31.1.26

Sem rodeios: é tempo de chamar os bois pelos nomes




É natural que, em momentos de crise, o primeiro alvo seja o treinador. Acontece em todo o lado, faz parte do futebol e da sua lógica imediatista. Mas reduzir o estado atual do Rio Ave FC a uma questão meramente técnica é não só simplista, como injusto. O problema é bem mais profundo e tem nomes, decisões e um rumo claramente identificável.

Importa, por isso, recordar quem são os verdadeiros responsáveis por este percurso que, em pouco tempo, resultou na perda quase total da identidade e da mística que durante anos caracterizaram o nosso clube. A direção do Rio Ave FC, presidida por Alexandrina Cruz, não pode continuar imune à crítica, como se fosse apenas uma figura decorativa num processo que corre em piloto automático.

O Rio Ave que conhecíamos — competitivo, incómodo para os grandes, com uma ideia clara de jogo e uma ligação forte entre equipa, clube e adeptos — deu lugar a um emaranhado de decisões avulsas, falta de planeamento e uma gestão que parece viver permanentemente em reação, nunca em antecipação. Trocam-se treinadores, mudam-se jogadores, ajustam-se discursos, mas o essencial permanece intocado: a ausência de um projeto desportivo coerente.

A perda de identidade não acontece de um dia para o outro. É o resultado de escolhas sucessivas: contratações sem enquadramento, ciclos interrompidos precocemente, comunicação pobre e distante, e uma clara desvalorização do que fazia do Rio Ave um clube respeitado dentro e fora de campo. Hoje, somos um clube sem rosto, sem alma e, pior ainda, sem rumo visível.

Enquanto isso, a presidência mantém-se num silêncio ensurdecedor. Não há explicações, não há assunção de responsabilidades, não há uma palavra clara dirigida aos sócios e adeptos. Tudo parece normalizado, como se a mediocridade fosse agora o novo patamar aceitável. Não é.

Apontar o dedo ao treinador pode dar uma sensação momentânea de ação, mas não resolve nada. O problema está acima, na estrutura, na liderança e na visão — ou na falta dela. Um clube não perde a sua mística por causa de um treinador. Perde-a quando quem o dirige deixa de saber o que ele representa.



O Rio Ave FC merece mais. Merece transparência, ambição e respeito pela sua história. E isso começa, inevitavelmente, por quem está no topo.

(0-3 com o Arouca) Sotiris é incompetente e a única saída é a demissão (ATUAL)


O treinador do Rio Ave, no final do jogo, responsabilizou o mercado de transferência pela falta de foco da equipa. Não sei se tem alguma razão, mas, a ter, essa será apenas uma pequena parte da explicação; o facto é que está à vista a incompetência do treinador e só espanta como é, com a bancada a pedir a sua demissão, ele ainda seja o treinador neste momento - o que eu esperava é que ele anunciasse que telefonou a Marinakis a dizer que não tinha condições para continuar.

O Rio Ave jogou tão mal como na Madeira, só não perdeu por 4-0... 

O onze inicial já fazia suspeitar que as coisas não iriam correr bem (cinco defesas, quatro médios e apenas um avançado) e só a perder 2-0 fez a primeira substituição.

Insisto: talvez não seja o treinador mais incompetente que tivemos no Rio Ave mas é o mais 'cego', por se recusar a ver a realidade

 (o  vídeo não mostra, mas pela primeira vez a Direção do Rio Ave e a administração da SAD [Alexandrina Cruz e Luis Oliveira] foram bastante contestados pelos sócios) 


 Atualizado: Adeptos assobiaram e mostraram lenços brancos: "É perfeitamente compreensível a frustração dos adeptos. No último mês, não temos estado ao nível que já estivemos e isso é algo que temos de analisar. A equipa técnica e os jogadores, em conjunto, vamos dar a volta." Tenho força para muitas coisas e entre elas é para dar a volta a isto

29.1.26

Oficial: André Luiz no Olympiakos — várias reflexões sobre esta transferência



André Luiz foi apresentado (em primeira instancia) como jogador do Olympiakos pelo nosso "dono" (filho de Marinakis), nas suas redes sociais envergando um cachecol do Olympiakos (para onde caminhas Rio Ave?). Para além disso, o jogador já falou na zona dos media do jogo de Ajax VS Olympiakos. Como é que há gente que pode achar esta gestão normal? O Rio Ave não oficializou a sua saída e o mesmo já aparece a falar para as camaras como jogador do Olympiakos na Holanda (partiu do aeroporto Sá Carneiro as 10h da manhã de ontem)? 




Passemos ao que interessa...

O Rio Ave encaixa milhões de euros (valores não são tornados públicos - uma pratica comum no nosso clube), naquela que passa a ser possivelmente a maior venda da história do clube. Um valor que, à primeira vista, merece aplauso e destaque. Mas que, olhando com mais atenção, levanta também várias interrogações difíceis de ignorar.

O extremo brasileiro tinha chegado a Vila do Conde há pouco mais de um ano, proveniente do Estrela da Amadora, numa operação que envolveu 2,2 milhões de euros e ainda a cedência de Fábio Ronaldo, Amine e Pantalon. Um investimento significativo, é certo, mas que se revelou rapidamente acertado dentro de campo. André Luiz tornou-se uma das principais — senão a principal — referência ofensiva da equipa.

A venda por estes valores representa, em termos financeiros, um salto histórico para o Rio Ave. No entanto, é impossível não olhar para este negócio e questionar: teria esta transferência acontecido por estes valores se o destino não fosse um clube do mesmo grupo?

A resposta penso que seja simples.
As únicas vendas verdadeiramente relevantes desde a entrada do Grupo Marinakis foram Costinha e André Luiz. Curiosamente — ou talvez não — ambos para o Olympiakos. 

