Desde a entrada da SAD, o Rio Ave completou já duas épocas e está agora no início da terceira. E há uma coisa que, para mim, continua por definir: quais são, afinal, os objetivos desportivos do Rio Ave?
Desde o início deste novo ciclo, ouvimos sobretudo frases vagas e genéricas. «Fazer melhor que no ano passado», «melhorar a estrutura», «preparar o clube para alcançar coisas maiores no futuro». Tudo afirmações que podem fazer sentido, mas que, quando falamos de objetivos desportivos, dizem muito pouco.
Tenho saudades dos tempos em que, no início de uma temporada, era possível perceber claramente aquilo que se pretendia alcançar. Apuramento para as competições europeias. Ficar entre os oito primeiros. Lutar por determinados lugares. Havia um objetivo concreto, que todos conheciam e que servia como referência ao longo da época.
Hoje, parece que essa ambição desapareceu das palavras.
Na primeira temporada da SAD, terminámos em 11.º lugar. No ano passado, o discurso era fazer melhor. Acabámos em 12.º, portanto, pior do que na época anterior.
E agora, no início desta terceira temporada, voltamos a ouvir a mesma ideia: queremos fazer melhor do que no ano passado.
Mas o que é, concretamente, fazer melhor?
É conquistar mais pontos? É terminar em 11.º? É ficar no top 10? É aproximarmo-nos dos lugares europeus? É lutar por eles?
Não sabemos.
E é precisamente isso que me incomoda.
Não estou a dizer que o Rio Ave tenha obrigatoriamente de anunciar que vai à Europa, nem que deva assumir objetivos completamente desfasados da realidade. Mas gostava de ver ambição e, acima de tudo, clareza.
Um bom grupo de trabalho precisa de saber para onde vai. Um treinador precisa de saber aquilo que lhe é pedido. Os jogadores precisam de conhecer a meta que têm de atingir. E os adeptos também merecem saber qual é o caminho que o clube pretende percorrer.
Não se trata de criar um objetivo para, no final da temporada, andar a apontar o dedo a quem não o conseguiu cumprir. Trata-se de assumir um compromisso.
E, de preferência, um compromisso ambicioso.
Ainda este fim de semana estive com velhos colegas da faculdade e, inevitavelmente, surgiu a pergunta:
— «Então, e o Rio Ave? Este ano é para ir à Europa?»
E dei por mim a responder que não sabia.
E isso é estranho.
Não porque ache que o Rio Ave não tenha qualidade para ambicionar mais. Pelo contrário. Mas porque, há três épocas, desde a entrada da SAD, os objetivos passaram a ser apresentados de uma forma tão vaga e ambígua que até uma pergunta tão simples como «é para ir à Europa?» se tornou difícil de responder.
