6.9.26

Derrota com identidade




O Rio Ave perdeu nos Açores frente ao Santa Clara. Uma derrota com identidade Sotiris (e não só)

Mas importa esclarecer uma coisa: nós até podíamos ganhar jogos. Simplesmente escolhemos não o fazer.

É uma opção estratégica.

Por exemplo, podíamos colocar em campo os melhores jogadores do plantel. Mas onde estaria a graça disso? Preferimos aumentar o grau de dificuldade. Veja-se o caso de Brabec, provavelmente o melhor central do Rio Ave. Jogar? Para quê? Isso seria facilitar demasiado a tarefa.

Também podíamos procurar construir uma equipa com rotinas, comunicação e entendimento dentro de campo. Mas isso seria demasiado convencional. No Rio Ave apostamos na diversidade cultural e linguística. Há jogadores que falam português, outros espanhol, outros inglês, outros grego e alguns, por vezes, parece que nem falam a mesma linguagem futebolística. É uma experiência multicultural que poucos clubes conseguem proporcionar.

E quanto ao treinador?

Também aí podíamos ter seguido um caminho mais simples. Contratar alguém conhecedor do futebol português, da realidade da Liga, dos adversários e das particularidades do campeonato. Mas isso seria pouco original. Preferimos entregar essa decisão aos deuses gregos e confiar que a inspiração helénica resolvesse os problemas que a lógica não resolveu.

Os resultados? Bem, esses são um detalhe.

Afinal, estamos apenas na terceira temporada consecutiva em que o Rio Ave apresenta um dos cinco maiores orçamentos da Liga. Três anos seguidos com recursos de equipa de primeira metade da tabela e rendimento de equipa que vive permanentemente a olhar para trás.

Mas também aqui existe uma explicação.

No Rio Ave moderno, a exigência foi substituída pela diplomacia. O conhecimento deu lugar aos contactos. O planeamento cedeu espaço às oportunidades de ocasião. E a ambição de crescer transformou-se na confortável banalidade de quem se habituou a justificar tudo.

Por isso, não se preocupem com a derrota nos Açores.

Ela não aconteceu por falta de meios.

Aconteceu apenas porque continuamos a fazer escolhas muito próprias.

E os resultados, esses chatos, continuam a insistir em avaliá-las.