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11.8.26

A equipa respondeu e os adeptos também


(imagem do Rio Ave tirada depois do apito final)

No passado sábado escrevia neste espaço sobre a necessidade de os Arcos voltarem a sentir algo que, durante muitos anos, foi uma das imagens de marca do Rio Ave: a ligação entre a equipa e os seus adeptos.

Uma ligação feita de proximidade, de identificação e de apoio incondicional.

Menos de 24 horas depois, tive a oportunidade de assistir à deslocação do Rio Ave a Barcelos e saí do estádio com uma certeza: a equipa começou esta temporada com os seus adeptos ao lado.

É verdade que Barcelos fica relativamente perto de Vila do Conde. Estamos a falar de uma deslocação de cerca de 25 a 30 quilómetros, acessível para muitos sócios e adeptos. Mas quem acompanha regularmente o Rio Ave sabe que a distância, por si só, não explica aquilo que se viu no domingo.

Nas últimas cinco ou seis temporadas também marquei presença em praticamente todas as deslocações a Barcelos. E, honestamente, não me recordo de ver um apoio desta dimensão.

Não foi apenas uma questão de números.

Foi a forma como os adeptos apoiaram a equipa durante os 90 minutos.

As vozes ouviram-se praticamente durante todo o jogo. Houve cânticos, incentivos e uma energia que há muito tempo não via numa deslocação do Rio Ave. Mesmo nos momentos mais difíceis da partida, o apoio não desapareceu.

E isso merece ser destacado.

Temos passado os últimos anos a falar sobre o afastamento entre os adeptos e quem dirige o clube. Temos falado da perda de identidade, da quebra de ligação emocional e de tudo aquilo que se foi perdendo pelo caminho.

Mas uma coisa ficou demonstrada logo na primeira jornada desta temporada:

Os sócios e adeptos do Rio Ave fizeram a sua parte.

Agora cabe à equipa corresponder.

Porque se o apoio demonstrado em Barcelos servir de indicador, então o Rio Ave entrou nesta temporada com algo que nem sempre teve nos últimos anos:

A força dos seus adeptos atrás de si.

10.8.26

Julho de 2026: o mês mais visitado da história do Reis do Ave



O mês de julho de 2026 ficará para sempre marcado na história do Reis do Ave.

Pela terceira vez este ano, o blog bateu o seu recorde absoluto de visualizações mensais, ultrapassando todos os registos anteriores desde a sua criação sendo que o mês passado ultrapassou as 100 mil visualizações.

Os números falam por si.

Depois de já ter sido alcançado um máximo histórico em Maio, o mês passado voltou a estabelecer uma nova marca, tornando-se o período com mais visitas de sempre no Reis do Ave.

Naturalmente, estes números não são um troféu nem uma competição. Não escrevemos para bater recordes nem para perseguir estatísticas. Quem acompanha este espaço sabe que escrevemos porque gostamos de o fazer. Escrevemos porque gostamos do Rio Ave, porque gostamos de refletir sobre a atualidade do clube e porque acreditamos que os sócios e adeptos merecem ter espaços onde diferentes opiniões possam ser partilhadas livremente.

Mas seria hipócrita dizer que estes números não têm significado.

Têm.

Sobretudo porque demonstram que existe um número crescente de pessoas interessadas em ler, discutir e acompanhar os temas relacionados com o Rio Ave.

Num período em que tantas vezes se fala do afastamento entre o clube e os adeptos, estes números mostram precisamente o contrário: existe interesse, existe participação e existe vontade de acompanhar aquilo que se passa à volta do universo rioavista.

Ao longo dos últimos meses passaram por aqui textos sobre os mais variadíssimos temas. Alguns geraram consenso, outros polémica. Alguns receberam elogios, outros críticas.

E ainda bem.

Porque um espaço de opinião só faz sentido quando gera debate.

O Reis do Ave existe há muitos anos, atravessou diferentes fases do clube e continuará a existir enquanto houver histórias para contar e opiniões para partilhar.

Julho de 2026 foi o mês mais visitado da história deste espaço.

Mas, acima de tudo, foi mais uma demonstração de que a comunidade rioavista continua presente, atenta e interessada no futuro do seu clube.

E isso vale muito mais do que qualquer recorde.

