10.9.26

A dois meses das eleições: porque não surgem candidaturas alternativas?




As eleições do Rio Ave FC deverão realizar-se dentro de aproximadamente dois meses. No entanto, a esta distância do ato eleitoral, continua sem existir qualquer candidatura publicamente assumida.

Perante este cenário, é difícil não concluir que tudo aponta para a existência de uma única lista: a da atual Presidente do Rio Ave FC, Alexandrina Cruz.

Esta situação merece, pelo menos, duas reflexões.

A primeira prende-se com um facto que já se tornou habitual na vida do clube. Há décadas que o Rio Ave praticamente não conhece eleições verdadeiramente disputadas. Salvo uma ou duas exceções ao longo da sua história, os atos eleitorais têm sido marcados pela existência de uma única candidatura.

Isto pode significar várias coisas.

Pode significar que existem poucas pessoas disponíveis para dedicar parte da sua vida pessoal, profissional e familiar à gestão de uma instituição como o Rio Ave. Ser dirigente de um clube exige tempo, disponibilidade e uma enorme dedicação.

Mas acredito que exista uma segunda explicação, talvez mais relevante.

A estrutura atualmente existente está montada de tal forma que qualquer potencial candidato sabe, à partida, as dificuldades que enfrentará para construir uma alternativa credível e competitiva. Quando uma direção se encontra profundamente enraizada na estrutura do clube e quando beneficia de uma posição de vantagem construída ao longo dos anos, torna-se naturalmente mais difícil surgir uma candidatura alternativa.

E isso acaba por afastar muitas pessoas que, noutras circunstâncias, poderiam estar disponíveis para dar o seu contributo ao Rio Ave.

A segunda reflexão prende-se com aquilo que tudo indica que irá acontecer nas próximas semanas.

É praticamente certo que a atual direção se irá recandidatar. A verdadeira questão não é essa. A questão é quando o fará.

Se seguirmos aquilo que tem sido a prática habitual, a candidatura deverá ser anunciada o mais tarde possível, já muito próximo da data das eleições. Uma estratégia que, na prática, reduz o tempo disponível para o escrutínio por parte dos sócios e dificulta o aparecimento de alternativas organizadas.

E é precisamente aqui que surge a crítica.

Uma direção verdadeiramente confiante no trabalho desenvolvido não deveria recear o debate nem o escrutínio. Pelo contrário. Deveria apresentar a sua candidatura com antecedência, abrir espaço à discussão e procurar construir, juntamente com os sócios, o melhor programa possível para o futuro do clube.

Mais importante ainda, deveria apresentar um balanço claro dos últimos três anos.

O que foi prometido?

O que foi concretizado?

O que ficou por cumprir?

Infelizmente, essa cultura de prestação de contas nunca se instalou verdadeiramente no Rio Ave.

Os programas eleitorais surgem, as promessas são feitas e, três anos depois, raramente existe uma avaliação séria daquilo que foi executado e daquilo que ficou pelo caminho.

O que é de lamentar