Em fevereiro deste ano escrevemos sobre a transferência de André Luiz para o Olympiakos. Na altura, citando informações avançadas por fontes ligadas ao Rio Ave, foi referido que o negócio poderia atingir os 17 milhões de euros, apesar de a transferência ter sido formalizada por cerca de 6,5 milhões de euros. Segundo essas mesmas informações, existiriam aproximadamente 10 milhões de euros adicionais em objetivos contratuais, considerados acessíveis pela SAD do Rio Ave.
Meses depois, surge uma nova notícia que merece reflexão.
André Luiz foi agora transferido para os Estados Unidos, tornando-se, segundo a imprensa, a terceira contratação mais cara da história da MLS, numa operação avaliada em cerca de 22 milhões de dólares.
E é aqui que começam as perguntas.
Desde que chegou ao Olympiakos, André Luiz realizou apenas oito jogos no campeonato grego, dos quais apenas três como titular. Números que dificilmente permitem defender que o jogador se valorizou desportivamente de forma extraordinária em solo grego.
Aliás, se há local onde André Luiz se valorizou verdadeiramente foi em Vila do Conde.
Foi no Rio Ave que realizou a melhor temporada da carreira. Foi nos Arcos que se afirmou. Foi no Rio Ave que somou golos, assistências e exibições que despertaram o interesse de outros mercados.
Convém também recordar outro episódio.
Na altura da saída de André Luiz e Clayton para o Olympiakos, Evangelos Marinakis assumiu publicamente que existiam propostas na ordem dos 30 milhões de euros pelos dois jogadores. Declarações que causaram perplexidade entre muitos adeptos do Rio Ave, sobretudo porque acabavam por sugerir que existiam alternativas financeiras mais vantajosas.
Hoje, olhando para os números, a questão ganha nova dimensão.
Se André Luiz saiu dos Arcos por cerca de 6,5 milhões de euros e poucos meses depois participa numa operação avaliada em cerca de 22 milhões de dólares, estamos a falar de uma valorização extraordinária.
Uma valorização conseguida após oito jogos na liga grega.
Três deles como titular.
Talvez estejamos perante uma das maiores valorizações de sempre da história recente do futebol europeu.
Ou talvez haja outras explicações que os adeptos nunca chegarão a conhecer.
O que é difícil de aceitar é que o clube onde o jogador realmente se afirmou tenha sido aquele que menos beneficiou deste crescimento exponencial de valor.
No meio destas operações que, por vezes, parecem retiradas de uma partida de Football Manager, existe uma realidade impossível de ignorar:
quem assumiu o risco de apostar no jogador, quem lhe deu palco e quem o valorizou foi o Rio Ave.
E quando olhamos para os números de hoje, é legítimo perguntar se foi também o Rio Ave quem menos beneficiou de todo este processo.
Porque há situações que podem ser interpretadas de muitas formas.
Mas esta é uma daquelas que só um cego não vê.