Bilhetes duplicados, pagamentos em numerário e algumas perguntas por esclarecer


Ontem fui um dos muitos adeptos e sócios do Rio Ave que se deslocou a Barcelos para assistir ao encontro entre o Gil Vicente e o Rio Ave.

Cheguei ao estádio por volta das 20h10 e, ainda antes de entrar, deparei-me com uma situação que me causou alguma estranheza. Junto à entrada destinada aos nossos adeptos encontravam-se cerca de vinte sócios visivelmente indignados, impedidos de entrar no recinto.

Poucos minutos depois fui abordado por duas dessas pessoas, que me explicaram o que estava a acontecer.

Segundo os próprios, o Rio Ave teria vendido o mesmo bilhete a mais do que uma pessoa. Quando tentaram aceder ao estádio, o sistema de controlo acusava que aquele bilhete já tinha sido utilizado, impossibilitando a sua entrada. Na prática, alguém já tinha entrado com um bilhete que correspondia ao mesmo código que lhes tinha sido vendido.

A situação gerou naturalmente revolta e frustração.

No local encontrava-se o elemento de ligação aos sócios e adeptos do Rio Ave, que tentou gerir o problema. No entanto, a solução apenas surgiu durante o apito inicial. Os adeptos afetados acabaram por ser encaminhados para outra bancada, conseguindo assistir ao jogo, mas não no setor onde estavam concentrados grande parte dos adeptos rioavistas.

Durante o intervalo e após o final da partida tive oportunidade de conversar com alguns dos visados. A insatisfação era evidente. Não apenas pelo transtorno causado, mas também pelo facto de terem sido colocados num local diferente daquele onde estavam grande parte dos adeptos do Rio Ave, retirando parte da experiência de acompanhar a equipa fora de casa.

Tudo indica que a origem do problema terá estado na emissão e venda dos bilhetes, alegadamente com lugares duplicados ou vendidos mais do que uma vez.

Mas este não foi o único aspeto que merece reflexão.

Tal como já aconteceu noutras ocasiões, os bilhetes foram vendidos apenas mediante pagamento em numerário. Em pleno 2026, continua a ser impossível utilizar cartão bancário para adquirir bilhetes em algumas deslocações organizadas pelo clube - quando feito na loja do Rio Ave.

Mais estranho ainda foi aquilo que me aconteceu quando solicitei uma fatura pela compra do meu bilhete. Foi-me dito que não seria possível emitir a fatura naquele momento. Insisti no pedido e foi-me garantido que a mesma me será enviada durante esta semana.

Espero sinceramente que assim aconteça.

No entanto, quando juntamos todos estes episódios — bilhetes alegadamente vendidos em duplicado, pagamentos exclusivamente em dinheiro e dificuldades na emissão de documentos fiscais — a imagem que fica é a de uma organização que está longe do nível de rigor e profissionalismo que os sócios têm o direito de exigir.

Quero acreditar que tudo isto resulta apenas de desorganização e não de algo mais grave.

Espero que este episódio sirva para retirar conclusões e corrigir procedimentos.

Porque apoiar o Rio Ave já exige bastante dos seus adeptos.

O mínimo que o clube pode fazer é garantir que, quando estes compram um bilhete, conseguem entrar no estádio sem problemas. E que o processo de compra decorre com a normalidade e transparência que deveriam ser básicas em qualquer instituição.

9.8.26

(derrota por 1-0 em Barcelos) A jogar assim vamos ganhar mais vezes

 O Rio Ave saiu derrotado de Barcelos, no jogo de estreia, e isso muito se deve 1) à expulsão de Ntoi, imprudente na entrada por trás (bem expulso para mim); 2) ao penalti cometido por Abbey (abre o braço, quando o tinha, segundos antes, atrás das costas).

Sem estas duas condicionantes, o Rio Ave não só teria lutado por outro resultado como, acredito, teria pontuado. Aliás, 11 contra 11 fomos melhores.

Boa atitude da equipa, empatada ou a perder, o que dá sinais positivos para o que aí vem.

Sotiris surpreendeu no onze (Liavas a defesa-direito, Petrasso a central e Ryan a 10), mas equipa esteve genericamente bem. Grande exibição de Petrasso, o melhor em campo, Diogo Nascimento mostrou bons apontamentos.

Grande ambiente em Barcelos, grande entusiasmo à volta da equipa e apoio constante.

