Mais um processo judicial deu entrada contra a Rio Ave SAD.
Desta vez, o caso tem um contorno particularmente curioso.
Mas há um aspeto que não deixa de ser irónico.
Estamos a falar de um jogador que pertence ao mesmo universo empresarial que controla a Rio Ave SAD. Um jogador que passou por Vila do Conde e que, alegadamente, entendeu que tinha razões para recorrer aos tribunais contra a Rio Ave SAD.
É difícil não olhar para esta situação e levantar uma sobrancelha.
Ao longo dos últimos meses temos assistido a uma sucessão de processos, reclamações de fornecedores, ações laborais e litígios diversos envolvendo a SAD.
Agora surge mais um.
E não é movido por um adversário, nem por um agente externo ao universo Marinakis.
É movido por alguém que faz parte dele.
Se os factos que sustentam a ação forem confirmados, a imagem que fica é preocupante. Porque uma organização pode discutir opções desportivas, estratégias de mercado ou modelos de gestão. O que não deveria discutir é o cumprimento das suas obrigações para com quem trabalha ou trabalhou para si.
Numa altura em que se fala constantemente de projetos, infraestruturas, visão estratégica e crescimento, continua a surgir uma pergunta simples:
Como é possível que uma estrutura que ambiciona crescer a nível internacional continue a aparecer nos tribunais com tanta regularidade?
Os processos judiciais não significam automaticamente que exista razão do lado de quem processa.
Mas quando se acumulam, deixam inevitavelmente uma questão no ar. E pelo o que me é dito, a Rio Ave SAD não tem tido muito sucesso nos tribunais.
Se até pessoas ligadas ao próprio universo Marinakis sentem necessidade de recorrer aos tribunais para defender os seus direitos, que mensagem é que isso transmite sobre a forma como a SAD gere as suas relações?

