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27.7.26

Entre o que foi dito em Assembleia Geral e o que está escrito - algo não está correto



Há precisamente um mês, no dia 26 de junho, realizou-se a Assembleia Geral Ordinária do Rio Ave FC.

Entre os poucos temas debatidos, uma das questões colocadas à Presidente do Rio Ave FC, Alexandrina Cruz, incidiu sobre um assunto que há muito suscita dúvidas entre os sócios: afinal, Alexandrina Cruz tem ou não poderes executivos na Rio Ave SAD?

A pergunta surgiu porque existe uma discrepância evidente entre a informação divulgada pelo clube e a informação constante nos registos oficiais do Ministério da Justiça.

Na altura, perante os sócios presentes, Alexandrina Cruz foi clara. Afirmou que detinha poderes executivos na SAD e justificou a divergência com um alegado erro na informação disponibilizada pelo Ministério da Justiça, acrescentando que essa situação seria corrigida muito brevemente.

Passou um mês.

E não só a informação não foi corrigida como, entretanto, ocorreu uma nova atualização dos registos oficiais da sociedade.

Essa atualização, datada de 1 de julho, formalizou a saída de Lina Souloukou dos órgãos da SAD e a entrada de Konstantinos como novo membro executivo.





No entanto, há um detalhe que não passou despercebido: Alexandrina Cruz continua a não surgir com poderes executivos nos registos oficiais.

Ou seja, um mês depois da garantia dada perante os sócios, aquilo que consta dos documentos oficiais continua a não coincidir com aquilo que foi afirmado na Assembleia Geral.

Mas a situação torna-se ainda mais caricata quando se consulta o site oficial do Rio Ave.

Enquanto o Ministério da Justiça já regista a saída de Lina Souloukou, o site oficial continua a apresentá-la como membro da administração da SAD e com funções executivas.




Temos assim um cenário difícil de compreender.

Por um lado, os registos oficiais do Estado indicam uma determinada composição da administração e uma determinada distribuição de poderes.

Por outro, a Presidente do Rio Ave FC garante aos sócios que esses registos estão errados.

Por outro ainda, o próprio site oficial da SAD apresenta informação que não coincide nem com uma versão nem com a outra.

Independentemente de quem tem razão, há uma conclusão que parece inevitável: existe um problema de clareza.

E quando falamos da administração de uma sociedade desportiva, da definição de responsabilidades e dos poderes efetivamente exercidos por cada dirigente, a transparência não deveria ser opcional.

Os sócios do Rio Ave não deveriam ter de escolher em quem acreditar.

Os sócios deveriam ter acesso a informação clara, atualizada e coerente.

Porque quando os documentos oficiais dizem uma coisa, os dirigentes dizem outra e o site do próprio clube diz uma terceira, torna-se difícil exigir aos associados que compreendam a estrutura de poder existente.

Com tanta falta de clareza, talvez não surpreenda que muitos sócios sintam que a ligação entre a SAD e os associados é hoje praticamente inexistente.

E, infelizmente, um mês depois da Assembleia Geral, as dúvidas continuam a ser mais do que as respostas.

29.6.26

Agora não há dúvidas: Alexandrina Cruz é a pessoa com mais poder na SAD

Já sabíamos que era em simultâneo presidente do Clube e presidente do Conselho de Administração da SAD, mas a Assembleia de sexta-feira serviu para esclarecer o equilíbrio de forças entre os gestores e para concluir que Alexandrina Cruz é, sem dúvida, a pessoa com mais poder.

Como os nossos leitores sabem, detetámos em fevereiro uma incoerência entre o que dizia o site e o que estava registado notarialmente no Ministério da Justiça. A questão era e é relevante porque ter ou não ter funções executivas faz muita diferença.

Confrontada, na AG por um sócio, com as diferenças existentes, Alexandrina Cruz esclareceu que é administradora executiva e que mandará retificar o registo notarial.

Mas ficámos também a saber que Lina Souloukou (a pessoa em quem Marinakis mais confiava em todo o projeto multiclube) abandonou não apenas o Nottingham mas também o Rio Ave. E que para o seu lugar o investidor vai destacar o arquiteto que tem vindo a Portugal tratar dos projetos e das obras. Poderá ser executivo, mas vive fora e pouco perceberá de futebol.

Sendo a outra administradora executiva a financeira italiana Rabuanno, também ela ausente, Alexandrina Cruz terá todo o poder concentrado nas suas mãos (a única administradora executiva em Portugal, a única que conhece a realidade do futebol português, a única com ligações à realidade do futebol). Todo aquele poder que Marinakis deixar, claro. Mas foi importante, para memória futura, esta clarificação.


 

 

11.5.26

Três épocas, três desculpas, zero compromissos. Nenhuma autocrítica. Nenhum objetivo falhado assumido

Crónica · Opinião

A arte de dizer muito sem dizer nada

Três épocas, três desculpas, zero compromissos.


Há líderes que comunicam. Há líderes que informam. Há líderes que prestam contas. E depois há os que aparecem, de vez em quando, perante os jornalistas, dizem umas palavras reconfortantes e voltam ao silêncio — até à próxima ocasião em que o protocolo os obriga a falar.

Alexandrina Cruz enquadra-se, infelizmente, nesta última categoria.

No aniversário do clube, a presidente do Rio Ave FC voltou a falar. Deu umas declarações aos jornalistas presentes. E voltou a fazer aquilo que faz melhor: não dizer nada de concreto, com uma fluência assinalável.