Gustavo Correia não falhou nas duas decisões-chave, mas na dúvida esteve sempre contra o Rio Ave. Arbitragem que não deixa saudades deste árbitro poveiro (pelos vistos não é poveiro😫; ainda bem para ele, mas continua a ser um árbitro fraco...)
 

 

8.8.26

Os Arcos merecem voltar a sentir isto





Há imagens que valem mais do que mil palavras. Esta é uma delas.

Durante muitos anos, as bancadas dos Arcos foram sinónimo de paixão, orgulho e união. Havia uma ligação especial entre o clube, a equipa e os adeptos. Independentemente dos resultados, sentia-se uma comunhão genuína. Os Arcos enchiam-se de gente, de cânticos e de esperança. O Rio Ave era mais do que uma equipa de futebol, era um ponto de encontro de uma comunidade inteira.

Infelizmente, muito desse espírito foi-se perdendo ao longo dos últimos cinco anos, com especial incidência nos últimos três. A distância entre quem gere o clube e os adeptos foi aumentando, criando um corte umbilical que deixou marcas profundas. Perdeu-se proximidade, perdeu-se identificação e, com isso, foi-se esbatendo uma parte importante da alma do Rio Ave.

Olho para esta fotografia e recordo tempos em que os Arcos vibravam de uma forma diferente. Tempos em que todos remavam para o mesmo lado e em que o sentimento de pertença era visível dentro e fora de campo. Não era tudo perfeito, mas existia algo fundamental: a sensação de que o clube e os seus adeptos caminhavam juntos.

Este fim de semana arranca uma nova temporada. Como rioavista, gostava muito de voltar a sentir este espírito. Gostava de voltar a ver os Arcos cheios, a equipa a ser empurrada pelas bancadas e os adeptos a sentirem que fazem parte do projeto. Mas para que isso aconteça, o primeiro passo não pode ser exigido apenas aos sócios e adeptos.

A reconquista dessa ligação tem de começar dentro do próprio Rio Ave. Tem de partir da equipa, através da entrega e da identificação com o símbolo que representa. E tem de partir também da direção, através da proximidade, da transparência e do respeito por quem continua a estar presente apesar de todas as desilusões dos últimos anos.

Porque os adeptos podem afastar-se, mas nunca deixam de querer acreditar. E eu continuo a acreditar que um dia voltaremos a viver tardes e noites como as desta fotografia.

Que comece a temporada 26/27

6.8.26

Barcelos pode valer ouro para o Rio Ave


O calendário do Rio Ave para o arranque da Liga Portugal Betclic 2026/27 não foi propriamente simpático para a equipa vilacondense. Já conhecíamos o sorteio, mas olhando para ele com algum distanciamento percebe-se que o Rio Ave terá um arranque de campeonato particularmente exigente.

A equipa estreia-se em Barcelos, frente ao Gil Vicente, e logo na segunda jornada recebe o FC Porto, atual campeão nacional. Na terceira jornada desloca-se ao Estoril, antes de voltar a Vila do Conde para defrontar o Sporting, campeão nacional da época 2024/25.

Como se isso não bastasse, mais à frente o calendário reserva ainda a receção ao SC Braga (11.ª jornada) e ao Benfica (15.ª jornada).

Ou seja, antes de concluído o primeiro terço da Liga, o Rio Ave recebe em casa os quatro primeiros classificados da última temporada: FC Porto, Sporting, SC Braga e Benfica. Trata-se de uma coincidência pouco habitual, que reduz significativamente a margem para conquistar pontos em casa durante a primeira metade da época.

Os primeiros cinco jogos podem definir muito

As cinco primeiras jornadas do campeonato são:

  • Gil Vicente (F)
  • FC Porto (C)
  • Estoril (F)
  • Sporting (C)
  • Santa Clara (F)

Partindo de uma análise puramente competitiva, os jogos frente ao FC Porto e ao Sporting são naturalmente aqueles em que a probabilidade de pontuar é mais reduzida.

Sobram, assim, três deslocações exigentes:

  • Gil Vicente
  • Estoril
  • Santa Clara


Destes três adversários, o Gil Vicente parece, à partida, aquele que oferece melhores condições para o Rio Ave conquistar os primeiros pontos da época.

