9.6.26

Como vai ser dividido o dinheiro da TV: Estará o Rio Ave bem posicionado para receber uma boa quantia?

Reis do Ave – Centralização: Como vai ser dividido o dinheiro da TV?
Reis do Ave
Futebol Nacional
Liga Centralização

Está
decido

A forma como os clubes portugueses vão receber as receitas dos direitos televisivos ficou aprovada esta segunda-feira.

8 de junho de 2026  ·  Reis do Ave

Já sabes que o futebol português vai ter uma centralização dos direitos de televisão — ou seja, a Liga negocia tudo em bloco e depois distribui o dinheiro pelos clubes. Pois bem, esta segunda-feira ficou decidido como é que esse dinheiro vai ser dividido.

O que foi aprovado?

Em Assembleia Geral, os clubes da Liga e da Liga 2 votaram a proposta apresentada pela Liga Centralização. O resultado foi claro: 80% dos votos a favor. A votação foi feita em urna, e o único clube que tentou travar o processo — o Nacional, que queria colocar a sua própria proposta a votar em simultâneo — ficou sozinho. Nenhuma outra SAD o apoiou.

Resultado da votação
80%
Votos a favor
20%
Votos contra / abstenções

Como é dividido o bolo?

Antes de mais, a divisão começa logo entre as duas ligas:

Divisão entre ligas
90%
Liga (1ª divisão)
10%
Liga 2 (2ª divisão)

Dentro da Liga, o dinheiro não é dividido de forma igual. Há cinco critérios que determinam quanto cada clube recebe:

Como é repartido o dinheiro na Liga
44,2%
🏆 Mérito desportivo — classificação no campeonato, histórico de posições e contribuição para o ranking UEFA
33,2%
⚖️ Solidariedade — dividido em partes iguais por todos os clubes
17,6%
📺 Audiências e assistências — médias de espectadores nas bancadas e no ecrã
~3%
🎥 Condições para transmissões
1%
🏟️ Infraestruturas — qualidade dos relvados, iluminação e condições para a comunicação social

E se o bolo for maior?

Há ainda uma cláusula especial para quando as coisas correrem mesmo bem: se o valor total da centralização ultrapassar os 250 milhões de euros, metade do dinheiro extra (até um tecto de 275 milhões) vai directamente para os três clubes com maior contribuição para o ranking UEFA. O resto segue as regras normais.

💡 Na prática, isto significa que Benfica, Sporting e FC Porto têm um incentivo extra para se darem bem na Europa — quanto melhor for o ranking, mais ganham se o bolo crescer.

Quando entra em vigor?

Esta modelo só vai ser obrigatório a partir de 2028/29. Até lá, ainda é possível negociar individualmente. Foi exactamente isso que o Benfica fez em Janeiro: renovou com a NOS por 104,6 milhões de euros para as épocas 2026/27 e 2027/28 — os últimos anos em que isso ainda é permitido.

A centralização dos direitos audiovisuais foi decretada pelo Governo em 2021, após um memorando de entendimento entre a FPF e a Liga Portugal. A partir de 2028/29, os clubes deixam de poder fazer negócios individuais de direitos de televisão.

E o Rio Ave? Como se posiciona neste novo modelo?

Esta é a pergunta que interessa a todos os adeptos de Vila do Conde. Com a época 2025/26 terminada no 12.º lugar da Liga, e com uma média de 2.700 espectadores por jogo, o Rio Ave chega a esta centralização numa posição que mistura boas e más notícias — dependendo do critério.

O Rio Ave face a cada critério
⚖️ Solidariedade (33,2%) — Boa notícia FAVORÁVEL

Este é o critério mais justo para clubes como o Rio Ave. A fatia é dividida em partes iguais por todos os 18 clubes — independentemente do tamanho, dos resultados ou das audiências. Aqui o Rio Ave recebe exactamente o mesmo que o Benfica ou o Porto.

🏆 Mérito desportivo (44,2%) — Depende NEUTRO

É a maior fatia do bolo. A fórmula exacta de distribuição por posição não foi ainda tornada pública, por isso não é possível saber ao certo quanto vale cada lugar. O que é certo é que terminar no 12.º lugar coloca o Rio Ave numa posição mediana — longe dos grandes, mas também longe da zona de descida. Cada lugar subido na tabela vai valer dinheiro real.

📺 Audiências e assistências (17,6%) — Má notícia DESFAVORÁVEL

Com uma média de 2.700 espectadores por jogo e audiências televisivas modestas, o Rio Ave vai receber uma fatia pequena neste critério. Clubes com estádios maiores e cheios — ou com jogos mais vistos na TV — levam clara vantagem aqui.

🎥 Condições para transmissões (~3%) — Má notícia DESFAVORÁVEL

Este critério avalia as condições que o clube oferece às televisões — iluminação, zonas de imprensa, cabines de comentadores, zonas de câmaras. O Estádio do Rio Ave tem limitações conhecidas nesta área, o que pode penalizar o clube neste ponto.

🏟️ Infraestruturas (~1%) — Má notícia DESFAVORÁVEL

Qualidade do relvado e condições gerais do estádio. Com instalações modestas face a outros clubes da Liga, o Rio Ave deverá ficar abaixo da média também neste critério — ainda que o peso seja o mais pequeno de todos.

Fazendo as contas ao que se sabe com certeza: a fatia da solidariedade representa 33,2% do bolo da Liga, dividida igualmente por 18 clubes. Num cenário de 200M€ totais, isso equivale a cerca de 3,3 milhões de euros garantidos para o Rio Ave — só por existir na Liga. O resto depende de critérios onde o clube, honestamente, não parte em vantagem.

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