2.2.26

Clayton e André Luiz no Olympiakos: o que isto significa?


O Rio Ave FC vendeu, nesta janela de transferências de inverno, a meio do campeonato, os dois melhores jogadores do seu plantel: André Luiz e Clayton. Ambos para o Olympiakos, clube do mesmo grupo económico. Não estamos a falar de peças secundárias, nem de apostas falhadas. Estamos a falar dos dois jogadores que sustentavam, de forma clara e objetiva, o rendimento ofensivo da equipa.

Os números não mentem: André Luiz e Clayton foram responsáveis por 73% dos golos do Rio Ave nesta temporada até agora.

E é aqui que começa o problema.

Vender jogadores importantes faz parte da realidade de clubes como o Rio Ave. Sempre fez. O que nunca fez parte da nossa identidade foi desmontar a espinha dorsal da equipa a meio da época, numa fase em que cada ponto é vital para a manutenção e para a estabilidade desportiva.

Mais do que uma opção de mercado, esta decisão revela uma falta de compromisso evidente com o clube, com a equipa e com os sócios.

Ao vender os dois principais responsáveis pelos golos da equipa em janeiro, a mensagem passada é clara: o que acontece desportivamente ao Rio Ave é secundário. A prioridade não é o campeonato, não é a manutenção tranquila, não é a competitividade. A prioridade é servir os interesses do grupo, mesmo que isso signifique enfraquecer drasticamente o plantel.

Como se substitui, em janeiro (no último dia de mercado|), 73% da produção ofensiva de uma equipa? Não se substitui. Nem com apostas de risco, nem com jogadores emprestados, nem com promessas de futuro. O que se faz é aceitar, de forma consciente, que o rendimento da equipa vai cair.

Os resultados deste fim de semana das equipas da formação da SAD

 



O fim de semana competitivo da formação da SAD do Rio Ave FC ficou marcado por um saldo de um resultado positivo e dois negativos, num momento em que todas as equipas iniciam fases decisivas das respetivas competições.


Sub-15 arrancam com vitória na fase de manutenção

A nota mais positiva vem do escalão de sub-15, que entrou da melhor forma na fase de manutenção do campeonato nacional. A equipa venceu o Famalicão em casa, num jogo decidido cedo, com Enzo a marcar o único golo da partida aos 15 minutos.

Recorde-se que esta fase começa com todas as equipas a zero pontos, sendo que, entre as 10 equipas em prova, quatro acabarão por descer de divisão. Um triunfo na jornada inaugural é, por isso, importante não só em termos pontuais, mas também a nível de confiança para o que aí vem.


Sub-17 tropeçam na estreia na fase de apuramento de campeão

Já os sub-17 tiveram um início menos feliz na fase de apuramento de campeão. Na deslocação ao Estoril, a equipa rioavista saiu derrotada por 1-0,.


Sub-19 não resistem ao FC Porto

Nos sub-19, depois de uma vitória na jornada inaugural da fase de apuramento de campeão, o segundo jogo trouxe um teste de grau máximo. Frente ao FC Porto, o Rio Ave saiu derrotado por 3-0, num encontro onde a diferença de eficácia acabou por fazer a diferença.

1.2.26

A gestão que apagou a nossa essência




Há coisas que, por mais que se tente relativizar, já não dão para esconder. Uma delas é esta: a tão apregoada manutenção da identidade do clube com a entrada do novo investidor, repetida vezes sem conta por Alexandrina Cruz em Assembleias Gerais, está hoje pelas ruas da amargura.

Não só essa identidade não foi preservada, como foi diluída, descaracterizada e, em muitos momentos, simplesmente ignorada. O Rio Ave já não é visto como um clube com projeto próprio, com personalidade e com uma forma de estar distinta. Pelo contrário, começa a ser rotulado como “o novo Boavista”, um clube perdido entre promessas falhadas, instabilidade permanente e uma desconfiança generalizada sobre o futuro. Há quem já fale abertamente na descida de divisão — algo que, há poucas jornadas, pareceria impensável.