Na temporada passada, as duas equipas demonstraram um enorme equilíbrio nos confrontos diretos:

  • Gil Vicente 2-2 Rio Ave
  • Rio Ave 0-0 Gil Vicente

Além disso, tratam-se de dois clubes com objetivos semelhantes. Apesar de o Rio Ave apresentar atualmente um investimento superior e uma estrutura cada vez mais ambiciosa, os resultados desportivos ainda não acompanharam totalmente esse crescimento. A expectativa passa por ver o clube aproximar-se, gradualmente, da luta pelos lugares europeus nas próximas épocas.

Um mau arranque pode pesar

Perder pontos em Barcelos poderá aumentar significativamente a pressão sobre a equipa, tendo em conta que as jornadas seguintes incluem uma recepção ao FC Porto, uma deslocação ao Estoril, a recepção ao Sporting e uma viagem sempre difícil aos Açores para defrontar o Santa Clara.

Se o Rio Ave não conseguir pontuar frente ao Gil Vicente e também deixar pontos no Estoril, existe uma possibilidade real de chegar à recepção ao Estrela da Amadora, na 6.ª jornada, ainda sem qualquer ponto conquistado.

Esse cenário não seria necessariamente um reflexo da qualidade da equipa, mas sim da exigência de um calendário que coloca vários dos adversários mais difíceis logo nas primeiras semanas da competição.

Onde pode estar a esperança?

Há, no entanto, um fator que convida ao otimismo.

Desde que Sotiris Silaidopoulos assumiu o comando técnico do Rio Ave, a equipa revelou um comportamento muito competitivo nas deslocações. Na segunda metade da última época conquistou vários pontos importantes fora de casa e apresentou uma organização defensiva bastante consistente, somando a isso os golos do Blessa, reforço de inverno.

Se conseguir repetir esse rendimento, sobretudo frente ao Gil Vicente, Estoril e Santa Clara, poderá compensar as dificuldades previsíveis nas recepções ao FC Porto e ao Sporting.

Barcelos pode valer muito mais do que três pontos

É precisamente por tudo isto que a deslocação a Barcelos assume uma importância especial.

Mais do que valer três pontos, poderá permitir ao Rio Ave retirar pressão a um dos arranques de campeonato mais exigentes dos últimos anos e ganhar tranquilidade para enfrentar uma sequência de jogos onde o grau de dificuldade será bastante elevado.

Se a equipa de Sotiris conseguir iniciar a Liga a pontuar frente a um adversário direto, ganhará não só confiança, mas também margem para encarar as jornadas seguintes sem a ansiedade que um calendário tão duro pode provocar.

No fundo, o calendário obriga o Rio Ave a fazer aquilo que fez tão bem na época passada: ir buscar pontos onde, à partida, poucos esperam que os consiga.

Esqueceram-se do Samuel?

A página oficial do Rio Ave tem, desde há vários dias, o plantel para a esta nova época. Estão lá todos os jogadores, menos Samuel Alves, o reforço que foi apresentado e participou em todos os jogos de preparação. Esperei uns dias antes de publicar este texto, porque o plantel poderia estar 'em construção', mas nesta altura só há duas explicações:

- ou é distração (e ninguém reparou até agora)

- ou Sotiris, provavelmente por causa dos seus 18 anos ou por ser o terceiro ponta de lança, não o considera do plantel principal (na lista da SAD também não estão os três jogadores sub23 que foram apresentados no sábado, mas que estão inscritos na Liga, tal como o próprio Samuel).

Na lista da Liga, além de Caike, Antoine e Miguel Patrício (e Samuel), estão mais jovens. Um deles, Diogo Cordeiro, extremo, 18 anos, é completamente desconhecido para mim (mas tem feito todo o percurso na formação do Rio Ave).
 

 

 

 

Chegou a hora de competir: a dúvida que me acompanha para a nova época




Chegou finalmente a semana que todos aguardávamos.

Depois de mais uma pré-temporada marcada por jogos à porta fechada, pouca informação e apenas um encontro televisionado, o Rio Ave prepara-se para iniciar oficialmente a temporada com uma deslocação a Barcelos para defrontar o Gil Vicente.

Este fim de semana tive a oportunidade de assistir ao primeiro — e único — jogo da pré-época que consegui ver. Naturalmente, uma partida não permite retirar conclusões definitivas, mas permite pelo menos formar uma opinião sobre aquilo que poderá ser o Rio Ave desta temporada.

E, de uma forma geral, saí com uma sensação positiva.