Esta transferência vem, assim, reforçar uma perceção cada vez mais enraizada entre os adeptos:
os melhores jogadores do Rio Ave não ficam. Quando alguém se afirma como uma real mais-valia, o destino parece traçado. Ou segue para outro clube do grupo — Olympiakos ou Nottingham Forest — ou acaba vendido, quase sempre numa lógica que beneficia prioritariamente a estrutura global e não necessariamente o projeto desportivo em Vila do Conde.

O problema não está na venda em si. Vender bem faz parte da realidade de clubes como o Rio Ave. O problema está na sensação de que o clube deixou de ser o fim da linha e passou a ser apenas uma estação intermédia. Um local de valorização, não de consolidação. Um clube onde se descobre talento, mas onde esse talento raramente tem tempo para criar identidade, liderança ou continuidade.

Financeiramente, os milhões que entram são um marco histórico. Desportivamente, a saída de André Luiz é um rombo evidente. E estrategicamente, a operação deixa uma pergunta no ar que continua sem resposta clara:
qual é, afinal, o verdadeiro projeto do Rio Ave dentro deste grupo?

27.1.26

Casos no plantel que era importante resolver

Faltam poucos dias para fechar o mercado e há assuntos pendentes.

O lado esquerdo da defesa parece-me um deles. Omar está a regressar, Vroussai tem sido opção e há ainda Nikos. Gente a mais?

Zoabi precisa de sair para jogar. Precisa de mostrar o seu (eventual) valor e nós precisamos de ver esse valor. Não é que, com uma lesão, não possa ser opção no que resta do campeonato. A questão é que, até hoje, nos dois anos com a camisola do Rio Ave e 17 jogos disputados, não vimos nada.

Caso diferente é Liavas. Para os adeptos é o 'patinho feio' (Το άσχημο παπάκι ou Το μαύρο πρόβατο, em grego, para evitar equívocos de quem lê). Até pode ser injusto, como de certa forma foi com Pedro Amaral, mas dificilmente Liavas encontrará 'carinho' entre os adeptos nesta época. Além disso fez 19 jogos, mas só 5 vezes foi primeira opção para Sotiris, o que diz alguma coisa.     

Há ainda os casos de Gual ou de Lobato, de que falei na semana passada

Há treinadores e… treinadores




Desde a constituição da SAD e da entrada do Grupo Marinakis na estrutura do Rio Ave, passaram pelo banco três treinadores. Três nomes.

Luís Freire foi o primeiro. Um treinador identificado com o clube, com conhecimento da casa e que apanhou um Rio Ave em clara reconstrução. A sua média de 1,1 pontos por jogo no campeonato não foi brilhante. Foi despedido. A mensagem foi clara: não havia paciência nem margem para processos.

Seguiu-se Petit. Um perfil diferente, mais experiente, com um discurso mais alinhado com a ideia de “estabilidade” e “competitividade”. A sua média subiu ligeiramente para 1,20 pontos por jogo, a melhor das três. Não chegou para encantar, mas chegou para cumprir. Mesmo assim, a SAD optou por não renovar contrato. Não foi despedido, é certo, mas também não foi suficientemente bom para merecer continuidade. Mais uma vez, a régua pareceu curta.

Chegamos então a Sotiris. O actual treinador apresenta, até ao momento, uma média de 1,05 pontos por jogo, a mais baixa dos três. Em termos puramente numéricos, é impossível não notar que os resultados são inferiores aos dos seus antecessores. E, no entanto, o cenário é completamente diferente. Não há ruído, não há pressão pública, não há sequer um debate sério sobre o seu futuro.


Luís Freire foi despedido com 1,1 pontos por jogo.
Petit saiu com 1,20.
Sotiris mantém-se com 1,05.

Se a lógica fosse apenas desportiva, a história já teria conhecido outro capítulo. Mas não é. Nunca foi.

Porque Sotiris não é apenas mais um treinador do Rio Ave. Sotiris é “da casa” do Grupo. É um nome alinhado, um projeto interno, um treinador que encaixa numa lógica muito própria de gestão. E isso faz toda a diferença. Não pelos resultados, não pelo futebol jogado, mas pelo estatuto que lhe foi atribuído à partida.

A sensação que fica é simples e desconfortável: na Rio Ave da SAD, os treinadores não são avaliados todos da mesma forma. Uns têm de ganhar para sobreviver. Outros sobrevivem enquanto ganham tempo.

E a conclusão impõe-se quase sozinha, por mais incómoda que seja: não fosse Sotiris quem é — um menino querido do “pai” Marinakis — e, muito provavelmente, já estaria fora do clube.

No Rio Ave actual, os pontos contam. Mas as ligações contam mais.

26.1.26

4º pedido de desculpas: um caso único no mundo?

Sotiris já pediu pelo menos * 4 vezes desculpas, após jogos do Rio Ave (ver a lista em baixo). 

Haverá outro caso no mundo? 

Os portugueses dizem: 'Na primeira quem quer cai; na segunda cai quem quer; na terceira cai quem é parvo/tolo". Já não há adágio para uma quarta vez...

Mas, para além do lado anedótico, há a questão séria para o nosso Clube: quatro pedidos de desculpas canibalizam-se uns aos outros e esvaziam o peso/responsabilidade do ato. Banalizou-os e já ninguém o leva a sério. Incluindo os jogadores?

Isto só é possível porque, como escrevi ontem, Sotiris, tendo linha direta para Mariankis, está aqui a fazer uma espécie estágio de aprendizagem. Por muitos erros que cometa, parece que nada lhe vai acontecer. Qualquer outro treinador, no seu lugar, já teria dado lugar a um treinador a sério. Qualquer outro treinador que se visse obrigado a pedir 4 vezes desculpa, já teria dado lugar a outro. Por sua iniciativa.

Sotiris vai ficar na memória dos Rioavistas nos próximos anos, mas não por boa razões. 

 


A lista (*conto quatro vezes, correspondente a quatro jogos, porque, em mais do que um caso, Sotiris pediu desculpas na flash e na conferência de imprensa): 

- Após a derrota frente ao Sintrense, da quarta divisão, o treinador pediu desculpas. 

