13.5.26

Perdemos cerca de 400 espectadores por jogo face à média do primeiro ano desta direção

Análise · Assistências · Estádio dos Arcos

A pior época de assistências da última década — os números não mentem

A época 25/26 caminha para o fim. O Rio Ave não fará mais nenhum jogo em casa. O registo mais baixo dos últimos dez anos na primeira divisão (retirando o ano de regresso à 1ª div).


Há dados que não precisam de muita elaboração. Falam por si, desde que sejam apresentados com honestidade e com o contexto correto. Os números das assistências nos Arcos neste mandato são um desses casos. 

A época 2025/26 apresentou uma média de xxx espectadores por jogo.


Primeiro, a honestidade metodológica

Para que a comparação seja justa, há que excluir as épocas com distorções evidentes que nada têm a ver com o interesse dos adeptos pelo clube:

  • 2019/20 e 2020/21 — jogos à porta fechada ou com capacidade muito reduzida devido à pandemia de COVID-19. Média artificialmente baixa ou zero.
  • 2021/22 — época na segunda divisão. Contexto, adversários e dimensão completamente diferentes.
  • 2024/25 — os últimos quatro jogos em casa foram disputados no estádio de Paços de Ferreira, por interdição dos Arcos na sequência da Tempestade Martinho. A média oficial foi de 2.603, mas considerando apenas os 13 jogos efetivamente realizados nos Arcos, a média sobe para 3.128.

Feitas estas ressalvas, podemos comparar com rigor as épocas em condições normais, na primeira divisão, no Estádio dos Arcos.


A evolução das assistências — última década

Época Média/jogo Nota
2014/15 2.968
2015/16 3.301
2016/17 3.954 📈 Máximo da década
2017/18 3.889
2018/19 3.630
2019/20 COVID (porta fechada)
2020/21 COVID (porta fechada)
2021/22 2.ª divisão
2022/23 2.906 1.º ano de regresso à 1.ª div.
2023/24 3.148 1.º ano mandato AC
2024/25 3.128 * 2.º ano mandato AC
2025/26 ~2.635  3.º ano mandato AC · Mínimo da década

* Corrigido: excluindo os 4 jogos disputados em Paços de Ferreira (Tempestade Martinho), a média real nos Arcos foi de 3.128.


O que dizem os números, sem filtros

Nas cinco épocas completas antes das distorções da pandemia (2014/15 a 2018/19), o Rio Ave nunca desceu abaixo dos 2.900 espectadores de média — e chegou aos quase 4.000 em 2016/17.

No regresso à primeira divisão, em 2022/23, era esperada alguma perda — fruto do afastamento forçado da segunda divisão, de estádio com capacidade reduzida desde 2019, e do pós-pandemia. A média de 2.906 era compreensível.

O primeiro ano do mandato de Alexandrina Cruz (2023/24) trouxe uma subida para 3.148 — o número mais alto desde o regresso. Um bom sinal.

Mas desde então, a tendência inverteu-se de forma clara. A média corrigida de 2024/25 nos Arcos foi de 3.128 — praticamente estagnada. E em 2025/26, a média caiu para 2.635. O valor mais baixo de qualquer época normal da última década.

Em termos práticos: nesta temporada, perdemos cerca de 400 espectadores por jogo face à média do primeiro ano de Alexandrina (Curiosamente, estiveram presentes 596 sócios na Assembleia de Novembro de 2023 que decidiu a cedência de poderes ilimitados a Alexandrina para a criação da SAD).


O paradoxo dos sócios

Há um dado que torna estes números ainda mais desconcertantes: em 2023, o número de sócios do Rio Ave cresceu cerca de 40%.

Quarenta por cento. Um crescimento excecional, que em qualquer clube seria motivo de entusiasmo e que normalmente se traduziria num aumento imediato das assistências.

Mas não. As assistências caíram. O que levanta uma pergunta inevitável: quem são esses novos sócios? Vão ao estádio? Existem fisicamente? Ou o crescimento do número de associados esconde outra realidade?