E dói. Dói porque muitos de nós ainda se lembram de um Rio Ave respeitado. Um Rio Ave simpático aos olhos do país. Um Rio Ave que, mesmo pequeno em dimensão, era grande em caráter. Um clube que conseguiu pôr Portugal inteiro a torcer por si contra o Elfsborg, contra o Milan, contra adversários bem mais poderosos, mas que nunca conseguiram roubar-nos a dignidade nem a alma.

Havia garra. Havia identidade. Havia um orgulho genuíno em vestir esta camisola. O Rio Ave era visto como um clube sério, bem gerido, competitivo dentro das suas possibilidades. Um exemplo. Hoje, infelizmente, já não é isso que transparece.

Em pouco mais de dois anos, conseguiu-se aquilo que parecia impossível: colocar em causa 86 anos de história. Não por falta de recursos mas por decisões erradas, silêncio cúmplice e uma subserviência constante a interesses que nunca foram — nem serão — os do clube.

O mais grave não é apenas perder jogos ou andar aflito na tabela classificativa. O mais grave é perder respeito. Perder identidade. Perder aquilo que nos diferenciava dos outros. Quando deixamos de ser “o Rio Ave” para passar a ser apenas mais um clube satélite, descartável, transitório, algo se quebrou de forma profunda.

A promessa era continuidade. O resultado é rutura. A promessa era identidade. O resultado é descaracterização. A promessa era crescimento sustentado. O resultado é desconfiança, medo e saudade.


Saudade de quando o Rio Ave era, simplesmente, o Rio Ave.

31.1.26

Sem rodeios: é tempo de chamar os bois pelos nomes




É natural que, em momentos de crise, o primeiro alvo seja o treinador. Acontece em todo o lado, faz parte do futebol e da sua lógica imediatista. Mas reduzir o estado atual do Rio Ave FC a uma questão meramente técnica é não só simplista, como injusto. O problema é bem mais profundo e tem nomes, decisões e um rumo claramente identificável.

Importa, por isso, recordar quem são os verdadeiros responsáveis por este percurso que, em pouco tempo, resultou na perda quase total da identidade e da mística que durante anos caracterizaram o nosso clube. A direção do Rio Ave FC, presidida por Alexandrina Cruz, não pode continuar imune à crítica, como se fosse apenas uma figura decorativa num processo que corre em piloto automático.

O Rio Ave que conhecíamos — competitivo, incómodo para os grandes, com uma ideia clara de jogo e uma ligação forte entre equipa, clube e adeptos — deu lugar a um emaranhado de decisões avulsas, falta de planeamento e uma gestão que parece viver permanentemente em reação, nunca em antecipação. Trocam-se treinadores, mudam-se jogadores, ajustam-se discursos, mas o essencial permanece intocado: a ausência de um projeto desportivo coerente.

A perda de identidade não acontece de um dia para o outro. É o resultado de escolhas sucessivas: contratações sem enquadramento, ciclos interrompidos precocemente, comunicação pobre e distante, e uma clara desvalorização do que fazia do Rio Ave um clube respeitado dentro e fora de campo. Hoje, somos um clube sem rosto, sem alma e, pior ainda, sem rumo visível.

Enquanto isso, a presidência mantém-se num silêncio ensurdecedor. Não há explicações, não há assunção de responsabilidades, não há uma palavra clara dirigida aos sócios e adeptos. Tudo parece normalizado, como se a mediocridade fosse agora o novo patamar aceitável. Não é.

Apontar o dedo ao treinador pode dar uma sensação momentânea de ação, mas não resolve nada. O problema está acima, na estrutura, na liderança e na visão — ou na falta dela. Um clube não perde a sua mística por causa de um treinador. Perde-a quando quem o dirige deixa de saber o que ele representa.



O Rio Ave FC merece mais. Merece transparência, ambição e respeito pela sua história. E isso começa, inevitavelmente, por quem está no topo.

(0-3 com o Arouca) Sotiris é incompetente e a única saída é a demissão (ATUAL)


O treinador do Rio Ave, no final do jogo, responsabilizou o mercado de transferência pela falta de foco da equipa. Não sei se tem alguma razão, mas, a ter, essa será apenas uma pequena parte da explicação; o facto é que está à vista a incompetência do treinador e só espanta como é, com a bancada a pedir a sua demissão, ele ainda seja o treinador neste momento - o que eu esperava é que ele anunciasse que telefonou a Marinakis a dizer que não tinha condições para continuar.

