3.9.26

Último dia de mercado amanhã: o plantel está fechado... ou ainda haverá surpresas?

Ao contrário do que possa parecer, o Rio Ave não mudou assim tanto.

Amanhã será último dia do mercado de transferências. Ponto de situação:

Depois de mais de dois meses de negociações, rumores, entradas e saídas, começam agora as derradeiras horas de uma janela que ainda poderá reservar algumas surpresas para o Rio Ave.

Ao longo deste período, o Reis do Ave procurou acompanhar diariamente todas as movimentações relacionadas com a equipa principal do Rio Ave FC. Agora chega o momento em que tudo ficará decidido.

Mas será que o plantel está realmente fechado?

Na minha opinião, ainda não.

Apesar de a base da equipa se manter praticamente intacta, existem ainda alguns dossiês que poderão conhecer desenvolvimentos nas próximas horas(até amanhã pelas 24:00).

O nome que mais força ganhou nos últimos dias é o do extremo dinamarquês Sebastian Clemmensen, de 22 anos, atualmente ao serviço do IFK Göteborg. A confirmar-se, será mais uma opção para o setor ofensivo, aumentando a concorrência numa posição onde o Rio Ave continua à procura de maior capacidade de desequilíbrio.

Outro nome que continua a surgir associado ao clube é o do internacional iraniano Mohammad Hosseinnezhad, médio de 23 anos do Dynamo Makhachkala, da Rússia. A informação mais recente aponta para um acordo praticamente fechado, faltando apenas ultrapassar questões burocráticas relacionadas com a emissão do visto.

Nas últimas horas surgiu ainda um novo nome. Segundo a imprensa, o Rio Ave estará em negociações muito avançadas com o Lourosa para a contratação do guarda-redes Vítor Hugo, num negócio que poderá ultrapassar os 500 mil euros.

Se algum destes negócios se concretizar, o plantel poderá ainda sofrer alterações antes do fecho definitivo do mercado.


Ao contrário do que possa parecer...

Há, uma ideia que me parece evidente.

Apesar das várias movimentações registadas ao longo do verão, o Rio Ave não mudou assim tanto.

O núcleo principal da equipa manteve-se praticamente intacto e, olhando para as primeiras jornadas do campeonato, percebe-se que Sotiris Silaidopoulos continua a confiar maioritariamente nos jogadores que terminaram a última época a titulares.

Mais do que reconstruir a equipa, a SAD procurou aumentar a concorrência interna e acrescentar soluções ao plantel. Dos novos jogadores, confesso que existe um que me tem agradado particularmente.

Diogo Nascimento.

Pela qualidade com bola, pelo critério na construção e pela forma como liga os diferentes setores da equipa, acredito que poderá ser um dos reforços com maior impacto ao longo da temporada.


🟢 Mantiveram-se no plantel (21)

Ao contrário do que muitos possam pensar, a espinha dorsal da equipa continua praticamente a mesma da época passada. Estes são os jogadores que transitam para 2026/27:

  • Ennio Van der Gouw (contrato até 2029)
  • Mancha (novo empréstimo)
  • Cezary Miszta (2027)
  • Marios Vrousai (2027)
  • Brandon Aguilera (2027)
  • Demir Tiknaz (2028)
  • João Tomé (2027)
  • Medina (2028)
  • Francisco Petrasso (2028)
  • Konstantinos Ntoi (2028)
  • Nelson Abbey (2028)
  • Lomboto (2028)
  • Jalen Blesa (2030)
  • Chamorro (2028)
  • Liavas (2027)
  • Dário Spikić (2027)
  • Rafael Lobato (2028)
  • Jakub Brabec (2027)
  • Tamble Monteiro (2030)
  • Ryan Guilherme (2030)
  • Bezerra (2030)

➕ Entraram (7)

A SAD reforçou o plantel com sete novas caras.

  • Samuel Alves
  • Diogo Nascimento (Olympiacos - empréstimo)
  • Roland Galčík
  • Pedro Amaral
  • Malik Sellouki
  • Miguel Patrício
  • Antoine Caiké

➖ Saíram (7)

Também houve sete saídas da equipa principal.

  • João Graça (fim de contrato)
  • Marc Gual (rescisão)
  • Papakanellos (fim do empréstimo)
  • Leonardo Buta (fim do empréstimo)
  • Omar Richards (fim do empréstimo)
  • Karem Zoabi (transferência definitiva para o Torreense)
  • Ole Pohlmann (transferência definitiva para a Alemanha)

❓ Ainda podem entrar (3 rumores)

Quando este artigo foi publicado, continuavam associados ao Rio Ave três jogadores.

  • Sebastian Clemmensen (extremo - IFK Göteborg)
  • Mohammad Hosseinnezhad (médio - Dynamo Makhachkala)
  • Vítor Hugo (guarda-redes - Lourosa)

E acrescentaria ainda este pequeno quadro

Mercado 2026/27Total
🟢 Mantiveram-se21
➕ Entraram7
➖ Saíram7
❓ Rumores3
👥 Plantel atual28 jogadores

Ainda poderá haver saídas?

Na minha opinião, sim. quem? não sei, mas há candidatos: Chamorro(nunca convenceu), Dário Spikić(desilude sempre), João Tomé (nunca se impôs).

Mesmo que o mercado encerre assim amanhã, continuo a achar que o plantel é demasiado extenso.

Para uma equipa como o Rio Ave, 25 ou 26 jogadores parecem-me suficientes para enfrentar uma época completa, garantindo competitividade sem deixar demasiados atletas sem espaço para jogar.

Neste momento, o plantel conta com 28 jogadores. Se algum dos rumores se confirmar, esse número poderá aumentar ainda mais, tornando praticamente inevitável que alguns jogadores acabem por sair, seja por empréstimo, seja numa futura janela de transferências.