Sempre para os jornalistas. Nunca para os sócios.

Comecemos pelo mais básico: quem são os sócios do Rio Ave FC? São, em teoria, os donos do clube.

Pois bem. Em toda esta época — uma época marcada, segundo a própria presidente, por "muitos contratempos" — quantos pontos de situação receberam os sócios? Quantas mensagens diretas de quem lidera o clube?

Nenhum. Zero. O silêncio absoluto, interrompido apenas quando há câmaras e microfones de jornalistas à frente.

Não existe um único registo em que a presidente do Rio Ave se dirija diretamente aos sócios para explicar o que está a acontecer. Num mundo em que qualquer clube de dimensão média tem canais de comunicação próprios, o Rio Ave continua a tratar os seus sócios como figurantes.

Comunicar apenas com jornalistas não é transparência. É gestão de imagem. São coisas muito diferentes.


Três épocas, três desculpas

Mas o que realmente impressiona — no mau sentido — é a consistência. Alexandrina Cruz leva três temporadas à frente do clube e, em cada uma delas, encontrou um argumento para explicar os resultados aquém do esperado. Com uma regularidade quase admirável.

1.ª época

"Ano zero." Estávamos num processo de reestruturação. Era preciso ter paciência. A base estava a ser construída.

2.ª época

"Ano zero da SAD." E além disso, a tempestade Martinho. Ninguém podia prever. Foram circunstâncias excecionais.

3.ª época (atual)

"Muitos contratempos." A pré-época foi fora de casa, as obras no estádio atrapalharam tudo. O que é que havia de fazer?

Três épocas. Três justificações distintas. Nenhuma autocrítica. Nenhum objetivo falhado assumido. Nenhum compromisso para o futuro com data ou métrica.

Há um padrão aqui que não pode ser ignorado: existe sempre uma desculpa pronta. E quando existe sempre uma desculpa pronta, deixa de ser uma desculpa e passa a ser uma estratégia.


A linguagem do não-compromisso

Analisemos as declarações do aniversário com algum cuidado. A presidente disse que o objetivo passa por aproximar o Rio Ave das competições europeias, "num curto prazo". Disse que não desistem da estratégia. Disse que estão a trabalhar para isso.

Façamos as perguntas óbvias que nenhum jornalista fez — ou pôde fazer num ambiente controlado:

  • Curto prazo — o que significa isso? Um ano? Dois? Três? Quando é que os sócios podem exigir resultados?
  • "Muitos contratempos" — quais, exatamente? Para além das obras e da pré-época, o que correu mal? Quem falhou? O que vai mudar?
  • "Não desistimos da nossa estratégia" — qual estratégia? Está escrita algures? Foi apresentada aos sócios? Tem indicadores de sucesso definidos?

Sem respostas a estas perguntas, as declarações da presidente valem o que valem: nada. São palavras ditas para consumo mediático imediato, sem qualquer consequência ou responsabilização futura.

Um bom líder faz o contrário: diz "queremos terminar entre os seis primeiros na próxima época". Diz "até ao final do ano, os sócios vão receber um relatório de atividade". Diz "assumimos que esta época ficou aquém e aqui está o que vai mudar". Compromete-se com algo verificável. Algo que, se não acontecer, o responsabilize.

Generalidades não responsabilizam ninguém. E é exatamente isso que as torna tão convenientes.

Liderança ou representação?

Há uma questão que se impõe, e que cada vez mais sócios colocam em voz baixa: quem manda realmente no Rio Ave?

Um líder que não comunica, que não se compromete, que tem sempre uma justificação ensaiada e que aparece apenas em contextos protocolares pode ser, simplesmente, um mau comunicador. Pode ser alguém com dificuldade em lidar com a exposição pública. Damos esse benefício da dúvida.

Mas pode também ser outra coisa: alguém que não decide. Alguém que assina, representa e aparece nas fotos — mas cujas decisões reais são tomadas noutro lugar, por outras pessoas, longe dos holofotes e fora do alcance dos sócios.

Se for assim, faz todo o sentido não se comprometer com nada. Porque comprometer-se implicaria poder para cumprir. E se o poder não está onde deveria estar, a única saída segura é... falar de forma vaga. Sorrir. Dizer que estão a trabalhar. E esperar que ninguém faça as perguntas certas.

Os sócios do Rio Ave merecem mais do que isto. Merecem uma liderança que os trate como parceiros e não como audiência. Que comunique nos bons e nos maus momentos — e não apenas quando há câmaras. Que diga "falhámos aqui, vamos mudar isto", em vez de procurar sempre a desculpa de serviço.

Três épocas. Três desculpas diferentes. Mas a mesma ausência.

Até quando?

A formatação deste texto foi auxiliada pelo Claude.

19.2.26

Governar por narrativa


Vivemos tempos curiosos.

Tempos em que a realidade é flexível, a verdade é negociável e o cargo que se ocupa depende mais do sítio onde se escreve do que dos factos.

Imaginemos o seguinte cenário:
Sou um trabalhador por conta de outrem. Cumpro horários, recebo ordens, tenho chefias acima de mim e, no final do mês, recebo o meu salário. Tudo normal.

Agora imaginem que, um belo dia, entro no Linkedin e decido atualizar o perfil:
CEO da empresa onde trabalho.

Não mudei de funções.
Não assinei qualquer contrato novo.
Não fui nomeado.
Não passei a decidir nada.

Mas escrevi.
E publiquei.
E pronto: está feito.