O Rio Ave jogou tão mal como na Madeira, só não perdeu por 4-0... 

O onze inicial já fazia suspeitar que as coisas não iriam correr bem (cinco defesas, quatro médios e apenas um avançado) e só a perder 2-0 fez a primeira substituição.

Insisto: talvez não seja o treinador mais incompetente que tivemos no Rio Ave mas é o mais 'cego', por se recusar a ver a realidade

 (o  vídeo não mostra, mas pela primeira vez a Direção do Rio Ave e a administração da SAD [Alexandrina Cruz e Luis Oliveira] foram bastante contestados pelos sócios) 


 Atualizado: Adeptos assobiaram e mostraram lenços brancos: "É perfeitamente compreensível a frustração dos adeptos. No último mês, não temos estado ao nível que já estivemos e isso é algo que temos de analisar. A equipa técnica e os jogadores, em conjunto, vamos dar a volta." Tenho força para muitas coisas e entre elas é para dar a volta a isto

29.1.26

Oficial: André Luiz no Olympiakos — várias reflexões sobre esta transferência



André Luiz foi apresentado (em primeira instancia) como jogador do Olympiakos pelo nosso "dono" (filho de Marinakis), nas suas redes sociais envergando um cachecol do Olympiakos (para onde caminhas Rio Ave?). Para além disso, o jogador já falou na zona dos media do jogo de Ajax VS Olympiakos. Como é que há gente que pode achar esta gestão normal? O Rio Ave não oficializou a sua saída e o mesmo já aparece a falar para as camaras como jogador do Olympiakos na Holanda (partiu do aeroporto Sá Carneiro as 10h da manhã de ontem)? 




Passemos ao que interessa...

O Rio Ave encaixa milhões de euros (valores não são tornados públicos - uma pratica comum no nosso clube), naquela que passa a ser possivelmente a maior venda da história do clube. Um valor que, à primeira vista, merece aplauso e destaque. Mas que, olhando com mais atenção, levanta também várias interrogações difíceis de ignorar.

O extremo brasileiro tinha chegado a Vila do Conde há pouco mais de um ano, proveniente do Estrela da Amadora, numa operação que envolveu 2,2 milhões de euros e ainda a cedência de Fábio Ronaldo, Amine e Pantalon. Um investimento significativo, é certo, mas que se revelou rapidamente acertado dentro de campo. André Luiz tornou-se uma das principais — senão a principal — referência ofensiva da equipa.

A venda por estes valores representa, em termos financeiros, um salto histórico para o Rio Ave. No entanto, é impossível não olhar para este negócio e questionar: teria esta transferência acontecido por estes valores se o destino não fosse um clube do mesmo grupo?

A resposta penso que seja simples.
As únicas vendas verdadeiramente relevantes desde a entrada do Grupo Marinakis foram Costinha e André Luiz. Curiosamente — ou talvez não — ambos para o Olympiakos. 

Esta transferência vem, assim, reforçar uma perceção cada vez mais enraizada entre os adeptos:
os melhores jogadores do Rio Ave não ficam. Quando alguém se afirma como uma real mais-valia, o destino parece traçado. Ou segue para outro clube do grupo — Olympiakos ou Nottingham Forest — ou acaba vendido, quase sempre numa lógica que beneficia prioritariamente a estrutura global e não necessariamente o projeto desportivo em Vila do Conde.

O problema não está na venda em si. Vender bem faz parte da realidade de clubes como o Rio Ave. O problema está na sensação de que o clube deixou de ser o fim da linha e passou a ser apenas uma estação intermédia. Um local de valorização, não de consolidação. Um clube onde se descobre talento, mas onde esse talento raramente tem tempo para criar identidade, liderança ou continuidade.

Financeiramente, os milhões que entram são um marco histórico. Desportivamente, a saída de André Luiz é um rombo evidente. E estrategicamente, a operação deixa uma pergunta no ar que continua sem resposta clara:
qual é, afinal, o verdadeiro projeto do Rio Ave dentro deste grupo?

27.1.26

Casos no plantel que era importante resolver

Faltam poucos dias para fechar o mercado e há assuntos pendentes.

O lado esquerdo da defesa parece-me um deles. Omar está a regressar, Vroussai tem sido opção e há ainda Nikos. Gente a mais?

