16.9.26

Um episódio difícil de compreender



Começo por esclarecer uma coisa: para mim, Abbey continua a ser, sem qualquer sombra de dúvida, o melhor defesa esquerdo do Rio Ave. E digo isto sabendo que a sua posição de raiz é a de defesa-central.

A qualidade que oferece à equipa, a agressividade nos duelos, a capacidade física e a segurança defensiva fazem dele uma peça muito importante no nosso plantel.

Dito isto, reconhecer a sua importância não me impede de comentar aquilo que aconteceu no jogo frente ao Santa Clara.

Aos 68 minutos, Abbey entrou em campo. Menos de um minuto depois, lesionou-se.

Estamos a falar de um jogador que regressava após uma paragem por lesão, o que naturalmente levanta algumas questões. Mas questões não significam respostas.

Não sei o que esteve na origem deste episódio.

Não sei se houve uma avaliação médica demasiado otimista. Não sei se o jogador garantiu que estava apto quando afinal não estava. Não sei se Sotiris decidiu arriscar. Não sei sequer se foi uma recaída relacionada com a lesão anterior ou um problema completamente diferente.

Tudo isso seria mera especulação.

Mas há algo que todos vimos e que merece reflexão.

A forma como Abbey reagiu.

Visivelmente frustrado, o jogador gesticulou, bateu várias vezes no relvado e acabou por abandonar o campo diretamente para os balneários. Pelo que foi possível observar, a equipa médica nem sequer teve oportunidade de o avaliar no relvado, tal foi a rapidez com que o inglês se dirigiu para o interior das instalações.

E é precisamente aqui que surge a minha estranheza.

Posso compreender a frustração de um jogador que acaba de regressar de lesão e sente novamente um problema físico poucos segundos depois de entrar em campo. Posso compreender a revolta, a desilusão e até algum descontrolo emocional no momento.

O que tenho mais dificuldade em compreender é a ausência de uma avaliação imediata por parte da equipa médica.

Independentemente de quem tenha razão ou de quem tenha errado, parece-me lógico que a primeira reação de qualquer atleta seja permitir que os profissionais do clube avaliem a situação.

Até porque, naquele momento, ninguém sabia a gravidade da lesão.

Não faço ideia de quem tem responsabilidades neste episódio. Talvez ninguém as tenha. Talvez tenha sido apenas um azar infeliz.

Mas a forma como tudo aconteceu deixou uma imagem estranha e difícil de entender para quem estava a assistir ao jogo.

E isso, independentemente das circunstâncias, merece ser referido.