A partir daí, começo a apresentar-me como CEO.
Vou a eventos.
Dou opiniões estratégicas.
Falo em nome da empresa.
E, quando alguém pergunta “mas isso é oficial?”, respondo com ar sério:
“Depende.”

No papel, não sou.
Na prática, também não.
Mas na narrativa… sou.

Se algo correr bem, lá estarei para sorrir na fotografia.
Se algo correr mal, direi que não tenho poderes executivos, que sou apenas um trabalhador como outro qualquer e que a responsabilidade não é minha.

Absurdo?
Claro que é.

No mundo real, isto teria um nome: falsa representação.
No futebol português, parece ser a gestão moderna.

Porque no Rio Ave estamos exatamente neste ponto:
não importa o que se é de facto, importa o que se diz que se é — e onde se diz.

Pode não constar nos registos.
Pode não estar formalizado.
Pode não existir legalmente.
Mas se aparecer nos canais certos, com a narrativa certa, passa a ser verdade suficiente.

E o mais curioso é que ninguém parece incomodado com isso.

O problema é que os sócios não vivem do "Linkedin".
Vivem de realidade.

E na realidade, quando as decisões são tomadas, quando pessoas são despedidas, quando processos judiciais se acumulam e quando o clube entra num silêncio ensurdecedor, alguém tem de ser responsável — não apenas figurante.



14.2.26

Alexandrina Cruz é ou não administradora executiva da SAD?

 Segundo o site (informação divulgada Rio Ave SAD em outubro de 2025) sim:

Segundo a informação publicada na última sexta-feira no Portal do Ministério da Justiça, não (quatro meses depois).

Das duas, uma:

- ou tudo não passa de uma gralha, que deve ser corrigida (curiosamente a notícia do site fala apenas em presidente da SAD, mas é bom lembrar que o saudoso Boaz era presidente e administrador executivo na pagina do MJ) 

- ou, não sendo administradora-executiva (como sempre escrevi) o problema das (reais e hipotéticas) incompatibilidades não é, para mim, tão relevante, porque as decisões são realmente tomadas por Lina/Rabuanno e, nesse caso, a presidente da SAD será uma figura mais simbólica, por não ter poder executivo.

(Em qualquer caso, fica o meu desabafo, nem nas coisas mais pequenas, como a parte burocrática, esta SAD não acerta uma...)

 

PS- Curiosidade: Boaz deixou de ser presidente da SAD em agosto de 2025! 

1.2.26

A gestão que apagou a nossa essência




Há coisas que, por mais que se tente relativizar, já não dão para esconder. Uma delas é esta: a tão apregoada manutenção da identidade do clube com a entrada do novo investidor, repetida vezes sem conta por Alexandrina Cruz em Assembleias Gerais, está hoje pelas ruas da amargura.

Não só essa identidade não foi preservada, como foi diluída, descaracterizada e, em muitos momentos, simplesmente ignorada. O Rio Ave já não é visto como um clube com projeto próprio, com personalidade e com uma forma de estar distinta. Pelo contrário, começa a ser rotulado como “o novo Boavista”, um clube perdido entre promessas falhadas, instabilidade permanente e uma desconfiança generalizada sobre o futuro. Há quem já fale abertamente na descida de divisão — algo que, há poucas jornadas, pareceria impensável.

E dói. Dói porque muitos de nós ainda se lembram de um Rio Ave respeitado. Um Rio Ave simpático aos olhos do país. Um Rio Ave que, mesmo pequeno em dimensão, era grande em caráter. Um clube que conseguiu pôr Portugal inteiro a torcer por si contra o Elfsborg, contra o Milan, contra adversários bem mais poderosos, mas que nunca conseguiram roubar-nos a dignidade nem a alma.

Havia garra. Havia identidade. Havia um orgulho genuíno em vestir esta camisola. O Rio Ave era visto como um clube sério, bem gerido, competitivo dentro das suas possibilidades. Um exemplo. Hoje, infelizmente, já não é isso que transparece.

Em pouco mais de dois anos, conseguiu-se aquilo que parecia impossível: colocar em causa 86 anos de história. Não por falta de recursos mas por decisões erradas, silêncio cúmplice e uma subserviência constante a interesses que nunca foram — nem serão — os do clube.

O mais grave não é apenas perder jogos ou andar aflito na tabela classificativa. O mais grave é perder respeito. Perder identidade. Perder aquilo que nos diferenciava dos outros. Quando deixamos de ser “o Rio Ave” para passar a ser apenas mais um clube satélite, descartável, transitório, algo se quebrou de forma profunda.

A promessa era continuidade. O resultado é rutura. A promessa era identidade. O resultado é descaracterização. A promessa era crescimento sustentado. O resultado é desconfiança, medo e saudade.


Saudade de quando o Rio Ave era, simplesmente, o Rio Ave.

31.1.26

Sem rodeios: é tempo de chamar os bois pelos nomes




É natural que, em momentos de crise, o primeiro alvo seja o treinador. Acontece em todo o lado, faz parte do futebol e da sua lógica imediatista. Mas reduzir o estado atual do Rio Ave FC a uma questão meramente técnica é não só simplista, como injusto. O problema é bem mais profundo e tem nomes, decisões e um rumo claramente identificável.

