(Foto retirada pela TV Quintela a semana passada na sede do Rio Ave)
Em outubro de 2024, Alexandrina Cruz anunciou publicamente (em assembleia) a intenção de transformar o rés do chão da sede do Rio Ave FC num Sports Bar, um espaço pensado para servir os sócios, fomentar o convívio e aproximar o clube da sua massa associativa. A promessa, feita com alguma convicção, deixou em aberto os detalhes operacionais, tendo sido partilhado na altura que um processo concursal avançaria “em breve”.
Passaram mais de oito meses desde esse anúncio. E, desde então, nada foi tornado público. Nenhuma atualização, nenhum concurso anunciado, nenhum esclarecimento adicional. O silêncio em torno deste tema contrasta com a brevidade anunciada por Alexandrina Cruz.
Curiosamente, a sede tem vindo a ser utilizada... mas para outros fins.
No São João do ano passado, o espaço foi cedido a um grupo de pessoas que o explorou como bar durante a noitada — sem qualquer explicação da direção sobre os moldes dessa utilização, com que critérios e com que retorno (se é que houve algum) para o clube.
Mais recentemente, a sede voltou a abrir portas no âmbito da Desfolhada, para apoio à confeção dos tapetes de Corpo de Deus, em Vila do Conde (uma cedência que até acho que faça sentido). Um evento relevante na comunidade, é certo, mas que levanta novamente a questão: por que razão este espaço está a ser usado de forma pontual e informal, enquanto se adia uma reabilitação mais estruturada e útil para os sócios?
A própria sede tem sido ainda palco de cerimónias institucionais, em que muitas vezes só se permite a entrada a convidados. Ou seja, um espaço histórico do clube vai abrindo... mas raramente para quem mais sentido faz: os sócios.
O que terá travado o avanço do processo concursal para o Sports Bar? Terão surgido entraves legais, técnicos, ou financeiros? Houve desinteresse? Mudança de prioridades? Terão sido encontrados alguns desafios que impediam a exploração desejada?
Qualquer que seja a razão, os sócios merecem ser informados. Não só porque foram prometidas mudanças, mas porque aquele espaço tem um valor emocional e identitário demasiado grande para continuar fechado (ou semiaberto) sem rumo.
Reabilitar a sede não é apenas um ato simbólico — é uma forma concreta de devolver o clube aos seus sócios. Um Sports Bar pode ser uma mais-valia, mas, mais importante do que isso, seria garantir que a sede volta a ser um ponto de encontro aberto, ativo e acessível à comunidade rioavista.
O tempo passa, as oportunidades perdem-se, e a sede do Rio Ave continua à espera de ser devolvida a quem mais a merece: os seus sócios.