Não temos resposta. A direção do clube, que soube explicar este fenómeno.


Não é só futebol — é ligação

Os resultados desportivos influenciam as assistências, claro. Mas o Rio Ave nunca foi um clube de massas que enche só quando ganha. A nossa história mostra que quando há proximidade, comunicação e entusiasmo gerado pela liderança, os adeptos aparecem — independentemente da tabela.

As épocas de 2016/17 e 2017/18, com médias de quase 4.000 e 3.900 respetivamente, não foram as melhores da história desportiva do clube. Mas havia algo que atraía as pessoas aos Arcos.

Hoje, com mais sócios no papel do que nunca, há cada vez menos gente nas bancadas. Essa contradição não é acidente. É sintoma.

Em resumo: nas três épocas deste mandato, as assistências nos Arcos desceram de 3.148 para ~2.635 — uma queda de mais de 400 espectadores por jogo. Isto aconteceu enquanto o número de sócios aumentou 40%. Alguém tem de explicar o que se passa.

Os números dizem que, neste momento, cada vez menos pessoas sentem o clube.

Dados de assistências: acompanhamento de assistências no Estádio dos Arcos, com agradecimento a Sérgio Oliveira pelos dados históricos. A média de 2024/25 foi corrigida para excluir os jogos disputados em Paços de Ferreira. A formatação deste texto foi auxiliada pelo Claude.

12.5.26

Rio Ave ignora presença do investidor em Vila do Conde. E eu não percebo porquê

 No dia 16 de dezembro do ano passado, o Facebook do Rio Ave fez uma inesperada publicação:

Pelas minhas contas, foi a primeira - e última - vez que o Rio Ave (evito dizer clube ou SAD porque a situação é tão ambígua...) se referiu ao nome do investidor. Ainda por cima, como podem ver, trata-se de um assunto pessoal e não desportivo. Evangelos Marinakis é referido duas vezes na publicação, sem nunca se dizer quem é.

Ontem, pela primeira vez Marinakis assistiu a um jogo do clube do qual é o principal proprietário. E, até este momento, o Rio Ave ignorou completamente esse facto.

Dir-me-ão que é para ninguém (a UEFA...) saber que ele é o investidor 😕😏. Mas recordo declarações em que o próprio Marinakis fala do Rio Ave como seu.

Em que ficamos? 

11.5.26

(derrota 1-4 com o Sporting) Marinakis viu e não gostou... (foi uma Mancha, Petrasso...)

 ... ou pelo menos, acho que não. Pelos vistos, a alguns minutos do final saiu do camarote e foi ver as obras...

Γεια σου Σωτήρη, εξήγησέ μου κάτι, δηλαδή χάνουμε και φέρνουν αμυντικούς και μέσους αντί για επιθετικούς; foi o que o Reis do Ave julga ter ouvido momentos antes  [Ò Sotiris, explica-me uma coisa, então estamos a perder e entram defesas e médios para o lugar dos avançados?] 

A verdade é que o Rio Ave, enquanto teve 11 jogadores, fez um bom jogo, depois da expulsão parva de Petrasso (com um amarelo, fazer aquela falta!!!) nunca mais deu. O atraso de Mancha, que deu autogolo, também ajudou a enterrar.

Derrota sem contestação. 

 

Três épocas, três desculpas, zero compromissos. Nenhuma autocrítica. Nenhum objetivo falhado assumido

Crónica · Opinião

A arte de dizer muito sem dizer nada

Três épocas, três desculpas, zero compromissos.


Há líderes que comunicam. Há líderes que informam. Há líderes que prestam contas. E depois há os que aparecem, de vez em quando, perante os jornalistas, dizem umas palavras reconfortantes e voltam ao silêncio — até à próxima ocasião em que o protocolo os obriga a falar.

Alexandrina Cruz enquadra-se, infelizmente, nesta última categoria.