- 10 dias depois, após a humilhante derrota e nula exibição de ontem, frente ao Estoril: "Compreendo totalmente os adeptos. Foi justo que estivessem descontentes, porque o jogo não foi bom e o resultado foi pesado. Sinto essa responsabilidade e peço desculpa. Mas acredito que temos de manter a união, dentro e fora do balneário. Só juntos conseguimos ultrapassar momentos difíceis". 

5j Moreirense, 3- Rio Ave, 1 13 setembro: "Sofremos um golo no primeiro minuto. Não há desculpa para isso. (...) não tivemos o compromisso suficiente para nos mantermos focados para recuperar a desvantagem.Temos de nos 'olhar ao espelho' e assumir as responsabilidades por esta derrota, a começar por mim".

Nacional, 4 - Rio Ave, 0 «Temos de pedir desculpa aos nossos adeptos»

 

Sub-19 começam fase de apuramento do campeão com vitória frente ao Gil.

 


Os sub-19 começaram da melhor fase a fase de apuramento do campeão ao receberem e vencerem o Gil Vicente por 2-1.

A nossa equipa, no final da primeira parte chegou à vantagem fruto do golo de Matheo Chaigne.

Aos 73 o Gil iria igual o marcador graças a uma grande penalidade mas já perto do fim, aos 87 minutos, Luís Rasgado marcou o segundo do Rio Ave permitindo que os três pontos ficassem em Vila do Conde.

Com esta vitória, o Rio Ave segue começa esta fase em 2º lugar, com os mesmos pontos que o primeiro classificado (Leiria) que venceu o Famalicão por 0-3.



Vida dificil para as Séniores Femininas: nova derrota para o campeonato

 


A equipa sénior feminina deslocou-se este fim de semana à Madeira para defrontar o Marítimo e saiu derrotada por 1-2.

A equipa Madeirense entrou melhor na partida com um golo madrugador (21min) sendo que a equipa do Rio Ave empatou logo a seguir por Sydney Shepherd (aos 25min).

No entanto a equipa do Marítimo ia chegar à vitória à passagem do minuto 73 via grande penalidade.

Com este resultado, o Rio Ave mantém-se no penúltimo lugar, com os mesmos pontos que o último classificado.




25.1.26

(Nacional, 4- Rio Ave, 0) A diferença entre ter no banco um teinador a sério e um estagiário

Mais uma derrota, mais um jogo em que o Rio Ave esteve apático e mais um jogo em que Sotiris pediu desculpas no final [atenção: estou a escrever logo após os 90m, sem saber se isso aconteceu ou não; ATUAL: «Temos de pedir desculpa aos nossos adeptos»].

É verdade que tudo correu bem ao Nacional, mas isso não explica tudo, num jogo em que entrámos a perder: sem Mizsta (lesionado?), Vacas tem de ser muito fraco para ser suplente de Chamorro!

Na primeira parte, ainda que sem entusiasmo e sem empenho, podíamos ter marcado. Na segunda, logo após os madeirenses terem feito o 2-0 no recomeço, o jogo acabou para nós.

No banco, Sotiris continua a comportar-se como um estagiário que está a fazer 360 horas de formação. Por muitos erros que cometa, nada lhe vai acontecer. Apenas os resultados no final da época serão a sua avaliação. Mas, qualquer outro treinador, no seu lugar, já teria dado lugar a um treinador a sério.

Sotiris é responsável pelas escolhas (Liavas, por exemplo, não tem condições para jogar na primeira liga portuguesa; Spikic nada acrescenta: Bezerra ou Medina não fariam melhor?)

Nota final para um jogador que já aqui recebeu vários elogios mas que hoje voltou a comprometer: Brabec não ganha uma bola de cabeça e essa incapacidade deu mais um golo ao adversário (pelas minhas contas, é o terceiro esta época). Ter um central assim é muito arriscado.

A continuar assim, vai ser uma segunda volta muito difícil.


 

O Rio Ave que já não reconhecemos

 


É constrangedor ver esta equipa a jogar.
Constrangedor porque não se trata apenas de perder jogos ou de atravessar uma fase menos boa. Trata-se, acima de tudo, da forma. Da ausência de alma. Da sensação constante de que grande parte dos jogadores está em campo apenas porque tem de lá estar.
O que se vê é uma equipa apática, sem intensidade, sem chama. Um conjunto de jogadores que, na sua maioria, parecem estar em fim de carreira, resignados ao último contrato, ou então contrariados por terem sido “colocados” no Rio Ave como quem aceita um mal menor. Falta compromisso. Falta ambição. Falta vontade de honrar o símbolo que carregam ao peito.
Perdeu-se aquilo que sempre nos caracterizou. O espírito combativo, incómodo para os adversários, a equipa que nunca dava um jogo como perdido, que lutava cada bola como se fosse a última. Hoje, o Rio Ave não incomoda. Hoje, o Rio Ave aceita. Hoje, o Rio Ave conforma-se.
Transformámo-nos numa incubadora de jogadores que em tempos foram promessas. Jogadores reciclados dos “outros dois clubes”, restos de projetos falhados, nomes que chegam com currículo mas sem fome. E o resultado está à vista: um coletivo sem identidade, sem ligação aos adeptos e sem qualquer traço distintivo.
Não me revejo nisto.
Não me revejo nesta apatia institucionalizada, nesta normalização da mediocridade, nesta ideia de que “é o que há”.
E há mais uma verdade: fosse outro treinador que aqui estivesse, e já estaria fora do clube.

23.1.26

Construir sem fundações: Falta visão para lá do imediato




Quem acompanha a minha escrita sabe que nutro um gosto especial pela modalidade de futsal. Não é um interesse recente, nem circunstancial. Apesar de não conseguir marcar presença em todos os jogos, acompanho a equipa com regularidade há várias temporadas, com atenção, envolvimento e, acima de tudo, preocupação.