Importa, por isso, recordar quem são os verdadeiros responsáveis por este percurso que, em pouco tempo, resultou na perda quase total da identidade e da mística que durante anos caracterizaram o nosso clube. A direção do Rio Ave FC, presidida por Alexandrina Cruz, não pode continuar imune à crítica, como se fosse apenas uma figura decorativa num processo que corre em piloto automático.

O Rio Ave que conhecíamos — competitivo, incómodo para os grandes, com uma ideia clara de jogo e uma ligação forte entre equipa, clube e adeptos — deu lugar a um emaranhado de decisões avulsas, falta de planeamento e uma gestão que parece viver permanentemente em reação, nunca em antecipação. Trocam-se treinadores, mudam-se jogadores, ajustam-se discursos, mas o essencial permanece intocado: a ausência de um projeto desportivo coerente.

A perda de identidade não acontece de um dia para o outro. É o resultado de escolhas sucessivas: contratações sem enquadramento, ciclos interrompidos precocemente, comunicação pobre e distante, e uma clara desvalorização do que fazia do Rio Ave um clube respeitado dentro e fora de campo. Hoje, somos um clube sem rosto, sem alma e, pior ainda, sem rumo visível.

Enquanto isso, a presidência mantém-se num silêncio ensurdecedor. Não há explicações, não há assunção de responsabilidades, não há uma palavra clara dirigida aos sócios e adeptos. Tudo parece normalizado, como se a mediocridade fosse agora o novo patamar aceitável. Não é.

Apontar o dedo ao treinador pode dar uma sensação momentânea de ação, mas não resolve nada. O problema está acima, na estrutura, na liderança e na visão — ou na falta dela. Um clube não perde a sua mística por causa de um treinador. Perde-a quando quem o dirige deixa de saber o que ele representa.



O Rio Ave FC merece mais. Merece transparência, ambição e respeito pela sua história. E isso começa, inevitavelmente, por quem está no topo.

(0-3 com o Arouca) Sotiris é incompetente e a única saída é a demissão (ATUAL)


O treinador do Rio Ave, no final do jogo, responsabilizou o mercado de transferência pela falta de foco da equipa. Não sei se tem alguma razão, mas, a ter, essa será apenas uma pequena parte da explicação; o facto é que está à vista a incompetência do treinador e só espanta como é, com a bancada a pedir a sua demissão, ele ainda seja o treinador neste momento - o que eu esperava é que ele anunciasse que telefonou a Marinakis a dizer que não tinha condições para continuar.

O Rio Ave jogou tão mal como na Madeira, só não perdeu por 4-0... 

O onze inicial já fazia suspeitar que as coisas não iriam correr bem (cinco defesas, quatro médios e apenas um avançado) e só a perder 2-0 fez a primeira substituição.

Insisto: talvez não seja o treinador mais incompetente que tivemos no Rio Ave mas é o mais 'cego', por se recusar a ver a realidade

 (o  vídeo não mostra, mas pela primeira vez a Direção do Rio Ave e a administração da SAD [Alexandrina Cruz e Luis Oliveira] foram bastante contestados pelos sócios) 


 Atualizado: Adeptos assobiaram e mostraram lenços brancos: "É perfeitamente compreensível a frustração dos adeptos. No último mês, não temos estado ao nível que já estivemos e isso é algo que temos de analisar. A equipa técnica e os jogadores, em conjunto, vamos dar a volta." Tenho força para muitas coisas e entre elas é para dar a volta a isto

10.12.25

Funcionários da Rio Ave SAD com atraso no pagamento de ordenados



Já diz o ditado, um mal nunca vem só. 
E, normalmente, quando o ambiente é de perturbação, incerteza e decisões que deixam mais dúvidas do que respostas é natural que as pessoas procurem garantir aquilo a que têm direito — especialmente quando falamos de algo tão básico como… o ordenado ao fim do mês.

Ontem, chegaram-me vários testemunhos de funcionários que asseguram que a Rio Ave SAD não tinha pago os salários referentes ao mês de novembro.

Recorde-se que estes valores deveriam ter sido liquidados até ao dia 8 de dezembro.

Hoje, garantem-me que os ordenados já caíram na conta (ainda que com atrasado), porém os subsídios de Natal ainda não foram pagos (podem ser pagos legalmente até dia 15) e não foi prestado qualquer esclarecimento quando é que isso vai acontecer.

Numa fase em que vários trabalhadores estão a ser despedidos, departamentos inteiros foram desmantelados e o ambiente interno é descrito como de medo e instabilidade, soma-se agora mais este problema — o de quem trabalha não ver cumprida a sua legítima retribuição.

Perante tudo isto, fica a pergunta que ecoa entre funcionários, sócios e adeptos:

Afinal, o que se passa?

Os associados do Rio Ave FC e os próprios envolvidos no processo não merecem esclarecimentos?

8.12.25

Procura-se…




Ontem a equipa de feminino jogou frente ao Sporting no estádio dos Arcos.
Houve uma ausência na tribuna presidencial (que normalmente está presente em @todos os jogos): Alexandrina Cruz.

Durante o jogo, tive a oportunidade de falar com funcionários e ex-funcionários (despedidos esta semana) que dizem que desde o início da semana que tentam falar com Alexandrina e que a mesma evita “encontrar-se” com eles e que não demonstrou disponibilidade para uma conversa.

5.12.25

Se há momento para Alexandrina falar, é este. Mas até agora...





Há momentos na vida de um clube em que a ausência pesa mais do que qualquer presença. E, no caso do Rio Ave FC, esse vazio tem um nome bem definido: Alexandrina Cruz, presidente da SAD e do clube.


