O mercado de transferências em Portugal encerra no próximo dia 4 de setembro, às 23h00. Isso significa que o Rio Ave dispõe de apenas mais alguns dias para contratar, vender ou receber jogadores por empréstimo.
Nas últimas semanas, muito se tem falado sobre as necessidades do plantel e sobre as posições que continuam por preencher. Defesa esquerdo, defesa direito ou médio ofensivo são nomes que têm surgido frequentemente nas conversas dos adeptos.
No entanto, existe um outro tema que tem passado mais despercebido: o impacto que esta janela de transferências terá nas contas da SAD.
É importante recordar que as contas da Rio Ave Futebol Clube – Futebol, SAD encerram a 30 de junho de cada ano. Isto significa que todas as operações realizadas após essa data já pertencem ao exercício seguinte e não ao exercício que será apresentado aos sócios nos próximos meses.
Por outras palavras, mesmo que o Rio Ave concretize uma venda milionária nos próximos três dias, essa receita não entrará nas contas referentes à época passada. Essas verbas apenas terão reflexo no exercício atualmente em curso.
Consultando os dados disponíveis no Zerozero, verificamos que durante a época 2025/26 o Rio Ave realizou cerca de 12,7 milhões de euros em aquisições de jogadores, enquanto as vendas rondaram os 11,75 milhões de euros. A esmagadora maioria destas operações foi realizada entre 1 de julho de 2025 e 30 de junho de 2026, entrando assim no exercício que agora aguarda apresentação.
Perante estes números, torna-se difícil acreditar que a SAD venha a apresentar resultados positivos.
Mesmo admitindo que existam receitas adicionais, a realidade é que a estrutura profissional tem custos elevados. Salários de jogadores, equipa técnica, administração e restantes colaboradores representam uma despesa significativa que não desaparece das contas.
A isto junta-se ainda o investimento realizado na requalificação e expansão das infraestruturas do clube, um projeto que, embora importante para o futuro, também tem impacto financeiro. Mesmo excluindo estes valores, o resultado deverá ser negativo.
Sabemos que as principais fontes de receita da SAD continuam a ser os direitos televisivos e as transferências de jogadores. Se o saldo do mercado foi relativamente equilibrado e se os custos operacionais se mantiveram elevados, tudo indica que o exercício encerrado a 30 de junho voltará a apresentar prejuízo (e grande).
A confirmação apenas chegará quando as contas forem oficialmente divulgadas. Caso se mantenha a prática dos últimos anos, os sócios poderão voltar a ter uma ideia geral desses números na Assembleia Geral de outubro do Rio Ave FC.
Até lá, tudo não passa de uma análise baseada nos dados disponíveis.
Mas, olhando para os números conhecidos e para a realidade financeira do futebol português, estou convencido de que o próximo relatório financeiro dificilmente trará um resultado positivo. Afinal, as transferências que possam acontecer nos próximos dias já não servem para melhorar as contas do passado. A acontecer, servirão apenas para tentar equilibrar as do futuro.