Zoabi precisa de sair para jogar. Precisa de mostrar o seu (eventual) valor e nós precisamos de ver esse valor. Não é que, com uma lesão, não possa ser opção no que resta do campeonato. A questão é que, até hoje, nos dois anos com a camisola do Rio Ave e 17 jogos disputados, não vimos nada.

Caso diferente é Liavas. Para os adeptos é o 'patinho feio' (Το άσχημο παπάκι ou Το μαύρο πρόβατο, em grego, para evitar equívocos de quem lê). Até pode ser injusto, como de certa forma foi com Pedro Amaral, mas dificilmente Liavas encontrará 'carinho' entre os adeptos nesta época. Além disso fez 19 jogos, mas só 5 vezes foi primeira opção para Sotiris, o que diz alguma coisa.     

Há ainda os casos de Gual ou de Lobato, de que falei na semana passada

Há treinadores e… treinadores




Desde a constituição da SAD e da entrada do Grupo Marinakis na estrutura do Rio Ave, passaram pelo banco três treinadores. Três nomes.

Luís Freire foi o primeiro. Um treinador identificado com o clube, com conhecimento da casa e que apanhou um Rio Ave em clara reconstrução. A sua média de 1,1 pontos por jogo no campeonato não foi brilhante. Foi despedido. A mensagem foi clara: não havia paciência nem margem para processos.

Seguiu-se Petit. Um perfil diferente, mais experiente, com um discurso mais alinhado com a ideia de “estabilidade” e “competitividade”. A sua média subiu ligeiramente para 1,20 pontos por jogo, a melhor das três. Não chegou para encantar, mas chegou para cumprir. Mesmo assim, a SAD optou por não renovar contrato. Não foi despedido, é certo, mas também não foi suficientemente bom para merecer continuidade. Mais uma vez, a régua pareceu curta.

Chegamos então a Sotiris. O actual treinador apresenta, até ao momento, uma média de 1,05 pontos por jogo, a mais baixa dos três. Em termos puramente numéricos, é impossível não notar que os resultados são inferiores aos dos seus antecessores. E, no entanto, o cenário é completamente diferente. Não há ruído, não há pressão pública, não há sequer um debate sério sobre o seu futuro.


Luís Freire foi despedido com 1,1 pontos por jogo.
Petit saiu com 1,20.
Sotiris mantém-se com 1,05.

Se a lógica fosse apenas desportiva, a história já teria conhecido outro capítulo. Mas não é. Nunca foi.

Porque Sotiris não é apenas mais um treinador do Rio Ave. Sotiris é “da casa” do Grupo. É um nome alinhado, um projeto interno, um treinador que encaixa numa lógica muito própria de gestão. E isso faz toda a diferença. Não pelos resultados, não pelo futebol jogado, mas pelo estatuto que lhe foi atribuído à partida.

A sensação que fica é simples e desconfortável: na Rio Ave da SAD, os treinadores não são avaliados todos da mesma forma. Uns têm de ganhar para sobreviver. Outros sobrevivem enquanto ganham tempo.

E a conclusão impõe-se quase sozinha, por mais incómoda que seja: não fosse Sotiris quem é — um menino querido do “pai” Marinakis — e, muito provavelmente, já estaria fora do clube.

No Rio Ave actual, os pontos contam. Mas as ligações contam mais.

26.1.26

4º pedido de desculpas: um caso único no mundo?

Sotiris já pediu pelo menos * 4 vezes desculpas, após jogos do Rio Ave (ver a lista em baixo). 

Haverá outro caso no mundo? 

Os portugueses dizem: 'Na primeira quem quer cai; na segunda cai quem quer; na terceira cai quem é parvo/tolo". Já não há adágio para uma quarta vez...

Mas, para além do lado anedótico, há a questão séria para o nosso Clube: quatro pedidos de desculpas canibalizam-se uns aos outros e esvaziam o peso/responsabilidade do ato. Banalizou-os e já ninguém o leva a sério. Incluindo os jogadores?

