19.9.26

Três semanas são suficientes para chegar à Grécia



O Rio Ave terminou hoje o seu último jogo antes da pausa do campeonato.

Infelizmente, terminou-o da mesma forma que tem terminado demasiados jogos nos últimos meses: sem convencer e sem vencer.

A boa notícia é que agora há três semanas sem futebol.

Três semanas.

Vinte e um dias.

Quinhentas e quatro horas.

Tempo mais do que suficiente para muita coisa.

Tempo suficiente para recuperar jogadores.

Tempo suficiente para trabalhar processos.

Tempo suficiente para corrigir erros.

E, quem sabe, tempo suficiente para alguém explicar ao treinador onde fica o aeroporto.

Porque, convenhamos, depois de mais uma exibição destas, a única coisa que parece verdadeiramente consolidada no Rio Ave é a capacidade de acumular justificações.

Há sempre uma explicação.

Há sempre um contexto.

Há sempre uma dificuldade.

Há sempre um grupo que precisa de mais tempo.

Há sempre uma ligação que precisa de ser reforçada.

Há sempre uma nova razão para acreditar que o melhor está para vir.

O problema é que os pontos insistem em não aparecer com a mesma frequência.

O mais extraordinário é que tudo isto acontece numa equipa que, pelo terceiro ano consecutivo, dispõe de um dos cinco maiores orçamentos da Liga Portugal.

Não estamos a falar de uma equipa acabada de subir de divisão.

Não estamos a falar de uma equipa construída à pressa.

Não estamos a falar de um projeto que começou ontem.

Estamos a falar de uma equipa que continua a apresentar futebol de fundo da tabela apesar de possuir recursos que deveriam permitir muito mais.

Mas talvez o problema seja meu.

Talvez eu ainda não tenha percebido a visão.

Talvez o objetivo nunca tenha sido vencer jogos.

Talvez o objetivo seja demonstrar que é possível investir como equipa de primeira metade da tabela e jogar como equipa que passa a época inteira a olhar para trás.

Se assim for, então o plano está a ser executado na perfeição.

Agora segue-se uma pausa de três semanas.

Uma pausa que servirá para muitas reflexões.

Dos adeptos.

Dos jogadores.

Da administração.

E talvez também do treinador.

Porque a distância entre Vila do Conde e Atenas ronda os 3.000 quilómetros.

Parece muito.

Mas, neste momento, continua a ser uma distância consideravelmente menor do que aquela que separa as expectativas criadas para este projeto dos resultados que ele tem produzido dentro de campo.