Basta olhar para os minutos distribuídos nas primeiras jornadas para perceber que existe um grupo muito definido de jogadores e outro que, para já, tem tido uma utilização bastante reduzida.

Por isso, não me surpreenderia que três ou quatro atletas acabassem por procurar uma solução que lhes permitisse jogar com maior regularidade.


Agora começa o verdadeiro teste

Quando o mercado fechar, terminam também todas as discussões sobre reforços, saídas e oportunidades perdidas.

A partir desse momento haverá apenas uma questão verdadeiramente importante.

O Rio Ave tem qualidade para cumprir os seus objetivos?

Essa resposta já não será dada pelos diretores, empresários ou jornalistas. Será dada dentro das quatro linhas. O mercado termina amanhã.  A partir de amanhã deixam de existir desculpas.

O plantel estará definido, o treinador terá todas as peças à sua disposição e começará a verdadeira avaliação desta equipa. O resto da história será escrita em campo.


💬 Mas, o debate está aberto...

Gostava de conhecer também a opinião dos leitores.

  • Acham que o Rio Ave ainda vai apresentar mais algum reforço?
  • Entre Sebastian Clemmensen, Mohammad Hosseinnezhad e Vítor Hugo, qual vos parece fazer mais sentido?
  • Concordam que um plantel de 25 ou 26 jogadores seria o mais equilibrado?
  • Há algum jogador que, na vossa opinião, poderá ainda sair por falta de espaço?
  • E, olhando para tudo o que aconteceu neste mercado, acreditam que o Rio Ave ficou mais forte do que terminou a época passada?

Como sempre, deixem a vossa opinião nos comentários do nosso post no Facebook

Ao longo do dia, o Reis do Ave continuará a acompanhar todas as movimentações do mercado e atualizará os leitores sempre que existam novidades.

2.9.26

Vender agora não evita o que aí vem




O mercado de transferências em Portugal encerra no próximo dia 4 de setembro, às 23h00. Isso significa que o Rio Ave dispõe de apenas mais alguns dias para contratar, vender ou receber jogadores por empréstimo.

Nas últimas semanas, muito se tem falado sobre as necessidades do plantel e sobre as posições que continuam por preencher. Defesa esquerdo, defesa direito ou médio ofensivo são nomes que têm surgido frequentemente nas conversas dos adeptos.

No entanto, existe um outro tema que tem passado mais despercebido: o impacto que esta janela de transferências terá nas contas da SAD.

É importante recordar que as contas da Rio Ave Futebol Clube – Futebol, SAD encerram a 30 de junho de cada ano. Isto significa que todas as operações realizadas após essa data já pertencem ao exercício seguinte e não ao exercício que será apresentado aos sócios nos próximos meses.

Por outras palavras, mesmo que o Rio Ave concretize uma venda milionária nos próximos três dias, essa receita não entrará nas contas referentes à época passada. Essas verbas apenas terão reflexo no exercício atualmente em curso.

Consultando os dados disponíveis no Zerozero, verificamos que durante a época 2025/26 o Rio Ave realizou cerca de 12,7 milhões de euros em aquisições de jogadores, enquanto as vendas rondaram os 11,75 milhões de euros. A esmagadora maioria destas operações foi realizada entre 1 de julho de 2025 e 30 de junho de 2026, entrando assim no exercício que agora aguarda apresentação.



Perante estes números, torna-se difícil acreditar que a SAD venha a apresentar resultados positivos.

Mesmo admitindo que existam receitas adicionais, a realidade é que a estrutura profissional tem custos elevados. Salários de jogadores, equipa técnica, administração e restantes colaboradores representam uma despesa significativa que não desaparece das contas.

A isto junta-se ainda o investimento realizado na requalificação e expansão das infraestruturas do clube, um projeto que, embora importante para o futuro, também tem impacto financeiro. Mesmo excluindo estes valores, o resultado deverá ser negativo.

Sabemos que as principais fontes de receita da SAD continuam a ser os direitos televisivos e as transferências de jogadores. Se o saldo do mercado foi relativamente equilibrado e se os custos operacionais se mantiveram elevados, tudo indica que o exercício encerrado a 30 de junho voltará a apresentar prejuízo (e grande).

A confirmação apenas chegará quando as contas forem oficialmente divulgadas. Caso se mantenha a prática dos últimos anos, os sócios poderão voltar a ter uma ideia geral desses números na Assembleia Geral de outubro do Rio Ave FC.

Até lá, tudo não passa de uma análise baseada nos dados disponíveis.

Mas, olhando para os números conhecidos e para a realidade financeira do futebol português, estou convencido de que o próximo relatório financeiro dificilmente trará um resultado positivo. Afinal, as transferências que possam acontecer nos próximos dias já não servem para melhorar as contas do passado. A acontecer, servirão apenas para tentar equilibrar as do futuro.

Vale apena refletir!

O que precisa realmente de melhorar 
antes do mercado fechar? 

Quatro jornadas ainda não chegam para fazer julgamentos definitivos, mas já permitem identificar alguns aspetos que o Rio Ave terá de corrigir rapidamente.

 Na minha opinião, a questão não passa pelos reforços nem por uma alegada revolução no onze inicial.

 Basta olhar para os primeiros quatro jogos para perceber que a base da equipa continua praticamente a mesma da época passada. A espinha dorsal mantém-se e muitos dos jogadores mais utilizados já faziam parte do plantel. Por isso, não acredito que a adaptação dos novos jogadores explique, por si só, este início de campeonato.

 

A minha principal preocupação continua a ser o processo ofensivo.

 Tenho algumas dúvidas de que jogar, em muitos momentos, com quatro jogadores de características ofensivas esteja realmente a beneficiar a equipa. Em teoria, o Rio Ave deveria conseguir criar mais oportunidades e chegar com mais gente à área. Na prática, isso ainda não aconteceu. A equipa continua a produzir poucas ocasiões claras de golo e revela muitas dificuldades na definição dos lances.