Fui um dos sócios que, em assembleia geral, fez questão de lembrar uma antiga direção de que o futsal não poderia simplesmente ser eliminado sem que os sócios se pronunciassem. Acompanhei a modalidade em todos os seus ciclos: desde o terceiro lugar na Primeira Divisão, passando pelas épocas mais duras que nos empurraram até à Terceira Divisão, até às temporadas mais recentes que culminaram no regresso ao escalão máximo.

É precisamente por este percurso — vivido de perto — que acompanho o futsal do Rio Ave com especial cuidado. E apesar de reconhecer que, no plano estritamente desportivo, a equipa sénior atravessa atualmente uma fase muito positiva, não consigo olhar com total tranquilidade para o caminho que está a ser trilhado pela atual direção.

No início da temporada, aquando da apresentação do orçamento em assembleia geral — cerca de 600 mil euros — escrevi que, com esse nível de investimento, seria expectável que o Rio Ave lutasse por um lugar no Top-8 do campeonato. A realidade veio confirmar essa análise e tudo indica que esse objetivo está perfeitamente ao alcance.

Assistimos a uma grande reformulação do plantel no início da época, algo perfeitamente normal após uma subida de divisão. Agora, nesta reabertura de mercado, voltamos a ver a direção apostar em reforços de qualidade, elevando ainda mais o nível competitivo da equipa sénior. Nada contra esse investimento. Pelo contrário: é positivo ver uma equipa ambiciosa e capaz de competir.

Ainda assim, não posso deixar de notar que este esforço financeiro parece assente, em grande parte, em receitas extraordinárias. E isso levanta uma questão inevitável: o que acontece se, por qualquer motivo, essas receitas deixarem de existir?

O problema maior, contudo, não está na equipa sénior. Está na falta de visão estrutural. A aposta é claramente de curto prazo e praticamente exclusiva na equipa principal. As camadas jovens continuam sem um projeto consistente, sem planeamento e sem uma estratégia que permita, a médio prazo, alimentar o plantel sénior com talento formado em casa.

Hoje, o clube vive essencialmente do que a comunidade vilacondense — leia-se, os pais — consegue oferecer. Não existe um plano que permita, daqui a alguns anos, termos um plantel sénior complementado, pelo menos em parte, por jogadores formados no clube.

Olhando para o quadro competitivo da formação, o cenário é, sem rodeios, pouco digno da dimensão do Rio Ave FC. Ao contrário do que acontece com uma das maiores referências formativas da cidade — o Caxinas — nenhuma das nossas equipas compete em campeonatos nacionais. Opta-se por manter equipas nos campeonatos distritais, chegando ao ponto de uma delas disputar a segunda distrital.

Já escrevi sobre este tema no passado e, honestamente, tinha esperança de que ao longo dos três anos deste mandato a situação fosse sendo corrigida. Até agora, isso não aconteceu. A opção tem sido pelo caminho mais fácil: investir dinheiro na equipa sénior, garantindo competitividade imediata, sem enfrentar o trabalho mais duro, exigente e demorado que é reorganizar e valorizar a formação.

Esse trabalho é, sem dúvida, mais complexo. Mas não tenho dúvidas de que os frutos colhidos seriam mais sólidos, mais sustentáveis e mais duradouros.

O Rio Ave tem história, dimensão e responsabilidade para fazer melhor. O presente é animador. Mas o futuro constrói-se com bases — e essas continuam, infelizmente, por lançar.

21.1.26

Faz hoje um ano que a Rio Ave SAD contratou Naziru na distrital: que é feito do nigeriano?




Faz hoje exatamente um ano que o Rio Ave contratou Naziru, então com apenas 20 anos, proveniente do AR São Martinho, uma equipa distrital. Na altura, a notícia gerou bastante burburinho no meio futebolístico — não é todos os dias que um clube da Primeira Liga vai buscar um avançado a um campeonato distrital.

O contexto ajudava a alimentar a curiosidade. O jovem nigeriano tinha passado pela formação do Paços de Ferreira, onde apontou 17 golos, seguindo-se depois a mudança para o AR São Martinho. Na sua época de estreia ao serviço desse clube, somava 12 golos em 18 jogos quando o Rio Ave decidiu avançar para a sua contratação.

Tudo indicava que se tratava de uma aposta com algum critério, pelo menos do ponto de vista do potencial identificado. A narrativa construída foi clara: um jovem avançado com margem de progressão e que era acompanhado nas camadas jovens do Rio Ave.


No entanto, desde o momento em que assinou pela Rio Ave SAD, Naziru praticamente desapareceu.

Na temporada passada realizou apenas cinco jogos pelos sub-23. A sua estreia pela equipa principal aconteceu de forma quase simbólica: entrou aos 92 minutos frente ao Moreirense. Nesse momento, escreveu-se bastante sobre o jogador. O clube fez questão de promover a história, a imprensa acompanhou e Petit falou em conferência de imprensa sobre a carreira promissora do jovem.

A verdade é que, após esse minuto de utilização na equipa principal, Naziru não voltou a jogar até ao final da época — nem pela equipa sénior, nem sequer pelos sub-23.

Esta temporada, o cenário não melhorou. O jogador nunca integrou o plantel principal e soma apenas oito jogos pelos sub-23, sendo titular em apenas dois. No jogo de ontem, nem sequer fez parte do banco de suplentes.

Perante estes números, torna-se difícil compreender e justificar esta contratação. Se o jogador tem, de facto, o potencial que o clube fez questão de anunciar, porque não joga? Porque não é aposta regular, nem sequer num contexto de desenvolvimento como os sub-23?

E se não tem esse potencial, então impõe-se outra questão inevitável: terá sido um erro de casting?

Um ano depois, o balanço é inevitavelmente negativo. Não pela falta de qualidade comprovada — porque simplesmente nunca houve espaço para a demonstrar — mas pela ausência total de um plano claro para o jogador. Num clube que tantas vezes fala em valorização de ativos e aposta no talento jovem, o caso Naziru levanta mais dúvidas do que respostas.


E, neste momento, a maior delas continua por responder: por onde passa o futuro de Naziru?

