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12.8.26

Pressão sobre a arbitragem, é bidirecional.

O jogo de Barcelos tornou-se ainda mais importante...

Na semana passada escrevi aqui que a deslocação do Rio Ave a Barcelos podia ser o jogo mais importante do arranque da época. O motivo era simples: o calendário da Liga Portugal Betclic 2026/27 reserva à equipa Vilacondense um arranque particularmente exigente, com resseções consecutivas ao FC Porto e ao Sporting logo nas primeiras jornadas disputadas em casa.

Infelizmente, o pior cenário acabou por confirmar-se. O Rio Ave saiu derrotado por 1-0, frente ao Gil Vicente, e perdeu uma oportunidade importante de conquistar pontos antes de enfrentar uma sequência de jogos de enorme dificuldade.

Mas a derrota acabou por passar para segundo plano devido à enorme polémica em torno da arbitragem.

Dois jogos, muitas queixas

Curiosamente, Rio Ave e FC Porto chegam ao duelo da segunda jornada com um sentimento semelhante: ambos contestaram fortemente as arbitragens dos respetivos encontros da jornada inaugural.

Em Barcelos

Do lado do Rio Ave, os motivos de contestação começaram ainda na primeira parte.


Logo aos 23 minutos, Ryan Guilherme sofreu uma entrada dura que acabou por o obrigar a abandonar o encontro lesionado. O lance não motivou qualquer sanção disciplinar, situação que o clube considera difícil de compreender.

Pouco antes do intervalo, aos 43 minutos, Tumble Monteiro caiu na área do Gil Vicente, reclamando grande penalidade, mas o árbitro Gustavo Correia mandou seguir. O VAR também não interveio.

O momento que acabou por marcar definitivamente a partida surgiu logo no início da segunda parte.

Aos 47 minutos, Andreas Ntoi viu cartão vermelho direto, deixando o Rio Ave reduzido a dez unidades durante praticamente toda a segunda parte. A decisão foi imediatamente contestada pelos vila-condenses, que consideram a expulsão excessiva e entendem que condicionou completamente o desenrolar do encontro.

Apesar da inferioridade numérica, o Rio Ave conseguiu manter o empate até perto do final.

Contudo, aos 87 minutos, Héctor Hernández converteu uma grande penalidade e fez o único golo da partida, ditando a vitória do Gil Vicente por 1-0.

No Dragão também houve protestos


Também o FC Porto, apesar de ter vencido o seu jogo, terminou a jornada a contestar a arbitragem.

Os dragões beneficiaram de duas grandes penalidades, ambas assinaladas após intervenção do VAR, mas entenderam que ficaram ainda por marcar outros lances semelhantes durante a partida, transformando igualmente a arbitragem num dos temas dominantes do pós-jogo.

Pressão ou apenas coincidência?

É aqui que surge a grande questão.

No caso do Rio Ave, existem lances concretos que justificam a insatisfação: a entrada sobre Ryan Guilherme, a expulsão de Andreas Ntoi, o alegado penálti sobre Tumble Monteiro e a sensação de falta de uniformidade nos critérios disciplinares ao longo do encontro.

Já do lado portista, apesar da vitória, o discurso voltou rapidamente para a arbitragem.

Cada um fará a sua leitura.

Mas é impossível ignorar que esta sucessão de declarações públicas acaba sempre por aumentar a pressão sobre a equipa de arbitragem que dirigirá o jogo seguinte.

O que mais preocupa

É precisamente isso que me deixa apreensivo.

O Rio Ave recebe agora o FC Porto, campeão nacional, depois de uma derrota que deixou marcas e de uma arbitragem amplamente contestada.

Ao mesmo tempo, o FC Porto chega igualmente insatisfeito, apesar de ter conquistado os três pontos.

Historicamente, este tipo de ambiente raramente beneficia os clubes de menor dimensão.

Espero sinceramente estar enganado.

Mas tenho a sensação de que o Rio Ave vai entrar em campo a jogar sobre brasas.

Ainda assim, se quiser contrariar todas as dificuldades do calendário, terá de fazer exatamente aquilo que fez tantas vezes na segunda metade da última época: competir sem medo, ganhar os duelos, manter a organização coletiva e não permitir que o contexto exterior desvie a equipa do essencial.

Porque, mais do que nunca, os pontos começam a fazer falta.