A média atual é de 2623 espectadores. Um número que, à primeira vista, até poderia parecer estável — afinal, são mais 20 do que na época passada.
Mas esse dado, isolado, é enganador.
Convém lembrar que, na temporada anterior, os últimos quatro jogos foram disputados fora de Vila do Conde, em Paços de Ferreira, devido à tempestade Martinho. Jogos “em casa” longe de casa, com assistências naturalmente penalizadas.
Traduzindo:
se esses jogos tivessem sido nos Arcos, muito provavelmente a média do ano passado seria superior à atual.
E isso muda tudo.
Ano após ano, o número de pessoas nos Arcos tem vindo a cair — de forma silenciosa, mas consistente.
E quando um clube entra neste tipo de trajetória, há algo mais profundo a acontecer.
- Falta de identificação?
- Distanciamento entre clube e adeptos?
- Experiência de jogo pouco apelativa?
- Resultados?
- Comunicação?
Provavelmente… um pouco de tudo.
Mas uma coisa parece clara:
não é com soluções avulso que se resolve um problema estrutural.
O Rio Ave não precisa apenas de chamar pessoas ao estádio.
Precisa de as reconquistar.
Precisa de voltar a ser um ponto de encontro.
Um motivo de orgulho.
Um hábito.
E isso não se faz com convites.
Faz-se com ligação.
Porque no fim, a pergunta não é quantos bilhetes foram oferecidos.
É bem mais simples — e bem mais dura:
quantas pessoas quiseram realmente lá estar?
