8.6.26

Uma equipa construída com critério, planeamento e tempo para trabalhar: é esse o meu desejo




Uma das grandes questões que se colocam neste defeso é perceber que Rio Ave teremos em 2026/2027.

O João Paulo Menezes escreveu recentemente sobre este tema e chamou a atenção para um facto importante: segundo Sotiris, esta será a primeira vez que iniciará uma temporada com uma verdadeira base de equipa já construída. E os números parecem dar-lhe razão. Existem, pelo menos, duas dezenas de jogadores com contrato para a próxima época, o que contrasta com a instabilidade que marcou os últimos anos.

Esta será a terceira temporada iniciada sob a gestão da SAD.

As duas primeiras ficaram marcadas por um investimento significativo que, na prática, não se traduziu em resultados compatíveis com as expectativas. O Rio Ave terminou os campeonatos em 11.º e 12.º lugar, apesar de ter figurado entre os clubes com maior capacidade financeira da Liga. Convém recordar que, nas últimas duas épocas, o Rio Ave apresentou o quinto maior orçamento da Primeira Liga.

Na época 2024/2025 existia uma circunstância que servia de argumento para alguns dos problemas encontrados: a SAD herdou um treinador que não tinha escolhido. Luís Freire iniciou a temporada e a estrutura trabalhou com uma liderança técnica que não resultou de uma decisão sua.

Já na época passada o cenário foi diferente. Sotiris foi uma escolha da SAD. Contudo, era a sua primeira temporada, numa realidade nova, com um plantel em construção e muitas incógnitas relativamente ao funcionamento da estrutura.

Agora, porém, o contexto é diferente.

Se a SAD acredita no treinador, se o treinador conhece o clube, se existe uma base de plantel que transita de uma época para a outra e se a estrutura já está plenamente instalada, torna-se cada vez mais difícil encontrar justificações para um eventual mau arranque ou para mais uma temporada abaixo das expectativas.

E é precisamente aqui que surge a principal dúvida.

Que plantel teremos realmente quando o campeonato começar?

Nos últimos dias surgiram notícias oriundas da Grécia que dão conta de que Sotiris terá exigido uma palavra mais forte na construção do grupo de trabalho e que não pretende receber jogadores gregos apenas porque alguém decidiu que deveriam passar pelos Arcos.

Será verdade? Não sabemos.

Mas a dúvida permanece.

Grande parte da base da equipa vai manter-se? Ou vamos assistir a mais uma revolução?

Os jogadores que hoje consideramos importantes estarão cá em agosto? Ou continuarão a existir saídas e entradas constantes até ao fecho do mercado?

O plantel estará consolidado logo no arranque da pré-época? Ou voltaremos a assistir a um grupo incompleto durante semanas, à espera de decisões tomadas noutros locais?

Porque uma coisa é certa: estabilidade e continuidade são conceitos que têm estado ausentes do futebol profissional do Rio Ave nos últimos anos.

E talvez seja precisamente isso que os adeptos mais desejam neste momento. Não necessariamente um plantel recheado de nomes sonantes. Não obrigatoriamente um investimento superior.

Mas sim uma equipa construída com critério, planeamento e tempo para trabalhar.
Confesso que esse também é o meu desejo.

A próxima época será, provavelmente, a primeira em que a SAD iniciará uma temporada sem desculpas evidentes para apresentar.

O treinador é seu.
A estrutura é sua.
O projeto é seu.

Resta agora perceber se o plantel também será verdadeiramente seu.