20.4.26

Números que não mentem (e que incomodam)



Há um elefante na sala — e não vale a pena continuar a fingir que não o vemos.

O Rio Ave tem, nas últimas jornadas, tentado fazer aquilo que tenta fazer todas as temporadas: mexer-se, agir, procurar soluções para trazer mais gente aos Arcos. Bilhetes oferecidos nas escolas, dois convites extra por sócio… iniciativas que, no papel, parecem apontar no sentido certo.

Mas depois chega o dia de jogo — e o cenário mantém-se praticamente inalterado.

O número de espectadores continuam abaixo do que já foram.

A média atual é de 2623 espectadores. Um número que, à primeira vista, até poderia parecer estável — afinal, são mais 20 do que na época passada.

Mas esse dado, isolado, é enganador.

Convém lembrar que, na temporada anterior, os últimos quatro jogos foram disputados fora de Vila do Conde, em Paços de Ferreira, devido à tempestade Martinho. Jogos “em casa” longe de casa, com assistências naturalmente penalizadas.

Traduzindo:
se esses jogos tivessem sido nos Arcos, muito provavelmente a média do ano passado seria superior à atual.

E isso muda tudo.

Ano após ano, o número de pessoas nos Arcos tem vindo a cair — de forma silenciosa, mas consistente.

E quando um clube entra neste tipo de trajetória, há algo mais profundo a acontecer.

  • Falta de identificação?
  • Distanciamento entre clube e adeptos?
  • Experiência de jogo pouco apelativa?
  • Resultados?
  • Comunicação?

Provavelmente… um pouco de tudo.

Mas uma coisa parece clara:
não é com soluções avulso que se resolve um problema estrutural.

O Rio Ave não precisa apenas de chamar pessoas ao estádio.

Precisa de as reconquistar.

Precisa de voltar a ser um ponto de encontro.
Um motivo de orgulho.
Um hábito.

E isso não se faz com convites.
Faz-se com ligação.

Porque no fim, a pergunta não é quantos bilhetes foram oferecidos.

É bem mais simples — e bem mais dura:

quantas pessoas quiseram realmente lá estar?