A base da equipa mantém-se e os jogadores que saíram não deixam propriamente muitas saudades. Não porque não tenham tido o seu valor, mas porque a maioria acabou por acrescentar menos do que aquilo que se esperava deles. Por outro lado, olhando para os reforços que chegaram, tenho dificuldade em acreditar que consigam fazer pior do que algumas das opções que existiam anteriormente.

Pelo contrário.

Diogo Nascimento, Roland, Samuel e até alguns dos jovens que têm aparecido parecem trazer argumentos interessantes para elevar o nível competitivo do plantel. Não significa que a equipa vá fazer uma grande época, mas pelo menos existe a sensação de que houve alguma preocupação em corrigir fragilidades identificadas na temporada passada.

Contudo, existe uma questão que continua a preocupar-me.

O modelo de jogo.

Aquilo que vi frente ao Tondela foi, em grande medida, uma continuação daquilo que vimos durante boa parte da última época. O Rio Ave continua a construir e a defender com apenas dois médios no corredor central, escolhidos entre Ntoi, Diogo Nascimento, Ryan, Nikitscher, Liavas ou Aguilera, quando este recuperar da lesão.

E aqui reside a minha principal dúvida.

Se havia algo que gostaria de ver alterado nesta nova temporada era precisamente a estrutura do meio-campo. Gostava de ver um Rio Ave mais equilibrado, mais forte por dentro e com maior capacidade para controlar os jogos.

Gostava de ver um meio-campo a três.

Um trio capaz de oferecer mais soluções na construção, maior proteção defensiva e melhor ocupação dos espaços centrais. Com dois extremos verdadeiramente abertos nas alas e Blesa como referência ofensiva.

Na teoria, parece-me uma solução que poderia potenciar vários dos jogadores que temos no plantel.

Mas não acredito que vá acontecer.

Sotiris parece confortável com as suas ideias e tudo indica que continuará fiel ao sistema que tem utilizado desde o inicio do ano.

Respeito essa opção. Afinal, quem trabalha diariamente com os jogadores é o treinador.

Mas continuo a acreditar que o Rio Ave teria mais a ganhar do que a perder com essa mudança.

De resto, chega a hora da verdade.

A pré-temporada terminou. As experiências acabaram. Os pontos começam a contar.

E já no próximo fim de semana teremos a primeira resposta.

Em Barcelos. Frente ao Gil Vicente. Onde começaremos a perceber se este Rio Ave está realmente preparado para fazer melhor do que nas últimas duas temporadas.

4.8.26

Precisamos mesmo de um '10'?

No final do jogo de apresentação, Sotiris afirmou que "acredito que em breve teremos aquilo de que necessitamos, um segundo lateral esquerdo e, talvez, um número 10".

Se relativamente ao defesa-esquerdo não há dúvidas (Abbey não pode fazer a época toda, pena não haver nos sub23 quem possa ser o seu suplente), já quanto ao '10' há duas notas a ter em conta:

1) Reparem que Sotiris diz 'talvez', em vez de ser tão taxativo como com o defesa;

2) Este talvez... talvez tenha a ver com o tempo de recuperação de Aguilera. Até agora, tem sido Blesa o substituto, mas talvez Sotiris não queira abdicar do seu melhor ponta de lança. A questão é que quem vier terá de ser melhor do que Aguilera, caso contrário virá para suplente.

Em resumo, quanto mais depressa Aguilera regressar menos necessário será contratar um '10', que - bem trabalhado - até poderia ser Ryan ou Miguel Patrício?

 


 

3.8.26

O onze que vai a Barcelos foi o que começou frente ao Tondela

Olhando para o onze que Sotiris fez alinhar de início no jogo de apresentação (Ennio Van der Gouw, João Tomé, Brabec, Gustavo Mancha, Nelson Abbey, Ntoi, Diogo Nascimento, Blesa, Galcik, Bezerra e Tamble), parece-me claro que é assim que vamos começar o campeonato.

Não é apenas por ter sido o último jogo de preparação, é também porque é isso que nos dizem os números dos jogos-treino anteriores e porque há a tal base da época passada.

Se repararmos há apenas dois reforços no onze: Galcik no lugar de Spikic e Diogo Nascimento a fazer de Nikitsher. Este último era absolutamente esperado, o primeiro poderá ser uma surpresa, até porque havia, no plantel, Medina e Lobato.