 Também existem algumas questões individuais que, na minha opinião, merecem reflexão.

 Na defesa, considero que o eixo central e o lado esquerdo têm dado garantias, mas o lado direito continua a suscitar dúvidas. Liavas é um jogador com entrega e compromisso, mas limitado tecnicamente, e não é um lateral de raiz(ponto final). A adaptação quanto a mim, está longe de ser boa ou suficiente. Frente a adversários de maior qualidade, como FC Porto e Sporting, as suas limitações defensivas voltaram a ficar expostas e acabaram por influenciar o rendimento coletivo da equipa.

Também Ennio van der Gouw continua a alternar intervenções de grande nível com alguns lances em que fico com a sensação de que poderia ter feito mais. Refiro-me, sobretudo, a alguns dos golos sofridos frente ao FC Porto e ao Sporting. Não o responsabilizo diretamente pelos resultados, mas acredito que ainda tem margem para crescer.

 No ataque, Bezerra continua abaixo daquilo que muitos esperavam e já vimos. Ainda não conseguiu assumir-se a par de Jalen Blesa como a referência ofensiva da equipa e, para já, falta-lhe maior influência no jogo. Tamble Monteiro, parece-me mais próximo de de Blesa, e mais entrosado. Mas ainda não são a dupla Clayton - André Luis, Blesa é talvez o único que está a um nível muito superior de todos os outros.

Também a posição de extremo direito continua sem um dono claro. Nem Spikic nem Roland Galčík conseguiram afirmar-se. Ambos são jogadores que gostam de receber a bola no pé, mas, na minha opinião, falta-lhes agressividade na procura da profundidade e maior capacidade para atacar o espaço. Em várias situações acabam por perder a posse demasiado cedo, quebrando o ritmo ofensivo da equipa. Não são jogadores de quebrar linhas.

Outra área onde espero ver evolução prende-se com a intensidade sem bola.

 Não falo de agressividade no sentido disciplinar. Refiro-me à capacidade para pressionar mais alto, reagir rapidamente à perda da bola e dificultar a primeira fase de construção do adversário. Frente a equipas do mesmo campeonato, acredito que o Rio Ave pode e deve ser muito mais pressionante (a equipa não morde a lingua).

 


Outro tema inevitável é o treinador.

Sotiris Silaidopoulos continua a dividir opiniões entre os adeptos e confesso, eu também continuo com algumas reservas.

 Ainda é cedo para fazer uma avaliação, sei disso, mas em alguns jogos pareceu faltar capacidade para interpretar rapidamente aquilo que estava a acontecer dentro de campo e reagir em tempo útil. Algumas substituições e alterações táticas continuam a levantar dúvidas e transmitem, por vezes, alguma inexperiência na gestão dos diferentes momentos do jogo.

 Sobre este tema, subscrevo e na íntegra a análise publicada por JPM, que considero muito equilibrada e que levanta questões pertinentes sobre a evolução da equipa e da liderança técnica.

 Espero sinceramente que esta percepção venha a alterar-se, porque a estabilidade no banco será um dos fatores mais importantes para o sucesso da época. O jogo frente ao Santa Clara poderá começar a responder a muitas destas dúvidas.

 Mais do que o resultado, quero ver uma equipa com personalidade, mais agressiva nos duelos, mais objetiva no ataque e capaz de mostrar que aprendeu com os erros das primeiras quatro jornadas.

 Se isso acontecer, acredito que o Rio Ave tem todas as condições para iniciar uma recuperação na classificação. Caso contrário, as dúvidas que hoje existem poderão transformar-se, rapidamente, em preocupação.

1.9.26

O recorde durou apenas um mês






Há cerca de um mês escrevia neste espaço sobre o melhor mês de sempre da história do Reis do Ave.

Na altura, agradecia a todos os leitores por terem contribuído para um novo máximo histórico de visualizações. Confesso que pensava que seria difícil voltar a superar essa marca tão cedo.

Enganei-me.

O mês que agora terminou voltou a bater todos os registos anteriores e estabeleceu um novo máximo histórico para o blog.

Mais impressionante do que o próprio recorde é a forma como ele foi alcançado. Depois de no último mês o blog ter atingido o melhor mês de sempre, o Reis do Ave conseguiu crescer ainda mais, registando um aumento de cerca de 32% face ao anterior máximo histórico.

São números que nos deixam naturalmente satisfeito, não por uma questão de estatísticas ou vaidade pessoal, mas porque demonstram que existe cada vez mais interesse pelos temas relacionados com o Rio Ave e por quilo que aqui é escrito diariamente.

Num tempo em que muitos adeptos sentem uma crescente distância relativamente às estruturas do clube e da SAD, continua a existir uma comunidade de rioavistas que procura informação, opinião e discussão sobre o presente e o futuro do Rio Ave aqui no Reis do Ave.

Este novo recorde pertence a todos os que visitam o blog, comentam, partilham os artigos ou simplesmente dedicam alguns minutos do seu dia à leitura deste espaço.

O recorde do mês passado durou apenas um mês.

31.8.26

Quatro jornadas depois…

 confirmou-se aquilo que receávamos?

 Antes do início da Liga escrevi que o calendário do Rio Ave era tudo menos favorável. Defendi, na altura, que a deslocação a Barcelos podia ser um dos jogos mais importantes deste arranque, precisamente porque logo a seguir a equipa teria de receber o FC Porto e o Sporting, dois dos principais candidatos ao título. Quatro jornadas depois, acho que podemos dizer que essa previsão acabou por se confirmar.

 O Rio Ave soma apenas três pontos, fruto da vitória no Estoril, depois das derrotas frente ao Gil Vicente, FC Porto e Sporting. Não é o arranque que qualquer adepto desejava, mas também não pode ser analisado ignorando o contexto em que aconteceu.