No aniversário do clube, a presidente do Rio Ave FC voltou a falar. Deu umas declarações aos jornalistas presentes. E voltou a fazer aquilo que faz melhor: não dizer nada de concreto, com uma fluência assinalável.


Sempre para os jornalistas. Nunca para os sócios.

Comecemos pelo mais básico: quem são os sócios do Rio Ave FC? São, em teoria, os donos do clube.

Pois bem. Em toda esta época — uma época marcada, segundo a própria presidente, por "muitos contratempos" — quantos pontos de situação receberam os sócios? Quantas mensagens diretas de quem lidera o clube?

Nenhum. Zero. O silêncio absoluto, interrompido apenas quando há câmaras e microfones de jornalistas à frente.

Não existe um único registo em que a presidente do Rio Ave se dirija diretamente aos sócios para explicar o que está a acontecer. Num mundo em que qualquer clube de dimensão média tem canais de comunicação próprios, o Rio Ave continua a tratar os seus sócios como figurantes.

Comunicar apenas com jornalistas não é transparência. É gestão de imagem. São coisas muito diferentes.


Três épocas, três desculpas

Mas o que realmente impressiona — no mau sentido — é a consistência. Alexandrina Cruz leva três temporadas à frente do clube e, em cada uma delas, encontrou um argumento para explicar os resultados aquém do esperado. Com uma regularidade quase admirável.

1.ª época

"Ano zero." Estávamos num processo de reestruturação. Era preciso ter paciência. A base estava a ser construída.

2.ª época

"Ano zero da SAD." E além disso, a tempestade Martinho. Ninguém podia prever. Foram circunstâncias excecionais.

3.ª época (atual)

"Muitos contratempos." A pré-época foi fora de casa, as obras no estádio atrapalharam tudo. O que é que havia de fazer?

Três épocas. Três justificações distintas. Nenhuma autocrítica. Nenhum objetivo falhado assumido. Nenhum compromisso para o futuro com data ou métrica.

Há um padrão aqui que não pode ser ignorado: existe sempre uma desculpa pronta. E quando existe sempre uma desculpa pronta, deixa de ser uma desculpa e passa a ser uma estratégia.


A linguagem do não-compromisso

Analisemos as declarações do aniversário com algum cuidado. A presidente disse que o objetivo passa por aproximar o Rio Ave das competições europeias, "num curto prazo". Disse que não desistem da estratégia. Disse que estão a trabalhar para isso.

Façamos as perguntas óbvias que nenhum jornalista fez — ou pôde fazer num ambiente controlado:

  • Curto prazo — o que significa isso? Um ano? Dois? Três? Quando é que os sócios podem exigir resultados?
  • "Muitos contratempos" — quais, exatamente? Para além das obras e da pré-época, o que correu mal? Quem falhou? O que vai mudar?
  • "Não desistimos da nossa estratégia" — qual estratégia? Está escrita algures? Foi apresentada aos sócios? Tem indicadores de sucesso definidos?

Sem respostas a estas perguntas, as declarações da presidente valem o que valem: nada. São palavras ditas para consumo mediático imediato, sem qualquer consequência ou responsabilização futura.

Um bom líder faz o contrário: diz "queremos terminar entre os seis primeiros na próxima época". Diz "até ao final do ano, os sócios vão receber um relatório de atividade". Diz "assumimos que esta época ficou aquém e aqui está o que vai mudar". Compromete-se com algo verificável. Algo que, se não acontecer, o responsabilize.

Generalidades não responsabilizam ninguém. E é exatamente isso que as torna tão convenientes.

Liderança ou representação?

Há uma questão que se impõe, e que cada vez mais sócios colocam em voz baixa: quem manda realmente no Rio Ave?

Um líder que não comunica, que não se compromete, que tem sempre uma justificação ensaiada e que aparece apenas em contextos protocolares pode ser, simplesmente, um mau comunicador. Pode ser alguém com dificuldade em lidar com a exposição pública. Damos esse benefício da dúvida.

