Ontem fui um dos muitos adeptos e sócios do Rio Ave que se deslocou a Barcelos para assistir ao encontro entre o Gil Vicente e o Rio Ave.
Cheguei ao estádio por volta das 20h10 e, ainda antes de entrar, deparei-me com uma situação que me causou alguma estranheza. Junto à entrada destinada aos nossos adeptos encontravam-se cerca de vinte sócios visivelmente indignados, impedidos de entrar no recinto.
Poucos minutos depois fui abordado por duas dessas pessoas, que me explicaram o que estava a acontecer.
Segundo os próprios, o Rio Ave teria vendido o mesmo bilhete a mais do que uma pessoa. Quando tentaram aceder ao estádio, o sistema de controlo acusava que aquele bilhete já tinha sido utilizado, impossibilitando a sua entrada. Na prática, alguém já tinha entrado com um bilhete que correspondia ao mesmo código que lhes tinha sido vendido.
A situação gerou naturalmente revolta e frustração.
No local encontrava-se o elemento de ligação aos sócios e adeptos do Rio Ave, que tentou gerir o problema. No entanto, a solução apenas surgiu durante o apito inicial. Os adeptos afetados acabaram por ser encaminhados para outra bancada, conseguindo assistir ao jogo, mas não no setor onde estavam concentrados grande parte dos adeptos rioavistas.
Durante o intervalo e após o final da partida tive oportunidade de conversar com alguns dos visados. A insatisfação era evidente. Não apenas pelo transtorno causado, mas também pelo facto de terem sido colocados num local diferente daquele onde estavam grande parte dos adeptos do Rio Ave, retirando parte da experiência de acompanhar a equipa fora de casa.
Tudo indica que a origem do problema terá estado na emissão e venda dos bilhetes, alegadamente com lugares duplicados ou vendidos mais do que uma vez.
Mas este não foi o único aspeto que merece reflexão.
Tal como já aconteceu noutras ocasiões, os bilhetes foram vendidos apenas mediante pagamento em numerário. Em pleno 2026, continua a ser impossível utilizar cartão bancário para adquirir bilhetes em algumas deslocações organizadas pelo clube - quando feito na loja do Rio Ave.
Mais estranho ainda foi aquilo que me aconteceu quando solicitei uma fatura pela compra do meu bilhete. Foi-me dito que não seria possível emitir a fatura naquele momento. Insisti no pedido e foi-me garantido que a mesma me será enviada durante esta semana.
Espero sinceramente que assim aconteça.
No entanto, quando juntamos todos estes episódios — bilhetes alegadamente vendidos em duplicado, pagamentos exclusivamente em dinheiro e dificuldades na emissão de documentos fiscais — a imagem que fica é a de uma organização que está longe do nível de rigor e profissionalismo que os sócios têm o direito de exigir.
Quero acreditar que tudo isto resulta apenas de desorganização e não de algo mais grave.
Espero que este episódio sirva para retirar conclusões e corrigir procedimentos.
Porque apoiar o Rio Ave já exige bastante dos seus adeptos.
O mínimo que o clube pode fazer é garantir que, quando estes compram um bilhete, conseguem entrar no estádio sem problemas. E que o processo de compra decorre com a normalidade e transparência que deveriam ser básicas em qualquer instituição.