Isto só é possível porque, como escrevi ontem, Sotiris, tendo linha direta para Mariankis, está aqui a fazer uma espécie estágio de aprendizagem. Por muitos erros que cometa, parece que nada lhe vai acontecer. Qualquer outro treinador, no seu lugar, já teria dado lugar a um treinador a sério. Qualquer outro treinador que se visse obrigado a pedir 4 vezes desculpa, já teria dado lugar a outro. Por sua iniciativa.

Sotiris vai ficar na memória dos Rioavistas nos próximos anos, mas não por boa razões. 

 


A lista (*conto quatro vezes, correspondente a quatro jogos, porque, em mais do que um caso, Sotiris pediu desculpas na flash e na conferência de imprensa): 

- Após a derrota frente ao Sintrense, da quarta divisão, o treinador pediu desculpas. 

- 10 dias depois, após a humilhante derrota e nula exibição de ontem, frente ao Estoril: "Compreendo totalmente os adeptos. Foi justo que estivessem descontentes, porque o jogo não foi bom e o resultado foi pesado. Sinto essa responsabilidade e peço desculpa. Mas acredito que temos de manter a união, dentro e fora do balneário. Só juntos conseguimos ultrapassar momentos difíceis". 

5j Moreirense, 3- Rio Ave, 1 13 setembro: "Sofremos um golo no primeiro minuto. Não há desculpa para isso. (...) não tivemos o compromisso suficiente para nos mantermos focados para recuperar a desvantagem.Temos de nos 'olhar ao espelho' e assumir as responsabilidades por esta derrota, a começar por mim".

Nacional, 4 - Rio Ave, 0 «Temos de pedir desculpa aos nossos adeptos»

 

Sub-19 começam fase de apuramento do campeão com vitória frente ao Gil.

 


Os sub-19 começaram da melhor fase a fase de apuramento do campeão ao receberem e vencerem o Gil Vicente por 2-1.

A nossa equipa, no final da primeira parte chegou à vantagem fruto do golo de Matheo Chaigne.

Aos 73 o Gil iria igual o marcador graças a uma grande penalidade mas já perto do fim, aos 87 minutos, Luís Rasgado marcou o segundo do Rio Ave permitindo que os três pontos ficassem em Vila do Conde.

Com esta vitória, o Rio Ave segue começa esta fase em 2º lugar, com os mesmos pontos que o primeiro classificado (Leiria) que venceu o Famalicão por 0-3.



Vida dificil para as Séniores Femininas: nova derrota para o campeonato

 


A equipa sénior feminina deslocou-se este fim de semana à Madeira para defrontar o Marítimo e saiu derrotada por 1-2.

A equipa Madeirense entrou melhor na partida com um golo madrugador (21min) sendo que a equipa do Rio Ave empatou logo a seguir por Sydney Shepherd (aos 25min).

No entanto a equipa do Marítimo ia chegar à vitória à passagem do minuto 73 via grande penalidade.

Com este resultado, o Rio Ave mantém-se no penúltimo lugar, com os mesmos pontos que o último classificado.




25.1.26

(Nacional, 4- Rio Ave, 0) A diferença entre ter no banco um teinador a sério e um estagiário

Mais uma derrota, mais um jogo em que o Rio Ave esteve apático e mais um jogo em que Sotiris pediu desculpas no final [atenção: estou a escrever logo após os 90m, sem saber se isso aconteceu ou não; ATUAL: «Temos de pedir desculpa aos nossos adeptos»].

É verdade que tudo correu bem ao Nacional, mas isso não explica tudo, num jogo em que entrámos a perder: sem Mizsta (lesionado?), Vacas tem de ser muito fraco para ser suplente de Chamorro!

Na primeira parte, ainda que sem entusiasmo e sem empenho, podíamos ter marcado. Na segunda, logo após os madeirenses terem feito o 2-0 no recomeço, o jogo acabou para nós.

No banco, Sotiris continua a comportar-se como um estagiário que está a fazer 360 horas de formação. Por muitos erros que cometa, nada lhe vai acontecer. Apenas os resultados no final da época serão a sua avaliação. Mas, qualquer outro treinador, no seu lugar, já teria dado lugar a um treinador a sério.

Sotiris é responsável pelas escolhas (Liavas, por exemplo, não tem condições para jogar na primeira liga portuguesa; Spikic nada acrescenta: Bezerra ou Medina não fariam melhor?)

