Entre o prejuízo e a ambição
Depois de ler mais atentamente o relatório, confesso que, quando vi os 19,3 milhões de euros de prejuízo, a primeira reação foi de surpresa. É um número mais pesado do que alguma vez imaginei. Um valor que, por si só assusta qualquer adepto habituado a olhar para as contas de um clube da dimensão do Rio Ave.
Mas as contas raramente contam toda a história.
Ao longo dos últimos 2 anos, habituámo-nos a falar de sobrevivência financeira, de vendas de jogadores para equilibrar tesourarias e de uma gestão condicionada pelas limitações naturais de um clube da nossa dimensão. O relatório apresentado mostra uma realidade diferente: a de uma SAD que decidiu investir forte.
Investiu no plantel. Investiu nas infraestruturas e continua a investir(?) , - de repente deixamos de ouvir falar no que se está a fazer. Quando inauguramos o novo edifício? Porque razão não foi inaugurado em Janeiro conforme anunciado na última AG?
Investiu ainda na estrutura profissional, (embora parte dessa estrutura tenha sido posteriormente reduzida em Setembro de 2025). Investiu na Academia, Investiu essencialmente no futuro!
Isso não significa no entanto, que os riscos não existam. Existem e são evidentes. O capital próprio continua negativo, o passivo aumentou e as reservas deixadas pelo Revisor Oficial de Contas merecem atenção. Ignorar estes sinais seria tão errado como ignorar o investimento realizado.
Mas também é verdade que os números mostram algo que não víamos há muito tempo em Vila do Conde: capacidade para investir sem depender imediatamente da venda de jogadores.
Os ativos intangíveis cresceram significativamente, os custos com pessoal aumentaram e as obras continuam a avançar. Tudo isto representa uma aposta financeira clara e forte, numa visão de médio e longo prazo.
Se esta estratégia será bem-sucedida, ninguém o pode garantir. O futebol está cheio de projetos ambiciosos que falharam. Mas também está cheio de clubes que cresceram porque alguém teve a coragem de investir antes de colher resultados.
Como adepto, espero que o Rio Ave faça parte deste segundo grupo.
O relatório de 2024/25 deixa uma mensagem simples: a SAD está a gastar hoje porque acredita que poderá valer mais amanhã.
Os próximos anos dirão se esta aposta foi visionária ou excessivamente otimista.
Para já, o que existe são números. E esses números mostram uma SAD que decidiu arriscar para tentar crescer.