 Na minha opinião, continua a ser a derrota em Barcelos que pesa mais.

 Não apenas pelos três pontos perdidos, mas porque obrigou a equipa a entrar numa sequência de jogos muito complicada já sob pressão. Se o Rio Ave tivesse conseguido pontuar frente ao Gil Vicente, provavelmente hoje olharíamos para esta fase inicial do campeonato com outros olhos.

 As derrotas frente ao FC Porto e ao Sporting são naturalmente difíceis de aceitar, sobretudo pela forma como aconteceram, mas também é preciso reconhecer que estamos a falar de equipas construídas para lutar pelo título.

 A vitória no Estoril mostrou, no entanto, que esta equipa continua a ser capaz de competir fora de casa e deixou sinais positivos para o futuro.

 Agora, o calendário começa finalmente a equilibrar.

 É por isso que acredito que o verdadeiro campeonato do Rio Ave começa agora.

 Mais do que olhar para trás, importa perceber se a equipa consegue transformar as boas indicações dadas em alguns momentos numa maior regularidade competitiva.

 Outro fator que pode marcar os próximos dias é o fecho do mercado de transferências.

 Até ao encerramento da janela ainda podem acontecer entradas e saídas. Se chegar mais algum reforço, será provavelmente para acrescentar qualidade imediata ao plantel. Se houver saídas, espero sinceramente que não atinjam jogadores importantes da estrutura da equipa.

 Com o mercado praticamente encerrado, deixam de existir desculpas.

 A partir de agora, treinador e jogadores terão tempo para trabalhar com um grupo estabilizado e demonstrar, dentro de campo, aquilo que realmente valem.

 O jogo nos Açores, frente ao Santa Clara, poderá muito bem marcar o início de uma nova fase da época.

Substituições que me deixaram confuso

Desde os tempos de Carlos Brito que me entretenho a antecipar as substituições feitas pelos nossos treinadores. Por em em alguns casos ser fácil (Luís Freire era muito previsível, por exemplo) ou por alguma experiência, tendo a acertar em, vá lá, 80/90% dos casos.

No entanto, as substituições feitas por Sotiris frente ao Sporting deixaram-me desnorteado🥴.

Primeiro, pensei que, a perder 2-0, pudesse mexer na equipa. Quando mexe, já estão 4-0.

Depois, admiti que fosse uma boa oportunidade para extremos como Medina e Lobato poderem mostrar alguma coisa. São jogadores que custaram bastante dinheiro à SAD e que não têm utilização. [admito como muito possível que possam sair até sexta-feira]

A seguir, nunca anteciparia que, chegado um ou dois dias antes, Sellouki se pudesse estrear;

Finalmente, Miguel Patrício, que no jogo contra o FC Porto entrou para o lugar de Diogo Nascimento, no jogo de sexta foi para extremo. 

Se Sotiris não tivesse com Marinakis a relação que todos sabemos existir, era capaz de pensar que o treinador estaria a pressionar para, recorrendo a Antoine, Patrício ou Caike, a contratação de mais jogadores...

Em resumo: 4 jogos, 22 jogadores utilizados, Liavas é o segundo jogador com mais minutos e apenas 5 jogadores foram titulares nos 4 jogos. 

 


29.8.26

(0-4 com o Sporting) Pesadelo em Sotiris street

1) O que já tinha sido evidente frente ao FC Porto foi ontem ainda mais claro: o Rio Ave não pode jogar com quatro avançados, deixando apenas dois homens no meio campo, frente a equipas que metem muitos jogadores no setor intermediário. Ntoi e Nikitsher andaram perdidos, sempre que o Sporting encurtava a distância entre linhas (e fê-lo quase sempre na primeira parte, até Gonçalo Inácio aparecia perto do meio campo). Esta ideia de 4-2-4 pode funcionar com equipas que vêm defender a Vila do Conde, mas - a jogar assim frente aos mais fortes - vamos perder e, talvez, perder por muitos.

2) Sem Diogo Nascimento e Abbey, dois dos três jogadores em melhor forma neste arranque do campeonato, o Rio Ave entrou mais fraco. Se acrescentarmos o facto de Vroussai ser o defesa-esquerdo e Liavas o defesa direito, estavam reunidas as condições para as coisas não correrem bem. Acresce o facto - incompreensível para mim- de Spikic continuar a ter oportunidades, quando há extremos que nem um minuto jogaram. São assim tão maus?

3) Correu tudo bem ao Sporting, é a realidade: ao intervalo tinham três grandes oportunidades e quatro golos! Mas quando o adversário - nós! - temos zero oportunidades e o guarda-redes do Sporting faz zero defesas em todo o jogo não se pode esperar muito mais. A perder dois-zero, e sem reação da equipa, talvez se justificasse uma intervenção do banco ainda na primeira parte. Achei que as substituições de Sotiris, ao longo do jogo, foram estranhas.

4) Outro problema já identificado anteriormente: o Rio Ave é uma equipa fofinha! Ao intervalo, duas faltas, contra 9 do Sporting. Porquê?

Quatro explicações, quatro golos. Uma noite para esquecer.

(melhor jogador 'do Rio Ave' em campo: Flávio Gonçalves😁😅😏😥)
 

26.8.26

Quando os sócios descobrem os projetos do clube pelas redes sociais dos outros



O Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença, visitou recentemente as instalações do Rio Ave FC e partilhou nas suas redes sociais um vídeo dessa visita.

Nada a apontar à divulgação da visita. Pelo contrário. 

O problema é outro.

Durante o vídeo, surge um momento particularmente interessante para qualquer sócio do Rio Ave: são mostradas imagens 3D do futuro complexo e das infraestruturas que estão a ser desenvolvidas pelo clube e pela SAD.




Imagens que, tanto quanto é do conhecimento público, nunca foram apresentadas aos sócios.