Falta referir Vroussai, que não fez qualquer jogo de preparação e do qual nada sabemos: alguém imagina um titular no Benfica, Sporting ou Porto que não tenha feito um jogo de preparação, sem que o respetivo clube não tenha dado informação sobre o que se passa? Somos pequenos, mas ainda nos fazem(os) mais pequenos.

No seu lugar jogará João Tomé que, como se recordarão, foi dado como contratação do Marítimo. Talvez a indisponibilidade de Vroussai tenha precipitado a sua continuidade.

Comentário final: a confirmar-se este onze, Sotiris está finalmente a jogar com os melhores e não com os nomes nas camisolas.


 

 

1.8.26

Último teste (vitória por 3-1), algumas respostas e lacunas por resolver




Terminou a pré-temporada do Rio Ave e o último ensaio antes do arranque oficial da época terminou com uma vitória por 3-1 frente ao Tondela.

Foi um jogo de duas faces bem distintas. Uma primeira parte pouco conseguida, onde o Rio Ave revelou dificuldades em assumir o controlo da partida, e uma segunda metade bastante mais positiva, com uma equipa mais intensa, mais agressiva na recuperação da bola e muito mais objetiva no momento ofensivo.

Apesar de ter beneficiado de alguns erros da equipa do Tondela e de ter criado uma ou outra oportunidade, o Rio Ave chegou ao intervalo em desvantagem. O 0-1 ajustava-se àquilo que tinha sido uma primeira parte pouco inspirada da equipa de Sotiris.

Tudo mudou após o descanso.

A entrada de Ryan para o lugar de Ntoi teve impacto imediato no comportamento da equipa. O Rio Ave passou a pressionar mais alto, recuperou bolas em zonas mais adiantadas e ganhou velocidade na transição ofensiva. O resultado foi uma reviravolta rápida e convincente.

Primeiro apareceu Jalen Blesa, que continua a demonstrar que pode ser novamente uma das figuras da equipa nesta temporada. Depois foi a vez de Bezerra aumentar a vantagem. Já perto do final, o reforço Samuel fechou as contas e confirmou a vitória.

Entre as novidades apresentadas ao longo da pré-temporada, houve vários sinais encorajadores. Diogo Nascimento demonstrou qualidade com bola e capacidade para assumir o jogo. Roland deixou igualmente boas indicações e Samuel voltou a marcar, mostrando argumentos para lutar por espaço no ataque.

Nota igualmente positiva para os jovens Wenck e Miguel Patrício. Ambos continuam a aproveitar as oportunidades que lhes têm sido dadas e demonstraram personalidade sempre que foram chamados a intervir.

No lado oposto, houve jogadores que ficaram claramente abaixo do esperado. Mancha teve uma tarde para esquecer, acumulando erros e transmitindo pouca segurança. Já Liavas e Tamble voltaram a não convencer. Liavas entrou na segunda parte mas teve pouca influência no jogo, reforçando dúvidas que já vêm da temporada passada.

Uma palavra também para Chamorro. O guarda-redes não foi utilizado e acabou por abandonar o relvado visivelmente descontente. É uma reação compreensível. Numa fase de preparação, e com Ennio já consolidado como titular, talvez tivesse feito sentido conceder-lhe alguns minutos. Nem que fossem apenas vinte. Muitas vezes, gerir um balneário também passa por estes pequenos gestos.

No final da partida, Sotiris foi claro nas declarações que prestou. Admitiu que o plantel ainda apresenta lacunas e que essa mensagem já foi transmitida à administração da SAD.

É difícil discordar.

A equipa continua a necessitar de um defesa-esquerdo e de um médio ofensivo capaz de assumir o papel de "10", precisamente as posições referidas pelo treinador. Mas olhando para aquilo que foi a pré-temporada, acrescentaria ainda uma terceira necessidade: um lateral-direito. Liavas continua longe de transmitir confiança e não parece, para já, ser uma solução que elimine as dúvidas existentes naquela posição.

A próxima semana já será a sério. Os jogos de preparação terminaram e as conclusões estão tiradas.

A segunda parte frente ao Tondela deixou sinais positivos e algum otimismo. Mas também deixou evidente que ainda existe trabalho por fazer e peças por acrescentar.

O campeonato está à porta. E os primeiros desafios não vão esperar que o Rio Ave esteja pronto.