Numa altura em que se fala, nos bastidores, de ambições europeias (já o ano passado um dos executivos da SAD tinha traçado isso como objetivo de curto prazo), a presidente preferiu manter uma ambição mais humilde, defendendo que, embora estejam a construir uma equipa competitiva, não é tempo de prometer voos altos.
“Seria fácil falar em Europa, até porque estamos a construir uma equipa competitiva, mas o foco do nosso projeto, após o que apelidamos de um ano zero, é a sustentabilidade”.
- A construção de um novo edifício para a equipa profissional;
- Um centro de treinos para a academia com mais dois relvados;
- A reconstrução da bancada nascente do Estádio do Rio Ave.
Do ponto de vista das infra-estruturas, Alexandrina Cruz apresentou o que sabe, mas sem grandes detalhes — afinal, quem realmente manda é Evangelos Marinakis. É ele quem vai investir, decidir o que fazer e quando fazer. Se existisse de facto um acordo parasocial onde estivessem claramente definidas as alterações estruturais previstas, esse documento já teria sido partilhado com os sócios e explicado em assembleia há muito tempo. Na assembleia comunicará apenas o que está em curso e o que já está assegurado para o curto e médio prazo. Quanto ao resto, não irá arriscar a fazer promessas que sabe que não poderão ser cumpridas.
Na prática, tudo indica que o que vamos ter é isto: Alexandrina comunicará pontualmente pequenas melhorias, à medida que lhe forem sendo transmitidas pela SAD. E como o poder de decisão está centralizado no investidor grego, toda a cautela recomendada.
Ainda assim, importa reconhecer que todas as melhorias são bem-vindas. O que é lamentável é que os sócios não sejam chamados a participar, sobretudo quando falamos de património imobiliário que sempre foi, e continua a ser, do clube. Mas se nem a própria presidente parece ter autonomia para decidir, também não valeria de muito a participação dos sócios neste processo.
No plano desportivo, fica a dúvida: será suficiente apontar aos 39 pontos como ambição mínima? Sinceramente, não acredito que Marinakis se contente com isso. Este tipo de discurso serve apenas para que, ao longo da época, Alexandrina possa construir uma narrativa de que o projeto é de longo prazo, e que garantir a manutenção será, por si só, um feito positivo. Se se conseguir algo mais, será apresentado como um feito glorioso.