27.1.26

Há treinadores e… treinadores




Desde a constituição da SAD e da entrada do Grupo Marinakis na estrutura do Rio Ave, passaram pelo banco três treinadores. Três nomes.

Luís Freire foi o primeiro. Um treinador identificado com o clube, com conhecimento da casa e que apanhou um Rio Ave em clara reconstrução. A sua média de 1,1 pontos por jogo no campeonato não foi brilhante. Foi despedido. A mensagem foi clara: não havia paciência nem margem para processos.

Seguiu-se Petit. Um perfil diferente, mais experiente, com um discurso mais alinhado com a ideia de “estabilidade” e “competitividade”. A sua média subiu ligeiramente para 1,20 pontos por jogo, a melhor das três. Não chegou para encantar, mas chegou para cumprir. Mesmo assim, a SAD optou por não renovar contrato. Não foi despedido, é certo, mas também não foi suficientemente bom para merecer continuidade. Mais uma vez, a régua pareceu curta.

Chegamos então a Sotiris. O actual treinador apresenta, até ao momento, uma média de 1,05 pontos por jogo, a mais baixa dos três. Em termos puramente numéricos, é impossível não notar que os resultados são inferiores aos dos seus antecessores. E, no entanto, o cenário é completamente diferente. Não há ruído, não há pressão pública, não há sequer um debate sério sobre o seu futuro.


Luís Freire foi despedido com 1,1 pontos por jogo.
Petit saiu com 1,20.
Sotiris mantém-se com 1,05.

Se a lógica fosse apenas desportiva, a história já teria conhecido outro capítulo. Mas não é. Nunca foi.

Porque Sotiris não é apenas mais um treinador do Rio Ave. Sotiris é “da casa” do Grupo. É um nome alinhado, um projeto interno, um treinador que encaixa numa lógica muito própria de gestão. E isso faz toda a diferença. Não pelos resultados, não pelo futebol jogado, mas pelo estatuto que lhe foi atribuído à partida.

A sensação que fica é simples e desconfortável: na Rio Ave da SAD, os treinadores não são avaliados todos da mesma forma. Uns têm de ganhar para sobreviver. Outros sobrevivem enquanto ganham tempo.

E a conclusão impõe-se quase sozinha, por mais incómoda que seja: não fosse Sotiris quem é — um menino querido do “pai” Marinakis — e, muito provavelmente, já estaria fora do clube.

No Rio Ave actual, os pontos contam. Mas as ligações contam mais.