Daniel Silva 0
AG out26

Rio Ave tem cerca de 8150 sócios, 2166 pagam quotas e 4996 têm as cotas em atraso

 


Na Assembleia Geral Ordinária que decorreu ontem, houve finalmente um esclarecimento por parte de Alexandrina Cruz relativamente ao número de associados do Rio Ave FC.

E os números merecem uma análise mais cuidada.

Segundo os dados partilhados pela presidente, o Rio Ave conta atualmente com 8166 sócios, distribuídos da seguinte forma:

  • 3170 associados com a situação regularizada;

  • 4996 associados com quotas em atraso.

Importa esclarecer que os 3170 associados com a situação regularizada incluem, por exemplo, menores que estão isentos do pagamento de quotas. Ou seja, nem todos representam necessariamente uma receita para o clube.

Ora, analisando o relatório e contas, encontramos uma verba de aproximadamente 130 mil euros em receitas de quotização.

Fazendo uma conta simples, considerando uma quota mensal de 5 euros, este valor corresponderia a cerca de 2167 sócios pagantes, em média, ao longo do ano. Poderão existir algumas diferenças, nomeadamente pelos escalões de quotas mais baixos, mas dificilmente alterarão substancialmente esta ordem de grandeza.

E é aqui que os números começam a levantar questões.

Temos 8166 associados registados, mas apenas cerca de 2166 equivalentes a quotas mensais de 5 euros nas receitas anuais. Mesmo entre os 3170 que têm a situação regularizada, existe uma parte que não paga quotas.

Durante os últimos anos, assistimos a um crescimento extraordinário do número de sócios. Passámos de aproximadamente 3800 para mais de 8000 associados. Sempre considerei positivo o aumento da massa associativa, mas já tinha questionado por que razão esse crescimento não se refletia nas receitas de quotização nem, aparentemente, nas assistências nos Arcos.

Ontem, com os esclarecimentos prestados, fiquei com uma perceção muito mais clara da dimensão do fenómeno.

Algo se passou — e continua a passar-se — com a angariação de sócios no Rio Ave.

Não está em causa desvalorizar quem se tornou associado, nem afirmar que todos os novos sócios têm necessariamente de frequentar o estádio. Mas um crescimento desta dimensão deveria traduzir-se numa maior participação na vida do clube e, naturalmente, num impacto mais expressivo nas suas receitas.

Afinal, de que nos serve anunciar 8166 sócios se uma parte tão significativa tem quotas em atraso e o número de associados que efetivamente contribui financeiramente parece ser bastante inferior?

É um tema que merece ser aprofundado. E há muito mais para contar sobre a Assembleia Geral de ontem.

Assim o farei durante a semana

Etiquetas

Comentários