9.1.26

Três clubes, um dono: Pela primeira vez uma mesa redonda Olympiacos–Nottingham Forest–Rio Ave

(há legendas em português, basta selecionar nas definições)
Para ver no youtube, clicar aqui

Um programa onde se falou de como (não) funciona o multiclube e se concluiu, a três, que falta uma estratégia de liderança e de gestão. Pelos vistos, o mais aproximado que temos de um multiclube é ... este podcast, porque, de resto, as queixas surgem dos três lados.

Sem a venda de André Luiz, virão reforços?

Não se fala de outra coisa. E percebe-se porquê. André Luiz (AL) veio para Vila do Conde em saldos, quando comparado com o que vale agora, um ano depois [mérito de quem o 'descobriu' no Amadora, deixando para trás as equipas com grandes departamentos de scouting, em Portugal e no estrangeiro].

Mas a venda de AL tem mais do que se lhe diga.

Desde logo, o braço de ferro entre Olympiakos e Lina Souloukou, como já aqui foi descrito, que pode levar o jogador para Atenas e não para a Luz. Se não sair agora (como ainda parece provável), sairá em junho. 

Uma coisa é certa e disso Lina não abdica: tem de entrar dinheiro: para pagar algumas despesas que a SAD está a fazer e para evitar mais uma época de resultados negativos, ajudando a equilibrar as contas.

Se AL não sair agora, a vinda de reforços poderá estar comprometida (a não ser que se tratem de empréstimos, como tem sido referido).

Com 20 pontos, o Rio Ave não está a fazer um campeonato negativo, mas certamente abaixo do que a folha salarial exige [aqui temos outra tabela, apenas ligeiramente diferente, que nos dá o valor de mercado do plantel]. Com mais 6 ou 9 pontos seria legítimo pensar que a manutenção estaria 'garantida'.

Mesmo sem a saída de AL, precisamos de um extremo. E existe uma lacuna no meio campo, nomeadamente na posição que Ndoi hoje ocupa. Faz falta alguém com mais capacidade de criar e ajudar o ataque, até porque só existem dois médios. Pohlmann poderia ser adaptado?

Em paralelo, existe um outro problema: excesso de jogadores na equipa principal, alguns dos quais raramente aparecem nas convocatórias.

Em suma, se AL sair acredito que haja mudanças; sem a sua venda, serão apenas empréstimos?
 

O melhor da primeira volta: unanimidade entre os colaboradores do Reis do Ave

 



Chegado o final da primeira volta do campeonato, os três colaboradores do Reis do Ave partilham quem foi, na sua opinião, o melhor jogador do Rio Ave nesta metade inicial da época.
 
O resultado foi claro: André Luiz reuniu unanimidade.

Apesar de percursos de análise diferentes e de expectativas iniciais distintas, todos nós convergimos na mesma conclusão: o extremo brasileiro foi a principal figura do Rio Ave nesta primeira volta.

Daniel Silva: o agitador ofensivo

"André Luiz destaca-se sobretudo pela sua capacidade de desequilibrar: apesar de ter bastantes dificuldades técnicas, usa e abusa da sua velocidade para desequilibrar as equipas adversárias.
Reconheço que Clayton ou até Miszta poderiam ser escolhas válidas, mas sublinho um ponto essencial: André Luiz é o único verdadeiro agitador ofensivo da equipa. A dependência coletiva do seu rendimento é evidente, sobretudo na criação de desequilíbrios no último terço.
Com 7 golos e 5 assistências em 17 jogos, números muito relevantes para um extremo num clube como o Rio Ave acho que vamos sentir a sua falta."

Gualter Macedo: evolução notável

"Assumo sem rodeios que a opinião sobre André Luiz mudou radicalmente ao longo da época: No início da época cheguei a dizer que ele era muito trapalhão. Mas dou o braço a torcer.
A grande evolução do brasileiro está na capacidade de decidir jogos, não apenas com assistências, mas também com golos. Esse crescimento torna-o um jogador muito mais completo e influente. A dupla com Clayton dá-se muito bem e, se querem que vos diga, não sei quem ganha mais: se André Luiz por ter Clayton, se o contrário."

João Paulo Meneses: um achado do scouting

"Quando ele veio do Estrela da Amadora fiquei com muitas dúvidas se tinha sido um bom negócio. Uma segunda volta irregular na época passada não ajudou a dissipar essas reservas, embora já se notasse que 'havia qualquer coisa'. No entanto, esta primeira volta dissipou todas as incertezas: foi espantosa. Parabéns ao scouting que viu o que mais ninguém viu; por 2 ou 3 milhões (metade do que se pagou na realidade) seria sempre em hiper-mega saldos...."