Quando as marés estão calmas, quando há inaugurações, cerimónias, apresentações ou oportunidades fotogénicas, a presença é garantida. Surge sorridente, disponível, pronta para as objetivas e para as formalidades do protocolo. É nessa altura que a liderança aparece – quando nada a desafia, quando tudo está alinhado, quando o vento sopra a favor.


Mas basta a maré mudar. Basta surgir uma crise, uma decisão polémica, uma perturbação séria no funcionamento do clube – como a recente vaga de despedimentos ou qualquer outro episódio crítico – para que a mesma liderança desapareça como quem apaga a luz ao sair de uma sala.

E o silêncio faz-se ensurdecedor.

Os associados, que são a alma do Rio Ave, continuam à espera de explicações.

Continua por esclarecer:
  1. Que decisões estão a ser tomadas?
  2. Porquê?
  3. Com que fundamentação?
  4. E com que impacto no presente e no futuro da instituição?

São perguntas legítimas de quem ama o clube e exige transparência. Porém, a presidente mantém-se recolhida, distante, ausente do debate que deveria estar a liderar.

Ontem Alexandrina Cruz esteve na cimeira dos Presidentes. Há saída, tinha dezenas de jornalistas. Porquê que não prestou qualquer esclarecimento?

Esta postura cria uma sensação de abandono institucional. Dá a ideia de que há dois modos de atuação: o modo cerimónia, sempre ativo para os holofotes, e o modo crise, que parece desligar-se assim que é preciso assumir responsabilidades. Uma direção não pode ser apenas de fachada. Não pode aparecer apenas quando convém. Não pode fugir quando é chamada a responder.


Porque liderar não é só cortar fitas.

Liderar é enfrentar os momentos difíceis.
Liderar é dar a cara, mesmo quando custa.
Liderar é assumir erros – e corrigi-los.
Liderar é não deixar os sócios às escuras.


O Rio Ave FC merece uma liderança presente, clara, corajosa e transparente.

Os sócios merecem respeito.

E, acima de tudo, o clube merece muito mais do que comunicados vagos ou silêncios prolongados.

Se é verdade que a presidência se mostra quando as águas são calmas, então é chegada a hora de aparecer quando o mar está revolto. Porque é precisamente nessa altura que se percebe quem está verdadeiramente ao leme.

Temos direito a ser informados. Quem zela pelos nossos direitos?

O Rio Ave FC teve ontem um dia negro, ao ser arrastado pelas decisões radicais da SAD de afastar dezenas de colaboradores.

Há muito que o Rio Ave não era a primeira notícia num site de futebol. Pelas piores razões. 

Mas, sou o primeiro a admitir, talvez fosse necessário fazer alguma coisa, em face dos gastos porventura excessivos, da gestão descontrolada e dos prejuízos acumulados. Não da forma como as coisas foram e estão a ser feitas, a 'matar', mas perceberia se nos explicassem que chegou o momento de fazer cortes.

O que não entendo nem consigo aceitar é o silêncio da SAD. Deliberadamente, Marinakis ou Lina Soloukou acharam que os sócios do Rio Ave não mereciam uma explicação.

Talvez, com a explicação, conseguíssemos compreender melhor o que se está a passar, mas, percebendo ou não, tínhamos e temos direito a isso. É uma obrigação.

Ainda não é tarde. Ontem era o dia certo.

 

4.12.25

10 pessoas despedidas no feriado de dia 1 de Dezembro em dia de folga (Quem e como foram informados)



Nos últimos dias, a formação da Rio Ave SAD foi palco de uma das decisões mais inesperadas e mal comunicadas dos últimos anos. Vários elementos das equipas técnicas — treinadores de guarda-redes, analistas e preparadores físicos — foram dispensados de forma abrupta, sem aviso prévio, sem enquadramento desportivo e sem qualquer estratégia comunicada para assegurar a continuidade do trabalho desenvolvido.

Após contactos feitos com alguns dos profissionais despedidos, torna-se possível perceber a dimensão destes despedimentos.


Como foi comunicada a decisão?

De acordo com os profissionais com quem falei, o processo foi tudo menos transparente.
Antes do despedimento formal, cada elemento recebeu uma chamada do diretor-geral da Academia, Jorge Freitas, apenas para dizer que iriam receber uma chamada do CEO, Ignacio Beristain, a informar a dispensa — uma espécie de “aviso prévio para o choque”.
Todos os membros que estavam a recibos verdes foram despedidos no próprio dia.
Ficaram os estagiários e os treinadores principais para já.

A comunicação oficial chegou depois, por telefone, na segunda-feira, 1 de dezembro (feriado e dia de folga), com efeito imediato. Não houve explicações, não houve reunião presencial articulada, não houve qualquer justificação desportiva.

O pedido seguinte foi simplesmente: “passem cá para tratar das coisas”. No fundo, apenas assinar a rescisão.
  • Houve técnicos principais que souberam do despedimento pela própria pessoa despedida — porque a estrutura não comunicou.

O silêncio da direção técnica

Outro dado relevante: nenhum diretor das equipas falou com os técnicos antes ou depois da dispensa.
Vários responsáveis souberam apenas depois de tudo estar consumado.

A ausência de comunicação colocou toda a formação num estado de choque, criando um ambiente de incerteza total sobre a continuidade do trabalho realizado até aqui.