Mas pode também ser outra coisa: alguém que não decide. Alguém que assina, representa e aparece nas fotos — mas cujas decisões reais são tomadas noutro lugar, por outras pessoas, longe dos holofotes e fora do alcance dos sócios.

Se for assim, faz todo o sentido não se comprometer com nada. Porque comprometer-se implicaria poder para cumprir. E se o poder não está onde deveria estar, a única saída segura é... falar de forma vaga. Sorrir. Dizer que estão a trabalhar. E esperar que ninguém faça as perguntas certas.

Os sócios do Rio Ave merecem mais do que isto. Merecem uma liderança que os trate como parceiros e não como audiência. Que comunique nos bons e nos maus momentos — e não apenas quando há câmaras. Que diga "falhámos aqui, vamos mudar isto", em vez de procurar sempre a desculpa de serviço.

Três épocas. Três desculpas diferentes. Mas a mesma ausência.

Até quando?

A formatação deste texto foi auxiliada pelo Claude.

Sen Feminino: derrota na última jornada determina que vamos jogar playoff de manutenção/descida



Terminou o campeonato nacional feminino para o Rio Ave. E terminou da forma que ninguém desejava.

Na última jornada da prova, as seniores femininas receberam o Benfica nos Arcos e acabaram derrotadas por 0-1. Um resultado que, apesar da dificuldade natural do adversário, acabou por confirmar aquilo que o clube tentava evitar nas últimas semanas: o Rio Ave terminou o campeonato no antepenúltimo lugar e terá agora de disputar o playoff de manutenção.

O adversário será o Gil Vicente, quarto classificado da fase de apuramento de campeão da segunda divisão.

9.5.26

Toda uma época contada em seis parágrafos

Alexandrina Cruz interrompeu um ano de silêncio (mais?) para, à margem da gala do 87.º aniversário do clube, falar sobre a época que está a terminar. O que disse e os meus comentários à frente:

1. "Queremos que ele [Sotiris Silaidopoulos] fique. Tem contrato por mais um ano e o que percebemos é que há um projeto para dar continuidade com ele no comando". Aqui o mais curioso é a formulação: "o que percebemos é que há um projeto". Só faltou mesmo dizer "o que percebemos é que na Grécia querem que ele fique!"...

2. "Esse assunto [a saída do treinador ] nunca esteve em cima da mesa. Naturalmente, depois desses resultados menos positivos, conversámos bastante. Conversámos internamente, entre a estrutura que está em Portugal, mas também com o proprietário [o grego Evangelos Marinakis], mas o despedimento nunca foi um desejo nosso". Recordo o que disse o treinador antes do jogo com o Moreirense: "Continuará no Rio Ave após o jogo de 2.ª feira? "Não é uma questão para mim..." A seu tempo se saberá mais sobre este processo.

3. A líder da SAD rioavista, e também presidente do clube, assumiu, ainda assim, que a época foi marcada por "muitos contratempos", lembrando, por exemplo, as obras que tiveram de ser realizadas no estádio, o que condicionou a preparação da presente época. "Tivemos uma pré-época complicada, que também teve algumas consequências no início da temporada. (...)". Por a equipa não ter podido treinar nos Arcos nas primeiras semanas e ter adiado o primeiro jogo??? 

4. "Quando um investidor e proprietário maioritário chega quer sempre fazer uma reestruturação profunda [que levou ao despedimento de cerca de 40 funcionários, técnicos e colaboradores]. Não a quis fazer de imediato, mas quis analisar em conjunto connosco, embora a reestruturação fosse absolutamente necessária". Finalmente, o tema é abordado. Razões financeiras? Excesso de pessoas?

5. "Estamos a fazer [ao nível do investimento realizado ao nível do património e das infraestruturas], muito mais do que aquilo a que estávamos inicialmente obrigados em protocolo". Acredito que sim, o que me deixa feliz. Mas um pouco mais de informação sobre o que está a ser feito, e como, fazia sentido.

