Há três anos, por ocasião das eleições de 2023 que elegeram Alexandrina Cruz como presidente do Rio Ave FC, fui bastante crítico em relação a dois aspetos: o elevado número de novos associados que surgiram nas proximidades do período eleitoral e a quantidade de pessoas recém-inscritas que integravam a lista candidata aos órgãos sociais.
Na altura, considerei que eram situações que mereciam ser questionadas. E continuo a pensar da mesma forma.
Por isso, não seria coerente da minha parte olhar agora para a lista B, liderada por Avelino Fernandes, e não assinalar aquilo que também me chamou a atenção.
Foram hoje divulgados os nomes que integram esta candidatura e, ao analisar a composição da lista, verifico que existem vários candidatos que são associados do Rio Ave há poucas semanas e outros há menos de dois anos.
Não estou a afirmar que estas pessoas não tenham direito a candidatar-se. Naturalmente que têm, desde que cumpram os requisitos estatutários. Mas considero legítimo questionar estas situações, sobretudo quando estamos a falar de pessoas que se propõem assumir responsabilidades nos órgãos sociais de um clube com a história e a dimensão do Rio Ave.
E faço questão de o referir porque critiquei exatamente o mesmo comportamento em 2023. Não faria sentido aplicar critérios diferentes consoante a candidatura em causa.
Há ainda outro aspeto que me deixa desconfortável. É do meu conhecimento que existem pessoas que se candidatam aos órgãos sociais do Rio Ave e que, nas suas redes sociais, publicaram fotografias com camisolas de outros grandes clubes, em momentos de festejo de derrotas do Rio Ave nos Arcos.
Cada um é livre de ter as suas preferências clubísticas. Mas, quando alguém decide apresentar-se para representar o Rio Ave e assumir responsabilidades na sua gestão, considero legítimo questionar a ligação, a identificação e o compromisso que tem com o nosso clube.
Não se trata de atacar pessoas nem de colocar em causa o direito de candidatura de ninguém. Trata-se de defender coerência e exigir que os mesmos critérios sejam aplicados a todos.
Em 2023 questionei estas situações na lista de Alexandrina Cruz. Em 2026, faço exatamente o mesmo relativamente à lista de Avelino Fernandes. A independência e coerência é exatamente isto.
O Rio Ave merece que os seus órgãos sociais sejam constituídos por pessoas que conheçam, respeitem e sintam verdadeiramente o clube.

Comentários