Chegou finalmente a semana que todos aguardávamos.
Depois de mais uma pré-temporada marcada por jogos à porta fechada, pouca informação e apenas um encontro televisionado, o Rio Ave prepara-se para iniciar oficialmente a temporada com uma deslocação a Barcelos para defrontar o Gil Vicente.
Este fim de semana tive a oportunidade de assistir ao primeiro — e único — jogo da pré-época que consegui ver. Naturalmente, uma partida não permite retirar conclusões definitivas, mas permite pelo menos formar uma opinião sobre aquilo que poderá ser o Rio Ave desta temporada.
E, de uma forma geral, saí com uma sensação positiva.
A base da equipa mantém-se e os jogadores que saíram não deixam propriamente muitas saudades. Não porque não tenham tido o seu valor, mas porque a maioria acabou por acrescentar menos do que aquilo que se esperava deles. Por outro lado, olhando para os reforços que chegaram, tenho dificuldade em acreditar que consigam fazer pior do que algumas das opções que existiam anteriormente.
Pelo contrário.
Diogo Nascimento, Roland, Samuel e até alguns dos jovens que têm aparecido parecem trazer argumentos interessantes para elevar o nível competitivo do plantel. Não significa que a equipa vá fazer uma grande época, mas pelo menos existe a sensação de que houve alguma preocupação em corrigir fragilidades identificadas na temporada passada.
Contudo, existe uma questão que continua a preocupar-me.
O modelo de jogo.
Aquilo que vi frente ao Tondela foi, em grande medida, uma continuação daquilo que vimos durante boa parte da última época. O Rio Ave continua a construir e a defender com apenas dois médios no corredor central, escolhidos entre Ntoi, Diogo Nascimento, Ryan, Nikitscher, Liavas ou Aguilera, quando este recuperar da lesão.
E aqui reside a minha principal dúvida.
Se havia algo que gostaria de ver alterado nesta nova temporada era precisamente a estrutura do meio-campo. Gostava de ver um Rio Ave mais equilibrado, mais forte por dentro e com maior capacidade para controlar os jogos.
Gostava de ver um meio-campo a três.
Um trio capaz de oferecer mais soluções na construção, maior proteção defensiva e melhor ocupação dos espaços centrais. Com dois extremos verdadeiramente abertos nas alas e Blesa como referência ofensiva.
Na teoria, parece-me uma solução que poderia potenciar vários dos jogadores que temos no plantel.
Mas não acredito que vá acontecer.
Sotiris parece confortável com as suas ideias e tudo indica que continuará fiel ao sistema que tem utilizado desde que chegou aos Arcos.
Respeito essa opção. Afinal, quem trabalha diariamente com os jogadores é o treinador.
Mas continuo a acreditar que o Rio Ave teria mais a ganhar do que a perder com essa mudança.
De resto, chega a hora da verdade.
A pré-temporada terminou. As experiências acabaram. Os pontos começam a contar.
E já no próximo fim de semana teremos a primeira resposta.
Em Barcelos. Frente ao Gil Vicente. Onde começaremos a perceber se este Rio Ave está realmente preparado para fazer melhor do que nas últimas duas temporadas.