20.1.26

Plantel excessivo

Sotiris já usou 28 jogadores até ao momento, ou seja, todos menos o guarda-redes Vacas e o extremo Lobato.

Uma das consequências deste plantel tão vasto é que nenhum jogador dos sub23 teve oportunidade de se mostrar.

Um plantel assim tão grande apenas para uma competição é certamente um problema. E, por isso, dois jogadores já regressaram aos locais de origem dos empréstimos (Bakoulas e Éric). Veio Bezerra e ficam 29. Mesmo assim muita gente (11 no campo, 8 no banco, 10 não têm oportunidade, incluindo os eventuais lesionados).

Por tudo isto acredito que mais alguns vão sair (já aqui falei de Lobato, 'tapado' por Spikic, Medina e agora Bezerra - falta saber se André Luiz sempre sai e, saindo, se vem alguém para o seu lugar). 

Tem-se falado em Gual e faz sentido. Parece o caso típico de um jogador que não se adaptou. Lomboto também deixou de ser opção. Omar parece estar de regresso à competição, pelo que Nikos deve passar para o banco. Zoabi é outro caso a quem faria bem sair para mostrar o seu valor, até porque Sawané, dos sub23, pede uma oportunidade.

Aguardemos. Mas a resolução do caso-Hélder Sá foi uma boa medida e um bom indicador. A situação era má para o jogador e para o Clube. Ainda falta o marroquino Rehmi, que aos 23 anos não se pode dar ao luxo de apenas treinar. 


 

18.1.26

(0-2 com o Benfica) Fácil de explicar

O Benfica não só fez uma primeira parte arrasadora como terá feito um dos melhores jogos (45 minutos) neste seu campeonato. O Rio Ave nem respirou. O resultado ao intervalo era de 0-2, mas - honestamente - podiam ter sido mais. Ainda assim, custa sofrer um golo tão absurdo como aquele que Ndoi marcou para os da Luz.

No segundo tempo o Benfica descansou, a pensar no jogo europeu (decisivo para eles), e nós fomos crescendo. Podíamos ter marcado.

Mas a derrota é completamente justa, perante uma equipa muito mais forte (na primeira volta também o era) que jogou muito bem (o que não aconteceu na primeira, daí o empate).

Abbey foi o melhor em campo.


 

16.1.26

Francisco Silva: há vida depois de Rúben Góis



Ninguém coloca em causa a enorme importância de Rúben Góis na equipa de futsal do Rio Ave. Afinal, falamos do quarto melhor marcador do campeonato, responsável por cerca de 25% dos golos da equipa na competição. Os números falam por si e explicam por que motivo têm surgido, com insistência, notícias que dão como praticamente certa a sua saída para o Benfica no final da temporada.



Perder um jogador desta dimensão nunca é positivo. Góis tem sido uma referência ofensiva clara e um elemento decisivo em muitos momentos da época. Ainda assim, olhando para dentro do plantel, há um nome que me desperta especial atenção e que pode, de alguma forma, ajudar a mitigar o impacto de uma eventual saída: Francisco Silva.




O jovem pivô português, de apenas 21 anos, começou a temporada condicionado por uma lesão que o afastou da competição durante um período longo. Depois de ter participado apenas nas duas primeiras jornadas do campeonato, esteve exatamente uma volta inteira sem jogar, regressando apenas na 13.ª jornada. Um regresso que coincidiu, curiosamente, com o jogo frente ao Benfica.

Desde então, Francisco Silva tem deixado sinais muito interessantes. Tem características físicas importantes para a posição, é alto, forte, tecnicamente evoluído e mostra uma maturidade competitiva surpreendente para a idade. Mais do que isso, tem revelado pormenores que me fazem acreditar que poderá não só ser uma alternativa válida a Rúben Góis, como também revezar com ele ainda esta temporada, sem que a equipa perca grande capacidade ofensiva.

Não se trata de dizer que é um substituto direto ou imediato — isso seria injusto para ambos —, mas sim de reconhecer que o Rio Ave pode ter, dentro de casa, um ativo com enorme margem de progressão e potencial para assumir responsabilidades maiores no futuro.

Confesso que gosto muito do que vejo em Francisco Silva. E acredito sinceramente que, se o seu crescimento continuar neste ritmo, o futuro poderá ser risonho — para o jogador e para o Rio Ave.

15.1.26

Lobato, nem para ser titular nos sub23 dá?

Rafael Lobato é jogador da equipa principal, mas não teve um minuto em campo.

No penúltimo jogo dos sub23 foi titular e nos 4-0 em Alvalade esteve no banco.

Parecia que a sua estreia poderia estar mais próxima.

Mas não, no jogo de hoje dos sub23 (derrota com o Farense) foi suplente utilizado (de livre direto, mandou aos ferros).

É caso para perguntar se nem dá para ser titular na equipa de sub23, quando jogará?

Mais: não só há outro extremo a rivalizar, Medina (hoje jogou a titular) como chegou Bezerra.

Posso estar a ver mal, mas assim o jogador está 'a andar para trás'; emprestem-no para ele se mostrar e ganhar confiança. 


 

14.1.26

O preço invisível dos despedimentos




A decisão de avançar com uma vaga alargada de despedimentos no Rio Ave não teve apenas impacto interno. Os reflexos começam agora a ser visíveis para fora — e de forma muito clara — naquilo que é hoje a comunicação do clube.

Nos últimos tempos, a presença do Rio Ave nos seus próprios canais tornou-se ainda mais pobre, mais curta e, sobretudo, mais distante dos sócios e adeptos. A comunicação resume-se, quase exclusivamente, a textos no site oficial com breves resumos de algumas performances desportivas, sem contexto, sem detalhe e sem acompanhamento contínuo.

O exemplo mais evidente está na página Mais Rio Ave, que durante anos foi um verdadeiro ponto de encontro para quem acompanha o clube para lá da equipa principal. Ali era possível ver fotografias de jogo das camadas jovens, acompanhar resultados em tempo real através das stories, saber quem marcava os golos, perceber o desenrolar dos encontros e sentir que, mesmo à distância, o clube estava vivo.