Nota final para um jogador que já aqui recebeu vários elogios mas que hoje voltou a comprometer: Brabec não ganha uma bola de cabeça e essa incapacidade deu mais um golo ao adversário (pelas minhas contas, é o terceiro esta época). Ter um central assim é muito arriscado.

A continuar assim, vai ser uma segunda volta muito difícil.


 

O Rio Ave que já não reconhecemos

 


É constrangedor ver esta equipa a jogar.
Constrangedor porque não se trata apenas de perder jogos ou de atravessar uma fase menos boa. Trata-se, acima de tudo, da forma. Da ausência de alma. Da sensação constante de que grande parte dos jogadores está em campo apenas porque tem de lá estar.
O que se vê é uma equipa apática, sem intensidade, sem chama. Um conjunto de jogadores que, na sua maioria, parecem estar em fim de carreira, resignados ao último contrato, ou então contrariados por terem sido “colocados” no Rio Ave como quem aceita um mal menor. Falta compromisso. Falta ambição. Falta vontade de honrar o símbolo que carregam ao peito.
Perdeu-se aquilo que sempre nos caracterizou. O espírito combativo, incómodo para os adversários, a equipa que nunca dava um jogo como perdido, que lutava cada bola como se fosse a última. Hoje, o Rio Ave não incomoda. Hoje, o Rio Ave aceita. Hoje, o Rio Ave conforma-se.
Transformámo-nos numa incubadora de jogadores que em tempos foram promessas. Jogadores reciclados dos “outros dois clubes”, restos de projetos falhados, nomes que chegam com currículo mas sem fome. E o resultado está à vista: um coletivo sem identidade, sem ligação aos adeptos e sem qualquer traço distintivo.
Não me revejo nisto.
Não me revejo nesta apatia institucionalizada, nesta normalização da mediocridade, nesta ideia de que “é o que há”.
E há mais uma verdade: fosse outro treinador que aqui estivesse, e já estaria fora do clube.

23.1.26

Construir sem fundações: Falta visão para lá do imediato




Quem acompanha a minha escrita sabe que nutro um gosto especial pela modalidade de futsal. Não é um interesse recente, nem circunstancial. Apesar de não conseguir marcar presença em todos os jogos, acompanho a equipa com regularidade há várias temporadas, com atenção, envolvimento e, acima de tudo, preocupação.

Fui um dos sócios que, em assembleia geral, fez questão de lembrar uma antiga direção de que o futsal não poderia simplesmente ser eliminado sem que os sócios se pronunciassem. Acompanhei a modalidade em todos os seus ciclos: desde o terceiro lugar na Primeira Divisão, passando pelas épocas mais duras que nos empurraram até à Terceira Divisão, até às temporadas mais recentes que culminaram no regresso ao escalão máximo.

É precisamente por este percurso — vivido de perto — que acompanho o futsal do Rio Ave com especial cuidado. E apesar de reconhecer que, no plano estritamente desportivo, a equipa sénior atravessa atualmente uma fase muito positiva, não consigo olhar com total tranquilidade para o caminho que está a ser trilhado pela atual direção.

No início da temporada, aquando da apresentação do orçamento em assembleia geral — cerca de 600 mil euros — escrevi que, com esse nível de investimento, seria expectável que o Rio Ave lutasse por um lugar no Top-8 do campeonato. A realidade veio confirmar essa análise e tudo indica que esse objetivo está perfeitamente ao alcance.

Assistimos a uma grande reformulação do plantel no início da época, algo perfeitamente normal após uma subida de divisão. Agora, nesta reabertura de mercado, voltamos a ver a direção apostar em reforços de qualidade, elevando ainda mais o nível competitivo da equipa sénior. Nada contra esse investimento. Pelo contrário: é positivo ver uma equipa ambiciosa e capaz de competir.

Ainda assim, não posso deixar de notar que este esforço financeiro parece assente, em grande parte, em receitas extraordinárias. E isso levanta uma questão inevitável: o que acontece se, por qualquer motivo, essas receitas deixarem de existir?

O problema maior, contudo, não está na equipa sénior. Está na falta de visão estrutural. A aposta é claramente de curto prazo e praticamente exclusiva na equipa principal. As camadas jovens continuam sem um projeto consistente, sem planeamento e sem uma estratégia que permita, a médio prazo, alimentar o plantel sénior com talento formado em casa.

