12.2.26

Sotiris: Quatro dias de silêncio





Devemos ser um caso único no futebol nacional. Pelo menos nos últimos anos, não me recordo de nada semelhante.

Desde o início da semana que vários meios de comunicação social garantem que Sotiris já não é o treinador do Rio Ave e que a SAD se encontra ativamente à procura de um novo técnico. Não se trata de um rumor isolado ou de uma notícia lançada num dia e esquecida no seguinte. São quatro dias consecutivos de notícias no mesmo sentido.

E, perante isto, a SAD… silêncio absoluto.

É legítimo perguntar:
Saiu ou não saiu Sotiris?
Se não saiu, porque razão a SAD não veio a público desmentir de forma clara e objetiva?
Que SAD profissional permite que, durante vários dias, se noticie a demissão do seu treinador sem qualquer reação oficial?
Se saiu, deve-o comunicar. Se não sair, tem de vir a terreiro desmentir.

Esta ausência de comunicação não é apenas estranha. É reveladora.

A leitura que faço — e dificilmente se encontra outra mais lógica — é simples e dura: Sotiris já foi despedido, mas foi-lhe pedido que “aguentasse o barco” até ser encontrado um substituto. Um treinador em gestão, um banco técnico a prazo, um líder sem futuro definido.

Do lado da SAD, tudo indica que o plano não está a correr como esperado. As recusas sucedem-se, os nomes caem, e o tempo passa. E enquanto isso acontece, o clube deixa-se afundar numa nebulosa comunicacional que só aumenta a instabilidade interna e externa.

Desconfio que teremos Sotiris no banco na próxima segunda-feira, frente ao Moreirense. E, quem sabe, em caso de vitória, talvez ainda o arrastem até ao Dragão, numa lógica de sobrevivência semanal, jogo a jogo, resultado a resultado. (apenas desconfiança, sem qualquer tipo de fonte, mas uma possibilidade credível).

Tudo isto expõe uma realidade inquietante: não há liderança clara, não há estratégia assumida e não há coragem para comunicar. Num momento delicado da época, a SAD opta por deixar correr, por fingir que não se passa nada, enquanto toda a gente fala do mesmo.

No futebol, o silêncio raramente é neutro.
Neste caso, soa cada vez mais a confirmação.