O Rio Ave Futebol Clube apresentou aos sócios um lucro de 555 mil euros na época2025/26, quase o dobro do ano anterior. À primeira vista, é sinal de um Clube cada vezmais forte.
Mas quando se olha para as contas com atenção, a pergunta impõe-se: este lucro foi conquistado pelo Clube, ou foi oferecido? A resposta, infelizmente, é clara. E diz muito sobre a fragilidade do caminho que estamos a seguir.
De onde veio o lucro
Os subsídios que o Clube recebe vêm de três fontes. Uma é a Câmara Municipal de Vila do Conde, que se manteve praticamente igual: 162 mil euros num ano, 170 mil no outro. Outra é da SAD (que continua a pagar menos do que o acordado).
A outra é o apoio da Associação de Futebol do Porto, da Federação e da UEFA. Aqui deu-se o salto: de 169 mil euros para 702 mil euros. São mais 533 mil euros num só ano.
A própria Direção reconhece, no relatório, que estes valores foram "bem superiores aostradicionalmente registados". Ou seja, não é o normal. Foi um ano excecional.
Agora a conta simples. O lucro antes de impostos foi de 586 mil euros. Retire-se o reforço extraordinário de 533 mil euros e sobram cerca de 54 mil euros. É esse o resultado que o Clube teria tido com os subsídios do costume.
Um Clube a viver de subsídios
Há um ano, os subsídios representavam cerca de um terço de tudo o que o Clube ganhava (34%). Esta época passaram a representar seis em cada dez euros (59%).
E o dinheiro que o Clube gera sozinho? Quotas, mensalidades da formação, bilhetes, publicidade e patrocínios somaram 250 mil euros. São apenas 17% das receitas.
Pior: este valor desceu 13% face ao ano anterior.
Dentro dele, as quotas dos sócios caíram de 163 mil para 130 mil euros, menos 20%. Isto apesar de a Direção afirmar que o número de associados continua a aumentar.
Em resumo: o Clube depende cada vez mais de dinheiro que vem de fora e que não controla, enquanto a receita que depende de si próprio encolhe.
Custos a subir com dinheiro que pode não voltar
O problema não é só o subsídio ter sido excecional. É o que se fez com ele.
Os gastos do Clube subiram de 668 mil para 900 mil euros, mais 35% num ano. O maior aumento está nos honorários, os pagamentos a treinadores e futsal: de 249 mil para 429 mil euros, mais 72%.
E a margem é curta. Com os subsídios do costume, o resultado seria de cerca de 54 mil euros. Basta que outra receita falhe para o Clube entrar no vermelho novamente. Por exemplo, os 183mil euros registados como "sinistros", que o relatório não explica e que ninguém garante que se repitam.
E há um sinal de alerta que já se vê: apesar do lucro, o Clube terminou a época com apenas 42 mil euros no banco, contra 133 mil um ano antes.

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