Hoje, essa ligação praticamente desapareceu.

Em vez disso, o que vemos é, na maioria dos casos, uma única fotografia — muitas vezes nem sequer do jogo em questão — acompanhada apenas do resultado final. Sem golos, sem contexto, sem narrativa. Uma comunicação fria, minimalista e claramente empobrecida.

É impossível dissociar esta realidade das decisões tomadas recentemente. Quando se cortam estruturas, quando se eliminam departamentos e quando se prescinde de pessoas que conheciam o clube, o seu dia-a-dia e a sua identidade, o resultado acaba inevitavelmente por se refletir na forma como o Rio Ave comunica.

A comunicação não é um luxo. Não é um extra. É uma ponte entre o clube e os seus sócios, entre os atletas e quem os apoia, entre o que se faz diariamente e quem quer acompanhar esse trabalho. Ao empobrecer essa ponte, o clube afasta-se ainda mais da sua base.

Num momento em que tanto se fala de identidade, proximidade e ligação à comunidade, o que vemos é precisamente o contrário: menos informação, menos transparência e menos presença.

13.1.26

Feminino fecha primeira volta da Liga BPI em zona de risco




Terminou este fim de semana a primeira volta do Campeonato Nacional da Primeira Divisão Feminina, com o Rio Ave a sair derrotado de Lisboa frente ao Benfica, por 2-0. Um desfecho esperado, perante um dos principais candidatos ao título, mas que não altera o cenário delicado da nossa equipa.

Feitas as contas às primeiras nove jornadas, o Rio Ave encontra-se atualmente em penúltimo lugar, em igualdade pontual com o Damaiense, último classificado. Em nove jogos disputados, a equipa soma uma vitória, três empates e cinco derrotas.

O triunfo alcançado frente ao Torreense — atual terceiro classificado do campeonato — continua a ser o grande destaque desta primeira volta. Um dos empates foi precisamente frente ao Damaiense, adversário direto na luta pela manutenção.

Convém recordar o enquadramento competitivo: o último classificado desce diretamente à Segunda Divisão, enquanto o penúltimo e o antepenúltimo terão de disputar um play-off de manutenção frente ao segundo e terceiro classificados da Segunda Divisão, para decidir quem permanece na elite do futebol feminino nacional.



12.1.26

Sub-19 fecham 1.ª Fase com vitória e garantem apuramento para a fase de Campeão




A equipa de Sub-19 do Rio Ave terminou da melhor forma a fase regular do campeonato, ao vencer o Famalicão na última jornada. Este triunfo permitiu-nos fechar a 1.ª fase no 3.º lugar da classificação, assegurando com mérito o apuramento para a fase de apuramento do campeão.

Nesta fase, esteve em destaque Miguel Patrício, que apesar de ter visto a sua utilização na equipa de Sub-19 reduzida — fruto das chamadas frequentes aos Sub-23 desde o início de dezembro — terminou esta fase como o quarto melhor marcador, com um total de oito golos. 

Segue-se agora a fase mais exigente do campeonato, onde o Rio Ave medirá forças com as melhores equipas nacionais.



Sub-17 mantêm vivo o sonho do apuramento: tudo decidido na última jornada da fase regular






A equipa de sub-17 do Rio Ave venceu, este fim de semana, o Beira-Mar por 3-0 e manteve acesa a esperança de ainda alcançar a fase de apuramento de campeão. Um triunfo convincente que, aliado à derrota do Leixões frente ao SC Braga, permite-nos chegar à última jornada ainda com possibilidades matemáticas de evitar a fase de manutenção.

Com esta vitória, os sub-17 do Rio Ave igualaram o Leixões no número de pontos. No entanto, partimos em desvantagem no confronto direto, o que obriga a fazer obrigatoriamente um melhor resultado do que o Leixões na última jornada para garantir o apuramento para a fase de campeão.

Ou seja, não basta vencer: será necessário acompanhar atentamente o que vai fazer o Leixões e esperar por um deslize que permita ao Rio Ave ultrapassar o Leixões na tabela classificativa.

Na derradeira jornada desta fase, o Rio Ave vai medir forças com o Feirense, atual 8.º classificado, enquanto o Leixões terá pela frente o Beira-Mar, que ocupa o 9.º lugar. 



5 derrota seguida... a 9ª nos últimos 10 jogos.




A equipa de Sub-15 do Rio Ave recebeu o Braga e acabou derrotada por 0-4, num resultado que espelha as dificuldades que o Rio Ave (sub-15) tem atravessado nesta fase da temporada.

A uma jornada do final da primeira fase, já sabemos que vamos terminar na antepenúltima posição da tabela classificativa, o que significa que, na próxima fase, iremos disputar a manutenção no Campeonato Nacional.

Este desaire agrava o momento menos positivo da equipa, que soma agora cinco derrotas consecutivas no campeonato. Nos últimos dez jogos realizados, o saldo é de nove derrotas e apenas uma vitória.




9.1.26

Três clubes, um dono: Pela primeira vez uma mesa redonda Olympiacos–Nottingham Forest–Rio Ave

(há legendas em português, basta selecionar nas definições)
Para ver no youtube, clicar aqui

Um programa onde se falou de como (não) funciona o multiclube e se concluiu, a três, que falta uma estratégia de liderança e de gestão. Pelos vistos, o mais aproximado que temos de um multiclube é ... este podcast, porque, de resto, as queixas surgem dos três lados.

Sem a venda de André Luiz, virão reforços?

Não se fala de outra coisa. E percebe-se porquê. André Luiz (AL) veio para Vila do Conde em saldos, quando comparado com o que vale agora, um ano depois [mérito de quem o 'descobriu' no Amadora, deixando para trás as equipas com grandes departamentos de scouting, em Portugal e no estrangeiro].

Mas a venda de AL tem mais do que se lhe diga.