Não foram divulgadas no site oficial. Não foram partilhadas nas redes sociais do clube. Não foram apresentadas em assembleias gerais. Não foram sequer disponibilizadas como forma de os associados acompanharem aquilo que está a ser construído em nome do Rio Ave.

E é aqui que reside a questão.

Não me incomoda que Pedro Proença tenha mostrado essas imagens. O que me incomoda é que eu, enquanto sócio, tenha de as descobrir através de um vídeo publicado por terceiros.

Estamos a falar de um projeto estruturante para o futuro do Rio Ave. Um investimento que é constantemente referido pelos responsáveis do clube e da SAD como fundamental para o crescimento da instituição. Seria, por isso, natural que os primeiros a conhecer melhor esse projeto fossem precisamente os sócios.

Mas não.

Mais uma vez, a informação chega de forma indireta.

Basta olhar para outros exemplos. Há poucos meses, o Nottingham Forest tornou públicos os projetos de remodelação do seu estádio, apresentando imagens, vídeos e detalhes das intervenções previstas. Os adeptos puderam ver, analisar e acompanhar aquilo que o clube pretende fazer.

No Rio Ave, os sócios ficam reduzidos a descobrir estes pormenores através de um frame perdido num vídeo publicado pelo Presidente da Federação.

Pode parecer um detalhe.

Mas não é.

É mais um exemplo de uma cultura de comunicação onde os associados raramente são colocados em primeiro lugar. Uma cultura onde a informação existe, circula e é mostrada a entidades externas, mas continua a não chegar de forma clara e transparente a quem sustenta o clube há décadas.

Se existem imagens 3D do projeto, porque não divulgá-las?

Se existe orgulho no investimento realizado, porque não apresentá-lo aos sócios?

Se o projeto é assim tão importante para o futuro do Rio Ave, porque razão os associados continuam a conhecê-lo aos pedaços, através das redes sociais de terceiros?

São perguntas simples.

E que, infelizmente, continuam sem resposta.

Afinal, quais são os objetivos para esta temporada?




Desde a entrada da SAD, o Rio Ave completou já duas épocas e está agora no início da terceira. E há uma coisa que, para mim, continua por definir: quais são, afinal, os objetivos desportivos do Rio Ave?

Desde o início deste novo ciclo, ouvimos sobretudo frases vagas e genéricas. «Fazer melhor que no ano passado», «melhorar a estrutura», «preparar o clube para alcançar coisas maiores no futuro». Tudo afirmações que podem fazer sentido, mas que, quando falamos de objetivos desportivos, dizem muito pouco.

Tenho saudades dos tempos em que, no início de uma temporada, era possível perceber claramente aquilo que se pretendia alcançar. Apuramento para as competições europeias. Ficar entre os oito primeiros. Lutar por determinados lugares. Havia um objetivo concreto, que todos conheciam e que servia como referência ao longo da época.

Hoje, parece que essa ambição desapareceu das palavras.

Na primeira temporada da SAD, terminámos em 11.º lugar. No ano passado, o discurso era fazer melhor. Acabámos em 12.º, portanto, pior do que na época anterior.

E agora, no início desta terceira temporada, voltamos a ouvir a mesma ideia: queremos fazer melhor do que no ano passado.

Mas o que é, concretamente, fazer melhor?

É conquistar mais pontos? É terminar em 11.º? É ficar no top 10? É aproximarmo-nos dos lugares europeus? É lutar por eles?

Não sabemos.

E é precisamente isso que me incomoda.

Não estou a dizer que o Rio Ave tenha obrigatoriamente de anunciar que vai à Europa, nem que deva assumir objetivos completamente desfasados da realidade. Mas gostava de ver ambição e, acima de tudo, clareza.

Um bom grupo de trabalho precisa de saber para onde vai. Um treinador precisa de saber aquilo que lhe é pedido. Os jogadores precisam de conhecer a meta que têm de atingir. E os adeptos também merecem saber qual é o caminho que o clube pretende percorrer.

Não se trata de criar um objetivo para, no final da temporada, andar a apontar o dedo a quem não o conseguiu cumprir. Trata-se de assumir um compromisso.

E, de preferência, um compromisso ambicioso.

Ainda este fim de semana estive com velhos colegas da faculdade e, inevitavelmente, surgiu a pergunta:

— «Então, e o Rio Ave? Este ano é para ir à Europa?»

E dei por mim a responder que não sabia.

E isso é estranho.

Não porque ache que o Rio Ave não tenha qualidade para ambicionar mais. Pelo contrário. Mas porque, há três épocas, desde a entrada da SAD, os objetivos passaram a ser apresentados de uma forma tão vaga e ambígua que até uma pergunta tão simples como «é para ir à Europa?» se tornou difícil de responder.

25.8.26

É a meio campo que Sotiris tem mais dúvidas. Aqui fica o meu contributo

Em três jornadas já vimos Ntoi a 6 e, nos dois últimos jogos, Nikitscher - dois jogadores muito diferentes, ainda por cima, um mais físico, o segundo mais preocupado em ocupar os espaços.

Nestes três primeiras jornadas também vimos Diogo Nascimento a 8, mas, na segunda parte do Estoril, foi finalmente possível vê-lo mais adiantado, a 10, onde - penso - muitos gostariam de o ver jogar.

Nessa posição (médio centro) tem jogado Blesa, para permitir a Tamble ser o ponta de lança.

Nem Blesa tem propriamente características de 10, nem faz sentido desperdiçar o nosso melhor avançado.

Acredito que a segunda parte no Estoril vai inspirar Sotiris para sexta: Nikitsher, Ntoi e Diogo Nascimento no meio campo; Bezerra, Blesa no meio e Tamble na direita.

É certo que é frente ao Sporting e que este 11 é muito atacante. Mas com audácia podemos conseguir pontuar. 