8.1.26

Como estamos face à época passada? Como foi a primeira metade desta temporada e a do ano passado?





Com o jogo deste fim de semana frente ao Casa Pia, o Rio Ave FC chegou ao fim da primeira volta do campeonato, um momento oportuno para fazer um balanço da época em curso e compará-la com a temporada passada.

Em termos pontuais, não há diferentes. Há 17ª o ano passado, também tínhamos 20 pontos.

Na época anterior, à 17.ª jornada, o Rio Ave somava 5 vitórias, 5 empates e 7 derrotas, num total de 20 pontos. Tínhamos 18 golos marcados e 28 sofridos.

Esta temporada, os números mostram um perfil diferente.
O Rio Ave contabiliza 4 vitórias, 8 empates e 5 derrotas, o que perfaz 20 pontos, exatamente os mesmos da época passada. No plano dos golos, a equipa apresenta uma ligeira melhoria ofensiva, com 22 golos marcados, mas também sofreu 29 golos, mais um do que na época anterior.

A grande diferença entre as duas épocas está no número de empates. Se no ano passado o Rio Ave dividia mais vezes entre vitórias e derrotas, esta temporada a equipa tem demonstrado uma clara tendência para empatar, o que ajuda a explicar porque, apesar de menos derrotas, não conseguiu transformar isso numa subida significativa de pontos.

Outro dado que merece especial atenção é o rendimento em casa. Na época passada, o Estádio dos Arcos era uma verdadeira fortaleza. Nos primeiros oito jogos disputados em casa, o Rio Ave somou 4 vitórias e 4 empates, mantendo-se invicto perante os seus adeptos.

Este ano, o cenário é bem diferente. Em oito jogos nos Arcos, a equipa soma apenas 2 vitórias, 3 empates e 3 derrotas, um registo claramente abaixo do esperado e que ajuda a explicar a frustração crescente dos adeptos. A perda de força em casa representa um dos principais retrocessos em relação à época passada, sobretudo num clube que historicamente construiu grande parte dos seus objetivos com base no rendimento caseiro.

Em resumo, apesar de apresentar mais golos marcados e menos derrotas, o Rio Ave termina a primeira volta com os mesmos pontos da época anterior.

7.1.26

O mesmo dono, dois clubes, dois caminhos: O que se fez no Nottingham e não se fez no Rio Ave



Esta semana, o Nottingham Forest comunicou de forma clara e objetiva aos seus associados que deu entrada nos pedidos de licenciamento para a requalificação do City Ground. Foram tornados públicos também  alguma informação como plantas, imagens 2D e 3D, e explicações sobre o projeto.

Nada de vago, nada de “confia que depois logo se vê”. Houve compromisso, transparência e respeito por quem vive o clube.

O contraste com o que aconteceu no Rio Ave é inevitável.

Nos Arcos, foi apresentado um chamado Masterplan em assembleia, mas com pouquíssimo detalhe, sem imagens públicas, sem explicações técnicas acessíveis e sem qualquer esforço sério de comunicação posterior. Para a maioria dos sócios e adeptos, o projeto continua a ser uma ideia abstrata, envolta em promessas, mas pobre em informação concreta.

A diferença não está apenas na dimensão dos clubes ou no contexto financeiro. Está na forma como cada um encara os seus associados.

O Nottingham Forest entendeu que um projeto estrutural, que altera a casa do clube e o seu futuro, deve ser:
  • explicado
  • ilustrado
  • e assumido publicamente.

Ao tornar públicas algumas plantas e imagens do projeto, o Forest assume um compromisso: mostra o que quer fazer, como quer fazer e permite que os seus associados saibam exatamente o que está em cima da mesa.

No Rio Ave, pelo contrário, optou-se pelo caminho oposto. O projeto existe, as obras avançam, mas os sócios continuam a olhar para estruturas metálicas sem saber ao certo o que ali nascerá, como será o resultado final ou que impacto terá no clube e na experiência dos adeptos.

E quando a informação não é partilhada, o espaço é ocupado por especulação, rumores e desconfiança. Não por maldade, mas por ausência de esclarecimento.

Importa sublinhar: a crítica não é ao projeto. Qualquer investimento em infraestruturas é, à partida, positivo. A crítica é à forma como tudo é feito à porta fechada, sem uma comunicação clara, contínua e respeitosa para com os sócios.

O Nottingham Forest mostrou que é possível fazer diferente. Que é possível informar, envolver e assumir publicamente as decisões estruturais do clube.

Fica a pergunta inevitável:
porque é que no Rio Ave isso continua a ser tão difícil?


Em anexo algumas das imagens e plantas tornadas publicas