A ausência notada da presidente

Na hora da dispensa, a presidente da SAD, Alexandrina Cruz, não esteve presente.
Internamente, essa ausência foi alvo de críticas e todos os visados (assim como os para já ficam), sentem e partilham que Alexandrina Cruz faltou à palavra.



Quem foi despedido?

A lista é longa e cobre praticamente todas as faixas etárias da formação:

Sub-14: Treinador de Guarda-Redes, Analista, Preparador Físico

Sub-15: Analista, Preparador Físico

Sub-16: Treinador de Guarda-Redes, Analista

Sub-17: Preparador Físico, Analista

Sub-19: Analista (e possivelmente o preparador físico, que está há menos de um mês na SAD)

3.12.25

Os despedimentos continuam, os departamentos estão a ser extintos e o clima interno está em deterioração




Nos últimos dias, o Rio Ave tem sido palco de uma vaga significativa de mudanças internas que, segundo informações recolhidas por mim, representam a maior "dispensa" na história do clube. 

Extinção e redução de postos de trabalho

As alterações atingem vários departamentos nucleares do clube, alguns deles com colaboradores de longa ligação ao Rio Ave.

Assistencial à Presidencia
  • Tal como já tive oportunidade de escrever aqui, Selma Pereira foi dispensada.


Scouting

Departamento de Marketing
  • O departamento foi/será oficialmente extinto.

  • Mantém-se apenas um colaborador, que ficará responsável por todas as funções que anteriormente eram divididas por uma equipa completa — desde ativação de marca a comunicação comercial, gestão de parceiros e ações promocionais.


Direção de Comunicação
  • Haverá uma restruturação total do departamento com a saída de pessoas "relevantes" no departamento


Formação
  • Já foram dispensados muitos Team Managers e Analistas. O processo ainda não terminou e irá terminar muito possivelmente com a dispensa de todos os Team Manager e Analistas.


O ambiente dentro do Rio Ave deteriorou-se de forma visível no último mês.
Entre os colaboradores que continuam no clube, a maioria estará a procurar saída, com exceção dos que integram diretamente o setor do futebol profissional, onde as funções se mantêm (para já) mais estáveis.

Quem já foi dispensado, diz que não existe explicação detalhada por parte da administração da SAD, na pessoa de Alexandrina Cruz..

Alguns partilham ainda que se sentem enganados pelo projeto que lhes apresentaram em 2023 e no que ele realmente se está a tornar. (não foi por falta de aviso)

21.11.25

"...que eu não pago!"

A escolha da Presidente do Rio Ave FC para, em simultâneo, ser a presidente da SAD dividiu opiniões no universo Rioavista: houve aqueles que viram sobretudo problemas (como eu) e os que acharam que seria benéfico ter a mesma pessoa nos dois lugares.

Pois bem, em face das inúmeras notícias (esta ou esta, por exemplo) envolvendo dívidas reclamadas por fornecedores/colaboradores da SAD, Alexandrina Cruz tem aqui um primeiro(e importante) teste.

Como já se escreveu, a Presidente, como qualquer Rioavista, sentir-se-á certamente incomodada com a sucessão de casos que já deram entrada na justiça.  

Se conseguir resolver o problema (no fundo, é preciso convencer Lina Souloukou, que depois convence Marinakis), dará razão aos que defenderam que era a pessoa certa para desempenhar o lugar. 

E o Rio Ave FC agradece não ser arrastado para mais calotes...

 

 

 

 


  

31.10.25

A minha declaração do ponto 4 - sobre o caminho que o clube seguiu



(Declaração no ponto 4 - Outros assuntos de interesse)


Nos últimos anos, o Rio ave FC tem vivido um período que muitos de nós nunca imaginaríamos presenciar. Falo de um clube que sempre se orgulhou de ser dos sócios, feito por sócios, e que hoje, infelizmente, parece estar a afastar-se dessa sua essência.

Recuando ao ano de posse desta direção. O número de associados foi um tema envolto em dúvidas, muito se escreveu e por muitos foi escrito — contagens que ninguém explicou e com um processo eleitoral que, curiosamente, teve um número de votos anormalmente elevado. Em 85 anos de história, nunca se tinha visto tamanha afluência. Dúvidas se levantaram.

Mas o tempo mostrou que as desconfianças não eram infundadas. A transformação da nossa SAD foi conduzida sem debate, sem auscultação, sem transparência. A verdade é que, enquanto sócios, fomos espectadores de um processo que devia ter sido profundamente participativo. Fomos deixados de fora de uma das decisões mais estruturantes da história do Rio Ave FC. Um processo feito nas costas de quem construiu este clube com paixão, suor e amor à camisola.

E as consequências estão à vista. A transformação da SAD não foi apenas jurídica ou administrativa — foi emocional, cultural e humana. O clube mudou de rosto, mas também de alma. Foram saindo figuras com décadas de dedicação. Pessoas que deram tudo pelo Rio Ave, que sempre estiveram lá, sem holofotes, mas com uma entrega genuína. Diretores, funcionários, até presidentes-adjuntos. Foram todos substituídos, sem explicações claras, como se o passado pudesse ser varrido sem qualquer comunicação.

Entretanto, a ligação entre o clube e os seus sócios vai-se desfazendo. Basta olhar para os números de assistência nos jogos que tendem a não aumentar face ao aumento exponencial de sócios que existiu. Onde antes havia entusiasmo, há agora desinteresse. Onde antes havia orgulho, há agora resignação no final dos jogos. 