 

24.8.26

Sub-19 e sub-17 já jogaram as 3 jornadas iniciais do campeonato




Algumas equipas de formação da Rio Ave SAD já disputaram as primeiras jornadas dos respetivos campeonatos nacionais.

A equipa de Sub-19 ao fim de três jornadas, somam uma vitória (conquistada este fim‑de‑semana frente ao Vizela), um empate e uma derrota, totalizando quatro pontos. Este registo permite ocuparem o 5.º lugar da classificação.

Já os Sub-17 em três jornadas realizadas, registam uma vitória e duas derrotas, somando três pontos. Estes resultados colocam atualmente o Rio Ave no 7.º lugar da classificação.


A evolução classificativa do Rio Ave no campeonato 26/27






Ao longo de uma época, a classificação de uma equipa está longe de ser estática. Há momentos de ascensão, períodos de estagnação e, por vezes, quedas inesperadas que ajudam a explicar o percurso realizado ao longo das 34 jornadas do campeonato.

Com o objetivo de acompanhar essa evolução de uma forma simples e visual, este espaço reúne um gráfico que mostra a posição ocupada pela Rio Ave SAD após cada jornada da Liga Portugal.

Mais do que observar a classificação final, este gráfico permite perceber como a equipa se foi posicionando ao longo da temporada, identificando os melhores momentos, os períodos mais difíceis e a consistência (ou falta dela) dos resultados obtidos.

Tal como acontece com outras páginas estatísticas do Reis do Ave, este conteúdo será atualizado regularmente após cada jornada, permitindo acompanhar em tempo real a evolução classificativa do Rio Ave ao longo do campeonato.




Rio Ave FC — Caminho na Liga

Posição ao fim de cada jornada
Posição atual
Posição do Rio Ave Zona de descida

22.8.26

(Vitória 0-2 no Estoril). Tudo nos correu bem (exceto, talvez, as eventuais lesões)

 O Rio Ave entrou um pouco adormecido mas 'acordou' a partir dos 10m. Faz 1-0. A partir daí controla as operações, mas sem criar oportunidades de perigo. A desinspiração do Estoril e a inspiração de Ennio vão resolvendo.

Na segunda parte, o Estoril tenta, o Rio Ave marca. E aqui mérito para Sotiris, que tirou do onze o inexistente Galcick e meteu Tumble a extremo. Ficámos mais consistentes. 

Até final, o Estoril continuou a ter mais remates (duas bolas nos ferros), mas as que foram à baliza encontraram um Ennio muito inspirado. Ele e Blesa, os melhores em campo.

Em suma, correu-nos tudo bem, exceto talvez o facto de três jogadores terem saído com problemas físicos (Abbey, Brabec e Tamble). Veremos se recuperam para sexta. 

O Rio Ave venceu porque foi mais consistente e tem melhor equipa. 

(O árbitro Carlos Macedo não teve influência no resultado e anulou um golo nosso por fora de jogo. Mas nos lances que mereciam dúvida e poderiam criar perigo decidiu sempre a nosso favor. Penso ser honesto dizer isto, depois do que escrevi aqui relativamente ao jogo em Barcelos)

 

21.8.26

Equipa sub23 estreia-se com empate frente ao Benfica (atenção a este guarda-redes)

Uma renovada equipa de sub23 iniciou ontem o campeonato, que agora se chama Next Gen. 0-0 no Seixal, frente ao Benfica. Foi também a estreia do treinador Tiago Ribeiro, que continua a sua ascensão na formação rioavista.

O Rio Ave foi melhor e mereceu ganhar, mas é fundamental destacar a exibição do nosso guarda-redes, Rodrigo Real. Fez pelo menos duas defesas 'de golo' e, para quem não o conhecia (como eu) impressionou-me. Prometo ficar atento à carreira deste jovem (tem apenas 17 anos, seria o guarda-redes dos sub19). Em março foi chamado à seleção nacional de sub18. Fez a formação no Varzim e veio para Vila do Conde em 2023

Nenhum dos quatro jovens que estão na equipa principal fizeram parte das escolhas de Tiago Ribeiro, sinal de que estão fidelizados (pelo menos por agora) ao projeto de Sotiris.

(curiosidade: no plantel continua um jovem grego, Georgios Lemonakis, defesa direito de 20 anos, emprestado pelo Nottingham. Ontem foi suplente não utilizado)

 

 

19.8.26

Rio Ave atualiza o plantel para incluir 4 jovens

Já aqui tinha perguntado por Samuel Alves, anunciado como reforço da equipa principal, mas ausente do plantel oficial que o site publica.

Pois bem, o site foi atualizado para incluir não apenas Samuel, mas também o defesa Caike e os médios Antoine e Miguel Patrício. A partir de agora, fazem parte oficialmente da equipa principal (claro que até ao mercado fechar muita coisa pode acontecer). Samuel e Patrício até já se estrearam.

O plantel tem agora 27 elementos, com 8 avançados, 8 médios e 8 defesas (e 3 guarda-redes). 

Na Liga, o Rio Ave tem mais 7 jovens inscritos, sendo um deles Dai Baldé, que esteve no banco frente ao FC Porto. 

 

(Baldé, a surpresa da jornada passada, está em Vila do Conde desde 2019)

18.8.26

Extremos a mais, extremos a menos?

O Rio Ave fez toda a segunda volta com Bezerra de um lado e Spikic do outro. O primeiro mostrou qualidades para ser titular, o segundo nem por isso. Mesmo assim, nem Medina nem Lobato, por razões diferentes e variadas, imagina-se, mereceram a oportunidade de serem titulares (Lobato jogou os minutos finais dos últimos jogos e até deixou boas indicações, na minha opinião).

