6.1.19

O Mesmo de Sempre


Antes de mais parabéns ao Daniel Ramos por ter coragem de chegar à Luz e jogar com 2 pontas de lança.
Correu mal, mas podia ter perfeitamente corrido bem, não fosse acontecer o costume.
Começamos bem o jogo, mesmo antes de marcar os golos. Faltas na saída de bola do Benfica, incapacitando as saídas do adversário e até deixando-os nervosos. Algo que é raro ver no Rio Ave. Depois os golos… Depois, como diria Tony Carreira ou quem ele plagiou, aconteceu o quê? “O mesmo de sempre”.
Os suplentes do Moreirense e do Lionn da época passada a jogarem outra vez com mentalidade e com características de extremos, mas colocados a laterais. Volto a dizer: um lateral tem de primeiro saber defender e depois atacar e não o contrário. Estes atacam muito e até admito que mais ou menos bem… e defendem muito mal. Nelson Monte efectivamente não é rápido, mas quem o podia compensar por ser rápido e que joga ao seu lado, deixa a bola passar à sua frente nos 2 golos do João Félix (2º e 3º do Benfica).
Posto isto: vi muita gente defender o “ataque” (como assim o classificaram) a Nadjack após o último jogo com o Moreirense. Eu não compreendo… essa defesa. Não compreendo mesmo. São erros a mais. E quando dizem que até não vêm diferença para o Lionn, eu pergunto: porque é que em 4 treinadores, todos apostaram em Lionn, quando este estava disponível, deixando Nadjack no banco? Sendo que alguns deles até preferiram colocar Pedrinho, quando cá estava e 2 deles chegarem ao limite de colocar Nelson Monte a jogar a lateral-direito, deixando Nadjack de fora? Um treinador fazer isso seria uma coisa… agora todos…
E aquele amarelo porque ficou nervosinho e empurrou um jogador com 1,60 e com 18 anos? Não teria dado jeito poder fazer uma falta na saída do contra-ataque que deu o 4º golo do Benfica, em que parecia uma bailarina a fazer um 360º?
João Smith, tal como fez no 3º golo do Nacional em casa, perde uma bola com a equipa totalmente descompensada, dando o 2º golo do Benfica. As faltas na saída de bola adversária esgotaram nos primeiros 20 minutos.
Muitas vezes confunde-se jogar bem com jogar bonito, porque jogar bem implica conseguir ter a real noção das necessidades do jogo a cada momento e é inadmissível jogo após jogo, uma equipa profissional, em momentos em que está a ganhar, conceder golos em ataques rápidos ou contra-ataques do adversário, por querer jogar bonito, quando o que se pretende é que baixe o ritmo do jogo e que mesmo em posse de bola se mantenha equilibrada, de forma a que as saídas do adversário possam ser paradas rapidamente, se não for na bola é no homem… com faltas que ninguém as faz.
Meio campo mole, mais uma vez. Às vezes jogar feio é jogar muito bem. É preciso é ter inteligência para perceber isso e quando se deve fazê-lo.

O ataque fez 2 golos. Bruno Moreira muito esforçado e com mais um golo justificou a titularidade. Gabriel esteve bem. Galeno conseguiu desequilibrar e se o árbitro fosse em modos teria conseguido sacar alguns amarelos o que seria importante... mas aí tambem corríamos o tal risco de ficar a jogar com 10 porque Nadjack mais uma vez não iria acabar o jogo se o critério não fosse tão largo. Galeno podia ter feito o golo, mas na hora do remate faltou-lhe a força. Vinicius dividiu muitas bolas com os 2 centrais, mas creio que lhe falta alguma agressividade na pressão ao adversário.

Os avançados fizeram o que se pede aos avançados. Fizeram 2 golos no Estádio da Luz.

O Benfica tem melhores jogadores? Claro que tem. Mas a ganhar 2-0 aos 20 minutos dar 2 ou 3 golos ao adversário não ajuda nada.

Domingo é o último jogo da primeira volta e no seguinte o primeiro jogo da segunda volta: 2 jogos em casa. 6 pontos obrigatórios.
Se ainda podemos sonhar com o 5º lugar é porque o Vitória SC perdeu 2 jogos seguidos… mas há muita gente metida ao barulho… e enquanto estamos a descer os outros estão com a moral de virem de baixo para cima.


Reflectir, pensar e tal como aconteceu com os 2 pontas-de-lança, arriscar.
Pede-se agora a Daniel Ramos que se não receber reforços de fora, que tenha coragem para arriscar em reforços de dentro. Prefiro ver errar um jogador de 18 ou 19 formado no Rio Ave e que vai a tempo de mudar, corrigir e melhorar, do que um que tem os mesmos erros e tiques há 4 anos e continua sem os conseguir melhorar apesar de todas as oportunidades que lhe têm sido dadas.
Errar faz parte, mas só faz sentido se percebermos o erro e o tentarmos melhorar e não voltar a repetir.