Desde logo, o braço de ferro entre Olympiakos e Lina Souloukou, como já aqui foi descrito, que pode levar o jogador para Atenas e não para a Luz. Se não sair agora (como ainda parece provável), sairá em junho. 

Uma coisa é certa e disso Lina não abdica: tem de entrar dinheiro: para pagar algumas despesas que a SAD está a fazer e para evitar mais uma época de resultados negativos, ajudando a equilibrar as contas.

Se AL não sair agora, a vinda de reforços poderá estar comprometida (a não ser que se tratem de empréstimos, como tem sido referido).

Com 20 pontos, o Rio Ave não está a fazer um campeonato negativo, mas certamente abaixo do que a folha salarial exige [aqui temos outra tabela, apenas ligeiramente diferente, que nos dá o valor de mercado do plantel]. Com mais 6 ou 9 pontos seria legítimo pensar que a manutenção estaria 'garantida'.

Mesmo sem a saída de AL, precisamos de um extremo. E existe uma lacuna no meio campo, nomeadamente na posição que Ndoi hoje ocupa. Faz falta alguém com mais capacidade de criar e ajudar o ataque, até porque só existem dois médios. Pohlmann poderia ser adaptado?

Em paralelo, existe um outro problema: excesso de jogadores na equipa principal, alguns dos quais raramente aparecem nas convocatórias.

Em suma, se AL sair acredito que haja mudanças; sem a sua venda, serão apenas empréstimos?
 

O melhor da primeira volta: unanimidade entre os colaboradores do Reis do Ave

 



Chegado o final da primeira volta do campeonato, os três colaboradores do Reis do Ave partilham quem foi, na sua opinião, o melhor jogador do Rio Ave nesta metade inicial da época.
 
O resultado foi claro: André Luiz reuniu unanimidade.

Apesar de percursos de análise diferentes e de expectativas iniciais distintas, todos nós convergimos na mesma conclusão: o extremo brasileiro foi a principal figura do Rio Ave nesta primeira volta.

Daniel Silva: o agitador ofensivo

"André Luiz destaca-se sobretudo pela sua capacidade de desequilibrar: apesar de ter bastantes dificuldades técnicas, usa e abusa da sua velocidade para desequilibrar as equipas adversárias.
Reconheço que Clayton ou até Miszta poderiam ser escolhas válidas, mas sublinho um ponto essencial: André Luiz é o único verdadeiro agitador ofensivo da equipa. A dependência coletiva do seu rendimento é evidente, sobretudo na criação de desequilíbrios no último terço.
Com 7 golos e 5 assistências em 17 jogos, números muito relevantes para um extremo num clube como o Rio Ave acho que vamos sentir a sua falta."

Gualter Macedo: evolução notável

"Assumo sem rodeios que a opinião sobre André Luiz mudou radicalmente ao longo da época: No início da época cheguei a dizer que ele era muito trapalhão. Mas dou o braço a torcer.
A grande evolução do brasileiro está na capacidade de decidir jogos, não apenas com assistências, mas também com golos. Esse crescimento torna-o um jogador muito mais completo e influente. A dupla com Clayton dá-se muito bem e, se querem que vos diga, não sei quem ganha mais: se André Luiz por ter Clayton, se o contrário."

João Paulo Meneses: um achado do scouting

"Quando ele veio do Estrela da Amadora fiquei com muitas dúvidas se tinha sido um bom negócio. Uma segunda volta irregular na época passada não ajudou a dissipar essas reservas, embora já se notasse que 'havia qualquer coisa'. No entanto, esta primeira volta dissipou todas as incertezas: foi espantosa. Parabéns ao scouting que viu o que mais ninguém viu; por 2 ou 3 milhões (metade do que se pagou na realidade) seria sempre em hiper-mega saldos...."

8.1.26

Como estamos face à época passada? Como foi a primeira metade desta temporada e a do ano passado?





Com o jogo deste fim de semana frente ao Casa Pia, o Rio Ave FC chegou ao fim da primeira volta do campeonato, um momento oportuno para fazer um balanço da época em curso e compará-la com a temporada passada.

Em termos pontuais, não há diferentes. Há 17ª o ano passado, também tínhamos 20 pontos.

Na época anterior, à 17.ª jornada, o Rio Ave somava 5 vitórias, 5 empates e 7 derrotas, num total de 20 pontos. Tínhamos 18 golos marcados e 28 sofridos.

Esta temporada, os números mostram um perfil diferente.
O Rio Ave contabiliza 4 vitórias, 8 empates e 5 derrotas, o que perfaz 20 pontos, exatamente os mesmos da época passada. No plano dos golos, a equipa apresenta uma ligeira melhoria ofensiva, com 22 golos marcados, mas também sofreu 29 golos, mais um do que na época anterior.

A grande diferença entre as duas épocas está no número de empates. Se no ano passado o Rio Ave dividia mais vezes entre vitórias e derrotas, esta temporada a equipa tem demonstrado uma clara tendência para empatar, o que ajuda a explicar porque, apesar de menos derrotas, não conseguiu transformar isso numa subida significativa de pontos.

Outro dado que merece especial atenção é o rendimento em casa. Na época passada, o Estádio dos Arcos era uma verdadeira fortaleza. Nos primeiros oito jogos disputados em casa, o Rio Ave somou 4 vitórias e 4 empates, mantendo-se invicto perante os seus adeptos.

Este ano, o cenário é bem diferente. Em oito jogos nos Arcos, a equipa soma apenas 2 vitórias, 3 empates e 3 derrotas, um registo claramente abaixo do esperado e que ajuda a explicar a frustração crescente dos adeptos. A perda de força em casa representa um dos principais retrocessos em relação à época passada, sobretudo num clube que historicamente construiu grande parte dos seus objetivos com base no rendimento caseiro.

Em resumo, apesar de apresentar mais golos marcados e menos derrotas, o Rio Ave termina a primeira volta com os mesmos pontos da época anterior.

