11.10.26

Tiramos as mãos dos bolsos!

Uma vitória, um sinal de mudança e muito trabalho pela frente.

 Há vitórias que valem três pontos. Outras podem valer um pouco mais, sobretudo quando chegam num momento em que uma equipa precisa de recuperar a confiança e os adeptos procuram razões para voltar a acreditar.

O Rio Ave venceu o Nacional por 3-2, num encontro que teve emoção, golos, uma expulsão, alguma felicidade e sofrimento até ao apito final. Foi também a primeira vitória de Vasco Seabra no comando técnico dos vilacondenses, e isso, naturalmente, dá outro significado ao resultado.

Não vale a pena esconder o que correu bem, mas também não devemos transformar esta vitória numa prova de que todos os problemas ficaram resolvidos.

O Rio Ave sofreu primeiro, reagiu e chegou ao empate por Clemmensen. Na segunda parte, mesmo reduzido a dez jogadores após a expulsão de João Tomé, conseguiu colocar-se em vantagem por Diogo Bezerra. O Nacional voltou a empatar, e foi Jalen Blesa, da marca de grande penalidade, quem acabou por decidir o encontro.

Blesa merece o destaque. Num jogo em que a margem de erro era reduzida e a pressão era grande, teve a responsabilidade de converter o penalty decisivo. o jogo estava frenético, a vitória estava ali, e a jogar com 10 seria difícil haver outra oportunidade clara de golo. Fê-lo e ajudou a garantir três pontos de enorme importância. Num coletivo que ainda procura estabilidade, jogadores capazes de assumir responsabilidades nos momentos decisivos podem fazer a diferença.

Mas há outro aspeto que merece atenção: a postura de Vasco Seabra no banco.

Durante o período anterior, a imagem de um treinador de mãos nos bolsos tornou-se, para muitos adeptos, um símbolo de passividade e de falta de intervenção. Não se pode avaliar um treinador apenas pela linguagem corporal, é certo, mas a forma como acompanha o jogo, comunica e reage às dificuldades também faz parte da liderança. E nesse aspecto, Sotiris, e Seabra, são a água, e o vinho.

Seabra transmite uma imagem diferente: mais interventiva, mais enérgica e mais próxima daquilo que os adeptos esperam de um treinador que vive o jogo e procura influenciá-lo. É quanto a mim, um sinal positivo, embora ainda seja necessário perceber se essa atitude se traduz numa melhoria efetiva dentro de campo. Hoje esse melhoria foi evidente!

No entanto, o Rio Ave sofreu dois golos, voltou a mostrar dificuldades defensivas e permitiu que o Nacional continuasse a acreditar até aos últimos minutos. A expulsão complicou naturalmente a tarefa, mas a equipa terá de melhorar a organização, a concentração e a capacidade de controlar os momentos do jogo. Soubemos concretizar, mas tivemos muitas dificuldades na gestão do jogo. Sofrer logo após marcar, demonstra que a equipa ainda está insegura.

Também houve felicidade. Um golo anulado (e bem) ao Nacional na fase final ajudou a preservar a vantagem. Reconhecê-lo não retira mérito à vitória; apenas nos obriga a olhar para o encontro com a objetividade necessária.


Vasco Seabra começa, assim, da melhor maneira possível: com uma vitória e algum tempo para trabalhar com maior tranquilidade. Mas não confundamos um bom começo com um trabalho concluído. O treinador terá de transformar a energia que demonstra no banco numa equipa mais consistente, competitiva e capaz de controlar os jogos.

Para já, Vila do Conde pode respirar de alívio. Blesa resolveu, a equipa resistiu e os três pontos ficaram em casa.

Agora, queremos ver o próximo passo. Porque o Rio Ave não precisa apenas de ganhar um jogo. Precisa de voltar a construir uma equipa em que os adeptos reconheçam ambição, organização e vontade de vencer.



A vitória foi importante. A mudança de atitude é um sinal. A verdadeira mudança terá de ser demonstrada nos próximos jogos.

Análise, resumo, ideias principais do jogo: 

O melhor do Rio Ave

  • Reação ao golo sofrido: conseguiu empatar ainda antes do intervalo.

  • Capacidade de atacar mesmo em inferioridade numérica.

  • Ligação entre Clemmensen e Bezerra no segundo golo.

  • Sangue-frio de Blesa na conversão da grande penalidade.

  • Resistência na fase final, com Vítor Hugo a evitar novo empate.

O pior do Rio Ave

  • Sofreu na sequência de um canto.

  • A expulsão de João Tomé obrigou a equipa a adaptar-se.

  • Sofreu o empate dois minutos depois de passar para a frente.

  • Permitiu que o Nacional criasse perigo até aos últimos minutos.

Melhor em campo,  quanto a mim, Jalen Blesa,  o pior momento do jogo, foi individual, João Tomé! A expulsão, depois de dois amarelos em cinco minutos, prejudicou claramente a equipa. É o principal ponto negativo individual do encontro. Isto não significa que tenha sido o pior jogador durante os minutos em que esteve em campo; significa que a sua expulsão teve um custo coletivo elevado. E podia ter sido bem diferente. Erros destes de um profissional jovem de 23 anos, até se pode compreender, mas de facto evitável, e André vai aprender, para já vai custar-lhe a titularidade no próximo jogo,  não sei se para futuro também, 

Destaque do Nacional: Abdel Njoya, que jogador, gostei muito!

O que retiro das declarações de Seabra no final do jogo

Três ideias:

  • Atitude: Seabra quer uma equipa corajosa, que arrisque e não se esconda nos momentos difíceis.

  • Liderança: assume publicamente a exigência sobre os jogadores, mas também a responsabilidade de os defender.

  • Realismo: apesar da vitória, reconhece que há muito trabalho pela frente. E ainda gradeceu aos adeptos, e pasme-se, em especial á presidente do clube!  - Alexandrina Cruz, noticiou esta semana que se vai recandidatar à presidência. - Já estamos em campanha? - Parece.