Hoje, o clube vive essencialmente do que a comunidade vilacondense — leia-se, os pais — consegue oferecer. Não existe um plano que permita, daqui a alguns anos, termos um plantel sénior complementado, pelo menos em parte, por jogadores formados no clube.

Olhando para o quadro competitivo da formação, o cenário é, sem rodeios, pouco digno da dimensão do Rio Ave FC. Ao contrário do que acontece com uma das maiores referências formativas da cidade — o Caxinas — nenhuma das nossas equipas compete em campeonatos nacionais. Opta-se por manter equipas nos campeonatos distritais, chegando ao ponto de uma delas disputar a segunda distrital.

Já escrevi sobre este tema no passado e, honestamente, tinha esperança de que ao longo dos três anos deste mandato a situação fosse sendo corrigida. Até agora, isso não aconteceu. A opção tem sido pelo caminho mais fácil: investir dinheiro na equipa sénior, garantindo competitividade imediata, sem enfrentar o trabalho mais duro, exigente e demorado que é reorganizar e valorizar a formação.

Esse trabalho é, sem dúvida, mais complexo. Mas não tenho dúvidas de que os frutos colhidos seriam mais sólidos, mais sustentáveis e mais duradouros.

O Rio Ave tem história, dimensão e responsabilidade para fazer melhor. O presente é animador. Mas o futuro constrói-se com bases — e essas continuam, infelizmente, por lançar.

21.1.26

Faz hoje um ano que a Rio Ave SAD contratou Naziru na distrital: que é feito do nigeriano?




Faz hoje exatamente um ano que o Rio Ave contratou Naziru, então com apenas 20 anos, proveniente do AR São Martinho, uma equipa distrital. Na altura, a notícia gerou bastante burburinho no meio futebolístico — não é todos os dias que um clube da Primeira Liga vai buscar um avançado a um campeonato distrital.

O contexto ajudava a alimentar a curiosidade. O jovem nigeriano tinha passado pela formação do Paços de Ferreira, onde apontou 17 golos, seguindo-se depois a mudança para o AR São Martinho. Na sua época de estreia ao serviço desse clube, somava 12 golos em 18 jogos quando o Rio Ave decidiu avançar para a sua contratação.

Tudo indicava que se tratava de uma aposta com algum critério, pelo menos do ponto de vista do potencial identificado. A narrativa construída foi clara: um jovem avançado com margem de progressão e que era acompanhado nas camadas jovens do Rio Ave.


No entanto, desde o momento em que assinou pela Rio Ave SAD, Naziru praticamente desapareceu.

Na temporada passada realizou apenas cinco jogos pelos sub-23. A sua estreia pela equipa principal aconteceu de forma quase simbólica: entrou aos 92 minutos frente ao Moreirense. Nesse momento, escreveu-se bastante sobre o jogador. O clube fez questão de promover a história, a imprensa acompanhou e Petit falou em conferência de imprensa sobre a carreira promissora do jovem.

A verdade é que, após esse minuto de utilização na equipa principal, Naziru não voltou a jogar até ao final da época — nem pela equipa sénior, nem sequer pelos sub-23.

Esta temporada, o cenário não melhorou. O jogador nunca integrou o plantel principal e soma apenas oito jogos pelos sub-23, sendo titular em apenas dois. No jogo de ontem, nem sequer fez parte do banco de suplentes.

Perante estes números, torna-se difícil compreender e justificar esta contratação. Se o jogador tem, de facto, o potencial que o clube fez questão de anunciar, porque não joga? Porque não é aposta regular, nem sequer num contexto de desenvolvimento como os sub-23?

E se não tem esse potencial, então impõe-se outra questão inevitável: terá sido um erro de casting?

Um ano depois, o balanço é inevitavelmente negativo. Não pela falta de qualidade comprovada — porque simplesmente nunca houve espaço para a demonstrar — mas pela ausência total de um plano claro para o jogador. Num clube que tantas vezes fala em valorização de ativos e aposta no talento jovem, o caso Naziru levanta mais dúvidas do que respostas.


E, neste momento, a maior delas continua por responder: por onde passa o futuro de Naziru?