Nenhum dos quatro saiu, pelo menos até agora, mas o plantel foi reforçado com mais um extremo, Galcick, que entrou diretamente para o onze nos dois jogos disputados - ou seja, Sotiris entendeu que é melhor do que os três outros extremos.

Na verdade, o que vimos até agora não parece confirmar isso. Galcick foi, aliás, o primeiro a sair frente ao FC Porto, depois de uma exibição muito desinspirada. Medina (que já está a cumprir a terceira época em Vila do Conde, com 5 jogos pela equipa principal!) e Lobato vão continuar à espera de uma oportunidade se Sotiris apenas vir Galcick e Spikic como primeiras opções. Talvez se Lobato mudar para Lobatic tenha mais oportunidades😄...  

(Medina assinou por quatro anos, esta é a terceira época)


Esperar pelo fim do mercado: um risco que o Rio Ave continua a correr




O Rio Ave anunciou os seus dois primeiros reforços ainda nas primeiras semanas de julho. Na altura, escrevi que era positivo ver a equipa manter uma base sólida da temporada passada, mas também referi que esperava mais movimentações no mercado.

Continuo convencido de que esses reforços vão chegar. O problema é que tudo indica que voltarão a chegar no modelo habitual, um modelo ao qual já me habituei, mas que continua sem me agradar.

A janela de transferências entra agora na sua reta final e é bem possível que o plantel só fique fechado perto do encerramento do mercado. Como tem acontecido noutras épocas, muitos dos jogadores poderão surgir já nas últimas semanas, provavelmente oriundos do universo Marinakis.

Entretanto, continuam por preencher posições que parecem evidentes. O Rio Ave necessita de um defesa-esquerdo, de outro defesa-direito e de um médio ofensivo capaz de acrescentar criatividade à equipa.

O que me preocupa não é apenas a origem dos reforços. É sobretudo o timing.

Se os novos jogadores chegarem apenas no final do mercado, será necessário algum tempo para se integrarem, conhecerem os colegas, assimilarem as ideias do treinador e atingirem o melhor nível competitivo. Se contabilizarmos duas semanas depois do fecho do mercado, nessa altura, o Rio Ave já terá disputado cerca de seis jornadas do campeonato, praticamente 17% da competição.

E muitas épocas decidem-se precisamente nos detalhes.

Os pontos perdidos em agosto valem exatamente o mesmo que os conquistados em abril. Por isso, adiar a resolução de lacunas que já são conhecidas pode acabar por ter um custo elevado mais à frente.

Espero estar enganado. Mas gostava de ver o Rio Ave atacar estas necessidades mais cedo, em vez de voltar a esperar pelos últimos dias de mercado para completar um plantel que já devia estar mais próximo da sua versão final.

Quem também não deve gostar desta espera é Sotiris.

17.8.26

Um ano do podcast Rioavíssimos

Faz hoje um ano que foi emitido o primeiro episódio do podcast/videocast Riovíssimos, iniciativa de Tiago Sencadas.

[Declaração de princípios: os três colaboradores do Reis do Ave fazem parte do painel de comentadores do programa, mas felizmente a equipa é bem mais vasta; ainda recentemente foi reforçada com mais um elemento]

Para quem, como eu, sabe o que é gastar muito do seu tempo a falar do Rio Ave, aqui fica uma saudação especial para o Tiago, pela persistência. Sendo o Rio Ave uma organização que comunica o mínimo e em que os seus responsáveis, estando em Atenas, Londres ou Vila do Conde, evitam o contacto com quem quer informar sobre a vida do clube, mais difícil se torna a missão.

Como é evidente, nem tudo correu bem neste ano, mas penso que não se falhou nenhuma jornada desde 17/8/25. Os erros só nos podem fazer ajudar a melhorar. Venha mais um ano, Tiago!


 

16.8.26

(Derrota 0-2 com o FC Porto) Não gostei, mas os portistas não são o Gil Vicente

Não gostei da exibição da nossa equipa ontem. 

Alguns argumentos:

- Sotiris mete quatro homens na frente, mas deixa apenas dois no meio campo (e um deles, Diogo Nascimento, é um jogador 'suave'). Com equipas mais fortes vamos ter poucas ou nenhumas hipóteses, porque eles povoam o nosso meio campo e nós apenas conseguimos trocar a bola para os lados; pouca agressividade, uma falta em 90 minutos é recorde...

- Outra vez golos de canto??? (No primeiro, Ennio ficou mal, no segundo Liavas esqueceu-se...)  

- O Rio Ave, no ataque, criou uma clara de oportunidade de golo (do outro lado estava um dos melhores guarda-redes do mundo) em 90 minutos. É pouco, muito mais, frente a um FC Porto mais fraco do que o habitual.

- Jogámos sempre com menos um. Galcick nunca entrou no jogo e quem o substituiu não fez melhor. Melhor em campo: Bezerra.

Nota final para a falta de opções no banco de suplentes: Vroussai entrou para médio centro, antes de passar para lateral direito. Dois jovens em estreia (Samuel e Patrício).   

Em resumo: esperava voltar a ver a atitude que vimos em Barcelos, mas reconheço que o FC Porto não é o Gil Vicente. Sábado, no Estoril, temos o tira-teimas...


 

13.8.26

Pressão sobre a arbitragem é bidirecional.

O jogo de Barcelos tornou-se ainda mais importante...

Na semana passada escrevi aqui que a deslocação do Rio Ave a Barcelos podia ser o jogo mais importante do arranque da época. O motivo era simples: o calendário da Liga Portugal Betclic 2026/27 reservou ao Rio Ave um arranque particularmente exigente, com receções consecutivas ao FC Porto e ao Sporting logo nas primeiras jornadas disputadas em casa.

Infelizmente, o pior cenário acabou por confirmar-se. O Rio Ave saiu derrotado por 1-0, frente ao Gil Vicente, e perdeu uma oportunidade importante de conquistar pontos antes de enfrentar uma sequência de jogos de enorme dificuldade.