6. Questionada sobre as ambições futuras do clube, Alexandrina Cruz admitiu que o objetivo passa por aproximar o Rio Ave das competições europeias, embora sem estabelecer prazos imediatos. "É para isso que estamos a trabalhar. Exatamente para ter uma sustentabilidade grande e, num curto prazo, obtermos esses resultados" (...) "O que sentimos, apesar das dificuldades deste campeonato, é que não desistimos da nossa estratégia e estamos aqui para continuar". No curto-prazo, disse. "Estamos aqui para continuar" - pré-anúncio da candidatura?


 

 

 

 

 

8.5.26

Gual, lembram-se? Foi suplente utilizado nos sub23

Os sub23 fizeram o último jogo da época (derrota nos Açores, nas grandes penalidades) e pela primeira vez a notícia do site foi omissa sobre os jogadores utilizados.

Mas não é que havia uma surpresa?!😇
Marc Gual voltou a jogar (durante 28 minutos), sendo suplente utilizado.

Desde 30 de novembro que não jogava (1 minuto, também frente ao Santa Clara, curiosamente, mas aqui pela equipa principal).

Gual, que fez até agora um total de 14 jogos, com um golo, tem mais dois anos de contrato.

Se Sotiris continuar, não me parece que haja lugar no plantel (e estou a excluir que tenha estado lesionado todos estes meses; não somos informados de nada, mas pode ter acontecido). O que recordaremos dele? Os calções...🩲


 

 

7.5.26

FIFA condena Rio Ave SAD a pagar quase 60 mil euros a Aziz

Processo FPSD-19005 · FIFA Football Tribunal · 10 set. 2025

FIFA condena Rio Ave SAD a pagar quase 60 mil euros a Azis

A decisão tem cerca de 7 meses mas só agora é que dei conta da decisão e essa é razão pela qual escrevo só agora o artigo. A Câmara de Resolução de Litígios (DRC) do FIFA Football Tribunal emitiu, a 10 de setembro de 2025, uma decisão no processo que opôs o jogador Aziz, ao Rio Ave Futebol Clube, a propósito do não pagamento de bónus contratuais relativos à época 2023/2024.

O processo foi instaurado pelo jogador em abril de 2025, após tentativas frustradas de resolução extrajudicial com o clube. A decisão é parcialmente favorável ao jogador.


O contrato e os bónus em causa

Em fevereiro de 2024, Aziz celebrou um contrato com o Rio Ave FC, complementado por um adendo em abril. Estavam previstos vários bónus de desempenho, a liquidar até 1 de setembro de 2024:

  • Participação — 1.000€ por cada jogo com pelo menos 45 minutos
  • Titularidade — 500€ por cada jogo no onze inicial
  • Desempenho — 5.000€ por cada bloco de cinco golos e/ou assistências
  • Manutenção — 33.647€ caso o clube se mantivesse na Betclic League em 2024/25

Em julho de 2024, Aziz transferiu-se para o japonês Shimizu S-Pulse após pagamento da cláusula de 1.250.000€. Os bónus ficaram por pagar.


O que o jogador reclamou

Aziz recorreu ao FIFA Football Tribunal reclamando 84.147€ no total:

Bónus Valor
Participação (14 jogos × 1.000€) 14.000€
Titularidade (13 jogos × 500€) 6.500€
Desempenho (6 golos) 30.000€
Manutenção na liga 33.647€
Total reclamado 84.147€

Os argumentos do Rio Ave FC

Jurisdição — alegou que o FIFA Football Tribunal não seria competente, com base na cláusula de jurisdição exclusiva dos Tribunais do Porto. Ignorou, porém, a cláusula que transferia essa competência para a FIFA em caso de transferência para clube estrangeiro.

Legitimidade passiva — invocou a reestruturação societária de SDUQ para SAD (maio de 2024) para sustentar que a nova entidade não responderia pelas obrigações da anterior.

