Daniel Silva 0
AG out26

Relatório e contas Rio Ave FC: E se os subsídios desaparecerem?


O Rio Ave Futebol Clube apresentou aos sócios um lucro de 555 mil euros na época2025/26, quase o dobro do ano anterior. À primeira vista, é sinal de um Clube cada vezmais forte.

Mas quando se olha para as contas com atenção, a pergunta impõe-se: este lucro foi conquistado pelo Clube, ou foi oferecido? A resposta, infelizmente, é clara. E diz muito sobre a fragilidade do caminho que estamos a seguir.

De onde veio o lucro

Os subsídios que o Clube recebe vêm de três fontes. Uma é a Câmara Municipal de Vila do Conde, que se manteve praticamente igual: 162 mil euros num ano, 170 mil no outro. Outra é da SAD (que continua a pagar menos do que o acordado).

A outra é o apoio da Associação de Futebol do Porto, da Federação e da UEFA. Aqui deu-se o salto: de 169 mil euros para 702 mil euros. São mais 533 mil euros num só ano.

A própria Direção reconhece, no relatório, que estes valores foram "bem superiores aostradicionalmente registados". Ou seja, não é o normal. Foi um ano excecional.

Agora a conta simples. O lucro antes de impostos foi de 586 mil euros. Retire-se o reforço extraordinário de 533 mil euros e sobram cerca de 54 mil euros. É esse o resultado que o Clube teria tido com os subsídios do costume.


Um Clube a viver de subsídios


Há um ano, os subsídios representavam cerca de um terço de tudo o que o Clube ganhava (34%). Esta época passaram a representar seis em cada dez euros (59%).

E o dinheiro que o Clube gera sozinho? Quotas, mensalidades da formação, bilhetes, publicidade e patrocínios somaram 250 mil euros. São apenas 17% das receitas. 
Pior: este valor desceu 13% face ao ano anterior.

Dentro dele, as quotas dos sócios caíram de 163 mil para 130 mil euros, menos 20%. Isto apesar de a Direção afirmar que o número de associados continua a aumentar.

Em resumo: o Clube depende cada vez mais de dinheiro que vem de fora e que não controla, enquanto a receita que depende de si próprio encolhe.





Custos a subir com dinheiro que pode não voltar


O problema não é só o subsídio ter sido excecional. É o que se fez com ele.

Os gastos do Clube subiram de 668 mil para 900 mil euros, mais 35% num ano. O maior aumento está nos honorários, os pagamentos a treinadores e futsal: de 249 mil para 429 mil euros, mais 72%.

E a margem é curta. Com os subsídios do costume, o resultado seria de cerca de 54 mil euros. Basta que outra receita falhe para o Clube entrar no vermelho novamente. Por exemplo, os 183mil euros registados como "sinistros", que o relatório não explica e que ninguém garante que se repitam.

E há um sinal de alerta que já se vê: apesar do lucro, o Clube terminou a época com apenas 42 mil euros no banco, contra 133 mil um ano antes.
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