O Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença, visitou recentemente as instalações do Rio Ave FC e partilhou nas suas redes sociais um vídeo dessa visita.
Nada a apontar à divulgação da visita. Pelo contrário.
O problema é outro.
Durante o vídeo, surge um momento particularmente interessante para qualquer sócio do Rio Ave: são mostradas imagens 3D do futuro complexo e das infraestruturas que estão a ser desenvolvidas pelo clube e pela SAD.
Imagens que, tanto quanto é do conhecimento público, nunca foram apresentadas aos sócios.
Não foram divulgadas no site oficial. Não foram partilhadas nas redes sociais do clube. Não foram apresentadas em assembleias gerais. Não foram sequer disponibilizadas como forma de os associados acompanharem aquilo que está a ser construído em nome do Rio Ave.
E é aqui que reside a questão.
Não me incomoda que Pedro Proença tenha mostrado essas imagens. O que me incomoda é que eu, enquanto sócio, tenha de as descobrir através de um vídeo publicado por terceiros.
Estamos a falar de um projeto estruturante para o futuro do Rio Ave. Um investimento que é constantemente referido pelos responsáveis do clube e da SAD como fundamental para o crescimento da instituição. Seria, por isso, natural que os primeiros a conhecer melhor esse projeto fossem precisamente os sócios.
Mas não.
Mais uma vez, a informação chega de forma indireta.
Basta olhar para outros exemplos. Há poucos meses, o Nottingham Forest tornou públicos os projetos de remodelação do seu estádio, apresentando imagens, vídeos e detalhes das intervenções previstas. Os adeptos puderam ver, analisar e acompanhar aquilo que o clube pretende fazer.
No Rio Ave, os sócios ficam reduzidos a descobrir estes pormenores através de um frame perdido num vídeo publicado pelo Presidente da Federação.
Pode parecer um detalhe.
Mas não é.
É mais um exemplo de uma cultura de comunicação onde os associados raramente são colocados em primeiro lugar. Uma cultura onde a informação existe, circula e é mostrada a entidades externas, mas continua a não chegar de forma clara e transparente a quem sustenta o clube há décadas.
Se existem imagens 3D do projeto, porque não divulgá-las?
Se existe orgulho no investimento realizado, porque não apresentá-lo aos sócios?
Se o projeto é assim tão importante para o futuro do Rio Ave, porque razão os associados continuam a conhecê-lo aos pedaços, através das redes sociais de terceiros?
São perguntas simples.
E que, infelizmente, continuam sem resposta.