Mérito — reconheceu dever 59.647€. O ponto mais disputado foi o bónus de golos: para o Rio Ave, os 5.000€ seriam pagos apenas por cada bloco completo de cinco golos ou assistências, limitando o valor a 5.000€ (o jogador marcou seis, completando um único bloco). Argumentou ainda que os bónus não seriam exigíveis por o contrato ter cessado antes da data de pagamento.


A decisão da FIFA

A DRC fixou o montante a pagar em 59.647€, acrescido de juros de 5% ao ano desde 2 de setembro de 2024.

Jurisdição confirmada. O registo de Yakubu no Shimizu S-Pulse ativou a cláusula contratual que transferia a competência para a FIFA.

Rio Ave SAD responde pelas obrigações. A transformação de SDUQ em SAD é uma mera alteração de forma jurídica: o clube manteve o mesmo nome, a mesma liga, os mesmos jogadores e funcionários. A notificação enviada para geral@rioavefc.pt — endereço oficial usado pelo próprio clube no processo — foi considerada válida.

Bónus de golos — razão ao clube. A cláusula era clara: o bónus de 5.000€ era devido por cada bloco de cinco golos ou assistências. Com seis golos, Yakubu completou apenas um bloco, recebendo 5.000€ em vez dos 30.000€ reclamados.

Os bónus são devidos apesar da saída. Os direitos nasceram durante a vigência do contrato. A data de setembro era apenas a data de liquidação. O próprio comportamento do clube — que negociou uma proposta de pagamento antes de recorrer ao tribunal — revelou o reconhecimento tácito da dívida.


Resumo da decisão final

Montante a pagar
59.647€
Juros
5% ao ano, desde 2 de setembro de 2024
Sanção ao clube
Advertência formal (warning)
Prazo de pagamento
45 dias após notificação
Se não pagar
Proibição de registar jogadores por até 3 períodos de transferências consecutivos (desconheço se o Rio Ave recorreu para o TAS/CAS ou se liquidou valor)
Custas
Sem custas (processo gratuito quando uma das partes é jogador)
Nota de recurso: Esta decisão poderia ser objeto de recurso para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS/CAS), em Lausana, Suíça, no prazo de 21 dias a contar da notificação da decisão fundamentada

Fonte: Decisão da Câmara de Resolução de Litígios do FIFA Football Tribunal, proferida a 10 de setembro de 2025, processo FPSD-19005.
Nota: Este artigo foi escrito com a ajuda de IA (Claude.ai)

6.5.26

Por onde anda…? Episódio #4: Filipe Augusto



Há jogadores que são o motor invisível de uma equipa. Aqueles que, com um posicionamento impecável e uma capacidade de passe que parece desenhada a régua e esquadro, dão o equilíbrio necessário para os outros brilharem. Hoje, o nosso guardanapo de café foca-se num dos médios mais influentes da história recente do Rio Ave FC: Filipe Augusto.

O Equilíbrio Vindo da Bahia

Natural de Itambé, Filipe Augusto chegou a Vila do Conde ainda muito jovem - 19 anos - , vindo do Bahia, e rapidamente se percebeu que estávamos perante um talento especial. Com um pé esquerdo de especial, tornou-se o "pêndulo" da equipa. Foi um dos pilares nas campanhas memoráveis que levaram o Rio Ave às finais das Taças e à estreia europeia.

A sua qualidade era tão evidente que despertou o interesse dos "grandes", levando-o a passagens pelo Valência (Espanha), Braga e Benfica. No entanto, foi sempre em Vila do Conde que Filipe Augusto pareceu encontrar o seu porto de abrigo, regressando em diferentes fases da carreira para reafirmar o seu estatuto de líder. No total, somou mais de 130 jogos de caravela ao peito (139), tornando-se um símbolo do clube na última década.

