19.3.25

O jogo fora das quatro linhas




No futebol moderno, a influência dos clubes vai muito além das quatro linhas. Se dentro de campo é a qualidade do jogo que determina resultados, fora dele há uma batalha invisível, mas igualmente relevante: a luta pela narrativa nos meios de comunicação.

Os clubes aprenderam há muito tempo que a opinião pública é uma arma poderosa e, por isso, utilizam diversos canais – desde a imprensa tradicional até blogues e páginas de redes sociais – para moldar discursos, influenciar percepções e, em última instância, atingir objetivos nos bastidores.

Não é segredo que, quando necessário, os clubes recorrem a jornalistas e comentadores alinhados com os seus interesses para lançar certas mensagens. Ora para pressionar árbitros e entidades desportivas, ora para criar um ambiente favorável a determinadas decisões internas, seja no âmbito diretivo ou técnico. Um dirigente em risco de perder o cargo? De repente surgem notícias a preparar a sua saída ou a limpar a sua imagem. Uma decisão polémica a ser tomada? Multiplicam-se artigos e opiniões que, convenientemente, validam essa mesma decisão antes sequer de ser oficializada.

Os blogues e páginas independentes – que, à partida, deveriam representar a voz crítica e imparcial dos adeptos – não estão imunes a esta realidade. Muitos tornam-se veículos de influência dos próprios clubes, seja por proximidade a dirigentes, seja por interesses mais estratégicos. A linha que separa um espaço de opinião legítima de um canal instrumentalizado é cada vez mais ténue.

É por isso que espaços verdadeiramente independentes como o Reis do Ave e o Grupo Onda Verde são tão importantes. Aqui, escreve-se apenas por iniciativa própria, sem amarras nem agendas escondidas. Cada texto reflete a visão sincera dos seus escritores, sem interferências externas nem orientações encomendadas. Num futebol onde a manipulação da informação é uma constante, a independência torna-se um dos bens mais valiosos e que devia ser preservado por todos os sócios.