já regista a saída de Lina Souloukou, o site oficial continua a apresentá-la como membro da administração da SAD e com funções executivas.
Temos assim um cenário difícil de compreender.
Por um lado, os registos oficiais do Estado indicam uma determinada composição da administração e uma determinada distribuição de poderes.
Por outro, a Presidente do Rio Ave FC garante aos sócios que esses registos estão errados.
Por outro ainda, o próprio site oficial da SAD apresenta informação que não coincide nem com uma versão nem com a outra.
Independentemente de quem tem razão, há uma conclusão que parece inevitável: existe um problema de clareza.
E quando falamos da administração de uma sociedade desportiva, da definição de responsabilidades e dos poderes efetivamente exercidos por cada dirigente, a transparência não deveria ser opcional.
Os sócios do Rio Ave não deveriam ter de escolher em quem acreditar.
Os sócios deveriam ter acesso a informação clara, atualizada e coerente.
Porque quando os documentos oficiais dizem uma coisa, os dirigentes dizem outra e o site do próprio clube diz uma terceira, torna-se difícil exigir aos associados que compreendam a estrutura de poder existente.
Com tanta falta de clareza, talvez não surpreenda que muitos sócios sintam que a ligação entre a SAD e os associados é hoje praticamente inexistente.
E, infelizmente, um mês depois da Assembleia Geral, as dúvidas continuam a ser mais do que as respostas.

