Depois de mais um jogo a ouvir rigorosamente o mesmo disco pedido em cada conferência de imprensa pós-jogo, o verdadeiro problema de Sotiris Sylaidopoulos já nem é a falta de pontos: é a gritante falta de originalidade.
Entre o facto de alguns jogadores terem chegado há pouco tempo, a o calendário inicial do campeoanto ser difícil, ao "não sei o que se passou", a massa associativa já decorou o guião de cor. Ouvir as declarações no final dos jogos tornou-se um exercício tão previsível quanto desgastante.
Para ajudar o nosso comandante técnico a renovar o repertório e evitar que o auditório adormeça na próxima derrota ou empate, deixo aqui um conjunto de desculpas totalmente frescas, inovadoras e prontas a usar:
1. "O alinhamento planetário prejudicou a nossa transição defensiva"
"Toda a gente sabe que Mercúrio Retrógrado afeta desproporcionalmente as equipas que jogam em 4-2-1-3 perto da foz de um rio. A gravidade lunar esteve mais forte no segundo tempo, o que fez com que os nossos centrais parecessem ter chumbo nas chuteiras. Não é uma questão tática, é astrofísica pura."
2. "O cheiro a maresia estava demasiado intenso na grande área"
"Treinámos a semana toda com brisa de terra. Chegar ao jogo e ter um vento com salinização acima dos 12% alterou completamente a trajetória da bola e a capacidade pulmonar dos nossos avançados. É impossível finalizar com convicção quando a brisa marítima nos relembra a fragilidade da existência humana."
3. "O sorteio da moeda ao início do jogo retirou-nos o momento psicológico"
"Ganhámos a posse de bola no apito inicial, mas perdemos a Moeda. Escolher o campo errado nos primeiros 45 minutos abalou a estrutura emocional dos jogadores. A partir daí, entrar num jogo destes a perder na 'sorte ou azar' condiciona qualquer plano estratégico pré-elaborado."
4. "Fomos vítimas de um excesso de compreensão do plano tático"
"Os jogadores assimilaram tão bem a minha ideia de jogo que a aplicaram com uma precisão cirúrgica e milimétrica. O problema é que o futebol exige alguma imprevisibilidade e imperfeição. Ao sermos tão perfeitos a cumprir a teoria, tornamo-nos ridiculamente fáceis de anular na prática."
Fica a dica, Sotiris. Se é para continuar a perder pontos enquanto a maquiagem da SAD tenta disfarçar a crise, ao menos que a comédia na sala de imprensa seja de primeira categoria. O público de Vila do Conde agradece a variedade.