Mas a derrota acabou por passar para segundo plano devido à enorme polémica em torno da arbitragem.

Dois jogos, muitas queixas

Curiosamente, Rio Ave e FC Porto chegam ao duelo da segunda jornada com um sentimento semelhante: ambos contestaram fortemente as arbitragens dos respetivos encontros da jornada inaugural.

Em Barcelos

Do lado do Rio Ave, os motivos de contestação começaram ainda na primeira parte.


Logo aos 23 minutos, Ryan Guilherme sofreu uma entrada dura que acabou por o obrigar a abandonar o encontro lesionado. O lance não motivou qualquer sanção disciplinar, situação que nós consideramos de muito difícil de compreender.

Pouco antes do intervalo, aos 43 minutos, Tumble Monteiro caiu na área do Gil Vicente, reclamando grande penalidade, mas o árbitro Gustavo Correia mandou seguir. O VAR também não interveio.

O momento que acabou por marcar definitivamente a partida surgiu logo no início da segunda parte.

Aos 47 minutos, Andreas Ntoi viu cartão vermelho direto, deixando o Rio Ave reduzido a dez unidades durante praticamente toda a segunda parte. A decisão foi imediatamente contestada pelos Rioavistas, que consideraram a expulsão excessiva e entendem que condicionou completamente o desenrolar do encontro.

Apesar da inferioridade numérica, o Rio Ave conseguiu manter o empate até perto do final.

Contudo, aos 87 minutos, Héctor Hernández converteu uma grande penalidade e fez o único golo da partida, ditando a vitória do Gil Vicente por 1-0.

No Dragão também houve protestos


Também o FC Porto, apesar de ter vencido o seu jogo, terminou a jornada a contestar a arbitragem.

O Porto beneficiou de duas grandes penalidades, ambas assinaladas após intervenção do VAR, mas entenderam que ficaram ainda por marcar outros lances semelhantes durante a partida, transformando igualmente a arbitragem num dos temas dominantes do pós-jogo.

Pressão ou apenas coincidência?

É aqui que surge a grande questão.

No caso do Rio Ave, existem lances concretos que justificam a insatisfação: a entrada sobre Ryan Guilherme, a expulsão de Andreas Ntoi, o alegado penálti sobre Tamble Monteiro e a sensação de falta de uniformidade nos critérios disciplinares ao longo do encontro.

Já do lado portista, apesar da vitória, o discurso voltou rapidamente para a arbitragem. Cada um fará a sua leitura. Mas é impossível ignorar que esta sucessão de declarações públicas acaba sempre por aumentar a pressão sobre a equipa de arbitragem que dirigirá o jogo seguinte.

O que mais me preocupa

O Rio Ave recebe agora o FC Porto, campeão nacional, depois de uma derrota que deixou marcas e de uma arbitragem amplamente contestada.

Ao mesmo tempo, o FC Porto chega igualmente insatisfeito, apesar de ter conquistado os três pontos.

Historicamente, este tipo de ambiente raramente beneficia os clubes de menor dimensão.

Espero sinceramente estar enganado.

Mas tenho a sensação de que o Rio Ave vai entrar em campo a jogar sobre brasas.

Ainda assim, se quiser contrariar todas as dificuldades do calendário, terá de fazer exatamente aquilo que fez tantas vezes na segunda metade da última época: competir sem medo, ganhar os duelos, manter a organização coletiva e não permitir que o contexto exterior desvie a equipa do essencial.

Porque, mais do que nunca, e pelas razões que apontei no meu post da semana passada, os pontos, mesmo contra o Porto, vão fazer falta.

12.8.26

Petrasso: a primeira surpresa da época




Confesso que, quando vi o onze inicial do Rio Ave para o jogo frente ao Gil Vicente, uma das decisões que mais me surpreendeu foi a ausência de Brabec.

Na minha opinião, o internacional checo foi o melhor central do Rio Ave na última temporada e, por isso, não esperava vê-lo começar a época no banco de suplentes. Ainda menos quando a alternativa escolhida foi Petrasso, um jogador que, apesar da sua entrega e compromisso, nem sempre foi visto como uma opção indiscutível para o centro da defesa.

Mas o futebol tem destas coisas.

Noventa minutos depois, percebi melhor a decisão de Sotiris.

Não só Petrasso foi titular, como envergou a braçadeira de capitão, assumindo desde o primeiro minuto uma posição de liderança dentro de campo. E a verdade é que correspondeu plenamente à confiança que lhe foi depositada.

Ao longo da partida, esteve sempre concentrado, agressivo nos duelos e muito competente nas ações defensivas. Honestamente, não me recordo de um único lance em que tenha sido claramente batido pelo adversário. Esteve presente quando foi preciso cortar, esteve forte no jogo aéreo e mostrou a raça que sempre o caracterizou desde que chegou aos Arcos.

Mas houve algo que me chamou ainda mais a atenção.

A sua liderança.

Durante os noventa minutos foi uma voz constante dentro de campo, orientando colegas, corrigindo posicionamentos e transmitindo confiança à equipa. A braçadeira não pareceu pesar-lhe. Pelo contrário, pareceu encaixar naturalmente no seu perfil.

É apenas um jogo e seria precipitado tirar conclusões definitivas com base numa única exibição. No entanto, aquilo que Petrasso apresentou em Barcelos deixa uma certeza: a sua titularidade esteve longe de ser um erro.

Aliás, se conseguir manter este nível exibicional nas próximas jornadas, Sotiris poderá vir a ter um problema daqueles que todos os treinadores gostam de ter: relegar definitivamente Brabec para o banco.

Pelo menos em Barcelos, Petrasso fez tudo para provar que merece continuar a ser uma das primeiras opções. E, olhando para aquilo que produziu dentro das quatro linhas, será difícil discordar.