7.1.26

O mesmo dono, dois clubes, dois caminhos: O que se fez no Nottingham e não se fez no Rio Ave



Esta semana, o Nottingham Forest comunicou de forma clara e objetiva aos seus associados que deu entrada nos pedidos de licenciamento para a requalificação do City Ground. Foram tornados públicos também  alguma informação como plantas, imagens 2D e 3D, e explicações sobre o projeto.

Nada de vago, nada de “confia que depois logo se vê”. Houve compromisso, transparência e respeito por quem vive o clube.

O contraste com o que aconteceu no Rio Ave é inevitável.

Nos Arcos, foi apresentado um chamado Masterplan em assembleia, mas com pouquíssimo detalhe, sem imagens públicas, sem explicações técnicas acessíveis e sem qualquer esforço sério de comunicação posterior. Para a maioria dos sócios e adeptos, o projeto continua a ser uma ideia abstrata, envolta em promessas, mas pobre em informação concreta.

A diferença não está apenas na dimensão dos clubes ou no contexto financeiro. Está na forma como cada um encara os seus associados.

O Nottingham Forest entendeu que um projeto estrutural, que altera a casa do clube e o seu futuro, deve ser:
  • explicado
  • ilustrado
  • e assumido publicamente.

Ao tornar públicas algumas plantas e imagens do projeto, o Forest assume um compromisso: mostra o que quer fazer, como quer fazer e permite que os seus associados saibam exatamente o que está em cima da mesa.

No Rio Ave, pelo contrário, optou-se pelo caminho oposto. O projeto existe, as obras avançam, mas os sócios continuam a olhar para estruturas metálicas sem saber ao certo o que ali nascerá, como será o resultado final ou que impacto terá no clube e na experiência dos adeptos.

E quando a informação não é partilhada, o espaço é ocupado por especulação, rumores e desconfiança. Não por maldade, mas por ausência de esclarecimento.

Importa sublinhar: a crítica não é ao projeto. Qualquer investimento em infraestruturas é, à partida, positivo. A crítica é à forma como tudo é feito à porta fechada, sem uma comunicação clara, contínua e respeitosa para com os sócios.

O Nottingham Forest mostrou que é possível fazer diferente. Que é possível informar, envolver e assumir publicamente as decisões estruturais do clube.

Fica a pergunta inevitável:
porque é que no Rio Ave isso continua a ser tão difícil?


Em anexo algumas das imagens e plantas tornadas publicas







6.1.26

Inscrição na Liga - tudo bem!

Dezembro de 2025 foi um mês para esquecer. Até a Liga anunciou que a Rio Ave SAD  "foi notificada para, igualmente no prazo de 15 dias, complementar a informação já apresentada, relativamente a obrigações contributivas e tributárias".

Agora a mesma Liga vem anunciar que todas as Sociedades Desportivas "cumpriram a obrigação de demonstrar a inexistência de dívidas salariais referentes aos meses de setembro, outubro e novembro, assim como demonstraram o cumprimento das correspondentes obrigações contributivas e tributárias."  

Tudo está bem quando acaba bem. Nem podia ser de outra forma.


 

 

Sub-19 do Rio Ave Garantem Apuramento para a Fase de Campeão





A equipa de Sub-19 do Rio Ave carimbou, de forma categórica, o apuramento para a fase de campeão ao vencer o Gil Vicente por 3-0, em jogo da penúltima jornada da fase de apuramento.

Os golos foram apontados por Rodrigo Moreira, Luís Rasgado e Pedro Davide, num encontro em que o Rio Ave foi claramente superior e confirmou em campo a ambição de estar entre os melhores da competição.

Com este triunfo frente à equipa de Barcelos, o Rio Ave abriu uma vantagem de quatro pontos sobre o Braga, atual 5.º classificado. Esta diferença torna matematicamente impossível que os bracarenses alcancem o Rio Ave na 4.ª posição, último lugar que garante o acesso à fase de campeão, assegurando assim o objetivo com uma jornada de antecedência.

Na última ronda desta fase, o Rio Ave desloca-se ao terreno do Famalicão, num encontro que servirá apenas para cumprir calendário, já que a posição da equipa vilacondense está definida.


Dois novos processos judiciais movidos contra a SAD do Rio Ave: valor reclamado é superior a 100 mil euros

Já é um habitué neste blogue darmos conta da entrada de novos processos judiciais contra a Rio Ave SAD.

Caso queira consultar os processos detetados desde o início do ano passado, pode clicar aqui.


No último mês, deram entrada pelo menos mais dois processos (os que conseguimos detetar)


1. A Peris Ruiz Consulting, S.L é uma empresa que funciona sob a alçada da Leaderbrock, agência que representa jogadores de futebol.

  • Valor reclamado: 32 828,00 €




2. A Team of Future é uma empresa que também representa jogadores de futebol.

  • Valor reclamado: 68 814,91 €



Valor total reclamado nestes dois processos: 101 642 ,91 €

5.1.26

(3-1 ao Casa Pia) Eficácia quase total de Clayton Luiz

Das 4 oportunidades de golo, o Rio Ave concretizou 3. Perfeito (André Luiz, frente ao guarda-redes, falhou a outra).

O Rio Ave não fez um jogo por aí além, sobretudo na primeira parte, mas com esta eficácia é difícil perder jogos. 

Quando o adversário parecia mais perigoso, o Rio Ave marcou. A seguir eles mandam uma bola ao ferro e nós aumentamos. Quando eles fazem o 2-1 e pareciam estar motivados para chegar ao empate, Clayton Luiz acabou com o jogo.

Houve atitude e houve, sobretudo, bom rendimento por parte de alguns jogadores (Miszta, Abbey, Petrasso, Tomé, Vroussai, Aguilera, etc). Só Spikic ficou uns furos abaixo.

Estatisticamente, esta eficácia quase total não se repete muitas vezes. Por isso precisamos de jogar melhor e de entrar mais acordados no jogo. 

Boa opção a de colocar Vroussai na esquerda.