O Estádio dos Arcos, que já foi símbolo de união, está cada vez mais vazio de espírito. Os números do relatório e contas que hoje analisamos são o espelho disso mesmo — menos apoio, menos receita, menos vida.

Tudo isto acontece sob uma liderança cada vez mais centralizada, unipessoal, em que a presidente parece falar por todos. 

A direção, na prática, foi remetida para o silêncio. O clube, que devia ser plural, tornou-se uma estrutura vertical onde as decisões se tomam num gabinete e não em conjunto com quem faz o clube viver: os seus sócios e com vocês dirigentes.

E chegamos agora ao ponto mais sensível: a acumulação de cargos. A presidente do clube é também presidente da SAD. E por mais voltas que se dê, isto é, no mínimo, um enorme conflito de interesses.

Porque quem é presidente da SAD tem o dever de defender os interesses da SAD.
E quem é presidente do clube tem o dever de defender o clube.
 

Mas quando as duas cadeiras são ocupadas pela mesma pessoa, quem defende o quê?

Dou apenas alguns exemplos práticos:
Como já aconteceu inúmeras vezes no futebol nacional e internacional: Quando a SAD tem uma dívida ao clube, ou deixa de pagar uma verba que deve — quem é que cobra?

Será que é Alexandrina Cruz, presidente do Rio Ave Futebol Clube, que vai exigir o pagamento… à Alexandrina Cruz, presidente da SAD do Rio Ave, nomeada precisamente pelo detentor da SAD para defender os interesses da SAD?


E quando há uma negociação de cedência de espaços, como aconteceu há pouco mais de um mês — quem representa o arrendatário e quem representa o arrendador?

Será que Alexandrina Cruz, presidente do Rio Ave Clube, senta-se à mesa para negociar as melhores condições financeiras para o clube… com a Presidente da SAD do Rio Ave, também ela Alexandrina Cruz, que por sua vez está lá para defender os interesses da SAD?


Como é que terá sido a decisão de perdoar uns milhares de euros à SAD na época passada por parte do Clube?

Terá sido a Presidente do Rio Ave FC, Alexandrina Cruz, que se sentou com a Presidente da SAD do Rio Ave, também Alexandrina Cruz, para decidir qual a verba que melhor servia os interesses do clube… e simultaneamente os da SAD?

E mais: no dia em que os interesses do clube não coincidirem com os interesses da SAD como acontece imensas vezes no futebol nacional e internacional — o que vai acontecer?

Irá Alexandrina Cruz, presidente do Rio Ave FC, bater-se de razões e decidir ir para a esquerda, quando Alexandrina Cruz, presidente da SAD do Rio Ave, quiser ir para a direita?

Como é que isto é possível?

Como é que alguém pode achar que esta situação serve o clube, a transparência ou os sócios?

Estas perguntas são simples, mas as respostas não o são.
E é precisamente por não haver respostas claras que a transparência se perdeu.

O que se viu, foi um representante vender parte de uma empresa a outra entidade e depois ir presidir à empresa, sendo eleita pelo seu proprietário, para a qual vendeu tendo decidido o preço e condições da venda ao seu novo "empregador",

Tudo sem que ninguém da restante direção ache isso estranho e o manifeste publicamente. 

O Rio Ave sempre foi um exemplo de clube sério, respeitado, com identidade. Mas hoje vivemos tempos em que as decisões se tomam em círculos fechados, onde o contraditório é visto como afronta e onde as vozes críticas são censuradas, desvalorizadas e atacadas.

Nós sócios e também vocês dirigentes, não podemos aceitar que o clube se transforme num instrumento ao serviço de vontades individuais. O Rio Ave é maior do que qualquer presidente e maior do que qualquer mandato. Seja Alexandrina ou outra pessoa a presidir este dois órgãos em simultâneo.

E por isso, esta intervenção é, acima de tudo, um apelo.
Um apelo para que o Rio Ave volte a ser dos sócios e representado por todos os seus dirigentes.
Que volte a ser transparente, participativo e vivo.
Que volte a ser o Rio Ave que aprendemos a amar — de todos, e não apenas de alguns.


Por isso, reforço o apelo que fiz no passado dia 3 de outubro:

Senhora Presidente, demita-se.

E não caia na tentação de se recandidatar, escudando-se do seu “exército” para tentar validar, através de um processo eleitoral, aquilo que é — e continuará a ser — um claro conflito de interesses.

Nenhum ato eleitoral confere legitimidade a uma situação eticamente indefensável.

Muito menos quando é sustentado pela força de um grupo fiel, e não pela vontade genuína dos verdadeiros sócios.


Mas como sei que em caso algum se demitirá, então deixo estas duas situações para as quais gostaria de obter esclarecimentos diretos da sua parte:

  1. No dia em que os interesses do clube não coincidirem com os interesses da SAD como acontece imensas vezes no futebol nacional e internacional — como é que se irá posicionar?

  2. Se o investidor quiser adiar a construção da bancada para 2029 por exemplo, o que dirá a presidente do Rio Ave FC?


Perante as questões apresentadas, Alexandrina Cruz optou por não responder a nenhuma delas.

16.10.25

Marinakis desistiu do modelo anterior e entregou o poder de decisão da SAD a Alexandrina Cruz

Antes de mais, e para evitar interpretações indesejadas, faço notar que este texto pretende ser apenas uma análise, sem comentários. Tem algumas especulações, mas, quanto a comentários, que cada um que faça os seus.

Na minha opinião, o novo Conselho de Administração da SAD do Rio Ave FC revela muito mais do que aquilo que à partida parece.