Despedida definitiva do Rio Ave

No final de 2020/2021, depois da terrível descida de divisão do Rio Ave, decidiu procurar novos horizontes e rumou à Arábia Saudita para jogar no Damac FC. Ficou por lá apenas uma temporada sendo que nas duas épocas seguintes jogou no Cuiabá, terminando a ligação ao clube brasileiro depois de mais uma descida de divisão (Cuiabá desceu da primeira divisão para a segunda). 

Em 2025 assinou pelo Qindgao Hainiu (clube chinês).


E agora... por onde anda?

Hoje tem 32 anos, e depois de uma experiência na China, assinou em Fevereiro por o Khorfakkan (equipa dos Emirados Arabes Unidos) onde joga com o Aylton Boa Morte (sobrinho do Boa Morte) que há umas temporadas jogava no Portimomense.



5.5.26

A obra, inaugura ou não inaugura?

A 12 de agosto, um grupo de sócios reuniu-se com a a Direção e a presidente Alexandrina Cruz apresentou um conjunto de informações as obras a realizar no complexo desportivo. Entre os pontos partilhados, destacou-se um detalhe que até então não tinha sido tornado público: o novo edifício de apoio ao futebol profissional, atrás da baliza norte, teria conclusão, pelo menos da primeira fase, em janeiro.

Como é público, estamos em maio e o edifício não é usado durante os jogos, que seria uma das suas funções. Se a SAD não informou os sócios sobre as obras também não iria justificar os atrasos.

Entretanto, na sua conta no Instagram, Vítor Gomes partilhou recentemente uma foto da obra, ficando a ideia de que estará pronto. Para ser inaugurada esta época ainda, resta o jogo com o Sporting.

Mas o que fazia sentido era ter aproveitado as comemorações do aniversário do Rio Ave FC para fazer a inauguração ou, pelo menos, convidar os sócios a visitar as obras.  


 

4.5.26

Rioavistas dizem claramente não à continuidade de Sotiris

Começo pela ressalva habitual: uma sondagem vale o que vale, uma feita online vale ainda menos.

Mas não podemos ignorar que dos 133 que votaram, ao longo da última semana, 84 por cento disseram não à continuidade do treinador grego.

É uma percentagem esmagadora.

Sotiris não acha isso: no final da semana passada afirmou que “Estou muito satisfeito por estar aqui e quero fazer uma época ainda melhor no próximo ano. Tenho mais um ano de contrato, por isso, provavelmente vou ficar, mas no futebol nunca se sabe”. ["ainda melhor"? garantimos a permanência a três jornadas do fim!].

Pessoalmente, a minha esperança é que, perante a desilusão que está a ser a época do Olympiakos, Sotiris ainda regresse a Atenas e venha um treinador com visão e ambição. Já merecemos isso.

 


 

3.5.26

(0-0 com o Gil Vicente) Um bom jogo!

Podiamos ter vencido, podiamos ter perdido (com os dois lances finais do Gil) e empatámos.

Fomos melhores (mais oportunidades) e foi um dos nossos melhores jogos.

Equipa mais solta, beneficiando da 'abertura' do adversário, mas ainda assim desinspirada. Coletivamente. 

A primeira liga está garantida na próxima época, facto confirmado apenas nas últimas jornadas.  

Estamos em 12º, dará para fazer melhor? 

Petrasso foi surpresa no onze. Gostei


 

30.4.26

Quando o Reis do Ave chega mais longe do que pensamos



O Reis do Ave voltou a bater records de views este mês de Abril e isso leva-me a partilhar convosco uma história que aconteceu há poucas semanas.

No penúltimo jogo em casa frente ao Alverca aconteceu-me algo simples, mas que me ficou profundamente marcado.

Estava no meu lugar habitual nos Arcos, a ver o jogo, quando fui abordado por um sócio que me queria conhecer e trocar algumas palavras. Chamava-se Tiago.



Disse-me que vive em Londres há 19 anos e que acompanha o clube muito à distância. E disse-me algo que me ficou gravado:

que estes canais, o blog e o rioavissimos, aquilo que vamos escrevendo e partilhando, é a forma que tem de se manter ligado ao Rio Ave.

