Há estatísticas que admitem contexto.
Há outras que criam o contexto.
A média de 0,95 pontos por jogo de Sotiris não vive numa bolha. Vive inserida numa era concreta do Rio Ave, iniciada em 2012/2013, quando o clube deixou de aceitar o “chegar ao fim” como objetivo máximo. Desde essa viragem, todos os treinadores foram avaliados pelo mesmo critério invisível: competir com dignidade, somar pontos com regularidade e manter o clube acima da linha do medo.
E é precisamente aí que Sotiris se destaca — pela negativa.
Entre todos os treinadores desta fase moderna do clube, Sotiris apresenta a pior média de pontos por jogo. Pior do que treinadores em contextos de transição. Pior do que apostas de risco. Pior do que soluções de emergência. Em 21 jogos, nem sequer chegou ao patamar simbólico de um ponto por partida — o mínimo dos mínimos para quem quer sobreviver sem calculadora.
Isto não é uma comparação injusta. É uma comparação inevitável.
Todos os nomes acima trabalharam com diferentes plantéis, diferentes orçamentos, diferentes circunstâncias. Mas todos tiveram algo em comum: fizeram mais pontos.
O argumento do “tempo” começa a esvaziar-se quando o tempo já foi dado. O argumento da “ideia” perde força quando a ideia não se traduz em resultados. E o argumento do “processo” cai por terra quando o processo conduz, de forma consistente, ao mesmo destino.
0,95 pontos por jogo não é um momento mau.
Não é uma fase.
Não é azar.
É a pior média desde que o Rio Ave decidiu ser mais do que apenas mais um.
