Continuamos a análise ao Relatório e Contas 2024/2025 da Rio Ave FC – Futebol, SAD, o documento que deixou de estar disponível no site oficial do clube. Agora de tarde: os salários.
Os números
Em 2024/2025, a SAD gastou 12,06 milhões de euros em remunerações do pessoal, mais 48% do que na época anterior (8,14 M€). Em duas épocas, a massa salarial subiu 76%.
Somando encargos sociais, seguros, indemnizações e outros custos, os gastos com pessoal chegaram aos 16,67 milhões de euros, mais 6,3 milhões do que em 2023/2024.
Destacam-se ainda 947.500 € em cedências temporárias de jogadores, que na época anterior tinham sido zero, e as indemnizações, que quase quadruplicaram para 564 mil euros.
O número médio de pessoas ao serviço da SAD passou de 103 para 133, com 17 jogadores e 13 colaboradores a mais.
As receitas não acompanharam
Enquanto os salários subiram 48%, as receitas desceran 1,7%, para 5,72 milhões de euros. Ou seja:
- Por cada euro que entrou com bilheteira, televisão, patrocínios e atividade comercial, saíram 2,11 € em salários.
- Os gastos totais com pessoal equivalem a 291% das receitas.
- Os direitos televisivos, a maior fonte de receita da SAD, cobrem apenas 42% dos salários.
Quem pagou?
A SAD pagou 16,6 milhões de euros ao pessoal e recebeu 7,9 milhões de clientes. A diferença foi coberta pelo acionista maioritário, a RAH Sports Investments, que meteu 23,06 milhões de euros na SAD durante a época “para ocorrer a necessidades de tesouraria”, como diz o próprio relatório.
Enquanto o acionista continuar a injetar dinheiro, as contas fecham (a posição do clube é diluida). A pergunta que os sócios devem fazer é simples: e se um dia deixar de injetar?
Na próxima parte: o parecer do Revisor Oficial de Contas e as três reservas às contas da SAD.

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