Confesso: senti orgulho.

Mas não aquele orgulho vaidoso, de quem pensa “tenho seguidores”.

Outro orgulho.

Mais fundo.

O orgulho de perceber que isto tem utilidade. Que chega a alguém. Que aproxima.

Às vezes escrevo uma crónica, compilo uma estatística, partilho e uma curiosidade histórica, comento um jogo… e do lado de cá parece apenas mais um texto.

Mas depois surge um momento destes e percebe-se que, para alguém, pode significar muito mais.

Pode ser um elo.

Pode ser uma ponte.

Pode ser uma forma de matar saudades de um clube e de uma terra.

E isso muda a perspetiva de tudo.

Porque o Reis do Ave — e outros espaços independentes que vão falando do Rio Ave — são hoje, cada vez mais do que páginas ou plataformas de adeptos.

São pontos de encontro.

São memória.

São presença.

São ligação.

Conhecer o Tiago foi um episódio breve.

Mas deixou uma certeza grande.

Vale a pena continuar.

Vale a pena escrever.

Vale a pena gastar horas a investigar, recordar, analisar e publicar sobre um clube que tantas vezes parece ter pouca voz.

Porque se isso ajuda, nem que seja um adepto em Londres, França, Suíça ou Luxemburgo, a sentir-se um pouco mais perto de Vila do Conde, do Rio Ave…

então já valeu.

E muito.

Obrigado, Tiago.

Porque naquele momento talvez tenhas achado que estavas só a agradecer.

Mas, na verdade, foste tu que me lembraste porque é que tudo isto faz sentido.

29.4.26

Porque não gostaria de ver Sotiris mais uma época em Vila do Conde

A derrota do Casa Pia, na passada segunda-feira, deixou o Rio Ave a oito pontos de distância do playoff. com 9 para disputar. O Casa Pia teria de ganhar os três jogos e o Rio Ave perder os três e nem isso garantiria que seriamos nós a descer de divisão, porque há outras equipas pelo meio. Não é matemático, mas quase. Convém, de qualquer forma, fazer mais um ponto, pelo menos.

Neste contexto, nos Arcos já se prepara - e bem - a nova época.

E o treinador é um elemento-chave.

Mais uma vez, vamos garantir a manutenção nas últimas jornadas e isso deve ser o primeiro critério de avaliação.

Depois, é fundamental ter em conta que Sotiris teve à sua disposição o plantel mais caro (ou o segundo mais caro) da nossa história. O quinto mais caro da primeira liga. O que conseguiu fazer com isso? Está à vista.

Finalmente, é hoje claro que (ainda?) lhe faltam qualidades para ser um bom treinador: na organização tática (o 4-3-3 foi forçado pelas circunstâncias), na leitura do que são, em cada momento, os melhores jogadores e na capacidade de os fazer evoluir vimos um treinador com limitações.

No início da época os jogadores falavam em atingir a Europa. Ficámos muito atrás. A culpa é deles próprios, de quem os escolheu e de quem os treinou. Precisamos de um novo treinador, apesar de este ter mais um ano de contrato, pelos vistos. Já chega de só tiros... 

(Há uma sondagem online a decorrer aqui) 


 

28.4.26

Mais dois processos judiciais: Empresa de limpeza e ex-fisio do Rio Ave

 

Deram entrada mais dois novos processos judiciais - um contra a Rio Ave SAD e outra contra a Rio Ave SDUC -.

As acções foi interpostas pela empresa Vadeca - Facility Services S.A e por uma pessoa a título individual Ricardo Alves Garrido.


1. Vadeca - Facility Services S.A - é uma empresa de limpezas

  • Valor reclamado: 22 749,12 €


2. Ricardo Alves Garrido - desempenhou as funções de fisioterapeuta no Rio Ave

  • Valor reclamado: 24 508,39 €