Existem três administradoras executivas. Alexandrina será provavelmente a única a tempo inteiro em Portugal, o que significa que tudo (tudo, mesmo) passará por ela. Lina Souloukou está em Inglaterra e falam regularmente ao telefone, quanto a Anna Rabuano nada se sabe (a não ser que é uma financeira), mas acho pouco provável que venha viver para Vila do Conde. Mesmo que isso acabe por acontecer, Alexandrina terá a primeira e última palavra, já que vai demorar muito até que a administradora financeira perceba a realidade do Rio Ave e de Portugal em geral. Ou seja, Alexandrina será não só Presidente da SAD mas na prática CEO e COO (diretora de Operações).

Sobre Rabuano: trabalhou com Lina na AS Roma entre 2023 e 2024, onde continua até hoje, como administradora financeira. Oficialmente ainda não se despediu, mas não acredito que a AS Roma a deixe conciliar com o Rio Ave. O mais provável é que viaje para Nottingham, para fazer parte da equipa de Lina (a CEO ).

Os outros dois administradores (não executivos) também são indicados por Alexandrina. Um, Luis Oliveira, por ser vice-presidente do Rio Ave, e o outro, Pedro Macieirinha, por ser o advogado do Rio Ave, alguém que (no universo Marinakis) apenas a Presidente conhece a fundo. Ou seja, três dos cinco administradores.

Mais importante, e voltando ao início, o que este novo Conselho de Administração significa, na minha leitura, é que Marinakis desistiu do modelo de governação anterior (e que, reconheça-se, foi um desastre) e optou por um novo, já não à distância, mas liderado por quem está em Vila do Conde. 

Veremos como corre. Eu espero que corra tudo bem.


 

14.10.25

Sobre a nova atualização: Alexandrina Cruz com Poderes Executivos na SAD




O que era uma incompatibilidade teórica e ética, transformou-se numa situação mais grave com a recente divulgação do novo Conselho de Administração da Rio Ave SAD. 
Não basta Alexandrina Cruz ser Presidente da Rio Ave SAD (o detentor da maioria do capital social da SAD) e, simultaneamente, Presidente do Rio Ave FC; agora, sabemos que detém poderes executivos na SAD.

Esta concentração de poder é inaceitável e destrói qualquer resquício de separação de interesses. A Presidente do Clube, que é suposto zelar pelo património e pela defesa intransigente dos sócios e da instituição, passa a ser a principal gestora e decisora operacional da entidade que deve pagar ao Clube e que tem, por natureza, uma lógica de mercado e lucro.

A Incompatibilidade Prática e Operacional

Com poderes executivos na SAD, a Presidente tem a responsabilidade de maximizar o desempenho financeiro e desportivo da SAD. Ao mesmo tempo, como Presidente do Clube, tem o dever de negociar em nome do Clube, por exemplo:

  • Ainda há uns meses houve um desconto feito por parte do clube à SAD relativamente à renda anual. Qual é a sua avaliação relativamente a este desconto feito por Alexandrina Cruz à SAD?
  • Utilização de Infraestruturas (com o novo terreno): Irá a decisora executiva da SAD assinar um contrato oneroso com o Clube, que ela própria representa na outra "cadeira" ou perdoará qualquer aumento de na renda anual?

A resposta é evidente: não há negociação, há apenas uma decisão única. Os interesses do Clube deixam de ser defendidos por uma voz independente e passam a ser submetidos à lógica executiva da SAD.


O Silêncio Cúmplice da Direção do Clube

É particularmente revoltante a passividade da restante Direção do Rio Ave FC. Perante um cenário de conflito de interesses de tamanha dimensão, o silêncio dos restantes membros é ensurdecedor. Onde está o compromisso destes dirigentes para com os sócios que os elegeram? O seu dever é questionar e exigir a separação de cargos para salvaguardar a autonomia do Clube. Ao não o fazerem, tornam-se cúmplices de uma situação que coloca os interesses da instituição em risco.


Completo o novo Conselho de Administração da SAD: Alexandrina é mesmo administradora executiva

[As minhas dúvidas sobre o facto de AC ser administradora executiva ficaram aqui] 

Dos três administradores executivos, provavelmente apenas Alexandrina estará em permanência em Vila do Conde, o que lhe dará realmente (todo?) o poder de decidir. Mais corretamente, deve dizer-se 'das três administradoras executivas', já que são três mulheres, certamente um caso único a nível mundial!

Como não consta da lista, pode concluir-se que Beristain já saiu: "Fará ainda parte, como administrador executivo, do Conselho de Administração," dizia o Rio Ave em julho 2025 - ou seja, durou três meses!)

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO:

Nome: MARIA ALEXANDRINA DA SILVA COSTA CRUZ
Cargo: Presidente e Administradora Executiva


Nome: ANNAMARIA RABUANO (Trabalhou na AS Roma, com Lina Souloukou, mas a sua contratação não foi anunciada até agora)
Cargo: Administradora Executiva


Nome: EVANGELIA SOULOUKOU
Cargo: Vogal e Administradora Executiva


Nome: LUÍS PEDRO GUEDES RIBEIRO LOPES MACIEIRINHA (Pedro Macieirinha tem sido o advogado do Rio Ave nos últimos meses, mas a sua ligação já vem desde 2021)
Cargo: Vogal

 Nome: LUÍS FILIPE ALMEIDA DE OLIVEIRA
Cargo: Vogal