Um dos momentos mais interessantes da Assembleia Geral de sexta-feira surgiu quando um associado questionou o presidente da Mesa da Assembleia Geral sobre a ausência de uma renumeração dos sócios, tal como está prevista nos estatutos do Rio Ave FC.
Recorde-se que esta atualização deveria ter sido realizada em 2024, respeitando o prazo máximo de cinco anos previsto estatutariamente.
A questão foi inicialmente dirigida ao presidente da MAG, mas Alexandrina Cruz decidiu intervir. A presidente reconheceu que os estatutos não estavam a ser cumpridos, mas procurou enquadrar a situação afirmando que não seria a primeira vez que tal acontecia.
Mais do que isso, lançou um desafio aos associados, afirmando que, desde que é sócia do Rio Ave — há mais de 20 anos —, apenas teria existido uma renumeração e que, na história do clube, nunca se teria respeitado o prazo máximo de cinco anos previsto nos estatutos.
Ora, não demorou muito até que outro sócio pedisse a palavra e se dirigisse ao púlpito para corrigir publicamente a informação.
Com conhecimento detalhado da história do clube, apresentou os vários períodos em que foram realizadas renumerações dos associados desde 1981 (épocas que perdurou a renuneracão):
1981/1983
1984/1988
1989/1991
1992/1999
1999/2009
2009/2020
2020/…
A intervenção terminou com uma observação particularmente relevante: mesmo desde que Alexandrina Cruz é associada do Rio Ave, já se realizaram duas renumerações, contrariando diretamente aquilo que a presidente tinha acabado de afirmar.
É legítimo que uma presidente não conheça todos os pormenores da história do clube. Ninguém tem de saber tudo. Mas, quando se decide utilizar essa mesma história para justificar o incumprimento dos estatutos, convém ter a certeza de que aquilo que se está a afirmar corresponde à realidade.
Recomenda-se, por isso, à senhora presidente um pouco mais de conhecimento sobre a história do Rio Ave FC. E, quando decidir recorrer a essa história para justificar o incumprimento das regras, que tenha o cuidado de não ser desmentida por quem conhece melhor o percurso do nosso clube.
O mais importante:
Os estatutos existem para serem cumpridos, não para serem interpretados conforme a conveniência de quem dirige o clube.
O respeito pelos sócios também começa pelo respeito pelos estatutos.

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